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ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PROFESSORAS DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA COM BASE NO CENSO ESCOLAR DE 2019

Bruna Dayana Lemos Pinto Ramos, Adriana Pereira Ibaldo, Jorge Simões De Sá Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PROFESSORAS DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA COM BASE NO CENSO ESCOLAR DE 2019

## Bruna Dayana Lemos Pinto Ramos 1 , Adriana Pereira Ibaldo 2 , Jorge Simões de Sá Martins 1,3

- 1 Programa de Pós-Graduação em Ensino e História da Matemática e da Física /Instituto de Matemática/Universidade Federal do Rio de Janeiro, blemospinto@gmail.com
- 2 Instituto de Física/Universidade de Brasília, adriana.ibaldo@gmail.com
- 3 Instituto de Física/Universidade Federal Fluminense, jssmartins@id.uff.br

Palavras-chave : Desigualdade de gênero, mulheres na Física, Censo da Educação Básica

## Resumo expandido

Apesar da participação feminina na ciência ter aumentado com o passar dos anos, as mulheres ainda são minoria na pesquisa científica (UIS, 2019). Na hora de escolher a carreira, muitas meninas são desencorajadas a buscar áreas como as de tecnologia, ciências e engenharias (REIS & GOMES, 2011). Isso pode ser verificado nos números: apesar de algumas áreas como ciências biológicas apresentarem uma participação feminina de quase 50% chegando a ser superior à participação de homens em alguns casos, nas ciências exatas e na Física o percentual de mulheres se encontra em torno de 20% (GARCÍA-PENALVO, 2019). E apenas 10% dos pesquisadores Bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq são mulheres (ARENZON et al., 2013).

De acordo com o censo da Educação Superior de 2019, o corpo discente universitário é em sua maioria feminino, porém os homens é que são maioria no corpo docente (BRASIL, 2020a). Ainda de acordo com o Relatório Síntese para a área de Física do Enade 2017, o percentual de mulheres matriculadas nos cursos de Física fica em torno de 30%, tanto em cursos presenciais quanto à distância (MEC/INEP, 2017)

Focalizando a desigualdade de gênero na Física, o presente trabalho apresenta uma investigação inicial a respeito do perfil dos professores de Física na Educação Básica no Brasil, avaliando o percentual de mulheres professoras de Física em escolas públicas e particulares por região do país, bem como a formação dessas professoras em comparação com a formação dos homens. A análise foi feita utilizando a linguagem Python e utilizou-se os Microdados da Educação Básica de 2019.

O objetivo de tal investigação é identificar possíveis desigualdades de gênero que envolvem tanto a formação quanto a distribuição destes profissionais de acordo com o tipo de instituição de ensino em que atuam (se é pública ou particular). A partir destes resultados preliminares, nossa intenção é procurar correlações entre estes perfis e outros fatores que possam ter impacto em sua determinação, tais como aqueles relacionados com as realidades demográficas e socioeconômicas presentes nas diversas regiões do país.

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Na figura 1, são exibidos dados que permitem comparar a distribuição dos professores por gênero na educação pública e privada do País. Do total de professores em exercício no Ensino Médio na rede pública de ensino, as mulheres são maioria, correspondendo a 60,19% do total. Entretanto, quando os dados são abertos por área, na Física as mulheres são minoria, sendo 44,89% do total dos professores de física. Na rede particular a situação ainda é mais discrepante: as mulheres são minoria tanto no total de professores em exercício quanto no total de professores de física, com 47,40% e 23,71%, respectivamente.

Figura 1: Gráficos com percentuais de professores de Física em escolas públicas e particulares. Nos gráficos à esquerda temos o percentual total de professores por gênero e nos gráficos à direita temos o percentual de professores de Física, também separados por gênero. Dados do Censo da Educação Básica de 2019.

