Utilização de arranjos experimentais e argumentação em sala de Ciências para a promoção de ensino e avaliação de aprendizagem de estudantes com deficiência visual.
Carlos De Souza Ribeiro, Nelson Barrelo Junior, Lucia Da Cruz De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## TITULO
Utilização de arranjos experimentais e argumentação em sala de Ciências para a promoção de ensino e avaliação de aprendizagem de estudantes com deficiência visual.
Carlos de Souza Ribeiro 1 , Nelson Barrelo Junior 2 , Lucia da Cruz de Almeida 3
- 1 UFF/ PPECN, carlosdesouzaribeiro@gmail.com 2 São Paulo Research and Analysis Center, nbarrelo@gmail.com 3 UFF/Departamento de Física/PPECN, luciacruzalmeida@id.uff.br
Palavras-chave : Inclusão; Experimentação; Argumentação oral
## Resumo expandido
Este trabalho refere-se a uma pesquisa em desenvolvimento como desdobramento de investigação, iniciada em uma monografia de graduação (RIBEIRO, 2019) que teve como finalidade produzir e validar arranjos experimentais para a inclusão de estudantes com deficiência visual em aulas de Física do Ensino Médio. A produção/adaptação de uma série de arranjos experimentais para o estudo de temas do eletromagnetismo apresentou resultados satisfatórios em termos de acessibilidade, visto que após diversos encontros com um estudante com deficiente visual, poucos arranjos necessitaram de readaptações para a percepção dos fenômenos físicos. No entanto, apenas os arranjos experimentais não são suficientes para a melhoria da aprendizagem dos estudantes com e sem deficiência visual de uma classe. Assim, a questão que se coloca é: qual é o potencial das atividades investigativas para a aprendizagem dos alunos na perspectiva da educação inclusiva?
A premissa da nossa investigação é que o uso de arranjos experimentais acessíveis associado às atividades investigativas como metodologia de ensino é uma possibilidade que se contrapõe ao ensino por transmissão. Para tanto, a utilização da argumentação é proposta como ferramenta de análise do aprendizado de alunos com ou sem deficiência visual a partir de atividades investigativas, recorrendo a kits experimentais e ao modelo de argumentação de Toulmin (TAP) para avaliar a compreensão dos estudantes sobre os objetos de conhecimento da Física.
Fruto de políticas públicas conquistadas durante décadas de resistência e busca por igualdade de direitos, a presença de alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns das escolas se tornou uma realidade na educação brasileira (PEREIRA; SANTANA; SANTANA, 2012). Contudo, a permanência desses alunos nas escolas regulares não garante um ensino acolhedor, que respeita e valoriza suas especificidades e promove a participação, sendo necessárias mudanças metodológicas para a concretização da Educação Inclusiva.
A nosso ver, argumentação oral é uma estratégia com potencial para a inclusão de estudantes com deficiência visual, pois recorre à fala para a explicitação de ideias e concepções. Dessa forma, optamos pela utilização de arranjos
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
experimentais que exploram os fenômenos físicos pela audição e/ou tato para promover o debate entre os estudantes, a fim de favorecer a percepção do fenômeno em condições de igualdade para videntes e não videntes. Nesse sentido, os arranjos experimentais têm a intenção de estimular o discurso dos estudantes, esclarecendo, porém, que a argumentação não se restringe às atividades experimentais propostas; podem surgir de diversas outras maneiras em sala de aula em decorrência das interações entre estudantes e material de apoio, estudantes e estudantes ou estudantes e professor.
A escolha pelo modelo argumentativo de Toulmin é justificada pela sua ampla utilização em aulas de Ciências. Apesar de sua proposição não ser da comunidade escolar, inúmeros trabalhos (COLOMBO JUNIOR et al, 2012; NASCIMENTO; VIEIRA, 2008) já demonstraram sua eficácia na análise em sala de aula.
De acordo com Barrelo (2010), o modelo argumentativo em questão, determinado fato (dados D ) serve de fundamentação para a alegação à conclusão ( C ). Garantias ( W ) são apresentadas de modo a corroborar os dados ( D ) contidos no argumento. O autor apresenta também o qualificador modal ( Q ) para casos cujos dados, conclusões e garantias são incapazes de validar o argumento, além das condições de exceção ou refutação ( R ) que se contrapõem as garantias impondo os limites de aceitação do argumento. Por fim, o conhecimento prévio ( B ) é responsável por consolidar as garantias ( W ).
