O uso de Banco de Dados Digitais e a História da Ciência no Ensino de Física
Rosilene A. Silva, Raphael R. L. Pinto, Samuel M. Vargas, Marlon C. Alcantara, Shaiane S. De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O USO DE BANCO DE DADOS DIGITAIS E A HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ENSINO DE FÍSICA
Rosilene A. Silva 1 , Raphael R. L. Pinto 2 , Samuel M. Vargas , Shaiane S. de 3 Oliveira 4 , Marlon C. Alcantara 5
- 1 IF Sudeste MG, campus Juiz de Fora, rosileneld@gmail.com
- 2 IF Sudeste MG, campus Juiz de Fora, raphael.laroca@gmail.com
- 3 IF Sudeste MG, campus Juiz de Fora, samuelmv123@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Juiz de Fora, shaiane.silvaoliveira@gmail.com
Palavras-chave : Banco de Dados Digitais; Ensino de Física; História da Ciência.
## Resumo expandido
O trabalho do cientista, do historiador e do professor está passando por uma grande transformação. Podemos dizer que essa transformação tem seu impulso no início do século XXI, quando os dispositivos computacionais e a navegação na internet começaram a ganhar uma estrutura mais robusta e iniciaram sua popularização no campo profissional. A conhecida cibercultura (LÉVY, 1999) modifica o espaço de informação e acarreta em um novo arranjo dos atores dentro de uma rede de relações sociais. Pensando na sala de aula, os espaços de fala se modificam e potencializam um ensino mais conjuntivo, mais democrático e menos 'bancário' (FREIRE, 2013).
No entanto, mais atores ativos e mais fontes, implicam em mais informações (dados) e não necessariamente em aprendizado. Neste trabalho não vamos mergulhar em questões filosóficas sobre o tratamento e a manipulação de informações, como observamos nos algoritmos que regem as plataformas de redes sociais. Vamos olhar para as fontes históricas primárias. Aquelas que eram raríssimas para um professor do ensino médio, e hoje podem ser acessadas a qualquer momento e por qualquer aluno.
A respeito de fontes primárias, estas já possuem recomendações e exemplos de usos, como podemos observar nos trabalhos de Moura (2019) e Batista, Drummond e de Freitas (2015).
A democratização do acesso à informação vem trazendo para a sala de aula questões importantes sobre a confiabilidade e o uso de fontes. Muitas vezes, o papel do professor consiste em filtrar e gerir as informações que chegam à sala de aula. Com os repositórios de fontes primárias isso não é diferente.
Desta forma apresentamos aqui um repositório de cartas ( ePistolarium 1 ) que vem sendo explorado como objeto educacional no ensino médio. O ePistolarium possui cerca de 20 mil cartas da república holandesa do século XVII, como Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723), René Descartes (1596-1650) e Christiaan Huygens
(1629-1695) e também de membros da Royal Society como Robert Hooke (16351703) e Henry Oldenburg (1619-1677).
Nessa plataforma conseguimos gerar dados em formato JSON que posteriormente tratamos no programa de análise de redes sociais Gephi (versão 0.9.2). A partir dessa parte mais operacional, produzimos e testamos materiais para a inserção de estudos de casos históricos no ensino de física tendo a Análise de Redes Históricas como ponto central. Esses materiais podem ser sobre a circulação de uma determinada teoria, experimento, prática ou artefato. Até o momento foram exploradas visualizações em rede como: redes ego, redes de grau 2 e 3, e também redes de abrangência geográfica (GIS). Também usamos essas formas de visualização utilizando uma abordagem historiográfica conectada à Pesquisa em Redes Históricas explorando Hubs (BARABASI e ALBERT, 1999) e os Laços Fracos (GRANOVETTER, 1973), como pode ser observado nos trabalhos de Lux e Cook (2008) Alcantara, Braga e van denHeuvel (2020) e Oliveira et al. (2020). Vislumbramos nessa abordagem em rede um terreno fértil para se trabalhar aspectos da Natureza da Ciência (NDC), não somente sobre o recorte historiográfico trabalhado, mas também, em relação à visão de ciência dos alunos ao escolherem os eventos e atores que vão compor as determinadas redes. Esses aspectos são pensados a priori pelo professor ao definir o recorte historiográfico e posteriormente são analisados com base nas vastas análises bibliográficas sobre NDC, como podemos observar no volume 28, números 3 a 5 da revista Science & Education.
Observando o cenário atual, no qual, a cada dia temos acesso a mais bancos de dados digitais com conteúdos históricos, entendemos que o surgimento de grupos de pesquisa que possam fazer o tratamento e a composição de uma historiografia adequada ao ensino de física se faz importante. Assim como, acreditamos ser fundamental o desenvolvimento e testagem de estratégias educacionais que estejam imersas em um cenário interdisciplinar colocando os alunos como protagonistas do processo de ensino e aprendizagem.
## Referências
ALBERT, R. BARABÁSI, A. Emergence of Scaling in Random Networks. Science , v. 286, p. 509-512, Oct. 1999.
ALCANTARA, M.C.; BRAGA, M.; VAN DEN HEUVEL, C. Historical Networks in Science Education. Science & Education . 29 (1), 101 -121, 2020.
BATISTA, G. L.; DRUMMOND, J.M.H.F.; DE FREITAS, D. B. Fontes primárias no ensino de física: considerações e exemplos de propostas. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 32, n. 3, p. 663-702, dez. 2015.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2013.
GRANOVETTER, M. S. The strength of weak ties. American Journal of Sociology , v. 78, p.1.360, May, 1973.
LÉVY, P. Cibercultura . 1 ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
LUX, D. S. COOK, H. J. Closed circles or open networks?: communicating at a distance during the scientific revolution. History of Science , v. 36, n. 2, p. 179-211, June, 1998.
MOURA, B. A. Leitura contextualizada de fontes primárias: subsídios para incluir a história das ciências em situações de ensino. In: SILVA, A.P & MOURA, B. A (Ed.). Objetivos humanísticos, conteúdos científicos: contribuições da história e da
filosofia da ciência para o ensino de ciência s. Campina Grande: Eduepb, 2019. p. 317-355.
OLIVEIRA et al,. Tecendo elementos sociais da ciência a partir de grupos colaborativos: máquinas a vapor. Anais do XVIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , 2020.
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