OFICINA DE PRODUÇÃO DE VÍDEO COMO MATERIAL DIDÁTICO E ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA ATIVIDADES DE ENSINO
Adriel Fernandes Sartori (1), Eugenio Maria De França Ramos (2), Bernadete Benetti (3)
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XII
- Ano
- 2010
- Data
- 27/10/2010
- Linha de pesquisa
- - Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais; Tecnologia Da Informação E Comunicação; Didática, Currículo E Inovação Educacional; Linguagem E Cognição; Ciências, Tecnologia, Sociedade E Ambiente; Políticas Públicas Em
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OFICINA DE PRODUÇÃO DE VÍDEO COMO MATERIAL DIDÁTICO E ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA ATIVIDADES DE ENSINO
## COURSEWARE VIDEO PRODUCTION WORKSHOP AND SOME REFLEXIVE THINKING ABOUT PRODUCTION AND COMUNICATION FOR EDUCATIONAL PURPOSES
## Adriel Fernandes Sartori 1 , Eugenio Maria de França Ramos 3 2 , Bernadete Benetti 3
1 IFUSP -Instituto de Física da Universidade de São Paulo -Programa de Pós Graduação Interunidades em Ensino de Ciências - Modalidade: Física / CECEMCA -UNESP -Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - Univ Estadual Paulista, adrielrc@usp.br
2 UNESP - Departamento de Educação, IB Rio Claro / CECEMCA-UNESP - Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - Univ Estadual Paulista, eugenior@rc.unesp.br
3 UNESP - Departamento de Didática, FFC Marília / CECEMCA-UNESP - Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - Univ Estadual Paulista , bernadete@marilia.unesp.br
## Resumo
Apresentamos neste trabalho parte de uma pesquisa exploratória sobre a formação continuada de docentes e futuros professores para utilização de ferramentas de produção de vídeos digitais de baixo custo, em formato adequado a sua difusão pela rede mundial de computadores internet. O trabalho desenvolveu-se a partir do acompanhamento de 6 oficinas de curta duração (8 horas), ocorridas na Universidade Estadual Paulista - UNESP, no Campus Rio Claro (SP), com atividades envolvendo professores do ensino superior, alunos e servidores, no âmbito das ações do projeto CECEMCA UNESP (Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - UNESP). A realização de tais atividades didáticas possibilitou a produção pelos participantes de 18 vídeos de curta duração, disponíveis na internet. Entendemos, com base nas idéias de Briggs e Burke, que os vídeos digitais configuram-se como ferramentas de comunicação adequadas a um momento histórico peculiar, com a democratização dos meios digitais de transmissão de dados (internet). Quanto ao aprendizado observado com as oficinas consideramos, com base nas idéias de Michael Polanyi, que o conhecimento tácito proporcionado por tal vivência permitiu aos participantes o acesso e o domínio, mesmo que em nível introdutório, dessa ferramenta de comunicação. As oficinas permitiram desvelar que apenas o acesso a equipamentos - câmeras digitais - é insuficiente para a apreensão de tal forma de comunicação, baseada em TICs. O domínio das Ferramentas de Comunicação Vídeo para Internet (FCVI) pode oferecer ao docente uma forma diferenciada de comunicação com seus alunos, bem como a produção de conteúdos personalizados para o contexto de suas atividades didáticas, com implicações enriquecedoras para o Ensino de disciplinas com características experimentais, particularmente como a Física.
Palavras -
chave: TIC, Vídeo, Internet
## Abstract
We show here part of a exploratory research about the continuing education of teachers and future teachers in the use of digital tools for video production, lowcost based and in a suitable format for dissemination by the global network of computers Internet. The work was developed from the monitoring of six short duration workshops (8 hours each) occurred in the Universidade Estadual Paulista UNESP, Campus Rio Claro (SP), with activities involving university teachers, students and employees in scope of the project actions CECEMCA UNESP (Center of Continuing Education in Mathematics Education, Scientific and Environmental UNESP). The performance of such activities teaching by the participants enabled the production of 18 short videos, available on the Internet. We believe, based on the ideas of Briggs and Burke, digital video set themselves up as tools for communication appropriate to a particular historical moment with democratization of the digital transmission data (internet). As observed in the learning with the workshop participants we believe, based on ideas of Michael Polanyi, tacit knowledge that provided by this experience allowed the participants access and dominance, even in introductory level, this communication tool. The workshops allowed reveal that only access to equipment - - câmeras digital - are insufficient to arrest such communication based on ICT. Mastering the Communication Tools Video for Internet (FCVI) can offer teachers a different way of communicating with their students as well as the production of personalized contente to the context of their learning activities, with implications for enriching the teaching of subjects with experimental features, particularly as the Physics.
