ADEQUAÇÃO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA DO BRASIL: UM ESTUDO DESCRITIVO
Luiz Felipe De Moura Da Rosa, Alexsandro Pereira De Pereira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De Ciência
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ADEQUAÇÃO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA DO BRASIL: UM ESTUDO DESCRITIVO
Luiz Felipe de Moura da Rosa 1 , Alexsandro Pereira de Pereira 2
1 UFRGS/Instituto de Física/PPG EnFis, profluizfis@gmail.com
2 UFRGS/Instituto de Física/PPG EnFis, alexsandro.pereira@ufrgs.br
Palavras-chave : Adequação de formação docente; Análise descritiva; Professores de Física.
## Resumo expandido
Um problema educacional que vêm recebendo cada vez mais atenção é a escassez de professores. Em levantamento realizado pelo governo federal, a Física era a disciplina em nível de Ensino Médio (EM) que mais sofria com a carência de profissionais com a devida formação (BRASIL, 2007). Apesar de esforços realizados, pouco se avançou na melhoria desse cenário com o passar dos anos (RABELO; CAVENAGHI, 2016). Recentemente, Nascimento (2020) investigou, entre outros aspectos, as taxas de adequação da formação docente (AFD) dos professores de Física no Brasil. Seu estudo foi realizado dando enfoque para as diferentes regiões do país, a partir dos dados do Censo escolar (CE) de 2018. Entretanto, Rosa e Moraes (2021) questionam tal delineamento metodológico e buscam reproduzir este estudo, olhando para os estados que compõe a região sul. Eles concluem que estudos que visam investigar a AFD devem levar em conta a influência das políticas públicas vigentes em cada unidade federativa (UF), observando estatísticas bastante distintas para os estados da região.
Como uma forma de buscar avanços e atualizações frente aos resultados encontrados nos trabalhos citados, propomos, no presente resumo, uma investigação descritiva da AFD dos professores de Física que atuam no Brasil, com um recorte por UF. Os dados que utilizamos são referentes ao CE mais atual, ou seja, referente ao ano de 2019. Ademais, diferente de Nascimento (2020) e Rosa e Moraes (2021) que olham, exclusivamente, para a dependência administrativa (DA) estadual, nos propomos a contemplar todas as DAs. Para isso, utilizamos o ambiente de programação R para tratamento dos microdados do CE da educação básica. No R, aplicamos os mesmos filtros para tratamento inicial dos dados que Rosa e Moraes (2021), de modo a garantir que os dados sejam referentes apenas a profissionais que atuem como docentes em atuação em sala de aula.
Alguns trabalhos que investigam AFD no Brasil se baseiam em categorização de 5 níveis, proposta pelo ministério da educação (ZABIELA; ZUCOLOTTO, 2019). Todavia, no presente resumo expandido seguiremos a classificação adotada por Nascimento (2020) e Rosa e Moraes (2021), ou seja, se a pessoa é licenciada em Física ou não. A partir desse ponto, separamos as 'pessoas que lecionam Física' dos 'professores de Física' (além de terem curso superior completo, são licenciados em Física). Em seguida, dividimos para cada UF os respectivos valores.
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19 a 23 de julho de 2021 - Online
Repetimos esse procedimento para cada DA. Optamos por criar mapas para apresentar nossos resultados graficamente. Os mapas foram criados no próprio R e utilizamos variáveis categóricas. Dessa forma, agrupamos percentuais em categorias de nossa proposição, conforme apresentado na tabela 01.
Tabela 01: Processo de categorização
Salientamos que em alguns estados não há escolas de DA municipal e mesmo nos estados em que tem essas escolas, elas representam expressiva minoria. Ao fazer o tratamento dos dados dessas escolas, apenas em dois estados a distribuição estatísticas atinge valores insatisfatórios (Minas Gerais e São Paulo), nas demais, quando há essas escolas, os casos apresentam valores plenamente insatisfatórios. Este resultado nos leva a seguinte questão: qual é a distribuição dos estudantes brasileiros nas escolas de diferentes DAs? Com a finalidade de respondermos esse questionamento, fizemos uma breve consulta aos dados disponíveis nas sinopses estatísticas de 2019 e apresentamos na figura 01 tal distribuição. Nela é possível perceber que a imensa maioria dos estudantes de EM estão matriculados em escolas de DAs estaduais e apenas 1% em municipais.
