A CIÊNCIA TEM GÊNERO? LUGAR DE MULHER É NA CIÊNCIA: UMA PROPOSTA CONTRA-HEGEMÔNICA NO ENSINO DE FÍSICA
Cíntia Daniele Da Silveira Picalho, Eduardo Folco Capossoli, Rodrigo Trevisano De Barros, Lais Rodrigues Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 22/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A CIÊNCIA TEM GÊNERO?
## LUGAR DE MULHER É NA CIÊNCIA: UMA PROPOSTA CONTRAHEGEMÔNICA NO ENSINO DE FÍSICA
## Cíntia Daniele da Silveira Picalho 1 , Eduardo Folco Capossoli 2 , Rodrigo Trevisano de Barros 3 Lais Rodrigues da Silva 4
- 1 Escola Dinâmica do Ensino Moderno/ Mestrado Profissional Práticas de Educação Básica (MPPEB), fis.cintiad@gmail.com
- 2 Colégio Pedro II/Departamento de Física/Mestrado Profissional em Práticas da Educação Básica (MPPEB), eduardo\_capossoli@cp2.g12.br
- 3 Colégio Pedro II/Departamento de Física/Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), rodrigotrevisano@gmail.com
4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), lais\_rds@hotmail.com
Palavras-chave : Mulheres na ciência; Contra-hegemonia; Física Moderna e Contemporânea.
## Resumo expandido
As atuais demandas sociais exigem cada vez mais uma mudança comportamental. Essas demandas, que transbordam para o campo da educação ou ensino, apontam dois elementos fundamentais na busca de uma justiça social, e são eles, os conceitos de equidade e igualdade com base no autor Azevedo (2013). Entende-se que a equidade se refere a ausência da disparidade, onde, por exemplo, todos os indivíduos possuiriam o que necessitam. No conceito de igualdade entendese que embora seja fundamental que todas as diferenças devam ser respeitadas, todos os indivíduos devem ser tratados igualmente perante a sociedade.
Ainda que pese a necessidade concreta de políticas públicas governamentais, tanto no Brasil, quanto no exterior (LEMOS, 2013), com o intuito de promover a justiça social, acredita-se que a escola, básica e superior, pública e de qualidade, tenha a responsabilidade e um papel protagonista na busca dessa promoção pois cabe a ela a formação social e acadêmica dos indivíduos que desenvolverão suas atividades inseridas na sociedade (TREVISANO; QUEIROZ; SILVA, 2018) e (BARROS; SILVA; CAPOSOLI, 2020).
A responsabilidade que se atribui à escola é pautada por dois momentos. O primeiro diz respeito à (auto) reflexão das suas próprias práticas pedagógicas, e a partir disso, o segundo momento, proporciona a transformação docente em agentes críticos na construção curricular (LOPES; MACEDO, 2008) dentro de um viés contrahegemônico baseado em Laclau (1998, 2000, 2006, 2011). A ideia da transformação docente defendida por este trabalho é baseada na proposta de Henry Giroux (1997) que traz a concepção de um docente atuando como um 'intelectual transformador'.
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
Uma vez que defendemos que o 'intelectual transformador' adote uma perspectiva contra-hegemônica para a sua prática docente, faz-se necessário, que definamos, primeiro, o entendimento sobre a lógica do discurso hegemônico. Para Laclau (1998), o discurso pode ser considerado hegemônico quando consegue articular diferentes necessidades, criando a sensação de que todas elas estão sendo representadas. As dimensões da lógica hegemônica do autor podem ser definidas segundo Pereira (2012) como: 1) suposição de igualdade de poder; 2) eliminação da dicotomia entre particular e universal; 3) produção de significantes vazios e 4) a generalização das relações de representação.
Neste trabalho apresentamos, dentro de um viés contra-hegemônico, uma proposta para inserirmos a temática da sub-representação feminina na área de ciências da natureza, ou mesmo em um recorte particular para o campo da Física, através da construção de uma sequência didática (SD) como forma de prática pedagógica que promova representatividade feminina e busca de igualdade social através da FMC nas aulas da Educação Básica.
Em algumas pesquisas recentes, pelo menos no cenário norte-americano, a participação feminina nas ciências da natureza aumentou ao longo dos anos, como pode ser visto nos trabalhos de (BLUE; TRAXLER; CID, 2018), (MILLER; EAGLY; LINN, 2014), (MALCOM, 2006) e (ROPERA, 2019).Cabe notar que esses mesmos autores também relatam que este aumento ainda é pouco expressivo e que o ambiente profissional ocupado pelas mulheres é repleto de preconceitos, sexismo, misoginia, que se refletem nos salários pagos, promoções, financiamentos de pesquisa, adjetivos usados em cartas de recomendação, etc.
Optamos pela SD por se tratar de uma prática pedagógica organizada e que garante a interação do professor com seus estudantes.
