Treinamento para o uso de Mapas Conceituais no Ensino de Física
Mateus Weller Ferreira Moraes, Zoraide Dangremon De Almeida Pereira, Tamires Christine Dias Rosa, Márcia Da Costa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## TREINAMENTO PARA O USO DE MAPAS CONCEITUAIS NO ENSINO DE FÍSICA
## Mateus Weller Ferreira Moraes 1 , Zoraide Dangremon de Almeida Pereira 2 , Tamires Christine Dias Rosa 3 , Márcia da Costa 4
- 1 UFES/ Departamento de Química e Física (CCENS), mateusw66@gmail.com
- 2 UFES/ Departamento de Química e Física (CCENS), dangremonz@gmail.com
- 3 UFES/ Departamento de Química e Física (CCENS), tamires.christine.dias@gmail.com
- 4
- UFES/ Departamento de Química e Física (CCENS), marcia.costa.21@ufes.br
Palavras-chave : Aprendizagem Significativa, Mapas Conceituais, Ensino de Física.
## Resumo expandido
A disciplina de física é considerada difícil por muitos estudantes, pois costuma ser trabalhada seguindo abordagens tradicionais, dificultando a visualização dos fenômenos e recaindo sobre métodos de memorização (DILLIUS; MARCHI; HAETINGER, 2010). Em oposição à aprendizagem por memorização, Ausubel (2003) propõe uma teoria cognitiva de aprendizagem significativa, na qual a interação com o objeto de estudo deve ser de forma não arbitrária e substantiva, ou seja, os novos conceitos devem ser capazes de se conectar com os que se encontram armazenados na estrutura cognitiva do indivíduo, para assim, atribuir novos significados ao que está sendo aprendido.
Dentre as estratégias facilitadoras da aprendizagem significativa, pode-se citar os Mapas Conceituais (MCs) que são organizadores gráficos, configurados de forma hierárquica, conforme o seguinte esquema: CONCEITO - TERMO DE LIGAÇÃO CONCEITO, formando proposições.
Por ser uma ferramenta dinâmica, os MCs acabam se tornando úteis para o ensino, visto que, os usuários precisam conhecer o conteúdo que será mapeado, e externalizar os conhecimentos armazenados em sua estrutura cognitiva. Entretanto, 'embora pareça ser uma ferramenta de simples utilização, se exige um treinamento para que a mesma não seja explorada de forma ingênua, pois, se utilizada de forma errônea a mesma pode ter poucos ou nenhum benefício para a aprendizagem' (CORREIA; SILVA; JUNIOR, p. 2, 2010).
Em virtude disso, esse trabalho teve como objetivo investigar meios de treinamento para uso de mapas conceituais. Trata-se de uma revisão bibliográfica dos últimos 10 anos (2010 - 2020), analisando trabalhos encontrados em periódicos nacionais de qualis A1 e A2 da área de Ensino. Como disparadores de busca foram utilizadas as palavras-chave: mapas conceituais, mapa conceitual e aprendizagem significativa. Os passos metodológicos para obtenção e análise de dados se fundamentam na Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011) e na Revisão Sistemática de Literatura (OKOLI, 2019).
Foram encontrados 22 trabalhos, dispostos nos seguintes periódicos: Alexandria (01), Ciência e Educação (05), Investigações em Ensino de Ciências (06), REENCIMA (02), Reflexão e Ação (01), Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia (03), Revista Brasileira do Ensino de Física (02), Revista de Educação, Ciências e Matemática (01) e Revista Eletrônica de Educação (01). Os mesmos foram
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
classificados e agrupados conforme o quadro 01. Dentre esses, 3 estão relacionados ao Ensino Fundamental, 6 ao Ensino Médio/Técnico, 10 ao Ensino Superior, 1 abrange todos os níveis de ensino e 2 não especificam o nível de ensino.
A classificação levou em consideração o tipo de mapa (estruturado e flexível) e o tipo de treinamento (detalhado, parcialmente detalhado e não especificado), seguindo as considerações abaixo:
## ● Tipos de mapa:
- o Estruturado: Foi considerada a exigência quanto à estrutura, ou seja, conter os conceitos ligados por termos de ligação, disposição hierárquica, clareza semântica e conceitual. 'O mapa deve ser compreendido por qualquer pessoa que lê-lo'.
- o Flexível: Não é rigoroso quanto a estrutura, podendo ser aceito mapas conceituais sem termos de ligação ou sem clareza semântica. 'O mapa é único, logo só quem o fez consegue explicá-lo'.
## ● Tipos de treinamento :
- o Detalhado: Informa que houve treinamento, tempo dedicado à capacitação, o que se foi explicado no treinamento, como se deu o processo de adaptação a ferramenta.
- o Parcialmente Detalhado: Informa que houve treinamento, porém não traz tantos detalhes.
- o Não Especificado: Informa somente que houve treinamento, que os indivíduos já conheciam a ferramenta ou aqueles que pelos resultados, ou imagens apresentadas, pode-se inferir que os alunos conheciam a técnica ou tiveram um breve treinamento.
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Dentre os mapas estruturados, os trabalhos detalhados consistem nas seguintes atividades: explanação do assunto a ser mapeado, 3 a 5 aulas para se explicar os fundamentos da ferramenta, definição da pergunta focal, construção do MC (em grupo ou individual), como pode ser visto nos trabalhos dos seguintes autores: Correia e Nardi (2019) e Correia e Aguiar (2017). Já os trabalhos parcialmente detalhados apresentam as seguintes atividades: explanação do conteúdo a ser mapeado, breve explicação do que é um mapa conceitual e como se configura, construção do MC (em grupo ou individual), como pode ser notado nos artigos de Wendt e Schroeder (2010) e Ferrão e Manrique (2014). Os trabalhos considerados estruturados se caracterizam por apresentar uma avaliação rigorosa.
Ao se tratar de mapas flexíveis, a configuração apresentada se assemelha ao treinamento parcialmente detalhado apresentado acima, porém a avaliação é mais maleável, podendo ser notada nos trabalhos de Rocha e Spohr (2016) e Roratto, Nogueira e Kato (2011).
Analisando os trabalhos em questão, fica perceptível que não há uma distinção entre os níveis de ensino para cada tipo de treinamento e que os autores que realizaram um treinamento detalhado obtiveram uma resposta satisfatória dos alunos e da ferramenta, podendo extrair dos mesmos o que se esperava. Os que optaram por um treinamento parcialmente detalhado ou que não especificam se houve, conseguiram extrair resultados aceitáveis com a ferramenta, porém, comparado aos resultados de treinamentos estruturados, o nível de aceitação por parte dos alunos foi menor, há um percentual maior de erros em termos de proposições válidas, ou seja, embora os MCs pareçam de fácil utilização, é necessário que ocorra um treinamento adequado. Muitos aplicadores se queixam do tempo curto que possuem para ministrar o conteúdo e ensinar a usar os MCs, entretanto uma alternativa seria a aplicabilidade constante e, se possível, solicitar que os alunos refaçam os mapas a partir do mapa inicial, pois assim eles conseguem identificar os erros, corrigi-los e melhorar a familiarização dos estudantes com esse instrumento, potencializando situações de aprendizagem.
## Referências
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