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DESENVOLVIMENTO DE VÍDEOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Marcus Peres, Sam Adam Hoffmann Conceição, Talita Vicente Dos Santos, Cristóvão Renato Morais Rincoski, Nestor Saavedra, Jorge Alberto Lenz, Arandi Ginane Bezerra Jr

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DESENVOLVIMENTO DE VÍDEOS DIDÁTICOS PARA O ENSINO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Marcus Peres 1 , Sam Adam Hoffmann Conceição 2 , Talita Vicente dos Santos 3 , Cristóvão Renato Morais Rincoski 4 , Nestor Saavedra 5 , Jorge Alberto Lenz 6 , Arandi Ginane Bezerra Jr 7

- 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, markinhusperes@gmail.com
- 2 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/DAFIS, peixeboipianista@hotmail.com
- 3 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, taly.vs@hotmail.com
- 4 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, rincoski@utfpr.edu.br
- 5 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, nestorsf@utfpr.edu.br
- 6 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, lenz@utfpr.edu.br
- 7 Universidade Tecnológica Federal do Paraná/PPGFCET, arandi@utfpr.edu.br

Palavras-chave : Física Moderna e Contemporânea, Vídeos Didáticos, TIC

## Resumo expandido

O ensino de Física Moderna e Contemporânea (FMC) é tema candente na escola e na universidade, figurando nos documentos oficiais e constituindo desafio importante para o Ensino de Física. Sua aplicação encontra obstáculos cognitivos da parte dos estudantes e ao problema soma-se a ainda pouca literatura e a carência de abordagens envolvendo experimentos didáticos e metodologias tais como aquelas relacionadas à experimentação (WESENDONK e TERRAZZAN, 2020). Isso impõe desafios particulares: como realizar sua efetiva inserção nas aulas de Física? (ROCHA e RICARDO, 2016).

O presente trabalho apresenta um projeto de desenvolvimento de vídeos didáticos para o ensino de FMC. Trata-se de uma articulação entre graduação e pósgraduação voltada ao uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no ensino de FMC. Sua concepção tem como base a Tríade de Gowin (MOREIRA, 2011): os materiais didáticos são um dos vértices do compartilhamento de significados envolvendo professores e estudantes. Os materiais são licenciados enquanto Recursos Educacionais Abertos (REA) e podem ser utilizados individualmente, mas, em conjunto, constituem um todo orgânico englobando temas fundamentais da FMC. Busca-se despertar interesse pela temática e dar ênfase ao rigor científico.

Participaram do projeto mestrandos de um mestrado profissional em Ensino e licenciandos de um curso de Física, reunindo professores em formação inicial e continuada, no contexto de interação entre escolas e uma universidade pública. Uma vez produzidos os vídeos, seu impacto foi avaliado por meio de uma análise do número de acessos e das colocações ( ranking ) na internet, tendo em vista sua procura por parte da comunidade. Também foi realizada uma aplicação em sala de aula, para validar a utilização dos vídeos por professores e estudantes. Verificou-se muitos

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acessos aos vídeos na web e, por parte dos alunos, as percepções em sala de aula apontam para o compartilhamento de significados previstos por Gowin.

O trabalho situa-se num contexto em que as discussões na comunidade de Ensino acerca da FMC são vastas, desde o final do século XX até a atualidade (PERES et al ., 2020). Dentre as questões relevantes, destacam-se: a necessidade da compreensão de fenômenos e efeitos que fogem das interpretações da Física Clássica; a existência de construções matemáticas mais avançadas, principalmente para a formação de estudantes no ensino médio; e dificuldades específicas no que tange à transposição didática (BROCKINGTON e PIETROCOLA, 2005; COIMBRA, 2016).

Esta transposição, por sua vez, precisa levar em conta experimentos elaborados que, do ponto de vista didático, apresentam dificuldades relacionadas ao custo dos equipamentos e à dinâmica necessária para as aulas de laboratório (BEZERRA-JR et al. , 2015). Por exemplo, alguns experimentos significativos associados à FMC demandam o uso de fontes de alta tensão, tubos de descarga com controle de vácuo, aparatos de medida com eletrônica mais sofisticada, lasers etc.; além disso, a complexidade dos experimentos também se traduz em aulas mais longas.

Ao mesmo tempo, os estudantes encontram-se imersos em uma realidade na qual os artefatos cotidianos são manifestações da FMC (lasers, computadores, smartphones, tablets e reprodutores de vídeo e música etc.). Então, sob o prisma da formação de cidadãos críticos e conscientes das opções e manifestações tecnológicas, constitui-se mais um desafio para a elaboração de aulas, o que remete ao tema formação de professores (AULER e DELIZOICOV, 2006). Além disso, entendemos que o ensino da FMC se relaciona à tarefa também relevante de despertar vocações para a ciência (VILCHES e GIL-PÉREZ, 2012).

