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MOTIVAÇÃO E AUTONOMIA NO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO DE MÁQUINAS SIMPLES

Alexandre Santana Emygdio, Lúcio Campos Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Tecnológica E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MOTIVAÇÃO E AUTONOMIA NO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO DE MÁQUINAS SIMPLES

Alexandre Santana Emygdio 1 , Lúcio Campos Costa 2

1 Universidade Federal do ABC/ ProPG-MNPEF/SBF, alexandre.emygdio@gmail.com 2 Universidade Federal do ABC/CCNH, lucio.costa@ufabc.edu.br

Palavras-chave : Ensino investigativo; máquinas simples; ensino fundamental

## Resumo expandido

Ao considerarmos o Ensino em geral e, em particular, o Ensino de Ciências, identificamos que um dos desafios a serem superados no contexto de sala de aula refere-se à promoção de atributos como a autonomia, a criatividade, a criticidade e a motivação dos estudantes (CARVALHO et al., 1998; DE ALENCAR; FLEITH, 2008; KAMII; DEVRIES, 1985; MOREIRA, 2014).

Conscientes de tais desafios e na tentativa de contribuir para um Ensino de Ciências que estimule/promova os atributos acima mencionados apresentamos o presente trabalho, cujo objetivo foi avaliar as potencialidades de uma sequência de ensino por investigação (SEI) envolvendo o tema da alavanca (enquanto uma máquina simples) em duas turmas de 5º ano da Educação Básica. Tanto o tema da alavanca como a abordagem investigativa foram definidas levando-se em consideração seus potenciais para promover, entre outros aspectos, a autonomia e a motivação dos estudantes.

Assim, assumindo os pressupostos teóricos metodológicos próprios da abordagem investigativa, conforme concebida em Carvalho (2013), buscamos elaborar, aplicar e avaliar um conjunto de atividades articuladas de forma a constituir uma SEI (CARVALHO, 2013; CARVALHO et al., 1998).

O tema escolhido insere-se no ensino das máquinas simples (BRASIL, 2018) e oferece grande riqueza de aspectos passíveis de serem explorados em contexto investigativo de ensino (KAMII; DEVRIES, 1985).

A elaboração da SEI valeu-se de um conjunto de estudos empíricos iniciais previamente realizados pelo nosso grupo, que buscaram conhecer melhor o ambiente escolar e de sala de aula das turmas alvo da pesquisa, contribuindo assim para o seu delineamento.

Em linhas gerais, a sequência foi estruturada em quatro momentos, cuja duração máxima de cada demandou 2 aulas de 45 minutos. Propusemos um conjunto de atividades-chave que envolveu o trabalho com problemas experimentais, momentos de autoconstrução e sistematização dos conhecimentos trabalhados e, por fim, uma reflexão sobre a contextualização do tema no dia a dia dos alunos.

Assim, os quatro momentos da SEI foram distribuídos da seguinte forma:

- ● Momentos 1 e 2 - Apresentação e Reflexões a partir dos problemas.
- ● Momentos 3 e 4 - Sistematização e contextualização.

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Optamos por criar uma dinâmica envolvendo dois problemas diferentes e duas turmas de 5º ano (com 20 alunos em média cada), cada uma subdividida em grupos de 4 estudantes. No primeiro momento, cada grupo da turma 1 recebeu o problema 1 e, cada grupo da turma 2, o problema 2. Ao término da resolução dos problemas, cada grupo confeccionou um tutorial com orientações de como resolver o problema que haviam trabalhado. No momento seguinte houve a troca de problemas e de tutoriais. Assim, os grupos da turma 1 (2), receberam o problema 2 (1) e os tutoriais elaborados pelos grupos da turma 2 (1). Ao final do segundo momento, cada grupo de estudantes trabalhou com 2 problemas diferentes, sendo um de forma aberta e o outro auxiliado pelo tutorial produzido pelos grupos da outra turma.

Os problemas experimentais propostos envolveram:

- (1) uma catapulta, formada por elástico, copinho de café descartável, réguas, borracha e lápis (Fig.01), cujo objetivo era lançar a borracha e acertá-la dentro do copinho de café.
- (2) um móbile, formado por suporte e 4 braços de alavanca, 45 arruelas de metal e 12 ganchos (Fig.02), cujo objetivo era manter todos os braços equilibrados na horizontal com as arruelas penduradas nos seus ganchos. Ambos os aparatos foram confeccionados de forma original.

