CONCEPÇÕES E HÁBITOS MIDIÁTICOS DOS LICENCIANDOS EM FÍSICA
Bianca De Barros Silva, Sidney Carvalho Torres Filho, Edson Mendes, Luciene Fernanda Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## CONCEPÇÕES E HÁBITOS MIDIÁTICOS DOS LICENCIANDOS EM FÍSICA
## Bianca de Barros Silva 1 , Sidney de Carvalho Torres Filho 2 , Edson Mendes 3 , Luciene Fernanda da Silva 4
1 IFRJ - Campus Nilópolis, biabs01@hotmail.com
2 IFRJ - Campus Nilópolis, SidneyDeCarvalho@outlook.com
3 IFRJ - Campus Nilópolis, zucamendes0@gmail.com
4 IFRJ - Campus Nilópolis, luciene.silva@ifrj.edu.br
Palavras-chave : Educação midiática; PIBID; formação de professores.
## Resumo expandido
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enfatiza, entre as competências gerais da educação básica, a comunicação. Ressalta, em especial, o domínio de diferentes linguagens pelos estudantes e a formação crítica para o acesso e a disseminação responsável da informação, cada vez mais abundante nos meios digitais.
Essas competências gerais se refletem no que é preconizado para a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. A terceira competência específica da área retoma a questão da comunicação quando aponta que os estudantes devem ser capazes de '[...] comunicar suas descobertas e conclusões a públicos variados, em diversos contextos, e por meio de diferentes mídias e Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação' (BRASIL, 2017, p. 544). Entre as habilidades definidas, destacamos o domínio de 'estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações' (303).
Tais competências e habilidades são temas transversais impulsionados pela educação midiática ( EM ). Esse campo de discussão também é definido por conceitos como educomunicação (SOARES, 2014) e alfabetização midiática e informacional (WILSON et al. , 2013). Trazemos aqui, a definição dada pelo 'Guia da Educação Midiática', publicação do programa EducaMídia, do instituto Palavra Aberta: EM é 'o conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica e reflexiva do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos - dos impressos aos digitais' (FERRARI; MACHADO; OCHS, 2020, p. 26).
Para além de atender a documentos curriculares, observamos que a temática é relevante para a educação científica, tendo em vista a disseminação de fake news (notícias fraudulentas) envolvendo temas científicos e aos quais os estudantes estão expostos a todo momento. Dessa forma, a EM também deve ser trabalhada na formação de professores. O pesquisador colombiano Tomás Durán Becerra, um dos responsáveis por estudos em EM da União Europeia e membro da Milid (rede da Unesco para o desenvolvimento global em alfabetização para a mídia, a informação e o diálogo intercultural), afirmou em entrevista concedida à Folha de São Paulo:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
19 a 30 de julho de 2021 - Online
Em geral, os professores têm competências para ajudar os estudantes a desenvolver a alfabetização para a mídia, mas eles precisam de orientação, principalmente para reconhecer a importância do tema e o fato de que são capazes de trabalhar com ele (MATTOS, 2019).
Por conta disso, como parte de um projeto de iniciação científica, oferecemos, de forma remota, uma oficina (intitulada 'Educação Midiática e a Educação Científica') para iniciar esse debate com um grupo de licenciandos em Física que fazem parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) em uma instituição federal. Ao longo da oficina, detalhada adiante, coletamos dados através de dois questionários, com os propósitos de mapear hábitos de consumo informacional em relação às mídias e concepções a respeito da EM em aulas de Física dos professores em formação .
A oficina ocorreu no dia 8 de fevereiro de 2021 através da plataforma Google Meet. Ao total foram onze participantes, desses, um era professor da instituição e os outros eram licenciandos integrantes do PIBID. Inicialmente, esses participantes responderam um questionário com o objetivo de obtermos percepções iniciais sobre o uso que fazem das mídias. Na primeira parte da discussão foi apresentado o conceito de EM. Logo após, problematizaram-se alguns motivos que fazem com que a EM se torne importante no âmbito escolar. Nesse momento algumas manchetes que 'viralizaram' e algumas consequências da desinformação foram usadas como exemplo. A segunda parte da discussão foi focada nas fake news científicas sobre a tecnologia 5G, onde mostramos consequências dessas fake news e algumas ações que foram tomadas para combatê-las. Ao final das discussões foi solicitado que os participantes respondessem outro questionário para que fosse possível avaliar as suas percepções sobre a EM. Aqui, obtivemos oito respostas.