Keywords: ICT, Video, Internet
## Introdução
Um dos pilares sobre os quais se estruturaram as sociedades humanas criadas desde remotamente, talvez o mais fundamental deles , é a comunicação. O desenvolvimento de uma linguagem articulada permitiu aos seres humanos maior precisão na troca de informações, alerta de perigo e planejamento de ações em grupo como caça, proteção territorial e construção de estruturas sociais complexas.
Pode -se dizer que a comunicação entre os seres humanos continua essencialmente importante, assim como foi em todas as etapas de desenvolvimento das sociedades. Tal importância é desvelada pelos reflexos das mudanças que as sequentes evoluções tecnológicas acarretaram na forma pela qual a troca de informações se dá.
A comunicação é baseada na troca de informações, de forma que não há a primeira sem a segunda. Quando o leitor de um artigo assimila as informações textuais, pode-se dizer que foi estabelecida uma comunicação entre autor e leitor.
As ferramentas para a troca de informação podem ser diversas, mas o que garante que a troca ocorrerá é o uso da linguagem pertinente , seja ela verbal, gestual, pictórica ou escrita.
Este trabalho tem por objetivo discutir r possibilidades de apreensão e uso da Ferramenta de Comunicação "Vídeo para a Internet" (FCVI) como uma nova expressão de comunicação acessível a docentes para elaboração de seus próprios materiais didáticos ou apoio a atividades de ensino, bem como possibilidades de trabalho com os vídeos . O público escolhido para o trabalho foi diversificado, entre professores em formação inicial, professores em exercício e funcionários que trabalham com audiovisual na UNESP de Rio Claro.
Além disso, essa produção ocorre no contexto no qual a transmissão de vídeos pela internet representa um divisor de águas (Avila, 2008) uma vez que tornou um meio de comunicação de massa acessível a uma parcela maior da população.
## Um breve histórico de feferramentas para a comunicação
A partir de um ponto de vista histórico, Briggs e Burke (2006, p. 31) apontam que "constitui uma tradição o fluxo de informações seguir r o fluxo do comércio, pois os mercadores, operando por mar ou terra traziam novidades juntamente com a mercadoria" .
Realizando um recorte temporal, enfocamos as revoluções tecnológicas da comunicação e, tomando como ponto de partida a invenção da prensa de Gutenberg, apresentamos no quadro a seguir um histórico da evolução das 1 ferramentas de comunicação 1 .
## Período Evolução de Ferramentas de Comunicação e observações
- ~ 1450 Por volta de 1450, considera-se que Gutenberg desenvolveu a prensa de tipos móveis que facilitou a produção de matrizes, possibilitando assim um novo método de produzir livros, que teria sido responsável pela divulgação do conhecimento em larga escala. Briggs e Burke (2006, p. 27) citam que "Um escritor italiano queixou-se em 1550 que havia 'tantos livros que não temos tempo de ler os títulos'". No âmbito da educação mais pessoas puderam aprimorar seus conhecimentos.
- ~1830 O telégrafo de um fio só, representou grande avanço nas comunicações uma vez que já era possível transmitir r informações a uma velocidade que consideramos instantânea. No entanto, o telégrafo por si só enquanto equipamento não seria capaz de transmitir as informações não fosse uma linguagem prática e própria desenvolvida para isso, o Código Morse, ressaltando para a importância do que é uma tecnologia associada à linguagem apropriada.
- ~1850 Durante muitos anos os créditos da invenção do telefone foram concedidos a Alexander Graham Bell e sua data de criação como 1876. No entanto, em 2002 reconheceu-se a originalidade do invento ao italiano Antonio Meucci, e sua data de criação como 1856. O telefone trouxe mudanças diretas sobre como a humanidade se comunica, uma vez que tornou-se possível a comunicação entre pessoas a longa distância de forma instantânea e mais simplificada,
pois era possível transmitir mensagens usando a linguagem oral e não mais um código de conhecimento restrito, como o Código Morse.
- ~1900 A popularização e as seguidas melhorias no serviço de correios aprimorou as comunicações entre as pessoas. Este sistema passou por significativas melhorias com a expansão das linhas férreas, de forma que os correios puderam atender cidades e pessoas cada vez mais distantes a uma velocidade cada vez mais rápida. Representou a ampliação da educação a distância e criação de cursos oferecidos pelo correio.
