USO DA PROPRIOCEPÇÃO E SISTEMA VESTIBULAR NO ENSINO DO CONCEITO DE INÉRCIA: A INCLUSÃO SENDO ÚTIL PARA TODOS
André Luis Tato, Roberto Soares Da Cruz Hastenreiter
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## USO DA PROPRIOCEPÇÃO E SISTEMA VESTIBULAR NO ENSINO DO CONCEITO DE INÉRCIA: A INCLUSÃO SENDO ÚTIL PARA TODOS
## André Luis Tato 1 , Roberto Soares da cruz Hastenreiter 2
1 Colégio Pedro II/Física/ Campus Realengo II, andretato@gmail.com 2 IFRJ/Física/Campus maracanã,
Palavras-chave : percepção sensorial, inclusão, deficiência visual
## Resumo expandido
- O ensino de Física no Brasil claramente é excludente de sua concepção à execução. A base dessa afirmação pode ser encontrada na limitação das formas de representação e veiculação da informação (Camargo, 2012) e adequação linguística (Irineu da Silva, 2020; CAMBUHY, 2013). A percepção da exclusão é reforçada, na medida em que se constata a quase inexistência de recursos pensados ou disponíveis.
A presente proposta é um recorte de uma pesquisa mais ampla que visa pensar em atividades didáticas de conteúdos de Física, tendo por base teórica referenciais o ensino inclusivo. O referido recorte é uma proposta de atividade pensada inicialmente para alunos com deficiência visual, cujo conteúdo se refere ao estudo da Lei da Inércia proposta por Newton (2008) - 'o caso da frenagem brusca de um ônibus em trajetória retilínea com um passageiro em pé e sem apoio'.
Para análise, no presente trabalho, propomos apresentar:
- 1 - A vantagem da inclusão para todos os alunos da classe regular;
- 2 - As formas de percepção do fenômeno;
- 3 - A força inercial presente para o referencial do ônibus;
- 4 - A transposição da estrutura empírica da linguagem.
Para o exemplo selecionado, a proposta de acessibilidade dos conteúdos aos alunos com deficiência visual servirá para todos os estudantes da turma. Como vantagem esperada ao pensarmos a diversidade, temos a oportunidade de oferecer outras formas de interação com os objetos de estudo, a fim de cumprir os objetivos pretendidos em uma aula de Leis de Newton.
Para o ensino de Leis de Newton, docentes usam a grandeza força, não visual, com representações visuais (Camargo, 2008). As representações não visuais
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
19 a 30 de julho de 2021 - Online
são ignoradas, embora mais coerentes diante da existência de sensores que detectam a intensidade da tensão muscular. Resumidamente, propomos o aproveitamento didático da propriocepção, do sistema vestibular e das memorias construídas por estes sensores nas frenagens usuais no transporte público.
Os núcleos vestibulares integram as informações vindas das estruturas relacionadas ao equilíbrio corporal (CAOVILLA et al, 1997). O sistema vestíbulo ocular, por exemplo, nos permite movimentar a cabeça mantendo os olhos focados em um objeto por acionamento de compensação muscular. O contrário também é válido: focar em um ponto para orientar o equilíbrio do corpo.
As informações dos proprioceptores indicam a orientação do corpo no espaço, por sensores nas cápsulas das articulações, e os níveis de tensão muscular por sensores nos músculos. O sistema vestibular, na busca do equilíbrio corporal, aciona os músculos posturais sempre que informados pelos proprioceptores de um estímulo à variação angular (GUYTON, 1986). Um impulso dado em um sentido será compensado, por resposta a nível medular, pela contração muscular em sentido contrário sempre que necessário.
Quadro 01: Referenciais de análise da frenagem do ônibus com o aluno em pé e sem apoio durante a frenagem
- O quadro 1 deixa claro que existe diferença de análise de acordo com o referencial de análise adotado. Isso nos leva ao quadro 2, onde devemos avaliar a melhor forma de perceber o fenômeno após escolha do referencial.
Quadro 02: Como perceber o experimento proposto de acordo com o perceptor utilizado
Em uma aula, não é necessário que o aluno seja colocado em um ônibus em movimento. As memórias construídas no decorrer dos anos provavelmente serão
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
suficientes. A importância desses estímulos é tanta que os neurônios envolvidos são espessos e proporcionam condução de pulso nervoso em alta velocidade.
Tradicionalmente, o experimento em questão seria apresentado por uma estrutura empírica da linguagem audiovisual interdependente (Camargo, 2012). Ou seja, as informações visual e auditiva se complementam e, somadas, pretendem um discurso único. Um aluno desprovido da visão, estaria excluído antes da aula começar.
Em nossa proposta, a estrutura empírica da linguagem de Camargo (op.cit.) mais próxima seria classificada como tátil auditiva, onde o principal diferencial depende da memória muscular formada pelo evento vivido diversas vezes. O uso da memória relacionada ao sistema vestibular obviamente não exclui a proposta tradicional no referencial inercial, mas a complementa.
Concluímos alertando docentes sobre a importância de aproveitar a afirmação, 'fui jogado para frente', após questionar um aluno sobre o que ocorre na frenagem brusca. A resposta não está errada, apenas fora do referencial esperado e não especificado por quem pergunta.
Utilizar a mudança de referencial, leva ao incremento com referenciais não inerciais e aproveita a corporeidade. A ampliação da sensibilidade, através das memórias já formadas, amplia as possibilidades de aprendizagem, o entendimento sobre o fenômeno e ainda inclui alunos com deficiência visual.
A presença de alunos com deficiência visual, ou quaisquer necessidades educacionais específicas, não é condição sine qua non para aproveitar as vantagens sensoriais de um referencial não inercial. A busca pela inclusão nos permitiu construir este trabalho e o benefício é irrestrito.
## Referências
CAMARGO, E.P. Ensino de Física e Deficiência Visual: dez anos de investigação no Brasil. Revista Ensaio. São Paulo: FAPESP, 2008.
CAMARGO, E.P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de física: 1° ed. São Paulo: UNESP Editora, 2012. Belo Horizonte | v.16 | n. 01 | p. 211-230 | jan-abr | 2012.
CAMBUHY/SILVA, J.F. O ensino de Física com as mãos: libras, e inclusão . Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Ensino de Ciências (Física, Química e Biologia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.
CAOVILLA, Heloísa Helena; GANANÇA, Maurício Malavasi; MUNHOZ, Mário Sérgio Lei; SILVA, Maria Garcia Leonor da; FRAZZA, Márcia Moniz. Curso: O equilíbrio corporal e os seus distúrbios . Parte I: noções de neuroanatomofisiologia do sistema vestibular. Revista brasileira medicina Otorrinolaringologia; 4(1), jan. 1997, 11-9.
GUYTON, Arthur C. Fisiologia humana e mecanismo das doenças. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1986.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
IRINEU DA SILVA, R., Caruzo Xavier, A. L. ., Tato, A. ., & Mariani Braz, R. M. (2020). Desenvolvimento de Sequência Didática Sobre o Tema Membrana Plasmática Como Recurso Didático-Metodológico para Promoção de Aprendizagem De Alunos Cegos: Introdução . Vivências , 16 (31), 269-287.
Newton, Isaac. PRINCIPIA: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural , Livro I. São Paulo: EDUSP, 2 Edição, 2008.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.