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Outro dado que analisamos foi a adequação da formação dos professores e professoras de Física. De acordo com o Resumo Técnico do Censo Escolar de 2019 (BRASIL, 2020b), apenas 45,7% dos professores de Física (homens e mulheres) possuem licenciatura ou complementação pedagógica em Física. Porém, em nossas análises observamos que este número condiz com o número total de turmas de Física

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de Ensino Médio lecionadas por homens e mulheres e não com o número de professores. Quando filtramos os dados utilizando o número de identificação individual dos professores do Ensino Médio, os resultados encontrados são bastante diferentes. Esta forma de análise nos permite excluir as repetições causadas pelo fato de um único professor lecionar em diversas turmas e até eventualmente em diferentes escolas. Desse modo, na figura 2 apresentamos o percentual encontrado para professores licenciados em Física nas escolas públicas e particulares separados por gênero.

Figura 2: Percentual de professores licenciados em Física por dependência administrativa. À esquerda temos a distribuição de professores e professoras licenciados em Física em escolas públicas e à direita a distribuição em escolas particulares.

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Observamos imediatamente que o percentual de homens licenciados em Física em escolas públicas é de apenas 16,3% enquanto nas escolas particulares, esse percentual é 35,5%. Podemos observar também que o percentual de mulheres licenciadas é menor ainda, ficando em 7,3% nas escolas públicas e 8,3% nas escolas particulares.

Na figura 3 apresentamos a distribuição da formação dessas professoras e professores considerando os quatro principais cursos em que estes profissionais são formados. Entre as mulheres, verificamos que nas escolas públicas a maior parte das professoras de Física é licenciada em Matemática, sendo duas vezes maior que o número de licenciadas em Física. Nas escolas particulares a licenciatura em Física é a principal formação, seguida por Matemática. Entre os professores homens, a prevalência da formação em Matemática permanece nas escolas públicas; porém, a diferença em relação à formação em Física é menor que o observado entre as mulheres. Analisando os dados para os homens nas escolas particulares é observado o inverso daquele na rede pública: o percentual de homens com licenciatura em Física é de 46,6%, enquanto que daqueles formados em matemática é de 18,1%. .

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Figura 3: Distribuição da formação de professoras e professores de Física em escolas públicas e particulares.

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Os dados revelam que, além de uma desigualdade de gênero dentro da comunidade de professores de Física, também existe uma desigualdade na formação destes professores quando observamos as diferentes dependências administrativas escolares. Nas escolas públicas, o percentual de mulheres ensinando Física é maior do que nas escolas particulares; porém, a formação destas professoras é menos adequada nas escolas públicas. A formação dos homens também é mais adequada em escolas particulares, porém quando comparamos com as mulheres, a formação dos homens é mais adequada também nas públicas.

Como próximos passos de nossa pesquisa, pretendemos expandir o estudo para outros anos a fim de compararmos estes dados em uma escala temporal, bem como fazer uma análise para cada região brasileira, relacionando com os dados socioeconômicos e demográficos de cada uma destas regiões.

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## Referências

ARENZON, J. J., DUARTE, P., CAVALCANTI, S., &amp; BARBOSA, M. C. Women and physics in Brazil: Publications, citations and H index. In AIP Conference Proceedings, Vol. 1517, pp. 78-79, 2013. https://doi.org/10.1063/1.4794228

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo da Educação Superior 2019: notas estatísticas. Brasília, 2020a.

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo da Educação Básica 2019: Resumo Técnico. Brasília, 2020b.

GARCÍA-PENALVO, F. J. Women and STEM disciplines in Latin America: The WSTEM European Project. Journal of Information Technology Research, 12(4), v-viii. 2019.

MEC/INEP. Relatório Síntese: Área de Física (Bacharelado/Licenciatura). Brasília, 2017

REIS, A. P. P. Z., &amp; GOMES, C. A. Práticas pedagógicas reprodutoras de desigualdades: a subrepresentação de meninas entre alunos superdotados. Revista Estudos Feministas, 19(2), pp. 503-519, 2011.

UIS. UNESCO Institute for Statistics. Fact Sheet, No. 55, Junho, 2019.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.