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USO DE EXPERIMENTOS E PROBLEMATIZAÇÃO NO ENSINO REMOTO DE FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA.

Mateus Ribeiro De Castro Alvim, Cecília Siman Salema, Rafael Parreira Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## USO DE EXPERIMENTOS E PROBLEMATIZAÇÃO NO ENSINO REMOTO DE FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA.

## Mateus Ribeiro de Castro Alvim 1 , Cecília Siman Salema 2 , Rafael Parreira Silva 3

1 PIBID-FaE-UFMG. mt.ribeiro.c@gmail.com

2 PIBID-FaE-UFMG. ceciliasiman15@gmail.com

- 3 Escola Estadual Henrique Diniz, PIBID-FaE-UFMG. rafael.parreira@educacao.mg.gov.br

Palavras-chave : Ensino remoto; experimento; problematização.

No intuito de evitar a disseminação do coronavírus, Minas Gerais suspendeu as aulas presenciais em março de 2020. Desde então instituiu-se o REANP (Regime de atividades não presenciais), que, na rede pública estadual, consistiu em apostilas de estudo individual, denominadas Planos de Estudo Tutorado (PETs), e no programa de TV 'Se Liga na Educação', transmitido na Rede Minas. Foram escassas, porém, as estratégias institucionais de manutenção do contato dos estudantes com seus professores ou com as escolas. Foi nesse contexto, em outubro de 2020, que iniciamos o estágio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Física em parceria com a Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Secretaria de Educação de Minas Gerais, orientados por um professor da rede pública estadual.

Sem contato direto com os estudantes, criamos uma página no Instagram com o objetivo de produzir e divulgar materiais de estudo que promovessem a curiosidade e o interesse dos estudantes pela ciência e que fossem acessíveis a eles no regime remoto. Uma das frentes de criação de conteúdo propostas foi a produção de vídeos de experimentos físicos, que abordaremos neste relato.

A escolha da produção de vídeos de experimentos possui duas justificativas principais. A primeira é a busca por atrair a atenção dos estudantes, que estavam distantes da escola em função do modelo de ensino em vigor. Segundo Laburú (2006), a psicologia cognitiva fornece indicativos de que, para além de aspectos racionais, o conhecimento também está relacionado a aspectos subjetivos. Nos vídeos, exploramos a curiosidade, apontada no trabalho de Pintrich e Schunk (1996 apud LABURÚ, 2006) como forma de promover a motivação dos estudantes.

Os vídeos apresentam situações inesperadas, fantásticas e aparentemente incongruentes, que despertam o interesse dos espectadores ao fazê-los questionar seus conhecimentos anteriores e até a veracidade dos vídeos. Essas características aproximam nossas produções de conteúdos normalmente vistos nas redes sociais, como vídeos de truques, dicas e montagens, posto que o Instagram é uma rede social particularmente visual na qual a maioria das postagens são fotos ou vídeos muito curtos, e nossa expectativa era que essa semelhança atraísse a atenção dos estudantes.

A segunda justificativa é a aproximação do ensino de física ao contexto dessa ciência, evitando reduzi-la a um sistema abstrato de fórmulas e definições (BORGES,

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

2002). Assim, buscamos apresentar situações e objetos próximos dos estudantes, estruturando as demonstrações e explicações teóricas a partir de um problema.

Dados obtidos por meio da plataforma utilizada sugerem que nossos objetivos iniciais foram alcançados, pois os vídeos de experimentos atingiram público superior ao número de seguidores da página (150 perfis, quando a página ainda não tinha chegado a 100 seguidores), e estão entre as postagens mais curtidas do perfil (nosso primeiro vídeo de experimentos é a postagem com o maior número de curtidas). Entretanto, a distância temporal entre a apresentação do problema e a resolução era muito curta (ambos eram apresentados no mesmo vídeo), de forma que a participação dos estudantes na elaboração da solução e as interações entre professores e estudantes foram inviabilizadas. Além disso, conforme Delizoicov (2002), nossas produções tinham potencial didático limitado por estarmos alheios aos conhecimentos prévios dos estudantes.

