RELATO SOBRE UMA INTERVENÇÃO DIDÁTICA USANDO A ASTRONOMIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Elton David Lopes, Gustavo Lira Do Nascimento
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## RELATO SOBRE UMA INTERVENÇÃO DIDÁTICA USANDO A ASTRONOMIA NO ENSINO DE CIÊNCIAS
Elton David Lopes¹, Gustavo Lira do Nascimento 2
- 1 Universidade Federal de Pernambuco, eltondavid85@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Pernambuco, gustavolira977@gmail.com
Palavras-chave : Interdisciplinaridade; Stellarium; Experimentos.
## Resumo expandido
O trabalho proposto mostra o relato de experiências vivenciado em turmas do 6º ano do Ensino Fundamental, durante uma das atividades da disciplina de Estágio Supervisionado, do curso de licenciatura em Física da Universidade Federal de Pernambuco. Essa atividade ocorreu no primeiro semestre de 2019.
Foram realizadas duas regências nos 6º anos da Escola: uma relacionada com o assunto estudado pelos alunos na sala e a outra buscando dar uma breve introdução aos assuntos que os alunos estudariam futuramente, no 9º ano. O primeiro momento foi uma regência sobre o Sistema Solar e seus componentes. A escolha desse tema deu-se pelo fato desse assunto ter sido abordado pela professora supervisora durante as observações. Foram separadas duas aulas para essa regência para cada turma. Usou-se um projetor multimídia disponibilizado pela Escola, um notebook e o software Stellarium . Esse software foi utilizado visando sua qualidade e quantidade de informações, assim como Pacheco et al. (2019) informam.
Inicialmente, foi feito uma breve explicação do que aconteceria. Posteriormente, deu-se um espaço para que os alunos pudessem ter uma interação não tão formal com o programa. Foi dada a oportunidade para que eles pudessem interagir, mostrando no programa alguns corpos celestes de interesse deles. Esse contato inicial deixou os alunos relaxados e atentos às explicações, como Pacheco et al. (2019) também indicam ser uma das possibilidades que o software promove.
Após isso, foi feito perguntas sobre tópicos que eram abordados no livro didático usado pelos alunos, como por exemplo: 'Qual o Planeta mais distante do Sol?', 'O Sol é uma estrela?', etc. Com essas perguntas, buscou-se relacionar o que eles já haviam aprendido com a professora, só que agora de uma forma mais interativa.
No segundo momento, juntou-se todas as turmas dos 6º anos para a segunda regência. Os alunos foram levados à quadra da Escola, pois seria feito um lançamento de foguete com bicarbonato de sódio e vinagre para explicar conceitos como ação e reação, volume de gases e líquidos e lançamento oblíquo, que estão presentes no 9º ano do Ensino Fundamental. Essas relações foram feitas visando a
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
'importância de investigações e estudos que abordem a Educação em Astronomia pelo viés interdisciplinar' (SETLIK; TERES, 2020, p. 11).
Na quadra, foi explicado a construção e os fenômenos que aconteciam no foguete. Deu-se exemplos sobre o cotidiano para que os alunos começassem a buscar em suas memórias experiências que eles vivenciaram que poderiam estar relacionadas com fenômenos presentes no experimento.
Após isso, foi feito o lançamento. Tomou-se cuidado para que nenhum aluno ficasse na direção que o foguete seria lançado nem na parte onde a mistura de bicarbonato e vinagre seria expelida. Os lançamentos alcançaram cerca de 6 metros. Com o lançamento feito, foram retomadas as perguntas feitas anteriormente. Agora, com o potencial de fazer relações mais significativas e concretas sobre o que foi explicado.
Mesmo se tratando de turmas do 6º ano, foi possível, até mesmo, explicar o conceito do alcance máximo no movimento oblíquo, mostrando que em um ângulo de 45º o alcance é máximo para um modelo ideal, e que, portanto, como o foguete que havíamos produzido não poderia ser equiparado a um modelo ideal, a melhor angulação necessitaria de cálculos mais arrojados. Além disso, os alunos fizeram perguntas, como por exemplo: ' O fenômeno do foguete é o mesmo que acontecia em vulcões que são apresentados em feiras de Ciências ?'. Outra aluna também perguntou: ' Esse fenômeno é o mesmo que explica o que acontece quando se coloca uma bala de menta em uma garrafa de refrigerante de cola ?'.
Após as duas regências foi feito a aplicação de um pequeno questionário. As perguntas elaboradas podiam ser respondidas apenas com o conteúdo apresentado nas duas regências. Ao final, quando os alunos entregaram suas respostas, foi feita uma rápida correção para tirar possíveis dúvidas sobre o questionário. A última pergunta do questionário não era bem uma pergunta. Ela pedia para os alunos contarem o que eles acharam mais interessante na aula. Muitos alunos demonstraram-se impressionados com a apresentação. Alguns pareciam nunca ter tido contato com aquele tipo de aula.
Após as regências e análise dos questionários, foi possível concluir que o uso de programas e/ou apresentações em slides não é muito frequente naquelas turmas. Os alunos mostraram ter gostado da aula e ficaram curiosos a respeito do Stellarium . Alguns que possuem computador em casa, falaram que iriam baixar e tentar mexer no programa como foi feito nas regências.
Também foi notado que quando as aulas são exclusivamente mecânicas e transformadas em uma simples transmissão de conteúdos e cálculos, elas são chamadas de ' Educação Bancária', segundo Patto (1997) em sua análise sobre o conceito definido por Paulo Freire. Nesse tipo de educação, o ensino se baseia em tratar os estudantes como 'recipientes' a serem 'enchidos'. Nestes, o professor irá inserir uma gama de conteúdo, e o aluno assimilará apenas de forma ' memorística ', transformando o ensino em mecânico.
Tentando evitar isso, o uso de metodologias que trabalhem a interatividade e mostre os conceitos físicos acontecendo aos olhos dos alunos, fazendo com que eles possam associar o que está acontecendo ao seu cotidiano, pode transformar o ensino de Física agradável para o professor e interessante para o aluno. Logo, isso resume basicamente o que Paulo Freire chama de educação ' problematizadora' .
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Percebe-se que embora estejamos neste ano e século, práticas de ensino discutidas no século anterior como práticas 'ruins' ainda são vistas em sala de aula hoje.
Como já foi dito, uma gama de metodologias está ao alcance dos professores: experimentos de baixo custo, filmes, vídeos e até mesmo as parodias de músicas. Motivar os alunos para que eles tenham a oportunidade de se conhecerem como cidadãos e como futuros profissionais. Fazendo com que eles conheçam suas habilidades e aptidões para que possam ir modelando suas escolhas futuras é imprescindível.
## Referências
PACHECO, M. H.; LIMA, J. de.; ZANELLA, M. S.; O USO DO SOFTWARE STELLARIUM NO ENSINO DE ASTRONOMIA: UM ESTUDO TEÓRICO. In V Simpósio Nacional de Educação em Astronomia - V SNEA 2018 - Londrina, PR, p. 1-10, 2018.
PATTO, M. H. S.; Introdução a Psicologia Escolar . São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
SETLIK, J.; TERES, S. E. L.; Percepções de professores de Física e Matemática de uma escola pública acerca da abordagem interdisciplinar da Astronomia nessas disciplinas. In REMAT - Bento Gonçalves, RS, Brasil, v. 6, n. 2, p. 1-13, 12 de outubro de 2020.
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