O primeiro questionário indagou a definição de mídia e as respostas obtidas foram curtas e genéricas. Em geral, definiu-se mídia como um meio de transmissão de informação; também foram apresentadas concepções da mídia como algo digital ou mesmo exclusiva da internet. Ao serem perguntados quais redes sociais utilizam, 81% dos participantes responderam a rede social facebook, 72% o Instagram e apenas 27% declararam utilizar o whatsapp; resultado este que entra em contradição com o obtido em uma pergunta posterior, onde 90% afirmam fazer uso frequente de ferramentas de comunicação, explicitamente citando o mensageiro. Isso indica que os participantes não identificam esse aplicativo como uma rede social.
Tentando melhor entender os hábitos dos participantes, perguntou-se a maneira como se atualizam. As principais maneiras informadas foram os sites de jornais e canais no YouTube . A televisão , jornais e revistas impressas apenas foram mencionadas uma vez, ficando atrás do rádio e até de grupos de família e amigos .
Quando questionados sobre a principal característica que atribui veracidade às notícias, as referências utilizadas , comentários técnicos e o teor científico foram os principais motivos, seguidos pelo nome do veículo ou autor da notícia . Um participante em especial, afirmou que apenas considera as notícias como verdadeiras caso sejam condizentes com seus conhecimentos prévios . Encontramos que 36 % dos participantes já compartilharam fake news . Esses dizem que as apagaram logo que verificaram o equívoco.
No segundo questionário, perguntou-se sobre a influência das mídias no ensino. Todos afirmaram que a EM é importante, justificando-se com pontos quanto
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
ao desenvolvimento de senso crítico dos alunos e a capacidade de distinção de ciência de pseudociência . Também surgiram respostas superficiais como: 'muito importante para esclarecimento'. Apenas 38% afirmam que já discutiram o tema ao longo de sua formação. Por fim, pediu-se que fossem marcados os principais tópicos transversais para a discussão sobre EM em aulas de Ciências/Matemática, onde a confiabilidade das informações foi mencionada por todos, além de combate à desinformação e aos discursos de ódio e diferenciar opiniões de dados fatuais .
Com os dados obtidos na oficina apresentada, pode-se perceber que carecemos, na nossa sociedade assolada pela pós-verdade, de uma discussão sistêmica sobre EM no ensino médio e nos cursos de formação de professores. Os futuros agentes educacionais devem ser preparados para lidar com os incisivos avanços tecnológicos-midiáticos. Para, assim, essa discussão ocorrer no principal ambiente de formação cidadã, a escola.
## Referências
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC) . Educação é a Base. Ensino Médio. Brasília, MEC/CONSED/UNDIME, 2017. Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/historico/BNCC\_EnsinoMedio\_embaix a\_site\_110518.pdf /> Acesso em: 19 jun 2020.
FERRARI, Ana Cláudia; MACHADO, Daniela; OCHS, Mariana. Guia da Educação Midiática , 1. Ed. - São Paulo: Instituto Palavra Aberta, 2020. Disponível em: < https://educamidia.org.br/ >. Acesso em: 27 jan 2021.
MATTOS, Laura. Contra fake news , sociedade tem que ser alfabetizada para a mídia, diz pesquisador. Folha de São Paulo , São Paulo, 19 ago 2019. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/08/contra-fake-news-sociedadetem-que-ser-alfabetizada-para-a-midia-diz-pesquisador.shtml />. Acesso em: 18 fev 2021.
SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação e educação midiática: vertentes históricas de aproximação entre Comunicação e Educação. Comunicação & Educação , vol. 19, n. 2, p. 15-26, 2014.
WILSON, Carolyn; et al. Alfabetização midiática e informacional : currículo para a formação de professores. Brasília: UNESCO UFTM, 2013. 194 p.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.