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TEM MENINA NA CIÊNCIA: UM RELATO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO FEMININA ATRAVÉS DA TEORIA DAS CORDAS

Aline Costalonga Gama, Ana Clara Schulz Vilhagra, Giulia Luppi Batista, Isabel Bastos Toscano, Milena Augusto Vieira, Priscila Falcão Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Mídias Digitais, Divulgação E Comunicação Científica No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TEM MENINA NA CIÊNCIA: UM RELATO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO FEMININA ATRAVÉS DA TEORIA DAS CORDAS

Aline Costalonga Gama 1 , Ana Clara Schulz Vilhagra 2 , Giulia Luppi Batista 3 , Isabel Bastos Toscano 4 , Milena Augusto Vieira 5 e Priscila Falcão dos Santos 6

- 1 Instituição Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - campus Vitória, alinecga@yahoo.com.br

## vilhagraclara@gmail.com

## giulialuppib@gmail.com

- 4 Instituição Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - campus Vitória,

## beltoscano7@gmail.com

- 5 Instituição Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - campus Vitória,

milenavieirar91@gmail.com

Palavras-chave : Meninas na Ciência; Divulgação Científica; Teoria das Cordas

## Resumo expandido

Há cerca de dois séculos a presença feminina era proibida em colégios e apenas em meados do século XIX se iniciou a entrada de mulheres em escolas, com um ensino segregado e opressor, currículos diferentes e impedimento de cursar o Ensino Superior. Em relação à entrada das mulheres na Graduação, os Estados Unidos foi o primeiro país a criar esta possibilidade, no ano de 1837, com a criação de universidades exclusivas para as mulheres, enquanto no Brasil, o acesso da mulher a esse nível só ocorreu nos anos de 1880 (PEREIRA; FAVARO, 2017).

Pereira e Favaro (2017) destacam que só a partir da década de 1960 que as mulheres tiveram maiores chances de ingressar no Ensino Superior e, em 1985, a expansão do ensino no Brasil favoreceu especialmente o sexo feminino. Desde então, as mulheres vêm sendo maioria em todos os níveis de ensino no país, principalmente o superior. Porém, atualmente, um dos maiores desafios das mulheres é adentrar em cursos que ainda continuam sendo predominantemente masculinos e conseguir permanecer na universidade (PEREIRA; FAVARO, 2017).

Na ciência, a participação feminina sempre foi consideravelmente inferior à masculina, ainda que essa diferença venha diminuindo ao longo dos anos. Na atualidade, a taxa de mulheres em cursos da área de exatas é espantosamente menor se comparada à de homens e somente 28% dos pesquisadores são compostos por pessoas do gênero feminino (BENEDITO, 2019).

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Este trabalho tem como objetivo apresentar um projeto no qual a Teoria das Cordas é utilizada como elemento para a divulgação científica, realizada por meninas adolescentes, buscando contribuir para a popularização da ciência e incentivo à participação feminina nessa área do conhecimento.

Encontramos relatos de outros projetos similares, promovidos em outras instituições, também com o objetivo de aumentar a representatividade de mulheres na ciência. O projeto Meninas na Ciência tem como objetivo atrair meninas para as carreiras de ciência e tecnologia e estimular mulheres que já escolheram estas carreiras a persistirem e se tornarem agentes no desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil (BRITO; PAVANI; JUNIOR, 2015).

Exemplificando outras ações com o mesmo propósito, citamos a atuação da Comissão de Relações de Gênero da Sociedade Brasileira de Física que, a partir de 2017, passou a homenagear as medalhistas da Olimpíada Brasileira de Física e Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas. Ressaltamos o relato da referida Comissão de que o número de medalhistas, a partir de 2015, cresceu substancialmente. Desde 2015, após uma iniciativa da Unesco e da ONU, O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, busca exaltar os feitos das profissionais da área e inspirar as novas gerações a participar de carreiras ligadas à ciência.

Essas são ações necessárias para combater o chamado Efeito Tesoura (AGRELLO; GRAG, 2009), que corta as mulheres para fora da carreira à medida que esta avança, e a expressiva desigualdade do país.

- O descaso com o setor educacional e a crescente difusão de fake news são meios de domínio da população que trazem consequências danosas para a sociedade. Constantemente, temáticas absurdas são validadas principalmente pela falta de instrução das pessoas, sendo possível observar a relevância da propagação do conhecimento para sociedade (PINHEIRO NETO; ARAÚJO, 2021). Bueno (2010), aponta que a divulgação científica trata da transmissão do conhecimento científico usando de técnicas, produtos e recursos para pessoas leigas no assunto, de forma que a mensagem seja clara e compreensível. Assim, ressalta-se a função da divulgação científica na sociedade.

