DA ''DESCOBERTA" À ''INVISIBILIDADE CIENTÍFICA": ABORDAGENS DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA PARA O ENSINO DE INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA
Felipe Vera Da Rocha, Camila De Jesus Almeida Matos, Erick Elisson Hosana Ribeiro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DA 'DESCOBERTA' À 'INVISIBILIDADE CIENTÍFICA': ABORDAGENS DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA PARA O ENSINO DE INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA
## Felipe Vera da Rocha 1 , Camila de Jesus Almeida Matos 2 , Erick Elisson Hosana Ribeiro 3
1 UEPA/Campus XX, felipevera983@gmail.com
2 UEPA/Campus XX, camiladejesus.0009@gmail.com
3 UEPA/Departamento de Ciências Naturais/Campus XX, erick.ribeiro@uepa.br
Palavras-chave : Indução Eletromagnética; História da Ciência; Ensino de Física
## Resumo expandido
O Ensino de Física atualmente tem sido reconhecido como fundamental para desenvolver a compreensão acerca do mundo científico, tecnológico e social no qual estamos inseridos, porém nem sempre ensinar Física é uma tarefa fácil. Dentre várias estratégias metodológicas, a proposta de ensinar Física utilizando História da Ciência (HC) vem sendo discutida de forma mais significativa desde a década de 1980 a partir de alguns pressupostos que rompem com a abordagem tradicional e superficial voltada geralmente aos grandes nomes e suas biografias, datas e descobertas científicas, para em vez disso, abordar de maneira contextual os acontecimentos que levaram os cientistas a criarem suas teorias e ideias Martins (2009).
Contudo Matthews (1995, p. 172), afirma que deve-se:
Explorar a História da Ciência em sala de aula, com recursos e metodologias que possibilitem aos alunos construírem o conhecimento científico de forma contextualizada, onde eles percebam 'que a ciência é mutável e instável e que por isso, o pensamento científico atual está sujeito a transformações' (MATTHEWS, 1995, p. 172).
Neste sentido, como também propõe Chassot (1997), a HC deve-se ir além ao intuito de mostrar as controvérsias e conflitos no contexto de produção dos conhecimentos, transparecendo inclusive aqueles indivíduos que muitas vezes são considerados anônimos, mas que tiveram grande significado nesse processo de construção do conhecimento. Por fim, a inserção da HC no Ensino de Física pode proporcionar uma excelente oportunidade para discussões de conceitos epistemológicos inerentes à natureza da ciência a fim de desmitificar e desconstruir concepções equivocadas sobre método cientifico, papel da ciência na sociedade, atributos dos cientistas, dentre outros (MARTINS, 2006), mostrando que o conhecimento científico não foi e não é um caminho de direção única, nem de simples analogias, tampouco simples, mas repleto de dúvidas, contradições, erros e acertos, motivado por interesses diversos (PARANÁ, 2008, p. 71).
Partindo destes pressupostos, o presente resumo consiste num recorte de uma pesquisa em andamento que visa discutir possibilidades de abordagens para o ensino de indução eletromagnética e concepções sobre natureza da ciência a partir da contextualização histórica referente ao processo da descoberta da autoindução por Joseph Henry (1797-1878). Esta discussão subsidiará a elaboração de uma
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
sequência didática de ensino que será aplicada em uma escola pública localizada no município de Castanhal-PA e permitirá o levantamento de dados para análises futuras.
Do ponto de vista historiográfico, os estudos referentes ao eletromagnetismo ganharam muita relevância por volta de 1820, pois Hans Christian Oersted (17771825) observou que um fio condutor submetido a uma corrente elétrica provocava a deflexão de uma agulha magnética próxima ao fio, sugerindo a existência da interação entre fenômenos elétricos e magnéticos, o que o levou a concluir que a passagem de corrente elétrica por um fio condutor produz um campo magnético ao seu redor (SILVA, 2019). Este efeito descoberto pelo pesquisador, também foi estudado posteriormente por André Marie Ampère (1775-1836) que observou que correntes com o mesmo sentido em fios paralelos causavam repulsão entre eles, e correntes no sentido oposto produziam atração, estabelecendo a descrição matemática deste fenômeno (DIAS e DIAS, 2015). Por fim, Michael Faraday (1791-1867), físico inglês, ao estudar os mesmos fenômenos observou que a variação magnética ao redor de um fio condutor também é capaz de gerar uma corrente elétrica no interior deste, fenômeno que ficou conhecido como indução eletromagnética (DIAS e MARTINS, 2004).
Porém Faraday não foi o único a estudar e desenvolver pesquisas sobre este mesmo assunto, visto que simultaneamente, nos Estados Unidos, o físico e professor Joseph Henry (1797-1878), também chegou à elaboração de uma teoria sobre a indução eletromagnética. O levantamento historiográfico aponta que Henry nasceu em 17 de dezembro 1797 na cidade de Albany, capital do estado norteamericano de Nova Iorque que num período de grandes transformações sociais, filosóficas e econômicas que perdurou por várias décadas após os Estados Unidos conseguir sua independência.
De acordo com Smith (2016), Henry fez algumas observações semelhantes às de Faraday e praticamente ao mesmo tempo, partindo inicialmente dos seus esforços para aperfeiçoar o eletroímã de William Sturgeon usando a técnica de enrolar fio isolado firmemente em torno de um núcleo de ferro para fazer um eletroímã mais poderoso. Nesse processo começaram suas investigações específicas acerca da indução mútua e autoindução a partir de experimentos, observações e cálculos matemáticos que o levaram a descrição do fenômeno da indução eletromagnética. Apesar da importância e equivalência do trabalho de Henry, para Smith:
A descoberta da indução eletromagnética no início do século 19 é uma das maiores conquistas científicas de todos os tempos e teve enormes consequências tecnológicas. O crédito por essa descoberta vai para o grande físico experimental inglês Michael Faraday. No entanto, o físico americano Joseph Henry fez algumas observações comparáveis às de Faraday quase ao mesmo tempo e, por essa razão, Faraday e Henry são frequentemente considerados co-descobridores de alguns aspectos da indução eletromagnética. (SMITH, 2016) [Tradução livre].
Com base na análise deste episódio histórico, é possível perceber algumas possibilidades para o ensino de física tanto em relação à construção do conceito de indução eletromagnética como também de aspectos epistemológicos das concepções sobre a natureza da ciência. No primeiro caso, os conceitos podem ser abordados e construídos através da apresentação e comparação dos experimentos de Henry com aqueles realizados por Faraday explorando as similaridades e as diferenças teóricas. No segundo caso, as principais possibilidades de abordagem estão associadas a: discutir o método científico, mostrando que a ciência pode se desenvolver por
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diferentes caminhos, lugares e métodos de forma não-linear e por vezes descontínua; discutir a questão do mérito científico atribuído a Faraday causando certo grau de invisibilidade ao trabalho desenvolvido por Henry, mostrando que fatores antropológicos e sociológicos determinam escolhas e o reconhecimento da comunidade cientifica internacional; discutir as influências (geo)políticas e filosóficas no trabalho dos cientistas como por exemplo os conflitos das relações de poder entre a Inglaterra e os EUA pós-colonização e independência, bem como a influência do pensamento filosófico pragmatista acerca da ciência, sendo este uma possível explicação para a atitude de Henry não ter publicado nada antes sobre indução.
## Referências
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