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OFICINA PARA PROFESSORES SOBRE CRIAÇÃO E ADAPTAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS DE FÍSICA PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Francielle Alves Rodrigues, Gaia Mendonca Moreira, Luara Rodrigues Esperança De Oliveira, Mariana Gabriela Saraiva Ferreira, Maria Luiza Barbosa Pertence, Adriana Gomes Dickman

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OFICINA PARA PROFESSORES SOBRE CRIAÇÃO E ADAPTAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS DE FÍSICA PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL 1

Francielle Alves Rodrigues 1 , Gaia Mendonca Moreira 2 , Luara Rodrigues Esperança de Oliveira 3 , Mariana Gabriela Saraiva Ferreira 4 , Maria Luiza Barbosa Pertence 5 , Adriana Gomes Dickman 6

- 1 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Departamento de Física e Química, franciellealves06@gmail.com
- 2 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Departamento de Física e Química, gaiamoreira6@gmail.com
- 3 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Departamento de Física e Química, luararodrigues21@gmail.com
- 4 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Departamento de Física e Química, marianasaraiva24@gmail.com

- 6 Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática, Programa de Pós-graduação em Educação e Departamento de Física e Química, adickman@pucminas.br

Palavras-chave : Ensino de física; Deficiência visual; Oficina.

## Resumo expandido

Diversos são os problemas presentes na Educação Especial, bem como vários são os caminhos e alternativas para tornar essa área ainda em desenvolvimento mais difundida. No entanto, para que mudanças ocorram, de maneira a incluir o aluno com deficiência visual no ambiente escolar e no contexto de sala de aula, é necessário que os docentes estejam dispostos a mudar. O papel do professor não é fundamental somente na adaptação de conteúdo, mas também na articulação da estimulação de trocas entre alunos videntes e alunos com deficiência visual, aumentando a interação, a comunicação e promovendo o desenvolvimento social e cognitivo (GROSSI; LIBARDI, 2017). Assim, neste trabalho relatamos o processo de elaboração de uma oficina sobre criação e adaptação de material para alunos com deficiência visual dirigida a licenciandos e docentes de física e matemática.

Diversas pesquisas na área apontam para a necessidade de capacitação e urgência de ampliação de programas de formação inclusiva para professores em formação ou em exercício (CAMARGO, 2012; NUNES, 2004;

GLAT; NOGUEIRA, 2003). Para professores em formação, essa capacitação ou inclusão de conteúdos relacionados a pessoas com deficiência nas grades curriculares, deveria ocorrer em conformidade a diversas resoluções como a CNE/CP n°1, de 18 de fevereiro de 2002, do Conselho Nacional da Educação, que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica (BRASIL, 2002), ou mais atualmente com a Lei Brasileira de Inclusão de 2015 (BRASIL, 2015). Fonseca (1995) reforça a necessidade urgente de formação docente como um processo de inserção progressiva para esses profissionais. Camargo (2012) aborda o fato de poucos cursos de licenciatura em Física contemplarem em seu projeto político pedagógico, diretrizes que enfoquem temáticas da educação especial e inclusiva, intensificando ainda mais as dificuldades remanescentes do ensino de Física.

Defende-se o fato de que sem uma formação inclusiva adequada, esse docente não compreende em sua totalidade as dificuldades do aluno com deficiência visual. Assim, metodologias e materiais multissensoriais não fazem sentido quando não se sabe incorporá-los na dinâmica da sala de aula. De acordo com Mrech (1999), alguns professores, sem formação especializada, utilizam as mesmas estratégias de ensinar aplicadas por professores em sua formação, de forma que, em geral, seu conjunto de práticas docentes se resumem em percepções estereotipadas dos alunos.

Nesse contexto, elaboramos uma oficina sobre o processo de criação e adaptação de material didático para alunos com deficiência visual, pensando na possibilidade de influenciar professores e futuros professores para que sejam capazes de considerar elementos essenciais ao adaptar ou criar materiais e símbolos em relevo que atendam às necessidades destes alunos. A estrutura da oficina foi projetada para sensibilizar os participantes sobre a importância do Ensino Inclusivo e necessidade de se capacitar para auxiliar os discentes de maneira adequada. Assim, a oficina oferece um ambiente para discussão e elaboração de atividades relacionadas a estratégias e recursos pedagógicos para Educação Inclusiva, focando em alunos com deficiência visual.

