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INCLUSÃO DE MENINAS EM ÁREAS STEM: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DE PARTICIPANTES DO GRUPO ''MENINAS DO GUARA"

Alice Taís Dummel Weide, Sônia Elisa Marchi Gonzatti, Cristine Inês Brauwers

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INCLUSÃO DE MENINAS EM ÁREAS STEM: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS DE PARTICIPANTES DO GRUPO 'MENINAS DO GUARA'

## Alice Taís Dummel Weide 1 , Sônia Elisa Marchi Gonzatti 2 , Cristine Inês Brauwers³

1 E.E.E.M. Guararapes/Bolsista Pibic-EM/CNPq, alice.weide@universo.univates.br Docente no PPG Ensino de Ciências Exatas/Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES,

- 2 soniag@univates.br

3 E.E.E.M. Guararapes, cbrauwers@universo.univates.br

Palavras-chave : meninas na ciência; questões de gênero; divulgação científica

## Resumo expandido

Este trabalho apresenta a análise de entrevistas realizadas com meninas inseridas voluntariamente no grupo 'Meninas do Guara', vinculado ao projeto de pesquisa Meninas na Ciência, da Univates/RS, aprovado por meio da Chamada CNPq 031/2018. As entrevistas tinham por intuito investigar em que medida as experiências das meninas voluntárias do grupo contribuem para sua motivação e interesse em relação às áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Este grupo está sendo investigado por meio de proposta de pesquisa intitulada 'Meninas do Guara: um lócus de educação científica e tecnológica de meninas em áreas STEM', que por sua vez se insere no grupo de pesquisa institucional Ciências Exatas - da escola básica ao ensino superior. Tal proposta tem como propósito principal analisar em que aspectos as ações de continuidade do projeto Meninas na Ciência contribuem para a motivação e engajamento de meninas da Educação Básica nas áreas STEM e incrementar ações de formação científica e tecnológica em Eletrônica e programação básica para estudantes de Educação Básica da Escola Estadual de Ensino Médio Guararapes, uma das escolas parceiras no projeto Meninas na Ciência.

Cabe salientar que essa investigação é uma continuidade do projeto inicial denominado 'A formação da cultura científica: meninas aprendendo, mediando e difundindo saberes e práticas em Ciências Exatas e Tecnológicas - Meninas na Ciência' realizado pela Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES e aprovado pela Chamada CNPq 031/2018, o qual teve como intuito fomentar a formação da cultura científica para meninas no campo das Ciências Exatas e Tecnológicas, em uma perspectiva que integra a mediação e difusão do conhecimento e o incentivo para frequentarem cursos de graduação na área. As ações do projeto ocorreram por meio da criação e aplicação de oficinas no Clube de Ciências Hipátia, denominado desta forma em homenagem à primeira mulher matemática e astrônoma da história. Na Escola Estadual de Ensino Médio Guararapes, o clube realiza suas ações a fim de despertar e encorajar o protagonismo feminino nos eixos temáticos da Astronomia, Robótica, Aplicativos Computacionais e Experimentação, potencializando a educação científica de meninas.

Quanto à metodologia, foram realizadas entrevistas com nove voluntárias do grupo 'Meninas do Guara' por meio de uma conversa online, realizada por bolsista de

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

iniciação científica júnior, orientada pela coordenadora do projeto, ambas autoras deste trabalho. As perguntas tiveram como propósito explorar e analisar o surgimento do interesse pelos eixos temáticos do projeto e pela atividade científica como um possível lócus de atuação de meninas e mulheres. A partir da análise das questões, percebeu-se três aspectos principais relacionados à motivação e engajamento das meninas no grupo. São eles: a influência de mulheres que se destacam nas ciências exatas, o gosto prévio pela área e as oportunidades de acesso e de aprendizagem em STEM.

Um primeiro ponto apontado pelas entrevistadas foi a influência de mulheres que se destacam na área de ciências exatas e tecnológicas, sendo elas consagradas pela sociedade ou até mesmo professoras marcantes que passaram pela vida escolar das meninas. Comentam que ver pessoas próximas a elas fazendo parte desta área, serve como um exemplo a ser seguido, facilitando o contato e interação na área: ' vendo minhas amigas e professora se dedicando tanto, acabei tendo vontade' (A8).

