Materiais táteis: o uso de gráficos e maquetes táteis em aulas sobre ondas mecânicas e eletromagnéticas
Gabriel Martins Costa, Gabryela Martins Lima, Sabrinna Aparecida Rezende Macedo, Luiz Gonzaga Roversi Genovese, Marcos Estêvão Cardoso
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Materiais táteis: o uso de gráficos e maquetes táteis em aulas sobre ondas mecânicas e eletromagnéticas
## Gabriel Martins Costa 1 , Gabryela Martins Lima 2 , Sabrinna Aparecida Rezende Macedo 3 , Luiz Gonzaga Roversi Genovese 4 , Marcos Estêvão Cardoso 5
- 1 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, martins\_costa@discente.ufg.br
- 2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, gabryelamartins@discente.ufg.br
- 3 Universidade Federal de Goiás/PPGECM/GGP/PGP-CEM Arizinho, sabrinnaaparecida@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Goiás /Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática/Instituto de Física, lgenovese@ufg.br
5 Universidade Federal de Goiás/GGP, marcosestevaocardoso@gmail.com
Palavras-chave : materiais táteis, inclusão, design universal
## Resumo expandido
Este trabalho apresenta uma proposta de ensino parcialmente realizada, utilizando recursos didáticos para o Ensino de Física à luz do ideário da inclusão. Tal proposta foi pensada de modo que alunos, videntes e não-videntes, possam interagir e construir conjuntamente conhecimentos acerca dos fenômenos físicos estudados. Tal proposta, se guia pelo conceito de Design Universal , (que pontua a necessidade de se 'desenvolver produtos e ambientes para serem usáveis por todas as pessoas, no maior número possível, sem a necessidade de adaptação ou design especializado' MACE, 2008, apud BANDEIRA e BANDEIRA, 2018, p. 99), sem menosprezar e, até mesmo enfrentando, os desafios associados ao Ensino de Física como, por exemplo, a ausência de aulas experimentais fundamentais para o entendimento de conceitos e do desenvolvimento da ciência. Desafios que são potencializados quando se pretende ensinar conceitos e conduzir experimentos vinculados ao sentido da visão para sujeitos que possuem alguma limitação visual. Desafios que são novamente aumentados quando os elaboradores da proposta, como é o caso do presente trabalho, são licenciandos, pois como nos rememora Camargo e Nardi (2007), licenciandos enfrentam dificuldades para formular e apresentar propostas de ensino que contemplem o público não-vidente. Contudo, tal situação não impede a construção de tal proposta, pelo contrário a estimula. Assim sendo, esta proposta de ensino é pautada pelos preceitos do ensino expositivo sobre conceitos de ondulatória, mais especificamente ondas eletromagnéticas via a utilização de materiais didáticos táteis. A introdução desta proposta de ensino foi feita através de gráficos com relevos para explicação sobre picos, vales, amplitude, comprimento e frequência da onda e também a representação de uma fonte de ondas (sonoras ou eletromagnéticas) em deslocamento com o intuito de demonstrar o Efeito Doppler.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Figura 1: Aluna manuseando o gráfico tátil (componentes da onda)
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Figura 2: Aluna manuseando o gráfico tátil (frequência)
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O Efeito Doppler é o fenômeno físico observado em ondas quando emitidas ou refletidas em objetos em movimento em relação ao observador, fazendo com que o comprimento de onda detectada pelo observador aumente quando a fonte se afasta e diminua quando se aproxima, esse efeito é observado nas ondas sonoras e também eletromagnéticas (HALLIDAY, 2012). Os gráficos, feitos a partir de materiais alternativos (sendo impressos e com adição manual de relevo com o uso de cola colorida), foram testados com relativo êxito durante aulas testes ministradas em uma turma de alunos de baixa visão e cegueira total no Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (CEBRAV), uma entidade pública de atendimento gratuito que oferece apoio a esse público e, em outro momento, na disciplina de Prática de Ensino 2 do curso de Licenciatura em Física de uma universidade federal pública, gratuita e de qualidade do Centro-Oeste do Brasil na qual predomina alunos videntes. Também deve ser observado o sucesso da explicação acerca do efeito Doppler que levou à compreensão de um recurso cotidiano de notar a aproximação ou afastamento de veículos ou outros objetos emissores de ondas sonoras em movimento, o que agrega conhecimento científico ao conhecimento cotidiano dos alunos não-videntes. Em virtude da pandemia do Sars-CoV-2, a segunda parte da proposta de ensino não pôde ser realizada. O tema abordado é as ondas
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eletromagnéticas e o material tátil em questão consiste em uma representação do fenômeno de refração e dispersão da luz, o 'prisma tátil'. Esse experimento utiliza da montagem de um objeto representando um prisma, nele é fixado um barbante representando a luz policromática e a partir desta representação de feixe de luz teremos a representação da refração e por sua vez a dispersão da luz.
Figura 3: Dispersão da Luz
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O protótipo representa cada cor (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta) por fitas com pontos em relevo que podem ser diferenciadas pelo toque, posicionadas em diferentes intervalos em cada fita para cada comprimento de onda. Este material é inspirado na maquete do fenômeno de dispersão da luz, apresentado por Camargo, Nardi e Veraszto (2008) no qual é abordado a mudança de ângulo dos vários comprimentos de onda causando a dispersão das cores, porém a compreensão sobre cada cor é limitada ao posicionamento dos barbantes, já o nosso protótipo adiciona a possibilidade de diferenciação de cada comprimento de onda.
Figura 4: Diferenciação das cores pelo comprimento de onda
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Futuramente, com o retorno de atividades presenciais e a realização por completo da proposta de ensino e alcançando êxito, abre a possibilidade de a discussão da técnica da espectroscopia em momento posterior objetivando a familiarização dos alunos com o estudo da interação da radiação eletromagnética com a matéria.
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## Referências
CAMARGO, Eder P.; NARDI, Roberto. Dificuldades e alternativas encontradas por licenciandos para o planejamento de atividades de ensino de óptica para alunos com deficiência visual. Revista Brasileira de Ensino de Física . São Paulo, v.29, n. 1, p. 115-126, 2007.
CAMARGO, Eder P.; NARDI, Roberto; VERASZTO, Estéfano V. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de óptica. Revista Brasileira de Ensino Física . São Paulo, v. 30, n. 3, p. 3401.1-3401.13, 2008.
BANDEIRA, Ana; BANDEIRA, Wagner. Os princípios do design universal na interface gráfica. In: BANDEIRA, Ana; ROCHA, Cleomar; DÉA, Vanessa D. (Orgs.). Acessibilidade: práticas culturais e tecnologia assistiva para a cidadania. Goiânia: Cegraf UFG, 2018. p. 93-121.
HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de Física : Gravitação, Ondas e Termodinâmica. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
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