IMAGEM DO CIENTISTA E GÊNERO NA CIÊNCIA: CONCEPÇÕES DE LICENCIANDOS EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL
Maria Eduarda Antunes Dos Santos, Mariana Feiteiro Cavalari
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## IMAGEM DO CIENTISTA E GÊNERO NA CIÊNCIA: CONCEPÇÕES DE LICENCIANDOS EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL
## Maria Eduarda Antunes dos Santos 1 , Mariana Feiteiro Cavalari 2
1 UNIFEI - Universidade Federal de Itajubá / IFQ - Instituto de Física e Química, maria12280@unifei.edu.br
2 UNIFEI -Universidade Federal de Itajubá / IMC - Instituto de Matemática e Computação, mfcavalari@unifei.edu.br
Palavras-chave : Gênero na Ciência; Imagem do Cientista; Formação de Professores.
## Resumo expandido
A baixa presença de mulheres nas áreas de Física e o alto índice de evasão delas nesta área do conhecimento é evidenciado por variados pesquisadores. Para exemplificar esses fenômenos, foram elaborados algumas metáforas, como por exemplo, o 'efeito funil' (CRONIN; ROGER, 1999), o ' scissors diagram ' (SAITOVITCH; LIMA; BARBOSA, 2015) e o ' leaky Pipeline ' (BLICKENSTAFF, 2005), que apontam que as mulheres que optam por seguir carreiras relativas às áreas da ciência, matemática, engenharia ou tecnologia (conhecidas também pela sigla STEM), tendem a serem 'filtradas', 'cortadas' ou 'perdidas' ao longo do desenvolvimento da carreira acadêmica, fato que resulta em uma diminuição expressiva do número de mulheres à medida que se aumenta o grau de instrução e/ou de importância do cargo ocupado na academia. Neste contexto, tem sido realizadas investigações com vistas a identificar possíveis fatores que contribuem para a baixa escolha e permanência de mulheres nestas áreas do conhecimento (SCHIEBINGER, 2001, UNESCO, 2018). Dentre os fatores que podem influenciar a baixa escolha de meninas/mulheres para as áreas de STEM, podemos destacar a visão estereotipada do cientista, como aquele isolado e do sexo masculino (KOSMINSKY E GIORDAN, 2002); visões distorcidas da Natureza da Ciência e do conhecimento científico, partilhadas pela sociedade e pela escola (LEDERMAN, 1992) e, até mesmo, o desestímulo por parte do professorado para com suas alunas em seguir carreiras acadêmicas na área da ciência (TEIXEIRA E FREITAS, 2014). Com base nestas informações, entendemos ser relevante estudar concepções de docentes e futuros professores com relação a imagem do cientista e gênero na ciência, já que estas podem influenciar a participação feminina na ciência, de modo geral, e na Física de modo particular. Assim, essa pesquisa foi realizada com o objetivo de identificar e analisar concepções acerca da imagem do cientista e da mulher na ciência de licenciandos em Física de uma Universidade Federal, bem como, o entendimento destes acerca da relevância de tais concepções para a futura ação docente. Para tanto, foi elaborado um questionário composto por 21 questões que abordavam temáticas relativas à fatores que influenciam a escolha pela graduação em Física, imagem do cientista e gênero na ciência. Este questionário foi enviado aos licenciandos em Física de uma universidade, tanto na modalidade presencial quanto à distância, que já tinham cursado o primeiro ano da graduação. Obtivemos respostas de 21 licenciandos, sendo seis identificados como do gênero feminino e 15 do
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masculino. As respostas obtidas por meio do questionário foram analisadas por meio de agrupamentos por semelhança, tendo como referência a literatura especializada. As análises indicam que os licenciandos não apresentaram visões estereotipadas em relação a imagem do cientista, pois apesar de terem citado algumas características frequentemente atribuídas a um cientista, tais como: ser uma pessoa isolada, louca e do sexo masculino, eles afirmaram não concordar com estas. Os dados apontam que os estudantes possuem um conhecimento pouco aprofundado acerca da participação feminina na ciência, afinal eles ou não indicaram nenhuma cientista que contribuiu para o desenvolvimento da Física ou citaram apenas de uma, Marie Curie. Identificamos que para 17 licenciandos ter conhecimento relativo à imagem do cientista pode influenciar a sua futura prática docente e, também, para 13 participantes estas podem influenciar a escolha profissional de seus futuros estudantes. Com relação ao gênero, 18 licenciandos entendem que o conhecimento acerca de questões relativas à mulher na ciência pode influenciar sua prática docente, tal fato é justificado pelos estudantes, por meio da possibilidade de: motivar e/ou encorajar as meninas/mulheres a seguirem a carreira científica; desmistificar a ciência e/ou a existência de profissões destinadas as meninas; e a valorizar o trabalho realizado pelas mulheres na ciência, sendo estas indicadas, respectivamente, por oito, três e três estudantes. Sendo assim, os resultados obtidos ao longo da investigação nos permitem concluir que apesar de entenderem que questões relativas a imagem do cientista e gênero na ciência são importantes para a sua futura prática profissional, muitos licenciandos não apresentam justificativas claras para tal, fato que indica um conhecimento, ainda, pouco aprofundado destas temáticas. Assim, a realização deste trabalho evidencia a importância da abordagem de temáticas relacionadas à imagem do cientista e gênero na ciência para a formação de professores.
## Referências
CRONIN, Catherine; ROGER, Angela. Theorizing Progress: Women in Science, Engineering,and Technology in Higher Education. Journal of Research in Science Teaching , [S. l.], v. 36, n. 6, p. 637-661, 1999.
BLICKENSTAFF, Jacob Clark. Women and science careers: leaky pipeline or gender filter? Gender and Education . Vol. 17, No. 4, October 2005, pp. 369-386.
SCHIEBINGER, Londa. O Feminismo Mudou a Ciência? . [S. l.]: Edusc, 2001. 382 p.
TEIXEIRA, Adla Betsaida Martins; FREITAS, Marcel de Almeida. MULHERES NA DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR EM CURSOS DE FÍSICA . Ensino Em ReVista , [S.l.], v. 21, n. 2, p. 329-340, 1 dez. 2014.
SAITOVITCH, Elisa B.; LIMA, Betina S.; BARBOSA, Marcia C . Mulheres na Física: Por que tão poucas? . Mulheres na física, Organizadores: Elisa MB Saitovirch,
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Renata Z. Funchal, Marcia CB Barbosa, Suani RR de Pinho e Ademir E. SantanaLivraria da Física, 2015.
UNESCO. Decifrar o código : educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, 2018.
LEDERMAN, Norman G. Students' and teachers' conceptions of the nature of science: A review of the research. Journal of research in science teaching , v. 29, n. 4, p. 331-359, 1992.
KOSMINSKY, Luis; GIORDAN, Marcelo. Visões de ciências e sobre cientista entre estudantes do ensino médio. Química nova na escola , v. 15, n. 1, p. 11-18, 2002.
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