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Uma proposta didática para introduzir tópicos de termologia e natureza da ciência em aulas de Física através de materiais de divulgação científica sobre o Coronavírus

Marcos Vinícius De Oliveira Firmino, Antonio Barbosa Dos Santos Junior, Danielle Aparecida Reis Leite

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Uma proposta didática para introduzir tópicos de termologia e natureza da ciência em aulas de Física através de materiais de divulgação científica sobre o Coronavírus

## Marcos Vinícius de Oliveira Firmino 1 , Antonio Barbosa dos Santos Junior 2 , Danielle Aparecida Reis Leite 3

- 1 Universidade Federal do Triângulo Mineiro, fisica.marcos.oliveira@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Triângulo Mineiro, d201710361@uftm.edu.br
- 3 Universidade Federal do Triângulo Mineiro, danielle.reis@uftm.edu.br

Palavras-chave : Sequência Didática, Divulgação Científica, Termômetro Infravermelho

## Resumo expandido

O ato de difundir conhecimento científico para o público não-especializado é conhecido como divulgação científica, ou popularização da ciência. O público leigo vem mostrando bastante interesse por conteúdo científico e, com isso, a procura por materiais de divulgação tem crescido gradualmente na última década. Nos últimos meses, foi perceptível um grande aumento na disseminação, por parte dos veículos midiáticos e personagens destaque (como Átila Marinho), de conteúdo científico relacionado à composição do coronavírus, suas causas, possíveis tratamentos e métodos cientificamente eficazes para evitar o contágio em massa. Como consequência, houve movimentação dos meios de divulgação (jornais digitais, portais, fóruns, redes sociais e de instituições de apoio à ciência: Wellcome Trust, MedArchive, Springler Nature, etc .) para tornar o acesso aberto ( open access) a algumas publicações de artigos relacionados à COVID-19. Além disso, as chamadas plataformas de preprints (pré-impressão) ou seja, plataformas com publicações que , não passaram por revisão por pares, também ganharam destaque e foram responsáveis pela alta disseminação de informação sobre a COVID-19. As consequências positivas do acesso aberto às publicações geram expectativas futuras nas medidas de compartilhamento científico, entretanto, há, ao menos, um ponto negativo explícito: a divulgação de informações falsas e incorretas. O compartilhamento de informações ainda não comprovadas cientificamente geralmente é classificado como 'conteúdo sensacionalista', enquanto as informações comprovadamente erradas são chamadas de fake news (notícias falsas) Esse . problema foi destacado, principalmente, em meados de março de 2020, quando o expresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após interpretação equivocada de uma publicação preprint , comunicou à imprensa que o uso de hidroxicloroquina seria eficaz no tratamento da COVID-19. O falso alerta elevou a demanda e o preço de um medicamento ainda em fase de teste, causando escassez nas farmácias e prejudicando pessoas que usavam a droga para outros fins mais urgentes. Outro exemplo de postagens falsas que circularam nas redes sociais do Brasil foi a alegação