Outro aspecto evidenciou o gosto prévio pela área, geralmente estimulado por meio de experiências escolares ou pessoas marcantes. Nesse sentido, a aluna A6 pronuncia-se: 'quando começou o Meninas na Ciência, eu comecei a acompanhar, comecei a ver as atividades que elas faziam, projetos e isso começou a me despertar um interesse.' Estudos já realizados assinalam a importância de as meninas terem suas habilidades estimuladas desde os estágios iniciais de sua formação, o que contribuiria, também, no combate aos estereótipos de gênero que são naturalizados socialmente (BIAN; LESLIE; CIMPIAN, 2017; GEDOZ; PEREIRA; PAVANI, 2018)

Por fim, emerge uma categoria relativa às oportunidades de acesso e aprendizagem em STEM como um fator influente na motivação das meninas participantes. Na visão delas, ações como as promovidas por meio do projeto Meninas na Ciência são altamente motivadoras e abrem novas perspectivas quanto às possibilidades e oportunidades para seu futuro (BRITO, PAVANI, LIMA Jr, 2015; KLEIN et al, 2020). É possível perceber essa relevância no seguinte depoimento:

'esse projeto contribui e muito com a nossa formação, tanto pessoal quanto acadêmica, pois a gente aprende muito e em questão pessoal a gente desenvolveu muita coisa também ao longo desse projeto e a gente ainda vai desenvolver muito, então com certeza esse projeto vai contribuir na nossa formação, tanto agora já quanto futuramente'. (A9)

## Sob esse prisma, é possível afirmar que

'é de extrema importância a realização de pesquisas sobre esse tema, pois o conhecimento científico é um direito de todos, independentemente de quem seja o indivíduo. Mais mulheres no meio científico significariam visões de mundos diferentes, o que, nesse caso, só beneficiaria a ciência' (GEDOZ, PEREIRA, PAVANI, 2018, p.7).

A título de conclusão, afirma-se que o projeto inicial, financiado pelo CNPq, 'A formação da cultura científica: meninas aprendendo, mediando e difundindo saberes e práticas em Ciências Exatas e Tecnológicas - Meninas na Ciência' realizado pela Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES, foi um fator influente para que outras estudantes tivessem interesse em participar do grupo Meninas no Guara. As ações de continuidade realizadas por este grupo tiveram e têm impacto e visibilidade na comunidade escolar, o que fica evidenciado por meio das entrevistas realizadas com as voluntárias. Percebeu-se que as meninas estão engajadas e entusiasmadas com a ciência sendo disseminada fora da sala de aula, o que corrobora para a capilaridade das diferentes iniciativas fomentadas pelo Meninas na Ciência Brasil afora. Prosseguir

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com educação científica de meninas ainda é um caminho longo e necessário, para oportunizar que cada vez mais elas façam parte das áreas STEM, combatendo as desigualdades e discriminações de gênero que persistem, apesar dos avanços já construídos.

## Referências

BIAN, Lin; LESLIE, Sarah-Jane; CIMPIAN, Andrei. Gender stereotypes about intellectual ability emerge early and influence children's interests. Science , v. 355, Issue 6323, jan 2017. Disponível em:

https://science.sciencemag.org/content/355/6323/389, Acesso em mar/2020.

BRITO, Carolina; PAVANI, Daniela Borges; LIMA Jr, Paulo. Meninas na ciência: atraindo jovens mulheres para carreiras de ciência e tecnologia. Gênero , Niterói, v.16, n.1, p.33-50, 2015.

GEDOZ, L.; PEREIRA, A. P.; PAVANI, Daniela Borges. Questões de gênero no Ensino de Física: uma revisão da literatura nacional. In: XVII EPEF , Campos do Jordão, SP, agosto/2018.

KLEIN, Vitória Portantiolo et al. Iniciação Científica no projeto Meninas na Ciência: aprendizagens e reflexões emergentes sobre gênero e ciência. Arquivos do Mudi , v.24, n. 3, p. 194-203, 2020. Disponível em:

http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ArqMudi/article/view/55424/751375151315

Acesso em 17/02/2021.

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