A oficina, postada em um site para facilitar o acesso dos participantes, está dividida em quatro módulos: Apresentação; Audiodescrição; Adaptação de materiais; Criação de materiais. Em cada etapa foram entrevistados especialistas no assunto abordado, disponibilizados artigos, tarefas e fontes de pesquisa para melhor compreensão do assunto.

Na figura 1 trazemos um recorte de quatro imagens representando momentos distintos da oficina. No canto esquerdo superior é mostrada a página com a introdução ao processo de adaptação; no canto esquerdo inferior tem-se a chamada para uma das entrevistas e o link para o vídeo da mesma; no canto direito superior são mostrados exemplos das tarefas, link para os artigos e a apresentação de uma das entrevistadas; no canto direito inferior é mostrada a página da oficina no instagram , bem como links para vídeos e materiais.

Figura 01: Site da Oficina de Inclusão. Fonte: Elaborada pelas autoras.

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As atividades que serão realizadas ao final de cada módulo foram elaboradas com o objetivo de discutir de forma sistematizada os conceitos de física e matemática, princípios e práticas da educação inclusiva e do ensino para alunos com deficiência visual relacionados à temática abordada em cada módulo. Ao final da oficina será proposto um trabalho final em que os participantes deverão elaborar um material adaptado que contribua para o ensino de conceitos de física ou matemática para alunos com deficiência visual.

Dessa maneira, espera-se abrir um espaço de discussão e reflexão sobre questões específicas que visam propiciar o desenvolvimento do aluno com e sem deficiência visual e proporcionar uma troca de conhecimento e experiências individuais e coletivas valorizando a vivência pessoal e profissional de cada participante.

As atividades propostas e os relatos dos participantes sobre aspectos inclusivos e sua vivência escolar serão fundamentais na averiguação do impacto da oficina. As discussões propostas poderão proporcionar uma análise da formação e uma possível ampliação das habilidades e competências dos professores, que influenciam diretamente em uma inclusão efetiva, que respeite e inclua as particularidades de cada indivíduo em sala de aula, favorecendo o aumento da assertividade na adequação das atividades e das aulas e do bemestar do aluno com deficiência visual, que como todo aluno possui todas as potencialidades necessárias para compreender conceitos e discussões construídos em aulas de Física e Matemática.

## Referências

BRASIL. Lei n°13.146 de 6 de julho de 2015 . Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: https://tinyurl.com/y4smhs3j. Acesso em 01 nov. 2020.

BRASIL. Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 1, de 18 de fevereiro de 2002 . Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena: Conselho Nacional de Educação. 2002. Disponível em: https://tinyurl.com/jjr3ej6. Acesso em: 01 nov. 2020.

CAMARGO, E.P. Panorama das dificuldades e viabilidades para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de óptica. In: CAMARGO, E.P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física . São Paulo: UNESP, 2012. Cap. 4, p. 57-93.

FONSECA, V. Educação Especial. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

GLAT, R.; NOGUEIRA, M. L. de L. Políticas Educacionais e a Formação de Professores para a Educação Inclusiva no Brasil. Revista Comunicações do Programa de Pós-graduação em Educação , Piracicaba, v.1, p. 134 -141. 2003.

GROSSI, M.C.A.J.; LIBARDI, H.L. Ensino de ondas para estudantes com e sem deficiência visual da Educação de Jovens e Adultos - EJA - com materiais concretos e de baixo custo. In : SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA, 22., 2017, São Carlos. Anais [...] São Paulo: Sbfísica, 2017.

MRECH, L.M. Os desafios da educação especial, o Plano Nacional de Educação e a universidade brasileira. Revista Brasileira de Educação Especial , Piracicaba, v.3, n. 5, p. 127-146, set. 1999.

NUNES, S. da S. Desenvolvimento de conceitos em cegos congênitos : caminhos de aquisição do conhecimento. 2004. Dissertação (Mestrado em Psicologia) Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

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