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UMA PROPOSTA DE FERRAMENTA DE ANÁLISE DO PANORAMA BRASILEIRO DO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO

José Henrique Piãotquewicz, Alex Bellucco Do Carmo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
22/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UMA PROPOSTA DE FERRAMENTA DE ANÁLISE DO PANORAMA BRASILEIRO DO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO

## José Henrique Piãotquewicz 1 , Alex Bellucco 2

1 Universidade do Estado de Santa Catarina, jose.h.piaotquewicz@gmail.com

- 2 Universidade do Estado de Santa Catarina, alex.carmo@udesc.br

Palavras-chave : Ensino por investigação; Revisão Bibliográfica; Brasil.

## Resumo expandido

Com o objetivo de auxiliar no estabelecimento de um panorama nacional das visões sobre o ensino por investigação, o trabalho aqui apresentado propõe uma ferramenta de análise que auxilie no entendimento das perspectivas que cercam este tópico. O interesse pelo desenvolvimento desta ferramenta parte da percepção de diferentes visões sobre esta abordagem didática ao estudar os trabalhos brasileiros. Como ponto de partida para a elaboração deste recurso, fez-se uso das dicotomias apresentadas por Abd-El-Khalick et. al (2004), ao entrevistar participantes de um simpósio internacional que reuniu autoridades de diversos países. Conforme constatado pelo autor, a percepção do ensino por investigação contemplado nos currículos dos países de origens dos entrevistados se encaixava em duas principais categorias: 'Investigação como Meio' e 'Investigação como Objetivo'; as dicotomias observadas, dentro das suas respectivas categorias encontram-se dispostas na Quadro 01. O desenvolvimento de um recurso que permita uma categorização das concepções sobre o ensino por investigação se mostra necessário, pois permite aos pesquisadores uma compreensão mais profunda dessa perspectiva didáticopedagógica, favorecendo a elaboração de propostas de ensino mais eficazes .

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Quadro 01: Parâmetros de categorização a serem utilizados na ferramenta em desenvolvimento. (ABD-EL-KHALICK, F; et al. 2004).

A partir dessas informações, foi possível estabelecer uma correspondência entre as percepções de investigação como meio e investigação como objetivo, com os estudos de Bunterm et al. (2014), definindo categorias de atividades denominadas 'Investigação Orientada' e 'Investigação Estruturada'. Essas categorias se diferenciam no que tange a participação do aluno e a influência do professor ao longo do processo educacional. A investigação orientada, caracterizada por proporcionar maior liberdade e participação do aluno no desenvolvimento da atividade, se assemelha à percepção da investigação como objetivo, chamada também de uma abordagem de investigação-descoberta (Abd-El-Khalick et. al; 2004), já que esta se caracteriza pela construção de atividades que tenham como proposta a apresentação de uma questão para os alunos, e o objetivo destes é o desenvolvimento de um método para responder o problema proposto. Em contrapartida, a investigação estruturada se assemelha à investigação como meio, tendo em vista que, em termos gerais, o seu desenvolvimento é constituído por passos pré-programados pelo professor, onde os alunos são apresentados à questão, métodos e conceitos, e cabe aos alunos a verificação do que foi estudado.

A ferramenta discutida acima permitirá o entendimento sobre o ensino por investigação é compreendido pelos educadores nacionais, ou seja, se esta percepção se alinha com o pensamento da ciência enquanto meio ou objetivo. É importante ressaltar que este protótipo foi idealizado de tal modo que uma categoria é independe da outra. Isso significa que uma atividade investigativa pode apresentar elementos que se encaixem em diferentes lados do espectro das percepções do ensino por investigação. A interpretação dessas categorias no panorama geral da investigação é o que deve ser levado em conta em sua classificação e será responsável pela sua categorização.