Segundo o autor Zabala (1998), pode-se compreender uma SD como sendo 'um conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para a realização de certos objetivos educacionais, que têm um princípio e um fim conhecidos tanto pelos professores, quanto pelos estudantes'. (ZABALA, 1998)
A SD será constituída por três etapas. A primeira etapa será configurada pela apresentação do filme 'Estrelas além do tempo", que relata a história de três cientistas afro-americanas que trabalharam no Langley Research Center da NASA, pontuando como se dava a presença feminina na ciência na década de 1960. Na segunda, etapa é proposto uma discussão e análise do filme assistido. Nesse momento o professor poderá abrir uma roda de conversa com os estudantes que devem opinar e relatar suas percepções sobre o tema. Foram elaboradas perguntas direcionadas para os estudantes sobre qual a ideia e modelos de cientistas os estudantes têm que podem auxiliar nesse processo. Por exemplo: a) Quantos nomes de mulheres cientistas você conhece? Quais são eles? b) Quantos modelos de homens cientistas você conhece? Quem são eles? c) Algum dia você já pensou na possibilidade de ser cientista? d) Se você pudesse ser um ou uma cientista, quem seria?
A etapa final se destina à abordagem da FMC sobre o assunto da matéria escura. No início da década de 1970 a pesquisadora Vera Rubim, através de seus estudos observacionais, se deu conta que as curvas de rotação das galáxias apresentavam um desacordo entre os resultados teóricos e experimentais. Uma possível explicação para isso seria a existência de um novo tipo de matéria, presente em todo o universo, que não era detectada no espectro do visível, por isso recebeu o nome de matéria escura, mas se fazia presente pelos seus efeitos gravitacionais.
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Nesta terceira etapa da SD serão trazidos fatos sobe a trajetória profissional da pesquisadora, além de uma atividade onde os estudante poderão fazer uma previsão teórica da curva de rotação de uma galáxia e comparar essa previsão com os resultados experimentais para essa mesma galáxia.
Como considerações finais, espera-se que este trabalho consiga promover a importância da representatividade feminina na área de ciências da natureza, entendendo que a busca da igualdade social se dará, também, com a desconstrução de um ambiente masculino, branco e europeu na ciência. Acredita-se, ainda, que é possível incentivar mais meninas para o ramo científico através da representatividade feminina nesse universo tornando o ambiente científico mais plural.
## Referências
AZEVEDO, Mário Luiz Neves de. Igualdade e equidade: qual é a medida da justiça social?. Avaliação (Campinas), Sorocaba , v. 18, n. 1, p. 129-150, Mar. 2013
BARROS, Rodrigo Trevisano de; SILVA, Laís Rodrigues da; CAPOSSOLI, Eduardo Folco. Contra-hegemonia: o papel do ensino de ciências em um curso normal de formação de professores.série reflexões na educação: educação profissional integrada ao ensino médio. 1ed.João Pessoa: EDITORA IFPB, 2020, v. 8, p. 1023-1054.
BLUE, Jennifer; TRAXLER, Adrienne L.; CID, Ximena C. Gender matters, Citation: Physics Today 71, 3, 40, 2018
GIROUX, H. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica de aprendizagem. Tradução de Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
LACLAU, Ernesto. Desconstrução, pragmatismo, hegemonia. In: MOUFFE, Central. Desconstrucción y pragmatismo. Buenos Aires: Paidós, v. 4, 1998. p. 97136.
LACLAU, E.; BUTLER, J.; ZIZEK, S. Contingency, hegemony, universality: contemporary dialogues on the left. London: [s.n.], 2000.
LACLAU, Ernesto. Inclusão, exclusão e a construção de identidades. Inclusão social, identidade e diferença: perspectivas pós-estruturalistas de análise social. São Paulo: Annablume, p. 21-37, 2006.
LACLAU, Ernesto. Emancipação e diferença. Rio de Janeiro: EdUERJ, v. 222, 2011
LEMOS, Valter. Políticas públicas de educação: equidade e sucesso escolar, Sociologia, Problemas e Práticas, 2013.
LOPES, Alice Casimiro. MACEDO, Elizabeth. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011. MALCOM, Shirley M. Diversity in physics, Citation: Physics Today 59, 6, 44 ,2006.
MILLER, David I., EAGLY, Alice H., LINN, Marcia C. Women's Representation; In: Science Predicts National Gender-Science Stereotypes:
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Evidence From 66 Nations Article, in Japanese Journal of Educational Psychology · October 2014.
PEREIRA, Talita Vidal. Analisando alternativas para o ensino de ciências naturais: uma abordagem pós-estruturalista, 2012.
ROPERA, Rachel L. Does Gender Bias Still Affect Women in Science?, Citation Roper RL, 2019.
SILVA, L.R., BARROS, R.T. Contra-Hegemonia e Direitos Humanos: Um Caminho Possível na Construção de uma Educação Emancipatória, 2019
TREVISANO, Rodrigo; QUEIROZ, Glória Regina Pessôa Campello; SILVA, Lais Rodrigues. Contra-hegemonia: um caminho possível para o ensino de ciências, Cadernos de Educação Básica, Vol. 3, No 1, 2018.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Tradução de Ernani F. da F. Rosa. Porto Alegre: Artmed, 1998.
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