- ~ 1900 Atualmente considera -se que o italiano Marconi inventou o rádio em 1914. Esta tecnologia permitiu novo avanço nas comunicações em larga escala de um-para-muitos, um emissor para muitos receptores. A interação com o locutor do programa de rádio só se torna possível se o ouvinte tiver uma linha telefônica para entrar em contato com a equipe do rádio.
- ~ 1925 A televisão, inventada ainda na primeira metade do século XX trouxe grande avanço no fato de que possibilitava a transmissão de imagem juntamente com o som, mas não trouxe avanços no quesito interação. Suas influências na sociedade são notáveis. Modificou o modo de viver e conviver das pessoas, popularizando o acesso a informação audiovisual.
- ~ 1950 Em meados do século XX surge o computador r como máquina de calcular. Com foco inicial em realizar cálculos complexos, inclusive cálculos de balística, não teve a princípio caráter comunicativo ou educativo. Seguidas melhorias na tecnologia digital possibilitaram barateamento e difusão dos computadores. Dessa forma , na década de 1980 o computador foi se tornando cada vez mais um aparato de uso pessoal, fazendo parte do cotidiano doméstico das pessoas, assim como o rádio, a televisão e as linhas telefônicas.
- ~ 1995 O caráter comunicativo dos computadores pessoais só foi possível com o surgimento das redes, tornando-se popular a partir de meados da década de 90 com a divulgação da rede internet 2 . As conseqüências da popularização da internet puderam ser percebidas na indústria, comércio, lares e na sociedade, pois trouxeram possibilidades de informação e entretenimento em uma dinâmica muito rápida, abriu uma nova dimensão para a interatividade entre pessoas e informação.
- ~1995 A Web se constitui em um sistema de informação muito bem distribuído, talvez o mais bem sucedido da história. Um sistema de documentos conectados, que se relacionam por meio de uma linguagem que segue padrões simples e abertos , proporcionando e democratizando acesso à informação e ao conhecimento em escala global.
- ~ 2005 Considerada uma evolução conceitual da web, a Web 2.0 0 permite que qualquer pessoa, sem nenhum conhecimento técnico especializado
disponibilize conteúdo online. Essa facilidade é possível graças a ferramentas simplificadas de edição e upload d de arquivos, como blogs , wikis, fotologs, videologs, que colocam nas mãos dos usuários a possibilidade de publicar conteúdos online e deixá-los acessíveis às pessoas.
No âmbito da web 2.0, os usuários do sistema podem assumir o papel de produtores de conteúdo, uma vez que, ao mesmo tempo que acessam um conteúdo na internet, podem modificá-lo ou criar outros , agregando novas informações ao conteúdo principal.
Para que esta dinâmica de acesso e produção de conteúdo se concretize, é necessário que o usuário tenha domínio sobre as formas de produção e linguagens 3 disponíveis para tanto, uma delas os vídeos digitais 3 .
Em particular, a produção de vídeos para a internet diferencia-se da produção tradicional de vídeo em alguns fatores, dos quais destacamos:
- · Velocidade de criação: os vídeos digitais são mais fáceis de ser editados do que os analógicos
- · Acessibilidade: com o contínuo desenvolvimento, a tecnologia se tornou mais acessível às pessoas
- · Duração: a duração de um vídeo disponibilizado na internet deve ser curta, tendo em vista as limitações de transmissão de dados
- · Qualidade e versatilidade: pode ser alterada de acordo com as necessidades de transmissão de dados, por exemplo, se anexado a e-mails, disponibilizado em um servidor r ou gravado em mídia removível
No mundo contemporâneo , em que são amplamente acessíveis câmeras digitais e estão disponíveis inúmeros vídeos de diversas qualidades difundidos pela internet, seria natural supor que tais ferramentas tecnológicas fossem usuais nas atividades educacionais. Entretanto , o que observamos é uma grande dificuldade inicial de educadores no uso das FCVI, seja pelo uso limitado de equipamentos (como câmeras digitais), seja pela dificuldade na editoração e publicação dos vídeos.
## Oficinas e FCVIVI
- O estudo exploratório aqui apresentado busca discutir essas dificuldades, utilizando para tanto observações qualitativas com características etnográficas realizadas durante a implementação de Oficinas 4 para a produção de vídeos digitais de curta duração, no âmbito do projeto CECEMCA UNESP 5 .
Tais oficinas tiveram como foco a formação de professores para a produção de vídeos didáticos de baixo custo, procurando difundir esta ferramenta de comunicação entre docentes e futuros professores. O acesso às oficinas foi abertrto a professores universitários, graduandos e funcionários da UNESP, no Campus de Rio Claro (SP), onde foram realizadas 6 edições, de 8 horas de duração, divididas em 2 encontros de 4 horas, tendo ao total 53 participantes.