Sendo assim propomos nova abordagem na postagem dos vídeos na rede social, no intuito de aproximar nossas produções de práticas pedagógicas, e alteramos nosso modelo para promover o protagonismo dos estudantes. Para isso, utilizamos, além do perfil do Instagram, formas de contato direto com os estudantes, como e-mails e chats, nos permitindo interagir de maneira assíncrona, porém mais próxima, com os estudantes, para que pudéssemos apreender seus conhecimentos prévios e problematizá-los de forma a propiciar o entendimento do conhecimento científico por eles (DELIZOICOV, 2002).

Sugerimos uma proposta de apresentação de experimento em etapas, apoiadas no conceito de experimento cativante proposto por Pintrich e Schunk (1996 apud LABURÚ, 2006).

A primeira etapa é a apresentação do desafio ao estudante, por meio de um vídeo previamente produzido do experimento, que consiste em acertar uma bala TicTac dentro de uma xícara quicando a bala na mesa. Em uma segunda etapa, pedimos para que o estudante tente reproduzir o experimento em casa e o questionamos sobre a dificuldade de acertar a bala no recipiente, solicitando que ele nos apresente, em vídeo ou texto, explicações para a dificuldade encontrada. Segundo Borges (2002) essa situação que pode ser considerada um problema de nível 2, no qual o professor fornece apenas a questão a ser investigada. Utilizaremos os dados em texto e vídeo para uma análise do engajamento dos estudantes.

Como mediação da estruturação de um modelo para investigar a situação por parte dos estudantes, propomos a mudança de variáveis do experimento, como a utilização de diferentes objetos ou recipientes, diferentes formatos e materiais da bala, entre outros, no formato de um problema de nível 1, no qual o professor fornece a questão e o procedimento a ser seguido (BORGES, 2002).

Por fim, tendo o experimento gerado as interações desejadas, propomos um desafio aos estudantes ao perguntarmos se, a partir de suas atuais descobertas, seria possível que o Tic-Tac atingisse uma altura maior do que a altura inicial.

Essa nossa proposta de abordagem de experimentos por meio da rede social Instagram parte da concepção de que realizar experimentos e demonstrações científicas não exigem o uso de equipamentos sofisticados (BORGES, 2002), podendo ser estruturados a partir de objetos e situações cotidianas. Desse modo, o objetivo do trabalho é incentivar o envolvimento dos estudantes no estudo da física, de forma a possibilitar-lhes mediar a aquisição do conhecimento científico, produzindo

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símbolos necessários ao seu entendimento, processo intrínseco à organização de funções psicológicas superiores (VYGOTSKY, 1978). Esperamos visualizar possibilidades de evitar a passividade e promover engajamento dos estudantes na aprendizagem de física em situações de ensino remoto.

## Referências

BORGES, Antônio Tarcísio. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Florianópolis, SC, v. 19, n. 3, p. 291-313, 2002.

DELIZOICOV, D. Problemas e Problematizações. In: PIETROCOLA, M. (org.). Ensino de Física - Conteúdo, metodologia e epistemologia numa concepção integradora. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2002.

GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO. Tutorial Regime Especial de Atividades Não Presenciais - REANP no Diário Escolar Digital - DED, de 4 de dezembro de 2020. Disponível em < https://www2.educacao.mg.gov.br/images/documentos/Tutorial%20REANP02122020.pdf >. Acesso em: 18 de março de 2021.

LABURÚ, C. E. Fundamentos para um experimento cativante. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 23, n. 3, dezembro de 2006.

PAULA, H. F. DOS EXPERIMENTOS ÀS EXPERIÊNCIAS: O LABORATÓRIO NO ENSINO DE CIÊNCIAS. JORNAL DO CAPE - SMED - PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, BELO HORIZONTE, 01 jun. 1993.

PLANOS de Estudos Tutorados 2021. Estude em Casa, 2021. Disponível em <https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/pets>. Acesso em: 10 de março de 2021.

SE Liga na Educação. Estude em Casa, 2021. Disponível em <https://estudeemcasa.educacao.mg.gov.br/se-liga-na-educacao>. Acesso em: 10 de março de 2021.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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