Figura 01: Experimento da Catapulta

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O processo de aplicação contou com o apoio da direção escolar e dos pais dos estudantes através do termo de consentimento. Para avaliarmos a SEI nos valemos dos seguintes instrumentos: registros escritos dos estudantes, diálogos dos estudantes com o professor e observação participante do professor (LÜDKE; ANDRÉ, 1986). Para a análise do impacto da SEI na autonomia e motivação dos estudantes foram considerados os seguintes aspectos:

A partir das informações coletadas, tabuladas e analisadas, foi possível identificar, entre outros aspectos, que:

- 1. o caráter investigativo envolvido na resolução dos problemas evidenciou um engajamento substancialmente maior dos estudantes nas atividades;
- 2. a elaboração dos tutoriais teve um importante papel no estímulo à escrita e à autonomia argumentativa dos estudantes;
- 3. a dinâmica envolvendo os dois experimentos, um aberto e outro auxiliado pelo tutorial, estimulou reflexões e discussões sobre processo de elaboração dos tutoriais e de como fazer uso do mesmo;

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Figura 02: Experimento do Móbile

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- 4. no caso do experimento com móbile, que possui 4 estágios de equilíbrio, houve dificuldade por parte dos estudantes de atingir o equilíbrio já do terceiro estágio;
- 5. com a catapulta, observamos a manifestação de um comportamento competitivo mais aflorado entre os estudantes, levando-os a um maior empenho na tentativa de resolver o problema.

As dinâmicas dos problemas abertos e dos tutoreados, quando comparados e analisados pelo professor, levaram a argumentações injuntivas, isto é, com textos organizados e preocupados em instruir, mas permitindo a liberdade de ação do interlocutor. Cabe mencionar que durante o processo de elaboração dos tutoriais os estudantes expuseram detalhes e buscaram expor com clareza os procedimentos que haviam executado a fim de que outros grupos pudessem obter êxito.

As contribuições de cada estudante para solucionar determinados níveis de dificuldade de um único problema, como no móbile, se mostraram favoráveis a ações solidárias, não só entre os integrantes do grupo, mas também entre as turmas. No entanto, no experimento da catapulta, onde cada acerto individualizado somava pontos ao total de acertos do grupo, evidenciou-se, por um lado, um maior engajamento/motivação na realização do experimento, por outro, ações menos solidárias e mais competitivas.

Os conhecimentos adquiridos e as reflexões suscitadas a partir desta pesquisa poderão também servir a outros professores que buscam estratégias inovadoras para tornar mais significativas suas ações pedagógicas, sobretudo quando elas tiverem objetivos e características semelhantes às que investigamos nessa pesquisa.

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Base Nacional Comum Curricular - Educação Básica. Brasil, 2018.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa De. Ensino De Ciências Por Investigação: condições para implementação em sala de aula . reimp ed. São Paulo: CENGAGE DO BRASIL, 2013.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa De; VANNUCHI, Andréa Infantosi; BARROS, Marcelo Alves; DE, Maria Elisa Rezende Gonçalves; REY, Renato Casal De. Ciências no ensino fundamental: o conhecimento físico . 1 ed. São Paulo: a Scipione, 1998.

DE ALENCAR, Eunice M. L. Sorian.; FLEITH, Denise de Souza. Obstacles to the promotion for creativity in the elementary school level. Psicologia: Teoria e Pesquisa , Brasília, v. 24, n. 1, p. 59-66, 2008. DOI: 10.1590/s010237722008000100007.

KAMII, Constance; DEVRIES, Rheta. O conhecimento físico na educação pré-escolar: implicações da teoria de Piaget . 1 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, a 1985.

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Métodos de coleta de dados: observação, entrevista e análise documental. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas , São Paulo, p. 25-44, 1986. Disponível em:

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https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4091392/mod\_resource/content/1/Lud\_And \_cap3.pdf.

MOREIRA, Ana Elisa da Costa. Relações entre as estratégias de ensino do professor, com as estratégias de aprendizagem e a motivação para aprender de alunos do ensino fundamental 1 . 2014. Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR, 2014. Disponível em:

http://www.uel.br/pos/ppedu/images/stories/downloads/dissertacoes/2014/2014\_-\_MOREIRA\_Ana\_Elisa\_Costa.pdf.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.