As oficinas foram concebidas com a seguinte organização:
- · No primeiro encontro foram apresentadas algumas técnicas básicas de fotografia e iluminação, bem como de produção de roteiros;
- · No segundo encontro:
- o os participantes trabalharam em grupos, elaborando roteiros e realizando seus próprios projetos de filmes.
- o Após as filmagens, f foram apresentadas algumas técnicas de edição em um software livre disponível 6 e, em seguida, os grupos de trabalho realizaram a edição de cenas e áudio em seus próprios vídeos.
- o Como atividade final da formação, todos puderam assistir as produções dos outros grupos, sugerindo modificações ou aprimoramentos.
A oficina "Produção de Material Didático para a Internet: Vídeos" foi elaborada com o intuito inicial de atender ao público potencialmente interessado na produção de vídeos para a área de Ensino de Física. Contudo , durante a sua aplicação ampliou-se o escopo para outras áreas como Biologia, Educação Física, Pedagogia, Matemática, Geografia e Teatro, como pudemos constatar pela variedade dos temas produzidos. Como resultados da oficina, tivemos a produção de pelo menos um vídeo por grupo por encontro, culminando na publicação de uma página na internet, que totaliza até o momento 18 produções de curta duração.
Os vídeos , tais como produzidos durante as oficinas , estão disponibilizados no endereço http://cecemca.rc.unesp.br/cecemca/cinemateca/sala\_oficina.htm na coluna "Sala Aprendiz", alguns dos quais estão ilustrados a seguir .
Figura 1
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Página web do projeto CECEMCA com os vídeos produzidos pelos participantes das oficinas de vídeoFigura 2
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Vídeo produzido tendo como foco sobre como usar uma bússola
Figura 3 Vídeo sobre eletrização de canudinhos de plástico
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Figura 4 Parte do vídeo "Óia a onça" que procura discutir as forças fictícias em sistemas não inerciais
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## O caso do "Óia a onça"
O vídeo "Óia a onça" é uma caso particularmente ilustrativo do potencial de trabalho da FCVI para o Ensino de Física. Os autores pretendiam discutir questões sobre referenciais inerciais e não inerciais, tendo montado um aparato simples mas bastante engenhoso, representado na figura 5.
Figura 5
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A cena mostra a montagem com a câmera fixa na caixa (cenário) que proporcionará a sensação da onça de brinquedo pular, aparentemente sem qualquer dispositivo de ação .
- 1 -Boneco colado ao fundo da caixa de papelão
- 2 -Onça de plástico que não está colada à caixa
- 3 -Câmera filmadora digital fixa dentro da caixa para a captação de imagens
- 4 -Caixa, com folhas simulando o efeito de "fundo infinito" , compondo o cenário de ação.
A filmagem é realizada com a caixa sendo movida em um solavanco, sendo o boneco da onça o único a se mover em relação a câmera. Como resultado o filme mostra a onça pulando, como se o conjunto câmera-caixa-boneco se comportasse como um referencial inercial. O vídeo também mostra o processo de realização após a pergunta "O que fez a onça saltar?". Com isso é possível ilustrar uma discussão de Física que dificilmente seria possível reproduzir como uma demonstração em sala de aula.
## Algumas observações proporcionadas pelas Oficinas
Como uma das intenções das atividades de formação continuada era aproveitar as potencialidades reais da produção de vídeos didáticos pelos participantes, solicitamos que cada um levasse sua própria câmera digital e, com isso, viabilizamos o contato e a familiarização do participante com o equipamento que teria em mãos efetivamente em seu dia-a-dia, permitindo produzir seu vídeo de forma independente.
Com observações feitas durante a realização das diferentes oficinas, pudemos constatar:
- · A familiarização dos participantes com seus próprios equipamentos de filmagem: Verificamos que um número muito reduzido de pessoas tinha domínio dos equipamentos para realização de filmagens e manipulação dos arquivos. Cerca de metade dos participantes não dominava de maneira adequada o uso de suas próprias câmeras. O O grau de domínio da tecnologia variava de pessoa para pessoa , como que num espectro contínuo, desde o aluno que não sabia operar com o básico de sua câmera, passando por aquele que tirava fotos mas não sabia como colocá-las no computador, até o aluno que já dominava a aquisição e edição do vídeo, e quando necessário , a sua conversão entre diferentes formatos (avi, mpeg, vob) .
