Visitas Escolares ao Observatório Astronômico Frei Rosário: Uma Análise Quantitativa
Fernando Roberto Da Costa Linhares, Silvania Sousa Do Nascimento
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XII
- Ano
- 2010
- Data
- 27/10/2010
- Linha de pesquisa
- - Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais; Tecnologia Da Informação E Comunicação; Didática, Currículo E Inovação Educacional; Linguagem E Cognição; Ciências, Tecnologia, Sociedade E Ambiente; Políticas Públicas Em
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## VISITAS ESCOLARES AO OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO FREI
## ROSÁRIO: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA SCHOOL VISITS AT THE OBSERVATORIO ASTRONOMICO FREI
## ROSARIO: A QUANTITATIVE ANALYSIS
Fernando Roberto da Costa Linhares 1 , Silvania Sousa do Nascimento 2
1 UFMG/FAE, omset@ig.com.br
2 UFMG/FAE, silvania.nascimento@gmail.com
## Resumo
Neste trabalho apresentamos uma análise quantitativa referentes às visitas escolares que foram realizadas no Observatório Astronômico Frei Rosário (OAFR), um importante espaço de ensino e divulgação da Astronomia, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte e pertencente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no período de 2007 a 2009. Nosso objetivo com este estudo foi apresentar o perfil das instituições escolares no que se refere à rede e ao nível de ensino , sua localização, assim como a freqüência das visitas realizadas a este espaço que, como muitos observatórios astronômicos, possuem algumas características que podem restringir o acesso das escolas, tais como o local em que ele está situado e o fato das visitas serem realizadas à noite. Através da análise das fichas de inscrição que estão arquivadas no OAFR, fizemos um levantamento estatístico que revelou que, naquele período, o espaço recebeu a visita de 92 instituições escolares diferentes, sendo a maioria escolas de nível fundamental e médio, pertencente à rede pública de ensino, e localizadas em municípios relativamente próximos ao observatório. No entanto, encontramos também, alguns casos que divergiram destes resultados e que, por isso, merecem um estudo qualitativo . Sendo assim, este trabalho mostrou que se faz necessário uma pesquisa com os professores responsáveis por essas visitas, de forma a investigar os motivos que os levaram a procurar este espaço para visitação escolar com seus alunos. Acreditamos que esta análise pode contribuir r para a área de ensino em espaços não -formais ao discutir questões relativas às visitas escolares em um espaço de ensino e divulgação de Astronomia, tema ainda tão pouco explorado em pesquisas educacionais.
Palavras chave: Visitas escolares, Observatório Astronômico, Educação não -formal, Divulgação científica, Ensino de Astronomia.
## Abstract
In this work we present a quantitative analysis relating to school visits that were performed at the Observrvatorio Astronomico Frei Rosário (OAFR), an important space of education and popularization of Astronomy, in the metropolitan area of Belo Horizonte and belonging to the Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) , in the period 2007 to 2009. Our goal with this study was to present the profile of educational institutions regarding the network and level of education , location, as well as frequency of visits to this space that, like many astronomical observatories, have some features that can restrict the access of schools, such as the location where it is located and the fact that the visits are conducted at night. Through analysis of the registration chips that are filed in OAFR, did a statistical survey which revealed that during that period, the space was visited by 92 different educational institutions, most
schools of elementary and middle, belonging to the public education, and municipalities located in relatively close to the observatory. However, we found also some cases that diverged from these results and, therefore, deserve a qualitative study . Thus, this research has shown that it is necessary to study with teachers responsible for the visit in order to investigate the reasons that prompted him to seek this space for visiting school with their students. We believe that this analysis can contribute to the area of non -formal education to discuss issues relating to school visits in the area of teaching and popularization of Astronomy, a subject still so little explored in educational research.
Keywords: School visits, Astronomical Observatory, Non-formal education, Scientific divulgation, Astronomy teaching .
## 1. Introdução e problematização
A Astronomia é freqüentemente considerada a mais antiga das ciências. Desde a antiguidade, o céu vem sendo usado como mapa, calendário e relógio. Pode -se dizer como Hamburger (1984) que a própria Física nasceu da Astronomia, já que foram as observações dos movimentos das estrelas e dos planetas que levaram à revolução copernicana e aos trabalhos de Galileu e de Newton. Sendo assim, o ensino da Astronomia passa a ter um papel essencial na educação e na divulgação das Ciências em geral.
Conforme Nussbaum (1990), o ensino de Astronomia possui um grande potencial educativo. Isto se deve, entre outras razões, ao seu alto grau interdisciplinar, na medida em que envolve inúmeras outras áreas do conhecimento (BRETONES, 1999).
No entanto, o que vem sendo observado na prática é que a Astronomia ainda é pouco explorada pelos professores em sala de aula, como mostrou uma pesquisa feita por Faria e Voelzke (2008). Este estudo revelou que a maioria dos professores pesquisados, apesar de admitirem que o ensino de Astronomia seja importante na formação do jovem, não menciona assuntos relacionados à Astronomia e Física Moderna em suas aulas. Isto se deve, principalmente, a uma deficiente formação dos professores neste campo, conforme constatado por Langhi (2005).
Dessa forma, o que se nota é um grande interesse, por parte dos alunos, por este assunto que é muito abordado na imprensa e mídia em geral. Conforme Lattari et al (2005) e Bretones (1999) o aluno traz para a escola as dúvidas geradas por este interesse, forçando-o a indagar o professor, que por sua vez, despreparado para discutir o assunto, pouco tem a acrescentar, senão muitas vezes reforçar aquilo que é dito.
