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RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UM PROJETO TEMÁTICO SOBRE O TEMPO

Bruno Isidoro, Alexandre Mannes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UM PROJETO TEMÁTICO SOBRE O TEMPO

## Bruno Isidoro 1 , Alexandre Mannes 2

- 1 Universidade do Estado de Santa Catarina/Departamento de Física/brunoisidoro88@gmail.com
- 2 Universidade do Estado de Santa Catarina/Departamento de Física/alexandremannes@gmail.com

Palavras-chave : Tempo; Projeto Temático; Relatividade.

## Resumo expandido

Este trabalho visa relatar e analisar a aplicação do projeto temático 'As múltiplas faces do tempo' que foi elaborado por estudantes de licenciatura em física da Universidade do Estado de Santa Catarina durante as disciplinas de Instrumentação para o Ensino da Física II e III. O projeto consistiu em duas aulas e compreende conteúdos sobre o tempo na física clássica, na filosofia e na teoria da relatividade restrita. O objetivo da atividade foi que os estudantes compreendessem o conceito de tempo e suas subjetividades, ao mesmo tempo que apresentou a eles a ideia do fazer científico e desenvolvimento da criticidade. A aplicação deste projeto realizou-se de forma remota e síncrona, por meio da plataforma Google Meet, em turma de primeira série do Ensino Médio do Instituto Federal Catarinense de Brusque.

Acreditamos ser importante lidar com um tema que está presente na vida dos alunos e apresentar suas múltiplas abordagens, para que os estudantes possam compreender e manifestar uma visão mais crítica do que se mostra sobre o assunto em situações do cotidiano, como a presença em filmes e séries.

Este projeto temático, inicialmente, foi idealizado a ser realizado de maneira presencial, com maior número de aulas e atividades. Com a mudança para o ensino remoto, optou-se por comprimir o projeto para apenas dois encontros, além de uma nova visão das atividades, que precisaram ser pensadas a serem realizadas de maneira online

Na primeira aula, buscou-se realizar uma avaliação diagnóstica do que os estudantes entendem por tempo. Nesse momento é indispensável que o professor faça perguntas que instiguem a participação de todos, pois 'é por meio do debate entre os pares que, muitas vezes, os conhecimentos científicos são organizados' (SASSERON, p. 43, 2013). Neste momento, os alunos apresentam conceitos como 'movimento' e 'medida'.

Essa visão envolvendo tempo e movimento é comum. Em uma sala de aula, pesquisadores perguntaram aos alunos: Como você percebe que o tempo passa?

A maioria deles afirma perceber que o tempo passa através do movimento do Sol (existência de dias e noites), do crescimento e envelhecimento das pessoas (idade, aniversário), e olhando no relógio (passar das horas). Alguns citam ainda o movimento da Lua e a 'mudança do clima'. (MARTINS e PACCA, p. 309, 2005)

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Em seguida, foi explicado o conceito de tempo dentro da lógica Clássica: linear, homogêneo, simultâneo e contínuo e, então, foi proposta uma experimentação.

O experimento consistia em medir o tempo por meio da pulsação. Foi indicado um vídeo para que todos pudessem realizar a obtenção de dados da mesma fonte. A ideia foi que os alunos percebessem que, por mais que medidas diferentes de pulsações surgissem, o tempo do vídeo seria o mesmo. Com isso, os estudantes poderiam assimilar os conceitos de tempo clássico, além de entender a importância da padronização.

Os alunos apresentaram diferentes valores. Com isso, foi perguntado se o tempo poderia ser igual a todos mesmo com diferentes medidas. Conceito de frequência foi apresentado. Há uma possibilidade de discussão, buscando relacionar a variável frequência, número de pulsações e tempo corrido. Além disso, um estudante comenta que 'as batidas mudam o ritmo', trazendo uma discussão sobre padronização do tempo.

Ao fim desta discussão, iniciou-se o diálogo em cima de uma simulação de relatividade, como pode ser visto na Figura 01.

Figura 01: Simulação Trem/Bola

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O trem se move e um sujeito dentro dele chuta uma bola. Com a presença de um personagem fora, é perguntado se ambos verão a bola encostar a parede do vagão ao mesmo tempo. As respostas são baseadas na vivência dos alunos e todos concordam que sim. Por mais que houvesse uma tentativa de fomentar diálogos argumentativos, as respostas acabaram ficando somente nas afirmações, impossibilitando uma maior análise.

Em seguida a discussão passa a utilizar feixes de luz ao invés da bola, como visto na Figura 02.

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Figura 02: Simulação Trem/Luz

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A visualização deste fenômeno é bem mais complicada do que a situação envolvendo a bola. Por isso, o uso de simulação acabou facilitando a compreensão do fenômeno. Eles descrevem o que fora observado e tentam buscar explicações.

De um modo geral, o resultado da aplicação foi considerado bom, muito pelo interesse dos estudantes pelo tema ao final do minicurso. Dentro das limitações apresentadas durante a aplicação foi possível perceber a compreensão dos alunos acerca do tema tempo pelas respostas e curiosidades que surgiram ao final do seminário.

Devido a essa falta de interações, acreditamos que a aplicação acabou pecando na ideia do fazer científico de maneira direta. Porém, ao final da aplicação, junto às curiosidades, tentamos fomentar ainda mais as dúvidas e uma busca por respostas por parte deles, na tentativa de desenvolver a criticidade e um entendimento do que é o fazer científico.

Uma dificuldade encontrada foi quanto à avaliação final do minicurso. Foi proposta uma atividade a ser feita de maneira assíncrona e que pudessem enviar posteriormente. Não houve entrega de nenhuma atividade até este relato. Acreditamos que se deva muito pelo momento de final de ano letivo, já que os estudantes estão com outras atividades para realizar e esta não valia nota. De qualquer forma, não pudemos fazer um comparativo entre as respostas iniciais e finais dos alunos quanto a resposta da pergunta 'o que é tempo?'. Talvez, uma situação a ser modificada para próximas aplicações seja a realização desta atividade ao final de maneira síncrona.

Outra modificação pode ficar em torno de uma maior tentativa de interação. Infelizmente, devido ao ensino remoto, não houve uma participação ativa entre os próprios alunos. É importante um diálogo entre os estudantes, em que se sintam à vontade para discutir, argumentar e compreender as falas de seus pares. Acreditamos que esse é um ponto importante para o desenvolvimento crítico do aluno, para compreensão e respeito das diferenças e para um contato com o que é o fazer científico.

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## Referências

MARTINS, A.F.P.; PACCA, J.L.A.. O conceito de tempo entre estudantes de ensino fundamental e médio: uma análise à luz da epistemologia de Gaston Bachelard. Investigações em Ensino de Ciências, v.10, p. 299-336, 2005.

SASSERON, L.H.. Interações discursivas e investigação em sala de aula: o papel do professor. Ensino de ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula / Anna Maria Pessoa de Carvalho, (org.). São Paulo: Cengage Learning, p. 41-62, 2013.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.