Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

UMA DISCUSSAO SOBRE A DECOLONIALIDADE NO ENSINO DE FÍSICA

Francisco Nascimento

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## UMA DISCUSSAO SOBRE A DECOLONIALIDADE NO ENSINO DE FÍSICA

## Francisco Nascimento 1

1 Universidade Federal do Sul da Bahia / Instituto de Humanidades, Artes e Ciências do Campus Sosígenes Costa / francisco.nascimento@ufsb.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física, Decolonialidade, Educação

## Resumo expandido

Este trabalho deseja contribuir para a discussão acerca da construção de uma perspectiva decolonial no Ensino de Física, uma proposta justificada pela necessária desconstrução dos pressupostos e bases da educação brasileira, decorrentes do processo de colonização sofrida pelo país e que resultou em nossa colonialidade.

Como forma de retratação de toda a história de dominação vivenciada pelos povos colonizados, as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 estabeleceram , através das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a inclusão da obrigatoriedade dos estudos da 'História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena' no currículo nacional. É preciso ressaltar que essa legislação, de forma isolada, não representa propriamente um avanço por não ser capaz de garantir, na prática, a mudança de paradigma que tanto se almeja. Para sua real efetividade, é preciso o envolvimento das estruturas escolares nas abordagens de sua temática, desenvolvendo conteúdos capazes de possibilitar uma construção de conhecimento renovada, sem, no entanto, ignorar os conteúdos de Física trabalhados no ensino básico.

Trata-se da implementação de novos conceitos e percepções que proporcionem a educandos e educandas o sentimento de acolhimento dentro da instituição escolar, para que sua estrutura seja reconhecida por eles e elas como capaz de contribuir para a construção de suas leituras do mundo. Essa construção de conhecimento deve ocorrer de modo democrático, respeitando limitações e dificuldades de cada estudante, auxiliando em sua formação cidadã. Assim é necessário que se fomente a discussão sobre novas abordagens que provoquem a curiosidade e o interesse de estudantes em participar de modo ativo na construção de seu conhecimento - fortalecendo aquilo que sabe e oportunizando sua aproximação de novos saberes em Física.

Snyders (1988) explica o sentimento e desejo discentes por um espaço sem julgamentos, onde as regras não os diminuam ou aprisionem, um sonho por espaços que possibilite a socialização, o ensino e a aprendizagem, essencial para a formação de sujeitos livres e autônomos:

Contra o que eles frequentemente chamam de um simples despejar de conhecimento, os alunos sonham com outras relações: serem levados em consideração, serem conhecidos e reconhecidos em sua individualidade, em sua vida pessoal; os alunos sonham com relações nas quais poderiam revelar

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

19 a 30 de julho de 2021 - Online

ao professor seus gostos, seus problemas e mesmo seus defeitos, 'desvendas sua personalidade' e que o professor se interesse por isso. Poderíamos falar, discutir 'livremente' com os professores. Chega-se a desejar relações que não seriam mais hierárquicas, onde não haveria mais 'distância'... nem 'barreira'; alimenta-se a esperança de uma relação de igualdade: 'levamos ao professor nossa cultura; ele nos traz a sua'; a imagem de relações informais onde não haveria mais julgamentos, nem notas; seríamos aceitos independentemente de nossos resultados, alguns dizem: além de seus resultados uma ligação de homem para homem. (SNYDERS, 1988, p. 217).

- O Ensino de Física necessita ser repensado, mas esta discussão não é um convite à exclusão de conteúdos e sim a uma reflexão quanto à forma de sua apresentação, que precisa fazer sentido tanto para educadores como para educandas e educandos. A Física faz parte de muitas das experiências trazidas e vivenciadas por essas pessoas e é necessário que lhes seja devidamente apresentada: a Física do clima, dos jogos, das histórias e narrativas da cultura de massa, do esporte que pratica, do espaço onde se diverte e socializa em suas amizades. Essa Física que está presente em sua alimentação, assim como nas músicas e na dança, nas artes.
- O rompimento com as metodologias tradicionais abre caminho para a apresentação de outras ferramentas e discursos em que a Física passa a possuir um sentido cotidiano, fora do espaço escolar, porque este é sempre associado ao poder da branquitude, fazendo com que jovens negros e negras fossem excluídas do processo de construção do conhecimento científico, 'não só a racionalidade, mas a própria condição humana dos africanos e afrodiaspóricos foi colocada em dúvida pelo colonialismo europeu'(PINHEIRO, 2018, p. 61). Esse processo de exclusão racial é percebido, por exemplo, na escassez de referencias negras na Física, sempre associada a homens brancos europeus e suas narrativas.

Oportunizar saberes diferentes daqueles presentes nos livros didáticos é essencial para fortalecer a criação de uma consciência sobre a contribuição africana na formação de muitos pensadores europeus. Valorizar os saberes que tem origem em África é reconhecer que todos tem direito aos conhecimentos da Física como produção cultural da humanidade.

## Referências

BRASIL. Lei 10.639/2003, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9. 394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília.

BRASIL. Lei 11.645/08 de 10 de Março de 2008. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília.

PINHEIRO, Bárbara Carine Soares; ROSA, Katemari. Descolonizando Saberes A lei 10.639/2003 no Ensino de Ciências, Editora Livraria da Física, São Paulo, 2018.

SNYDERS, Georges. A alegria na Escola. Editora Manole Ltda., 1988.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.