TRABALHOS SOBRE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS EVENTOS BRASILEIROS DE PESQUISA E ENSINO DE CIÊNCIAS
Nathálie Marinho De Almeida, Nelson Barrelo Junior
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## TRABALHOS SOBRE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS EVENTOS BRASILEIROS DE PESQUISA E ENSINO DE CIÊNCIAS
## Nathálie Marinho de Almeida 1 , Nelson Barrelo Junior 2
1 Universidade Federal Fluminense/Instituto de Física, nathaliemarinho@id.uff.br
Palavras-chave : Educação de Jovens e Adultos; Ensino de Física; Produção científica
## Resumo expandido
A EJA ocupa uma posição secundária no que tange às políticas públicas brasileiras. A trajetória histórica de sua formação demonstra o preterimento à modalidade desde meados do século XX, com o caráter provisório das campanhas de alfabetização em massa, até os dias de hoje, com os cursos diferenciados marcados pela 'certificação vazia', conforme salientam Ciavatta e Rummert (2010 apud VENTURA, 2011).
Em meio às descontinuidades e a pulverização de medidas educacionais, o Ensino de Ciências (EC) ocupa um lugar ainda mais frágil na EJA. Apesar da crença de muitos de que o investimento na EJA é infértil e desnecessário, entendemos que é dever do Estado garantir este direito à população, assim como estabelece o Parecer CNE/CEB 11/2000 ao afirmar que a modalidade possui função reparadora.
No intuito de compreender melhor o enfoque dado à EJA na produção científica, realizamos um levantamento de publicações produzidas nos últimos dez anos sobre a modalidade com enfoque sobre o Ensino de Física (EF). Tomamos como base o Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) e o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF).
Realizamos a busca pelas publicações a partir de menções à EJA no título, resumo ou palavras-chave dos trabalhos. Após a seleção, as classificamos de acordo com o ano em que fizeram parte do evento em questão, a macrorregião onde foram produzidos e a disciplina que abordavam
Como se pode observar na Figura 01, a região que mais contribuiu ao longo dos anos com a produção relacionada à EJA e ao EC no ENPEC foi a região Sudeste, seguida do Nordeste, do Centro-Oeste, da região Sul e, por fim, do Norte. Conforme esperado por Sá et al. (2001), o Sudeste foi o maior contribuidor. Concordamos com Francisco e Queiroz (2008) quando eles associam esse dado ao fato de a região abrigar um número elevado de Instituições de Ensino Superior (IES) de grande tradição em pesquisa no país.
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Figura 01: Trabalhos sobre EJA nos ENPECs por região
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Quadro 01: Distribuição dos trabalhos dos ENPECs segundo a disciplina e segmento de ensino
No quadro 01, a categoria Ciências abrange os trabalhos que se ocupam do Ensino Fundamental, enquanto as demais categorias (Física, Química e Biologia) tratam do Ensino Médio (EM). A categoria Indefinido refere-se aos trabalhos que tratam de assuntos transversais ao EC na EJA, sem se dirigir a um segmento ou disciplina específicos. Se observarmos o total de trabalhos por categoria no EM é possível notar que a disciplina de Física possui a menor contribuição na produção.
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Figura 02: Comparação entre trabalhos sobre EJA e a quantidade total nos ENPECs
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Os dados da figura 02 não nos permitem inferir se há ou não crescimento no número de publicações. Como a EJA ocupou menos de 3% do evento nos anos analisados, as comparações podem configurar apenas flutuações dos dados. O que podemos afirmar é que a EJA esteve presente em todas as edições analisadas, o que já é um avanço para a modalidade. Entretanto ainda há uma grande lacuna entre os números reais e ideais já que proporção de trabalhos que tratam da EJA é ínfima.
Figura 03: Trabalhos sobre EJA nos EPEFs por região
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Na figura 03 podemos observar que a região Sudeste foi a maior contribuidora na produção sobre EJA nos seis anos de EPEF analisados. O segundo maior foi o Nordeste, seguido do Sul e do Centro-Oeste. A região Norte não esteve presente em nenhuma edição do evento no que se refere à modalidade.
Figura 04: Comparação entre trabalhos sobre EJA e a quantidade total nos EPEFs
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Já na figura 04, podemos notar como a participação da EJA é diminuta quando comparada ao demais temas apresentados em seis anos de EPEF. Tendo em vista a significativa parcela da população que busca por esta modalidade e as especificidades da mesma, era esperado uma participação maior nos eventos.
Figura 05: Trabalhos sobre EJA nos SNEFs por região
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Como é possível observar na figura 05, a maior contribuidora, como nos demais eventos, foi a região Sudeste. A segunda maior foi a região Nordeste seguida do Sul, do Norte e do Centro-Oeste. A figura 06 nos traz uma visão mais clara sobre o espaço que a EJA ocupa no evento quando comparado ao total de trabalhos. Assim como nos eventos abordados anteriormente, não é possível afirmar sobre o comportamento quantitativo da EJA a partir destes números. O que podemos afirmar é que, apesar de mínima, a presença se mantém em todas as edições do SNEF analisadas.
Figura 06: Comparação entre trabalhos sobre EJA e a quantidade total nos SNEFs
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Apesar de o direito à educação ser garantido a todos no Brasil, os índices educacionais evidenciam a discrepância entre o prometido e o alcançado. A EJA torna-se fundamental para a garantia desse direito aos cidadãos e demanda estudos voltados à modalidade devido às especificidades características do público contemplado por ela.
No entanto, a partir dos trabalhos analisados observamos que a presença da EJA nos eventos de divulgação está consolidada, apesar de os números não corresponderem a demanda pela modalidade no Brasil. Associamos isto à histórica marginalização da modalidade nas políticas públicas educacionais além da incipiência dos programas de pós-graduação voltados à EJA em algumas regiões brasileiras.
Nossos resultados apontam para a necessidade do fomento de pesquisas voltadas à EJA devido às peculiaridades desta modalidade de educação. Além disso é essencial que as licenciaturas e cursos de formação de professores garantam a oferta de formação específica aos profissionais que desejam se tornar aptos a atuar na EJA.
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## Referências
BRASIL. Parecer CNE/CEB nº 11/2000. Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, Brasília, 2000.
FRANCISCO, C. A.; QUEIROZ, S. L. A produção sobre o ensino de química nas Reuniões Anuais da Sociedade Brasileira de Química: uma revisão. Química Nova, v.31, n.8, p.2100- 2110, 2008.
SÁ, L. P., et al. Análise das Pesquisas sobre EJA nos Encontros Nacionais de Pesquisa em Educação em Ciências. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 8.; CONGRESO IBEROAMERICANO DE INVESTIGACIÓN EN ENSEÑANZA DE LAS CIENCIAS, 1., 2011, Campinas. Anais... Campinas: ENPEC, 2011.
VENTURA, Jaqueline. A trajetória histórica da educação de jovens e adultos trabalhadores. In: TIRIBA, Lia; CIAVATTA, Maria. Trabalho e Educação de Jovens e Adultos. Brasília: Liber Livro e Editora UFF, 2011. p.57-97.
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