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TRABALHANDO COM DISCENTES DO PIBID DE FÍSICA E CIÊNCIAS NATURAIS NUMA ESCOLA PRISIONAL

Luciano Gomes De Medeiros Junior, Glauciley Nunes Barros, Geliane De Souza Araújo Oliveira, Eliane Ferreira Pelloso Leite

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TRABALHANDO COM DISCENTES DO PIBID DE FÍSICA E CIÊNCIAS NATURAIS NUMA ESCOLA PRISIONAL

## *Luciano Gomes de Medeiros Junior 1 , Glauciley Nunes Barros , Geliane de 2 Souza Araújo Oliveira , Eliane Ferreira Pelloso Leite 3 4

- 1 Universidade Federal Fluminense/Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior/Departamento de Ciências Exatas, Biológicas e da Terra, lucianogmedeiros@gmail.com
- 2 Colégio Estadual Doutor Leonel Homem da Costa, glauciley.barros@gmail.com
- 3 Colégio Estadual Rui Guimarães de Almeida, geliane\_souza@yahoo.com.br
- 4 Escola Municipal Professor Álvaro Augusto da Fonseca Lontra, elipelloso@yahoo.com.br

Palavras-chave : Formação docente, Educação prisional, Ensino de Física e Ciências

## Resumo expandido

Esse trabalho discute a importância de inserir o discente de licenciatura em distintos espaços educacionais, de modo a vivenciar diferentes aprendizagens durante sua formação. Para isso, vamos analisar como foi trabalhar com discentes do PIBID de Física e Ciências Naturais numa escola prisional, tendo como foco a formação docente.

Um dos métodos de se trabalhar a educação é através da Educação Popular que utiliza os valores prévios do aluno, juntamente com suas vivências culturais e sociais, para construir novos ensinamentos (FREIRE, 1967). Essa educação, que segundo Paulo Freire é uma 'Educação como Prática de Liberdade', é vista como uma ferramenta para transformação social da pessoa ou comunidade, inseridos num contexto de negações sociais, estruturais e de privações de liberdades (PINI, 2019).

Nossa pesquisa começou quando decidimos trabalhar o tema Educação na escola prisional dentro do PIBID constituído por discentes das licenciaturas em Física e Ciências Naturais. Para nossa surpresa, alguns discentes nem sabiam que os presos têm direito à Educação. Sendo assim, como podemos formar professores críticos e reflexivos sobre suas práticas sem trabalhar temas e\ou situações sociais das mais diversas? Diante desse quadro, vimos que seria importante conhecer uma escola prisional, fazendo uma investigação in loco da sua rotina e vivências.

Segundo Julião (2010),

'[…] deve-se investir na criação de uma escola para os sistemas de privação de liberdade com uma política de educação que privilegie, a qualquer custo, a busca pela formação de um cidadão consciente da sua realidade social'.

Levamos alguns experimentos de Física e Ciências, confeccionados com materiais de baixo custo e produzidos pelos discentes do PIBID, para a escola prisional Colégio Estadual Padre Bruno Trombetta, localizado no Complexo Prisional de Gericinó em Bangu-RJ. Foram quatro dias de exposições e todos os experimentos foram doados à escola.

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

Figura 02: Relato de um aluno da escola prisional

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Figura 01: Experimentos confeccionados pelos discentes do PIBID e levados à escola prisional

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Esse trabalho também possibilitou aos alunos da escola prisional uma reflexão sobre suas condições de vida e a percepção de que a educação é um caminho que está à disposição deles, podendo transformar a realidade dos que desejarem uma oportunidade significativa de mudança.

Adotamos a pesquisa-ação como proposta metodológica, que é defendida por vários autores, dentre eles Thiollent (1998) e Barbier (2002), já que a mesma

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implica numa ação de 'transformação de realidades', tendo dois objetivos muito importantes: a produção do conhecimento e a transformação das realidades do investigador, dos investigados e dos alunos da escola prisional, proporcionando-os uma importante experiência em suas vidas (TANAJURA; BEZERRA, 2015).