Figura 01: Proporção de estudantes de EM por DA
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A figura 02 apresenta o mapa para a AFD na DA federal.
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Figura 02: Mapa de AFD - DA federal
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A partir do mapa apresentado na figura 01 é possível identificar que a variação das escolas da DA federal brasileira se situa entre valores parcialmente satisfatórios e desejáveis. A figura 03 se refere à DA privada.
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Figura 03: Mapa de AFD - DA privada
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A partir do mapa apresentado na figura 03 é possível identificar que a variação das escolas da DA privada brasileira se situa entre valores insatisfatórios e parcialmente satisfatórios , com dois estados arrolados na categoria plenamente insatisfatório (Mato Grosso e Maranhão) e o Distrito federal na categoria satisfatório. A figura 04 se refere à DA estadual.
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Figura 04: Mapa de AFD - DA estadual
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A partir do mapa apresentado na figura 04 é possível identificar que a variação das escolas da DA estadual brasileira se situa entre valores plenamente insatisfatórios e parcialmente satisfatórios , com exceção para o Distrito federal, arrolado na categoria satisfatório.
Portanto, são justamente as escolas da DA onde está matriculada a maioria dos estudantes brasileiros (estadual) que mais sofre com a escassez de profissionais com a devida formação. Em termos do desempenho dos estudantes de diferentes DAs em avaliações nacionais (e.g., Prova de Ciências da Natureza do exame nacional do EM), Nascimento (2019) aponta que os piores resultados são de estudantes de escolas estaduais, enquanto os melhores desempenhos são dos estudantes das instituições de ensino federais seguidas pelas privadas. Ao transpormos essa informação para nossa interpretação das figuras 02 e 03, percebemos que essa ordem de desempenho dos estudantes é a mesma dos índices de AFD dos professores de Física nas diferentes DAs. Deste modo, consideramos importante a proposição de novos estudos que investiguem mais a correlação entre desempenho dos estudantes e a AFD.
Destacamos, ainda, a eficiência do uso de variáveis categóricas e mapas para uma apresentação visual clara e organizada dos resultados deste tipo de estudo. Todavia, reconhecemos limitações da escala utilizada por não permitir a devida observação de cenários no qual as taxas de AFD são preocupantes, assumindo
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valores de 9% na DA privada e 1% na DA estadual (e.g., Mato Grosso). Dessa forma, reforçamos as indicações de Rosa e Moraes (2021) sobre a importância deste tipo de estudo ser realizado sob recorte estadual, respeitando a particularidade de cada UF.
## Referências
BRASIL. Escassez de professores no ensino médio : propostas estruturais e emergenciais. Brasília: Ministério da Educação, 2007.
NASCIMENTO, M. M. O professor de Física na escola pública estadual brasileira: desigualdades reveladas pelo Censo escolar de 2018. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 42, n.e20200187, 2020, p. 1-4.
NASCIMENTO, M. M. O acesso ao ensino superior público brasileiro: um estudo quantitativo a partir dos microdados do Exame Nacional do Ensino Médio. 2019. 292f. Tese (Doutorado em Ensino de Física) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Física, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, Porto Alegre, 2019.
RABELO, R. P.; CAVENAGHI, S. M. Indicadores educacionais para formação de docentes: uso de dados longitudinais. Estudos em Avaliação Educacional , v. 27, n. 66, p. 816-850. 2016.
ROSA, L. F. M.; MORAES, K. R. M. A adequação de formação docente dos professores de Física do Sul do Brasil. In: Congresso Internacional de Investigação em Didática das Ciência, XI, 2021, Online. Anais ... Congresso Internacional de Investigação em Didática das Ciência, 2021.
ZABIELA, F. P.; ZUCOLOTTO, A. M. Mapeamento do perfil do professor de redes públicas do Estado do Rio Grande do Sul da área das Ciências da Natureza frente à adequação de formação. In: ENPEC, XII, 2019, Natal. Anais ... ABRAPEC, 2019.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.