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O LÚDICO NO ENSINO DE FÍSICA: O BRINQUEDO COMO RECURSO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS

Caue Fernandes, Eugenio Maria De França Ramos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O LÚDICO NO ENSINO DE FÍSICA: O BRINQUEDO COMO RECURSO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS

Caue Fernandes 1 , Eugenio Maria de França Ramos 2

1 UNESP / Licenciatura em Física e LaPEMID CEAPLA IGCE, c.fernandes1@unesp.br 2 UNESP / LaPEMID CEAPLA IGCE, eugenio.ramos@unesp.br

Palavras-chave : Baixo Custo, Brinquedos, Experimentos Didáticos

Apresentamos neste trabalho parte de uma pesquisa qualitativa e exploratória sobre brinquedos que possam ser utilizados em atividades de Ensino de Física (Ciências) como materiais didáticos experimentais. Como foco de pesquisa, consideramos particularmente brinquedos prontos e de baixo custo, que estejam disponíveis no comércio, tomando por base uma cidade do interior do Estado de São Paulo, com cerca de 200 mil habitantes. Entendemos que, sobretudo para professores das séries iniciais da Educação Básica, os brinquedos poderiam ser considerados recursos didáticos relevantes em atividades de ensino, nas quais características físicas de tais protótipos poderiam tratar de aspectos conceituais a serem aprofundados ou exemplificados em uma análise dos fenômenos observados.

Optamos trabalhar com materiais simples, cujo valor econômico seja acessível e não impeça a pessoa de alterá-lo se assim desejar, e também materiais que sejam razoavelmente familiares aos estudantes por serem fáceis de se encontrar pelo comércio da cidade.

Os brinquedos de baixo custo poderão suscitar à maioria das crianças e jovens algo que está acostumado ou já esteve acostumado a ver, pelo menos em algum momento de seu cotidiano. De nada adiantaria a utilização exclusiva de brinquedos de custo alto, como drones, cujo alto valor impede que a maioria esmagadora dos alunos não tenham tido contato com ele em nenhum momento, e assim, só suscitando a cultura de alunos de famílias ricas.

Na visita a tais espaços de comércio, consultamos diretamente os brinquedos disponíveis e adicionalmente perguntamos aos vendedores quais, na percepção deles, eram os mais vendidos. Foram identificados 35 diferentes de brinquedos nas lojas pesquisadas no comércio local, dentre os quais, foram considerados responsáveis como mais vendidos língua de sogra, bolha de sabão, pião (beyblade), arminha, quebra cabeça, carrinho de controle remoto e brinquedos de som.

Tais brinquedos foram classificados por nós em três categorias segundo as características de interesse para o Ensino de Física: (1) Simbólicos (sem efeitos físicos aparentes); (2) Efeitos Físicos pouco significativos e (3) Efeitos Físicos essenciais ao funcionamento do brinquedo. Destaca-se que a maioria dos brinquedos mais vendidos se encontram na categoria 3 (efeitos físicos essenciais), ou seja, o brinquedo possivelmente seja considerado interessante pelo seu aspecto físico.

Concentrando a análise nos brinquedos mais vendidos e em que os efeitos físicos visíveis são essenciais, procuramos indicar seu potencial conceitual e sua relevância nos conteúdos identificados em livros didáticos para essa faixa etária. O acervo foi organizado na forma de um banco de dados (biblioteca de instrumentos didáticos), que permitirá subsidiar a formação inicial de professores de Física e outras

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

fases dessa pesquisa. Brinquedos como "língua de sogra" ou "bolha de sabão" se mostraram relevantes tanto em termos de percepção de vendas como também em seu potencial de tratar de temas de Física em atividades de ensino, com baixo custo por protótipo.

Quanto o conteúdo e a possível faixa etária a bolha de sabão, por exemplo, é fascinante no ponto de vista Científico. Pode-se reparar uma grande variedade de conteúdo das Ciências Naturais que podem ser ensinados, tanto para crianças das séries iniciais do Ensino Básico (Ondas e Cores), quanto para adultos do Ensino Superior (Tensão Superficial e Superfícies Mínimas).

Dos brinquedos pesquisados, a maioria pode ser classificada da área da Mecânica. Ao especular os motivos de tal fato ocorrer, consideramos que isso ocorre por serem brinquedos mais baratos de serem produzidos, além da facilidade em se brincar pela ação direta do usuário.

Foram catalogados também brinquedos que pertencem as áreas da Termodinâmica e Eletromagnetismo, porém são brinquedos que seu manuseio depende de outros elementos e não apenas da relevância da ação do usuário no funcionamento do brinquedo, como por exemplo uma pilha ou bateria.

Segundo Vygotsky (1988), todo avanço de uma criança de um estado de desenvolvimento para outro está conectado com uma mudança acentuada nas motivações, tendências e incentivos. Por isso, brinquedos constituem-se em materiais potencialmente interessantes para atividades didáticas e para vivências dos estudantes no ambiente escolar (RAMOS, 1990).

Ao dar enfoque no conteúdo fenomenológico e lúdico, como aponta Pereira (2016), permite-se superar as dificuldades didáticas, promovendo, assim, a apreensão de conceitos científicos de forma mais rica e aprofundada desde os anos iniciais, ajudando na formação mais adequada nas fases futuras.

É usual a aproximação da Física com os estudantes utilizando experimentos didáticos, porém, Gaspar (2014) aponta que, embora professores considerem positivo utilizar materiais experimentais para o Ensino de Física, uma parcela considerável alega não utilizar por faltar materiais didáticos. Então, uma alternativa a isto, é utilizar brinquedos, pois fazem parte do universo cultural das crianças, além de se constituir numa forma de interagir com a natureza e o mundo cultural.

Consideramos no estudo algumas características como relevantes para tornar brinquedos em recursos didáticos experimentais das quais destacamos a acessibilidade no comércio local, o baixo custo, a relevância das características físicas de seu funcionamento e a afinidade do conteúdo com o currículo, desvelando a partir dos livros didáticos.

Pensando nos professores da Educação Básica entendemos que este trabalho pode se tornar uma atividade colaborativa em que colocasse os professores e pesquisadores trabalhando juntos identificando brinquedos e pensando nas implicações deles para o ensino de Física, construindo uma base de dados no LaPEMID (Laboratório de Prática de Ensino, Materiais e Instrumentos Didáticos), ampliando as possibilidades de aproximar pesquisa e ensino. E potencializando as sugestões de Snyders (1988) em que a alegria na Escola aproxima Física, Ensino e brinquedos.

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## Referências

GASPAR, A. Atividades experimentais no ensino de Física : Uma nova visão baseada na teoria de Vigotski. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2014.

PEREIRA, G. R. et al (2016). Atividade experimentais e o ensino de Física para os anos iniciais do Ensino Fundamental: análise de um programa formativo para professores. Cad. Cat. Ens. Fís. , v.33, n.2, p. 579 - 605.

RAMOS, E. M. F. Brinquedos e Jogos no Ensino de Física . Dissertação (mestrado), USP. São Paulo. 1990

SNYDERS, G. A alegria na escola . São Paulo: Manole Ltda. 1988.

VYGOTSKY, L. S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem . São Paulo: Ícone, 1988

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