A Teoria das Cordas, por seu caráter extremamente complexo e abrangente, faz-se o perfeito objeto de estudo para o contexto da divulgação científica com foco em jovens e adolescentes. Trabalhar com uma teoria em construção, que busca explicar intrinsecamente o universo e torna-se cada vez mais relevante para a comunidade científica, foi um desafio instigante. Ao analisarmos materiais que versam sobre a Teoria das Cordas (ABDALLA, 2005; GREENE, 2001), mesmo os artigos voltados para público escolar, nos deparamos com uma linguagem demasiadamente complexa e uma apresentação de conteúdo fora da realidade habitual do Ensino Médio. Evidenciamos uma falha na acessibilidade do conhecimento, que muitas vezes no meio juvenil e virtual não tem muito alcance, devido ao baixo incentivo.

Com o intuito de promover a divulgação da Teoria das Cordas e a democratização no acesso ao conhecimento científico, foi elaborado um vídeo e postado no YouTube. Em poucos dias, o vídeo conquistou 512 likes e 1.066 visualizações. Pensando na ascensão das mídias sociais no período de pandemia, provocado pelo Coronavírus, aprimoramos o material para postagem no Instagram . Focamos na divulgação da ciência para o público juvenil e buscamos desconstruir estereótipos, mostrando que todos podem fazer e aprender ciência. Os vídeos foram

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postados no perfil no Instagram do Clube de Astronomia do Ifes campus Vitória. A série foi dividida em cinco episódios curtos e tiveram um bom alcance, tendo em média 300 visualizações em cada vídeo.

Pedimos, então, aos alunos que assistiram, que respondessem a um formulário. As questões indagadas versavam sobre faixa etária, dificuldade em compreensão de artigos científicos, entendimento do vídeo, interesse no assunto e importância do tema abordado.

Dos 19 participantes da pesquisa, grande parte do público interessado está na faixa de 13 a 18 anos e sente dificuldades em entender artigos científicos, porém, a maioria respondeu que conseguiu entender os vídeos e explicações. Todos os alunos que responderam à pesquisa disseram ter achado o assunto abordado importante e se interessaram por saber mais sobre o tema.

Concluímos que o enfrentamento nas lutas pela igualdade feminina e a necessidade de assegurar a democratização do acesso ao conhecimento pressupõe ações contínuas para superação das desigualdades de gênero que perduram na sociedade. Percebemos o interesse dos adolescentes pela ciência e relatamos dificuldade de entender jargões e termos científicos, revelando a importância da linguagem nessa comunicação. Apontamos que, com nossos vídeos, conseguimos trazer informações de forma clara e de fácil entendimento para um público mais jovem, atingindo o objetivo de divulgação científica. Destacamos a continuidade do projeto relato, que segue para uma nova etapa, com a elaboração e divulgação de novos materiais.

## Referências

ABDALLA, Elcio. Teoria quântica da gravitação: cordas e teoria M. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 27, n. 1, p. 147-155, 2005.

AGRELLO, D.A; GARG, R. Mulheres na Física: poder e preconceito nos países em desenvolvimento. Revista Brasileira de Ensino de Física , v.31, n.1, 2009.

BENEDITO, Fabiana de Oliveira. Intrusas: uma reflexão sobre mulheres e meninas na ciência. Ciência e Cultura , São Paulo, v. 71, n. 2, p. 06-09, 2019.

BRITO, C; PAVANI, D; JR, P. L. Meninas na ciência: atraindo jovens mulheres para carreiras de ciência e tecnologia. Revista Gênero , n. 1, v. 16, p. 33-50, Niterói, 2015.

BUENO, Wilson Costa. Comunicação científica e divulgação científica: aproximações e rupturas conceituais. 15. ed. Londrina, 2010. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/6585/6761>. Acesso em 13 de janeiro de 2021.

GREENE, B. O Universo Elegante . Cia das Letras, 2001.

PEREIRA, A. C. F.; FAVARO, N. de A. L. G. História da mulher no ensino superior e suas condições atuais de acesso e permanência. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - EDUCERE, 13., 2017, Curitiba. Anais ... Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2017. p. 5527 - 5542.

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PINHEIRO NETO, L.; ARAÚJO, S. A divulgação científica na internet como garantidor do direito fundamental à educação nas eras da anticiência e da cibercultura. Revista de Estudos Jurídicos do UNI-RN , n. 3, p. 27, 28 nov. 2019.

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