Relato do discente A : 'O projeto foi maravilhoso. Assim que você chega no presídio já percebe uma atmosfera totalmente pesada, é como se estivesse numa fronteira pra entrar em outro país. Você é revistado, apresenta os documentos que justificam sua ida àquele lugar e só nisso você já fica bem apreensivo. Meu maior medo era que nossos experimentos não fossem aprovados e não pudessem entrar no presídio por apresentar algum risco à segurança do mesmo, porém, deu tudo certo, todos os experimentos entraram. [...] Fomos tratados com muito respeito lá e com muito calor também, os rapazes foram bem solícitos, bem tranquilos, bem ávidos por conhecimento e por contato com algo de fora da prisão. Todos estavam bem interessados, todos foram bem participativos, muitos deles são bem espertos e inteligentes, muitos deles poderiam ter um futuro bem promissor, se o estado assim quisesse, mas sabemos o que o estado quer. A verdade é que quando eu entrei no presídio eu nunca tive medo dos detentos, talvez seja porque eu sempre vivi em regiões periféricas e conheço muitas pessoas que foram empurradas pra criminalidade, muitas pessoas que entraram e saíram da prisão, isso foi algo que foi primordial para que eu me mantesse tranquilo.'

Relato do discente B : '[...] passamos por um corredor que tinha dez celas coletivas, cinco de cada lado, e antes do final do corredor, depois de todas as celas, se encontrava a entrada para o Colégio, que tem dois turnos, matutino e vespertino. Pouco tempo depois da chegada dos professores, cada um ia para uma sala de aula, no primeiro dia de apresentação montamos a apresentação dos experimentos na biblioteca do colégio, pegamos mesas e montamos uma espécie de circuito por áreas, os alunos chegariam por lado, percorreriam os experimentos e chegariam ao final da apresentação. [...] no dia seguinte todos os alunos receberam um pequeno questionário perguntando seu nome, turma, qual experimento mais gostaram e o motivo, e para a nossa surpresa, alguns alunos decidiram escrever atrás deste questionário expondo suas opiniões sobre a importância daquela atividade, como impactou em suas vidas e o quão gratos ficaram por serem reconhecidos e participarem deste projeto [...]. Dentre os comentários de todos os alunos [...] um que me marcou muito foi de um aluno que disse estar grato por terem sido tratados como alunos, de termos apresentado olhando para eles como alunos que eram naquele momento, sem julgamento algum. A experiência de poder ter participado dessa história com todos os envolvidos, foi extremamente gratificante e me proporcionou um crescimento pessoal incrível, me dando uma nova perspectiva sobre o ensino que até então eu não havia pensado desta forma [...]'.

O impacto na vida dos discentes que participaram dessa pesquisa pode ser observado através dos seus relatos, constatando que o ineditismo de se trabalhar com alunos de uma escola prisional foi desafiador e ao mesmo tempo estimulante profissionalmente, necessitando do envolvimento de todos nós: investigador, investigado e alunos da escola. Portanto, a pesquisa-ação descrita nesse artigo possibilitou aprendizagens significativas aos futuros docentes da Educação Básica, onde perceberam na prática o caráter transformador da profissão do magistério.

Outro aspecto importante dessa pesquisa foi a quebra de alguns paradigmas, como o rompimento de preconceitos em relação aqueles que estão

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encarcerados. Perceber o caráter transformador da educação na prática foi uma importante contribuição na formação desses futuros professores, já que proporcionamos aos discentes das licenciaturas uma experiência pedagógica rica, num contexto escolar totalmente diferente do habitual, fazendo-o vivenciar o máximo de aprendizagens.

## Referências

BARBIER, R. A pesquisa-ação. Tradução de Lucie Didio. Brasília: Liber Livro, 2002.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.

JULIÃO, Elionaldo Fernandes. O impacto da educação e do trabalho como programas de reinserção social na política de execução penal do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Educação , Rio de Janeiro, v. 15, n. 45, p. 529-543, 2010. Disponível em: &lt;https://cutt.ly/3itEG9B&gt;. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2021.

PINI, Francisca Rodrigues. Educação popular em direitos humanos no processo de alfabetização de jovens, adultos e idosos: uma experiência do projeto MOVA-BRASIL. Educar Em Revista , Belo Horizonte, v. 35, e214479, 2019. Disponível em: &lt;https://cutt.ly/QitYo4r&gt;. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2021.

TANAJURA, Laudelino Luiz Castro; BEZERRA, Ada Augusta Celestino. A Pesquisa-Ação sob a ótica de René Barbier e Michel Thiollent: aproximações e especificidades metodológicas. Revista Pesquiseduca , Santos, v. 07, n. 13, p.1023, 2015. Disponível em: &lt;https://cutt.ly/Ou6ghlH&gt;. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2021.

THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação . São Paulo: Cortez, 1998.

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