- · A personalização dos produtos feitos pelos sujeitos , atendendo a demandas particulares, como observado em alguns títulos (Navegando no origami; Formigas; Episódio VII - Eletrização; Os pés também amam). Cabe mencionar especialmente o vídeo "Óia a onça", que demonstrou uma onça de brinquedo saltando sobre um boneco de brinquedo, aparentemente sem nenhum dispositivo adicional e sem mesmo se mover para o salto. O truque foi descrito no ítem "O Caso do Óia a Onça " .
Acompanhando a evolução dos participantes durante os trabalhos, observamos que durante as Oficinas houve apropriação de técnicas e da linguagem por parte dos participantes , que permitiu lidar r melhor com ferramentas de produção de conteúdos em vídeos digitais de baixo custo .
Analisamos esta situação amparando-nos nas idéias de Polanyi, sobre o conhecimento tácito e explícito (BENETTI, 2004). Para Polanyi (1966) , o conhecimento não se dá apenas no âmbito do explícito mas principalmente numa dimensão que classifica como tácita. Para ele, inclusive, a dimensão tácita prevalece até mesmo na formação do conhecimento explícito. Consideramos que, ao colocar os participantes em situação de produção de seus próprios vídeos nas Oficinas, oferecemos um acesso tácito às ferramentas e técnicas de produção, permitindolhes uma 'releitura' de equipamentos e possibilidades didáticas deste tipo de produção. No âmbito do conhecimento explícito, consideramos que os participantes conviviam com vídeos digitais difundidos pela internet e a maioria deles já possuía câmeras com recursos para esse tipo de produção, todavia, somente a partir do ambiente de desafio proporcionado pela Oficina, mobilizaram também conhecimentos tácitos para apropriação da linguagem (FCVI) e implementação de produções personalizadas. Este contraste entre situação inicial e final permite-nos apontar que somente o acesso ao conhecimento explícito (vídeos na internet e
equipamentos digitais) não conduz a apropriação espontânea de tal forma de comunicação.
Além disso, ao colocar as FCVI no âmbito de uma construção, "o conhecimento se integra à ação e a percepção" (BENETTI, 2004, p. 43), de forma que o conhecimento tácito assim mobilizado não se apresenta como uma oposição ao conhecimento explícito anterior, mas o amplia.
## Considerações Finais
Como no uso do Código Morse e sua relação com o telégrafo, os processos de comunicação se adéquam aos seus meios. No caso da internet , em particular, uma gama ampliada de possibilidades se abre a atividade de ensino tais como textos, simulações computacionais e inclusive vídeos . Neste sentido, a produção de materiais didáticos de baixo custo, particularmente com as FCVI , é uma das formas de ampliar a interação entre docentes e aprendizes.
Especialmente para o Ensino de Física , as FCVI podem ainda permitir a utilização didática de demonstrações experimentais peculiares , que de outra forma seriam inviáveis, seja pelo seu custo ou pela necessidade de extenso aparato ou tempo para preparo, o que inviabilizaria seu uso em sala.
Além disso, materiais concebidos em vídeo digital de baixo custo podem, depois de prontos, se tornarem úteis em diferentes contextos didáticos, ampliando suas possibilidades educativas .
Da aplicação das oficinas aqui apresentadas, e a luz do referencial adotado, concluímos que a presença e disponibilidade histórica do ferramental por si só não é suficiente para que o agente (seja professor, graduando ou funcionário) apreenda novas linguagens, nem que consiga criar materiais didáticos inovadores contextualizados. Dessa forma, no âmbito do uso de cada modalidade de linguagem é preciso ter o conhecimento de técnicas - que no caso dos vídeos exigem preparação, organização e estruturação prévia - sejam elas apoiadas em ferramentas das novas tecnologias ou até mesmo das antigas tecnologias.
Por fim, percebemos que, no âmbito do conhecimento, a consideração ao conhecimento tácito nas atividades de ensino, tal como o proporcionado nestas oficinas, é uma estratégia necessária a apreensão de novas linguagens e ferramentas por parte do sujeito.
## Referências
AVILA, R. N. P. Streaming: aprenda a criar e instalar sua rádio ou TV na internet. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda. 2008.
BENETTI, B . O tácito e o explícito: a formação de professores de ciências naturais e biologia e a temática ambiental . UNESP Araraquara 2004 .
BRIGGS, A.; BURKE, P. Uma história social da mídia: de Gutenberg a Internet. São Paulo: Zahar. 2006.
MACIEL, L. C. O poder do climax. Rio de Janeiro: Record. 2003.
POLANYI, M. El estudio del hombre . Buenos Aires, Argentina: Paidós, 1966.
POLANYI, M. Personal Knowlegde: towards a post-critical philosophy. Londres, UK: Routledge & Kegan Paul. 1958.
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