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TURISMO ASTRONÔMICO: uma discussão sobre possibilidades teórico-metodológicas

Enery Gislayne De Sousa Melo, Alexandro Cardoso Tenório, Antonio Carlos Da Silva Miranda

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Tecnológica E Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TURISMO ASTRONÔMICO: uma discussão sobre possibilidades teórico-metodológicas

## Énery Gislayne de Sousa Melo 1 , Alexandro Cardoso Tenório 2 , Antonio Carlos da Silva Miranda 3

1 UNICAP/CCT, enery.melo@unicap.br

2 UFRPE/DEC, actenorio@gmail.com

3 UFRPE/DF, antonio.smiranda@ufrpe.br

Palavras-chave : Educação não formal; História da Astronomia; Turismo Astronômico

## Resumo expandido

Neste trabalho, apresentamos uma investigação acerca das perspectivas teórico-metodológicas que poderiam fundamentar uma atividade denominada Turismo Astronômico, criada pelo projeto de extensão 'Desvendando o Céu Austral' da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, desde 2014. A atividade consiste em uma visita guiada a alguns marcos importantes da história da astronomia das cidades de Recife e Olinda.

A história da Astronomia em Pernambuco revela contribuições de extrema importância para o desenvolvimento da astronomia e a ciência do país e do mundo. Entre as realizações, podemos destacar a construção, em 1638 do primeiro observatório do hemisfério sul nos telhados da casa de Maurício de Nassau ou do monitoramento do trânsito de Vênus sobre o Sol, realizado na cidade de Olinda em 1882, que contribuiu para a confirmação da Unidade Astronômica -UA (MATSUURA, 2011). O Turismo Astronômico - TA explora assim a história da astronomia de Pernambuco e destaca a importância da conservação do patrimônio histórico e cultural, a partir da visitação de cinco pontos de Recife e Olinda, a saber: 1. O Primeiro Observatório da América do Sul, construído em 1639, e localizado no Bairro de Santo Antônio em Recife-PE; 2. A Torre Malakoff, localizada no Bairro do Recife Antigo, em Recife-PE, com sua construção datada de 1835, de onde o Imperador D. Pedro II realizou observações astronômicas no ano de 1853; 3. O Obelisco da Sé, de 1882, marco da observação do trânsito de Vênus pelo disco do Sol; 4. O Observatório do Alto da Sé de Olinda, construído em 1860; 5 Museu Espaço Ciência, que é um museu interativo de ciências, construído em 1994. A parada nesse local tem como objetivo proporcionar uma maior compreensão dos fenômenos relacionados à astronomia.

A partir do estudo do projeto de extensão e entrevista não-estruturada com o coordenador da atividade, foi possível identificar que o público-alvo é bastante amplo, compreendendo crianças e adultos, amantes da astronomia e de ciências, matriculados no curso de Introdução à Astronomia, ofertado pelo projeto. Durante a visitação, os monitores descrevem aspectos históricos que envolvem os locais, mas

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

também, explicam alguns fenômenos astronômicos, como o eclipse solar ou lunar, ou ainda sobre o conceito de Unidade Astronômica. Entendemos que, ao realizar essa abordagem, o projeto promove os espaços ou marcos históricos, realizando uma espécie de educação patrimonial (ALMEIDA, 1997).

A educação patrimonial vem sendo adotada em alguns museus de ciências no Brasil, como no Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, ou no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo - USP. Pode-se dizer que a educação patrimonial é o ensino baseado nos bens culturais, enfatizando as relações históricas, culturais e afetivas, proporcionando um despertar do interesse do indivíduo, elemento essencial para uma aprendizagem (ALMEIDA, 1997).

Em uma outra perspectiva, o TA pode ser percebido como uma estratégia de ensino não-formal para uma alfabetização científica ou de popularização da ciência. De acordo com Langhi e Nardi (2014) o ensino/aprendizagem da astronomia pode ocorrer por meio da educação 'não formal' e da 'popularização'. A educação 'não formal' pode ser entendida como aquela desenvolvida fora do sistema educacional, como em museus e planetários, com uma abordagem mais aberta à participação dos estudantes. A 'popularização', pode-se dizer que está relacionado com a divulgação científica, contudo, vai mais além, pois também considera as concepções do público na explicação dos conceitos. A popularização é uma estratégia educativa realizada por grupos de astronomia amadores ou projetos extensionistas de instituições de ensino, que servem para minimizar a deficiência do ensino de astronomia da educação formal (LANGUI, 2011).