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de que os termômetros infravermelhos, quando apontados à testa, causam danos ao cérebro. As postagens diziam que o infravermelho atinge a região da glândula pineal, uma parte central do cérebro, e afeta a função de produção e regulação de hormônios. O anseio por compartilhar dados que não passaram devidamente por revisões sistemáticas de profissionais especializadas tem se mostrado um dos principais efeitos colaterais do acesso à informação, o que justifica a necessidade de que este assunto seja problematizado no ambiente escolar. Assim, em virtude do contexto social perante a pandemia do Coronavírus e da circulação cada vez mais intensa de informações, o referente trabalho objetiva fazer uso dos 'instrumentos educacionais' de divulgação científica, tirinhas e experimentos virtuais para debater a questão do termômetro infravermelho em uma inter-relação com a termodinâmica e a natureza da ciência. Com isso, apresenta-se uma proposta de uma sequência didática (conjunto de 6 aulas de 50 minutos) elaborada para ser desenvolvida no ensino remoto para alunos do segundo ano da rede pública do ensino médio. A primeira aula explora o contexto histórico das pandemias ao longo dos séculos. Para tanto, propomos a utilização de artigos de divulgação científica 1 para fomentar a discussão sobre assuntos relacionados às questões sociais, políticas, econômicas em um cenário pandêmico, além de abordar a forma segundo a qual as informações eram transmitidas nesses diferentes contextos em comparação com a difusão da informação na atualidade. Na segunda aula, é colocado em pauta questões ligadas à Natureza da Ciência utilizando como base o texto de Gil Perez et al. (2001). Essa abordagem é uma base para discutir com os alunos sobre as vacinas, principalmente no que se refere a sua confiabilidade e como foi sua produção em um curto espaço de tempo. O terceiro momento da sequência didática adentra nos conteúdos relacionados à Física, desenvolvendo conceitos da Termodinâmica, como a Temperatura e a Lei Zero. A plataforma do Kahoot 2 será utilizada para realizar um quiz com os alunos referente ao conteúdo abordado na aula, além da utilização de simulações do PhET 3 mostrando o arranjo dos átomos na matéria e de um vídeo demonstrando a experiência do ponto triplo 4 da água na plataforma de streaming Youtube . A quarta aula apresenta discussões sobre calor e suas formas de propagação, focando, principalmente, na irradiação a fim de subsidiar a discussão sobre o termômetro de infravermelho. A penúltima aula será dividida em dois momentos: o primeiro será voltado para o estudo do espectro eletromagnético a fim de que os alunos concluam que o corpo humano também emite radiação e qual é a sua faixa de emissão; no segundo momento, será explorada a forma correta de utilização do termômetro infravermelho para a aferição da temperatura. Vale ressaltar que será utilizado uma cartilha 5 da Agência de Metrologia nas explicações. Por fim, a última aula será iniciada com a seguinte pergunta: "Algumas notícias que circularam em redes sociais mencionaram que o termômetro infravermelho poderia ser prejudicial à saúde. De acordo com as informações obtidas sobre este tipo de termômetro e com os conceitos científicos que explicam o seu funcionamento, o termômetro infravermelho pode, de fato, causar danos ao corpo humano?'. Para obter uma visão mais crítica dos alunos, serão apresentados mais três suportes ligados à divulgação

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científica: um texto 6 , uma charge e uma reportagem 7 exibida por um canal aberto sobre esse assunto. Como atividade final, será proposta a elaboração de um material que explica o funcionamento do termômetro infravermelho e que pode ser compartilhado nas redes sociais. Esta sequência didática elaborada ainda não foi implementada na rede básica de ensino. Entretanto, planeja-se sua implementação na disciplina de Estágio Orientado e Supervisionado III, oferecido ao curso de Licenciatura em Física de uma universidade federal. Com a aplicação dessa sequência, espera-se que, do ponto de vista do professor, possa ser um momento para aprender a utilizar as tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem. Já no ponto de vista dos estudantes, é desejável que todos consigam compreender o papel da ciência na sociedade, de forma mais ampla e menos neutra, além de serem mais críticos com as informações recebidas das redes sociais.

## Referências

BERMÚDEZ-Rodríguez T.; Muraro da Silva V.; Spatti A. C.; Abreu Sampaio Leme Monaco C. O impacto do acesso aberto na produção e difusão de conhecimento sobre a Covid-19. Liinc em Revista , v. 16, n. 2, p. e5296, 11 dez. 2020.

DINO. Pandemia da desinformação: fake news sobre covid-19 colocam vidas em risco. Disponível em: <https://bit.ly/3rK7uJ5>.

HYURY POTTER. Pandemia de coronavírus pode revolucionar divulgação científica . Disponível em:<https://bit.ly/38vP8Uv>.

OLIVEIRA, Lucas Nicolau de. Termorregulação. Disponível em:

<https://lucasnicolau.com/?v=publicacoes&id=2>.

PEREZ, Daniel Gil et al . Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciênc. educ. (Bauru) , Bauru, v. 7, n. 2, p. 125-153, 200. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1516-73132001000200001>.

WANDERLEY PREITE SOBRINHO. Com alta na procura, preço dispara e cloroquina some das farmácias . Disponível em:<https://bit.ly/3vhVW23>. Acesso em: 11 fev. 2021.

WATANABE, Graciella; KAWAMURA, Maria Regina. A divulgação científica e os físicos de partículas: a construção social de sentidos e objetivos. Ciênc. educ. (Bauru) , Bauru , v. 23, n. 2, p. 303-320, Jun. 2017. Disponível em <https://doi.org/10.1590/1516-731320170020002>.

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