Os pontos de análise propostos por esta ferramenta utilizarão como eixo fundamental as dicotomias relacionadas por Abd-El-Khalick et. al (2004). Para isto, estabeleceu-se a temática de cada uma delas, estabelecendo desta forma sete categorias, com descrições embasadas até o momento em estudos de PEDASTE et. al. (2015) e BEVINS; PRICE (2016). Estas categorias foram então agrupadas em três diferentes grupos de pontos de análise, que abrangem a caracterização da visão de ciência proposta pela atividade, onde será identificado qual o objetivo de aprendizagem da atividade, e qual papel a ciência desempenha na resolução daquilo que é proposto; ferramentas de aprendizagem, responsável pela caracterização da forma como o problema é solucionado, e como conhecimento científico se relaciona com esta solução; e qual o objetivo da ciência passado aos alunos por meio da aplicação do que é proposto pelo professor (Quadro 02). Estas dicotomias são então exploradas de forma a oferecer ao usuário em cada uma delas, uma caracterização mais detalhada da visão de investigação inerente às perspectivas de Investigação como Meio e Investigação como Objetivo; de modo então que possa ser feita uma distinção entre qual delas a atividade analisada melhor se enquadra.

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Quadro 02: Categorias de análise definidas para a ferramenta.

Tendo em vista o momento de submissão deste projeto de pesquisa, a ferramenta aqui proposta se encontra na fase de refinamento das suas categorias. Tal necessidade de aprimoramento se verificou ao testar a ferramenta por meio de artigos publicados em periódicos nacionais com classificação A1, A2, B1 ou B2 pelo sistema QUALIS CAPES. Durante testes preliminares, observou-se artigos com diferentes percepções da utilização do ensino por investigações, o que indica inicialmente a eficácia do que está sendo proposto em discernir tais visões antagônicas. No entanto, houveram artigos analisados nos quais percebeu-se uma dificuldade de distinção entre algumas das categorias propostas, sugerindo um aprofundamento teórico nas descrições destas para melhor identificar as nuances que compõe as atividades estudadas; almeja-se obter isso por meio da expansão da bibliografia de referência e análise mais detalhada dos estudos já citados.Com isso espera-se verificar os limites de validade do modelo adotado, de modo a identificar os pontos a serem refinados nas categorias propostas.

## Referências

ABD-EL-KHALICK, F.; et al. Inquiry in Science Education: International Perspectives. Wiley Periodicals , v. 88, n. 3, p. 397-419, 2004.

BARCELLOS, L. S; COELHO, G. R. Uma Análise das Interações Discursivas em uma Aula Investigativa de Ciências nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Sobre Medidas Protetivas Contra a Exposição ao Sol. Investigações em Ensino de Ciências. Porto Alegre, v. 24, n. 1, p. 179-199, 2019.

BEVINS, S.; PRICE, G. Reconceptualizing Inquiry in Science Education. International Journal of Science Education , Londres, v. 38, n. 1, p. 17-29, 2016.

BUNTERM, T; et al. Do Different Levels of Inquiry Lead to Different Outcomes? A Comparison Between Guided and Structured Inquiry. International Journal of Science Education , Londres, v. 36, n. 12, p. 1937-1959, 2014.

CARVALHO, A. M. P. de; Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação. Revista Brasileira De Pesquisa Em Educação Em Ciências , Belo Horizonte, v. 18, n. 3, p. 765-794, 2018.

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COELHO, G. R; SILVA JÚNIOR, J. M. O ensino por investigação como abordagem para o estudo do efeito fotoelétrico com estudantes do ensino médio de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Florianópolis, v. 37, n.1 p. 51-78, 2020.

DUSCHL, R. A; GRANDY, R. Reconsidering the Character and Role of Inquiry in School Science: Analysis of a Conference. Science & Education , v. 16, n. 2, p. 141-166, 2007.

PEDASTE, M; et al. Phases of inquiry-based learning: Definitions and the inquiry cycle. Educational Research Review, Lovaina, v. 14, p. 47-61, 2015.

SOUSA, J. M; et al. Desenvolvendo práticas investigativas no Ensino Médio: o uso de um Objetivo de Aprendizagem no estudo da Força de Lorentz. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Florianópolis, v. 32, n.1 p. 988-1006, 2015.

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