Esta pesquisa teve um caráter exploratório e analítico desenvolvida com o objetivo de proporcionar uma visão geral acerca do objeto (GIL, 1999). Foi realizado, nos meses de janeiro e fevereiro de 2021, um levantamento bibliográfico de artigos, dissertações e teses, na internet , em sites de buscas, na base de dados de dissertações e teses; na programação e anais de eventos de ensino de astronomia e de ensino de física e de ciências do Brasil, utilizando as palavras-chave 'turismo astronômico', 'popularização e história da astronomia'. Entre os resultados, localizamos um trabalho usando o termo Turismo Astronômico, empregado na 21ª edição do Encontro Nacional de Astronomia (FIGUEIREDO et al., 2018), não sendo possível acessar o texto para verificar o tipo de fundamentação utilizada pelos autores. Outras produções foram localizadas, em revistas brasileiras de geografia ou turismo usando o termo Turismo Astronômico para descrever uma atividade turística de visita a parques, com a finalidade de desenvolver prática de observação astronômica associada ao ecoturismo (TOMANIK, 2011). Essa mesma espécie de atividade é referida como Astroturismo por Honorato e Violin (2020).

No cenário internacional, foi possível localizar um maior número de trabalhos descrevendo atividades de visitação a observatórios específicos e de observação astronômica (ALCAYAGA, 2010) associada a valores de preservação da natureza e de sustentabilidade (LÉPEZ; TORRES, 2012; ALCAYAGA, 2010; GÓMEZ; CRISPÍN, A., 2018). Essas publicações não são divulgadas em revistas da área de ensino de ciências, mas de turismo ou geografia, talvez por isso, não se fundamentem em conceitos como 'popularização', 'alfabetização científica' ou 'educação não formal', contudo, pela descrição de suas atividades e objetivos, podemos compreender que têm como objetivo tais aspectos. Diferentemente, uma publicação portuguesa (MARQUES, 2014) empregou o termo Turismo Científico, com características mais similares ao Turismo Astronômico, pois propôs um roteiro de pontos turísticos de

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interesse científico, como Universidades, Museus de Ciências e Observatórios, em Lisboa, contudo, seus objetivos estão mais fortemente relacionados à 'educação patrimonial'.

Consideramos esses resultados ainda preliminares, não sendo possível tecer conclusões substanciais. Percebemos que é necessário aprofundar no estudo sobre as estratégias didático-metodológicas associadas à educação patrimonial, popularização da ciência e educação não formal, para que seja possível fazer uma análise mais rigorosa das produções e tecer se existe uma proposta teóricometodológica mais característica do Turismo Astronômico. Contudo, consideramos relevante a divulgação dessas primeiras análises como forma de fomentar um possível debate na área.

## Referências

ALCAYAGA, A. G. O. Estrategia de Marketing para el Turismo Astronómico en la IV Région. Dissertação (Mestrado em Gestão para a Globalização), Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas - Universidade do Chile, 2010.

ALMEIDA, A. M. Desafios da relação museu-escola. Comunicação & Sociedade , n. 10, p. 50 - 56, 1997.

FIGUEIREDO, W. F.; GALINDO, E. R.; GALINDO, B. R.; GALINDO, B. R.; MIRANDA, A. C. S. Turismo Astronômico em Recife e Olinda. In: ENCONTRO NACIONAL DE ASTRONOMIA. 21, 2018, Natal, Rio Grande do Norte. Anais eletrônicos ... Natal, Rio Grande do Norte: Federal do Rio Grande do Norte, 2018.

GÓMEZ, P. J.; CRISPIN, S. A. Estructura territorial del turismo astronómico em la región de Coquimbo, Chile. Revista Geográfica de América Central , v.3, n. 61, p.1810206, 2018.

HONORATO, V. B.; VIOLIN, F. L. Astroturismo: uma análise no parque estadual Morro do Diabo, Teodoro Sampaio, São Paulo. Revista Turismo e Sociedade , v.12, n.3, p.1-15, set./dez., 2019.

LANGHI, R. Educação em Astronomia: da revisão bibliográfica sobre concepção alternativa à necessidade de uma ação nacional. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v.23, n.2, p.373 - 399, 2011.

LANGHI, R.; NARDI, R. Justificativas para o ensino de Astronomia: o que dizem os pesquisadores brasileiros? Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v.14, n.3, p.41-59, 2014.

LÉPEZ, H. S. Educación no formal y gestión ambiental associada al turismo astronómico. In: CONGRESSO NACIONAL AMBIENTAL. 7, 2012, San Juan, Espanha. Anais eletrônicos ... San Juan, Espanha, 2018.

MARQUES, M. V. S. A Astronomia em Coimbra: um roteiro de turismo científico. Dissertação (Mestrado em Turismo de Interior - Educação para a Sustentabilidade) -Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra, CoimbraPortugal: 2014.

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MATSUURA, Oscar Toshiaki. O Observatório no Telhado . Recife-PE: Editora CEPE, 2011.

TOMANIK, G. B. Ecoturismo e etiqueta ambiental. Revista Brasileira de Ecoturismo , v. 4, n.4, 2011.

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