Além disso, a produção de vídeos envolvendo professores em formação inicial e continuada também aponta para tornar o ensino de FMC dialógico com a cultura da escola, com a FMC sendo objeto da formação de professores, de maneira que estes incorporem em seus planejamentos práticas pedagógicas incluindo demandas contemporâneas de contextualização, interdisciplinaridade e transversalidade, usando as TIC 'como requisito não somente fundamental, mas imperativo' (ANGOTTI, 2015). Neste processo de elaboração de materiais didáticos, pretende-se que professores e estudantes compartilhem significados, numa perspectiva que compõe a base do Modelo de Ensino de Gowin (MOREIRA, 2011). Neste modelo, o processo de ensino-aprendizagem tem por base a tríade Professor-Alunos-Materiais Didáticos. Para Gowin (1981, apud MOREIRA, 2011), 'O ensino se consuma quando o significado do material que o aluno capta é o significado que o professor pretende que esse material tenha para o aluno'.

Do ponto de vista metodológico, para a produção dos vídeos, seguimos um processo que consiste em três etapas (PEREIRA e BARROS, 2010): pré-produção (planejamento do material e elaboração de um roteiro); produção (realização das gravações); pós-produção (todas as partes filmadas são organizadas de maneira que o produto final esteja coerente com o roteiro). A estrutura dos vídeos contempla três partes: 1- apresentação do experimento abordado no vídeo e lista de materiais necessários para sua realização; 2- demonstração dos procedimentos necessários para a realização da atividade; 3- explicação didática sobre o fenômeno observado com a realização do experimento ou demonstração prática.

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Como resultado, foram produzidos vídeos em português referentes aos seguintes temas: 1- lâmpadas espectrais; 2- experimento de Millikan; 3- experimento da difração de elétrons; 4- experimento de carga/massa do elétron; 5- experimento do efeito fotoelétrico; 6- determinação da constante de Planck com LEDs; 7- experimento de Franck-Hertz; 8- produção de nanopartículas; 9- experimento da dupla fenda com luz; 10- experimento com a cuba de ondas; 11- interferência de ondas sonoras. Todos esses vídeos estão disponíveis livremente e podem ser solicitados aos autores por email.

Atualmente, a produção de vídeos continua e os materiais desenvolvidos têm servido de base para a elaboração de aulas na universidade e em escolas nas quais atuam os pesquisadores ligados ao projeto. Além disso, cursos de formação de professores têm sido elaborados, tendo como base os vídeos e a experiência acumulada em seu desenvolvimento. A partir dessas experiências, os vídeos podem passar por novos processos de edição com o intuito de torná-los mais adequados a determinadas necessidades. Acreditamos que este trabalho possa servir de inspiração para o desenvolvimento de outras contribuições relevantes para o ensino de FMC em nosso país.

## Referências

ANGOTTI, JOSÉ ANDRÉ PERES. Ensino de Física com TDIC . Florianópolis: UFSC/EAD/CFM/CED, 2015.

AULER, D.; DELIZOICOV, D. Ciência-Tecnologia-Sociedade: relações estabelecidas por professores de ciências. Revista Electronica de La Enseñanza de las Ciências , Vigo, v. 5, n. 2, p. 337-355, 2006.

BEZERRA-JR, et al. Uma abordagem didática do experimento de Millikan utilizando videoanálise. Acta Scientiae - Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 17, n. 3, p. 813-832, 2015.

BROCKINGTON, G.; PIETROCOLA, M. Serão as regras de transposição didática aplicáveis aos conceitos de Física Moderna? Investigações em Ensino de Ciências , v. 10, n. 3, p. 387-404, 2005.

COIMBRA, D. Transposição Didática da Física Moderna: considerações necessárias . In Garcia, Auth e Takahasgi (Ed.) Enfrentamentos do Ensino de Física na Sociedade Contemporânea. Sociedade Brasileira de Física e Editora Livraria da Física. (p. 229-239), 2016.

MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem . 2ed. EPU, 2011.

PEREIRA, M. V., BARROS, S. S. Análise da produção de vídeos por estudantes como uma estratégia alternativa de laboratório de física no Ensino Médio. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 32, n. 4, p. 4401-1 - 4401-8, 2010.

PERES, M. V., CONCEIÇÃO, S. A. H., DOS SANTOS, T. V., LENZ, J. A., SAAVEDRA FILHO, N. C., BEZERRA JR, A. G. Articulated Video Production Between Teachers and Training Teachers as a Proposal for the Teaching of Modern and Contemporary Physics. Acta Scientiae , v. 22, n. 6, 159-184, 2020.

ROCHA, D. M.; RICARDO, E. C. As crenças de autoeficácia e o ensino de Física Moderna e Contemporânea. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 33, n. 1, p. 223252, 2016.

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VILCHES, A.; GIL-PÉREZ, D. Aprender, ensinar, aprender... Um desafio coletivo de formação e ação permanentes . In A. F. Cachapuz, A. M. P de Carvalho, D. Gil-Pérez (orgs.). O ensino das ciências como compromisso científico e social: os caminhos que percorremos. Cortez, 2012.

WESENDONK, Fernanda Sauzem; TERRAZZAN, Eduardo Adolfo. Condicionantes para a utilização de experimentações por professores de física do ensino médio. Revista de enseñanza de la física , v. 32, n. 1, p. 123-136, 2020.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.