Figura 01: Padrão argumentativo de Toulmin. Fonte: Autores.
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Um arranjo que se mostra acessível aos deficientes visuais e que será adotado como exemplo neste trabalho é o de associações de pilhas (Figura 02). Este arranjo possibilita a percepção da influência do tipo de ligação das pilhas nas diferenças de potencial (d.d.p) de um circuito.
Figura 02: Ilustração do arranjo experimental associação de pilhas. Fonte: Autores.
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Ao associar duas pilhas de 1,5V em série, a d.d.p de saída totalizará 3V enquanto para a ligação em paralelo a tensão disponibilizada pelas pilhas será 1,5V e para a inclusão de estudantes com NEE visuais optamos, no kit experimental, por usar emissores sonoros ( buzzers ) em substituição às lâmpadas. Ao conectar o componente eletrônico às pilhas ligadas em série ele emitirá um som de intensidade sonora superior ao som emitido pelo emissor ligado às pilhas em paralelo.
Espera-se que os estudantes justifiquem a diferença de intensidade sonora emitida pelo buzzer de acordo com o tipo de ligação baseados no conhecimento prévio que relaciona a d.d.p e o funcionamento de componentes eletrônicos. Assim, como a associação das pilhas em paralelo faz com que o som emitido pelo dispositivo eletrônico seja inferior ao som emitido quando associadas em série, conclui-se então que a d.d.p em geradores ligados em paralelo são inferiores à d.d.p em geradores ligados em série. O uso de um voltímetro para a coleta de dados pode colaborar para a atividade em questão.
A partir desta pressuposição, o discurso dos estudantes será analisado permitindo a verificação sobre quais elementos da TAP estão presentes em suas falas, além da análise comparativa entre os diálogos dos estudantes com e sem deficiência visual, tomando por base para o propósito experimental os moldes do TAP ilustrados na Figura 03.
Figura 03: Propósito experimental nos moldes do TAP. Fonte: Autores.
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A inclusão de alunos com NEE em classes comuns permanece um desafio para a comunidade escolar. Diversas pesquisas buscam minimizar as dificuldades encontradas na implementação de práticas educativas inclusivas (BARBOSA-LIMA; CATARINO; TATO, 2016; CAMARGO; NARDI, 2007). A pesquisa anterior (RIBEIRO, 2019) evidenciou a eficácia em utilizar recursos experimentais acessíveis aos estudantes com deficiência visual no ensino de Física, contribuindo para a percepção dos fenômenos físicos por sentidos distintos da visão. Como extensão do trabalho anterior, acreditamos que a avaliação da qualidade da aprendizagem a partir da argumentação oral seja um caminho que valoriza e respeita as particularidades de alunos com NEE visuais, contribui para a aprendizagem de todos os alunos e possibilita um aprendizado coletivo, visto que atividades exclusivas para o
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atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais podem segregá-los dos demais estudantes.
## Referências
BARBOSA-LIMA, M. C. A; CATARINO, G. F. C.; TATO, A. L. Reflexões sobre o ensino de Física para deficiente visuais. Ciência em tela , v. 9, n. 1, 2016.
BARRELO JUNIOR, N. Argumentação no discurso oral e escrito de alunos do ensino médio em uma sequência didática de física moderna. 2010. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
CAMARGO, Eder Pires; NARDI, Roberto. Planejamento de atividades de ensino de Física para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas. Revista Electrónica de Enseñanza de lãs Ciencias , v. 6, n 2, 2007.
COLOMBO JUNIOR. P. D. et al. Ensino de Física nos anos iniciais: análise da argumentação na resolução de uma 'atividade de conhecimento físico'. Investigações em Ensino de Ciências , v. 17, n. 2, p. 489-507, 2012.
NASCIMENTO, S. S.; VIEIRA, R. D. Contribuições e limites do padrão de argumento de Toulmin aplicado em situações argumentativas de sala de aula de ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 8, n. 2, 2008.
PEREIRA, A. G. S. S.; SANTANA, C. L; SANTANA, C. L. A educação especial no Brasil: acontecimentos históricos. In: 3 º SIMPÓSIO EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO: INFOINCLUSÃO POSSIBILIDADE DE ENSINAR E APRENDER. Aracajú/SE, 2012.
RIBEIRO, C. S. Ensino de Física, inclusão e deficientes visuais: aparatos experimentais acessíveis para a eletrodinâmica e eletromagnetismo . Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Física), Universidade Federal Fluminense, Instituto de Física, Niterói, 2019.
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