PRODUÇÃO AUDIOVISUAL NO ENSINO DE FÍSICA: A EXPERIÊNCIA CIÊNCIA EM 5 MIN
Letícia Rodrigues, Rafaelle Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PRODUÇÃO AUDIOVISUAL NO ENSINO DE FÍSICA: A EXPERIÊNCIA 'CIÊNCIA EM 5 MIN'
Letícia de Araújo Rodrigues¹, Rafaelle da Silva Souza 2
- 1 Instituto Federal da Bahia/Discente do curso médio técnico/leticiaara08@gmail.com
- 2
Instituto Federal da Bahia/Professora de Física/rafaellessouza@gmail.com
Palavras-chave : Produção Audiovisual; Ensino de Física; Divulgação Científica.
## Resumo expandido
Essa pesquisa tem como objetivo evidenciar a importância da adaptação dos professores de Física às novas perspectivas para o ensino, advindas da necessidade do uso constante das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Baseia-se na reflexão de que, a pandemia da Covid-19 implicou diretamente no processo de ensinoaprendizagem tornando necessário mudanças das atividades para um sistema remoto. Fez-se relevante mudanças curriculares que estimulem a inserção das TIC no cotidiano escolar, para que professores e estudantes possam falar uma linguagem mais afinada e, com aulas mais motivadoras, melhorar o que se ensina e o que se aprende em nossas escolas (SCHUHMACHER et al., 2017).
É sabido que o ensino de Física, muitas vezes, padece de um problema relacionado à descontextualização, que implica em desinteresse e nas dificuldades dos estudantes com relação à aplicação do conhecimento físico para a descrição, leitura e interpretação do real (SAAVEDRA FILHO et al., 2017). Estamos diante de um mundo digital, repleto de apelos visuais e de informações disseminadas das mais diversas formas (blogs, vídeos, fóruns etc.), e o ensino necessita se relacionar com a realidade social e cultural em que os estudantes estão inseridos (ARANHA et al., 2019).
Entre os diferentes meios de comunicação e de compartilhamento sobre ciência, há um formato bem flexível sendo vinculado entre: textos, imagens, vídeos, áudios e podcasts. Contudo, o aumento expansivo das redes sociais vem ampliando gradativamente as possibilidades de comunicação entre Ciência e Sociedade. Desse modo, é possível a disseminação de conhecimento através destes meios ditos, como bem ressalta Giardelli (2012, p.22) 'vivemos o poder das conexões, da aprendizagem coletiva, do compartilhamento social e de uma exposição sem precedentes de novas ideias e abordagens'.
Segundo Bueno (1985. p. 1421) 'a divulgação científica compreende a utilização de recursos, técnicas e processos para a veiculação de informações científicas e tecnológicas ao público em geral' tendo como maior objetivo aproximar a sociedade da ciência, através da disseminação de conhecimento científico, adaptando o discurso para uma linguagem mais simples e acessível. Assim, visa públicos heterogêneos terem acesso a diversos campos de conhecimento de forma esclarecedora e objetiva. Utilizando recursos e técnicas que facilitem esse diálogo.
Frente as inúmeras possibilidaes, a linguagem audiovisual permite a formação de novos conceitos por parte dos estudantes provocando o interesse e a internalização de conceitos que, se expressos somente com o formalismo das definições científicas, seriam incompreensíveis (SILVA et al, 2009). O audiovisual visa contribuir para o desenvolvimento social de maneira simples em seus objetivos,
19 a 30 de julho de 2021 - Online
sendo necessário 'democratizar o conhecimento através de uma visão crítica e educativa, que possibilite refletir sobre as práticas de produção científica e sua apropriação pela sociedade' (CALDAS, 2010, p. 2).
Nesse contexto, foi escolhido propor aos estudantes do ensino médio (quatro turmas de primeiro e segundo ano) uma atividade muito popular: a produção de vídeos. Intitulada 'Ciência em 5 min' a atividade teve o objetivo de estimular a comunicação e a disseminação do conhecimento científico explorando as características que compõem o processo de produção de vídeos (elaboração do roteiro, elaboração do storyboard, edição, etc.), uso de softwares que possam dar suporte a sua execução e favorecer a aprendizagem de ciência, bem como sua divulgação. O conteúdo dos vídeos foi de escolha dos estudantes com inspiração no livro 'A história da ciência para quem tem pressa' de Nicola Chalton e Meredith MacArdle para as turmas de primeiro ano e no livro 'Os Simpsons e a Ciência' de Paul Halpern para as turmas de segundo ano. A partir da leitura, ficaram livres para produzir um vídeo sobre um tema de sua escolha e que tivesse relevância para o desenvolvimento científico, para a formação científica ou para o ensino. Participaram da atividade quatro turmas e foram produzidos 22 vídeos.
Com o intuito de investigar o impacto dos vídeos produzidos por estudantes do ensino médio ao estudarem ciências, conduziu-se uma análise sobre o Alcance ao se propor a divulgação dos vídeos na internet. A pesquisa foi realizada a partir da veiculação dos vídeos no Youtube e divulgados no Instagram por seus produtores. O processo de organização e realização dessa proposta se deu através do uso da ferramenta Google Meet e comunicação entre os estudantes pelo WhatsApp. A divulgação foi realizada através do canal e perfil Física Contextualizada.
Nos resultados, verificou-se que os jovens da sociedade atual têm encontrado na tecnologia o auxílio necessário para conhecer mais sobre a Ciência, sobretudo acessando o YouTube por meio do celular - ver Tabela 1.
Tabela 1 - Dados compilados do canal Física Contextualizada (alcance)
Fonte: Dados da pesquisa.
O 'Ciência em 5 min, no período de 30 dias gerou 608 inscrições no canal, totalizou mais de 12,5 mil visualizações e quase 65 mil impressões - o que significa que muitas pessoas passaram pelos vídeos sinalizando que gostaram, comentando
ou compartilhando. Entre os tipos de dispositivos mais usados tem-se o celular (93,1%), seguido de computador (4,5%), Tablet (2,1%) e TV (0,3%). O gênero do expectador contabilizado foi de 64,9% Feminino e 35,1% Masculino, tendo maior faixa etária jovens entre 18 a 24 anos (38,5%), seguido dos adolescentes entre 13 a 17 anos (20,1%). Esses dados revelam o engajamento de estudantes na produção de vídeos de divulgação científica, bem como incentivou a propagação do conhecimento científico como mecanismo para despertar o interesse pela ciência.
A prática de produzir vídeos como forma de estudar ciências leva à reflexão de como as disciplinas têm sido trabalhadas na sala de aula e a dinâmica entre esse espaço real e o processo de ensino e aprendizagem virtual. Divulgar ciência vai além de aproximar a sociedade por meio de uma linguagem acessível para que se possa compreender os fatos científicos. É produzir conteúdo intimamente associado às concepções do que entendemos sobre 'ciência para o cidadão' que se destinam a formar uma cultura científica fortalecendo a educação científica.
Com isso, conclui-se que a proposta de produção de vídeos temáticos é uma ferramenta útil e sua proposição aos estudantes constitui modelo de atividade possível e factíveis, oferecendo suporte para as necessidades educacionais atuais, além de configura ferramenta eficaz para o processo de popularização do conhecimento científico.
## Referências
ARANHA, C. P.; SOUSA, R. C. DE; BOTTENTUIT JUNIOR, J. B.; ROCHA, J. R.; SILVA, A. F. G. O YouTube como Ferramenta Educativa para o ensino de ciências. Olhares & Trilhas , v. 21, n. 1, p. 10-25, 14 abr. 2019.
BUENO, Wilson da Costa. Jornalismo científico: conceitos e funções. Ciência e Cultura, São Paulo: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, 37(9), p. 1420-1427, set/1995. p. 1423.
CALDAS, G. Divulgação científica e relação de poder. Londrina, v.15, n. Esp. p. 3142, 2010.
GIARDELLI, Gil. Você é o que você compartilha: e-agora: como aproveitar as oportunidades de vida e trabalho na sociedade em rede. São Paulo: Gente, 2012.
SAAVEDRA FILHO, Nestor Cortez; LENZ, Jorge Alberto; BEZERRA JR, Arandi Ginane; FLORCZAK, Marcos; GARCIA, Vinicius. A vídeo análise como mediadora da modelagem científica no ensino de mecânica. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia , v. 10, n. 3, 4509, 2017.
SILVA, G. R. et al. Utilização de vídeos para otimização do processo ensino aprendizagem nas aulas teóricas da disciplina técnica cirúrgica veterinária. 2009.
Disponível em:<http://www.eventosufrpe.com.br/jepex2009/cd/resumos/R02011.pdf> . Acesso em: 28 fev. 2021.
SCHUHMACHER, V. R. N.; ALVES FILHO, J. P.; SCHUHMACHER, E. As barreiras da prática docente no uso das tecnologias de informação e comunicação .
Ciênc. educ. (Bauru) vol. 23 n.3, 2017.
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