Nesse sentido, os espaços não-formais de ensino e divulgação da Astronomia, como observatórios astronômicos, planetários, centros e museus de astronomia, tornam-se importantes na busca de alternativas que contribuam para sanar, ao menos em parte, as deficiências identificadas no processo de ensinoaprendizagem da Astronomia (SCHIVANI e ZANETIC, 2008).
Através da revisão bibliográfica levantada, percebemos que apesar de existir um aumento significativo no número de pesquisas sobre espaços não-formais de educação nos últimos anos, ainda são escassos os trabalhos que se propuseram a estudar especificamente os espaços de ensino e divulgação da Astronomia. Menor
ainda é o número de trabalhos encontrados que investiguem as causas que levam os professores a realizar visitas com seus alunos a estes espaços, tendo em vista as peculiaridades desta disciplina. A pesquisa de Faria e Voelzke (2008), por exemplo, constatou que ainda não é prática entre os professores a ocupação de planetários e observatórios astronômicos para a promoção da aprendizagem. O mesmo foi constatado por Pereira (2002), que apontou as possíveis causas desta não utilização dos observatórios astronômicos na educação:
- (...) o principal obstáculo a uma aplicação mais maciça da astronomia na educação, se deve ao fato dos observatórios astronômicos estarem localizados à grandes distâncias dos centros urbanos, de acesso freqüentemente difícil. Custos de transporte, estadia, bem como a duração da viagem, impedem que os recursos em um observatório possam ser utilizados em atividades educacionais. De fato, até o presente momento, a atividade educacional dos observatórios profissionais no Brasil tem se restringido a visitas esporádicas de estudantes, sendo que o potencial de utilização com objetivos educacionais é pouco explorado. (Pereira, 2002, p.13)
Estes resultados divergem, de certa forma, do que é detectado no Observatório Astronômico Frei Rosário (OAFR), um importante espaço de ensino e divulgação da Astronomia, pertencente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que recebe uma média de 80 visitas escolares por ano, expressivo número já que são apenas 4 horários disponíveis por semana, mesmo tendo o referido local, algumas características peculiares que poderiam dificultar a realização de visitas, como por exemplo, o local de difícil acesso em que o observatório está localizado (cerca de 50 km de Belo Horizonte, no alto da Serra da Piedade, a 1750 m de altitude, o que faz com que o local tenha um clima bem frio) e o fato das visitas escolares serem realizadas à noite, geralmente fora do horário de aulas. Ainda assim, o que se observa é uma grande procura por parte dos professores, que enfrentam todas as dificuldades impostas, inclusive toda a responsabilidade que eles se submetem ao realizar uma viagem escolar noturna em outra cidade.
Neste contexto, o presente trabalho busca identificar, através de uma análise quantitativa, o perfil das escolas que procuraram o Observatório Astronômico Frei Rosário para visitação nos últimos três anos, a fim de determinar se existiu algum padrão no que se refere ao tipo de escola, sua localização, nível de ensino e freqüência de visitas . Esta análise contribuirá para a área de ensino em espaços não -formais ao discutir questões relativas à visitas escolares em um espaço de ensino e divulgação de Astronomia, como é o caso do local escolhido para nosso estudo.
Importante ressaltar que este trabalho faz parte de uma pesquisa maior, que tem a finalidade de investigar os objetivos dos professores que realizam visitas escolares ao referido Observatório Astronômico, e os significados que este tipo de visita representa para eles. Esta análise quantitativa , portanto, constituirá a base para a definição de critérios que serão adotados para a seleção dos professores, os quais serão convidados para uma entrevista na posterior parte qualitativa desse estudo.
## 2. Educação não-formal
A discussão sobre educação não mais se restringe ao âmbito do ensino formal, visto que as escolas não dão conta de contemplar r todo o conhecimento
humano. "Não há tempo, não há espaço em seus limitados currículos e programas e, mais ainda, não há como acompanhar o vertiginoso progresso científico e tecnológico dos nossos dias" (GASPAR, 1993. p.34). Dessa forma, vem aumentando, cada vez mais, o papel dos espaços de educação não-formal, que tem de certa forma oferecido o que as escolas não podem oferecer.
Segundo Nascimento e Ventura (2009) a educação não-formal concerne às atividades educativas que ocorrem fora do sistema escolar, mas que sejam intencionais por todos os envolvidos, apresentam um currículo e percurso de aprendizagem através de um roteiro, por se tratar de atividades organizadas e estruturadas, porém não institucionalizadas, destinadas a um público, que não sendo necessariamente o escolar, não possui certificação e tempo de aprendizagem definido.
Falk (2001) introduziu o termo "free choice learning" (aprendizagem por livre escolha) para designar a situação de aprendizagem em que o próprio indivíduo busca o conhecimento, devido a interesses próprios e não por imposição da escola. Segundo o autor, o que faz a aprendizagem diferente neste caso é principalmente o espaço físico, mas inclusive o contexto social e a motivação do aprendiz. Para aprender, o aluno deve se sentir motivado, e neste sentido, os espaços não-formais de educação possuem esta função, já que a aula não-formal desperta um maior interesse no aluno ao "suprir, ao menos em parte, algumas das carências da escola como a falta de laboratórios, recursos audiovisuais, entre outros, conhecidos por estimular o aprendizado" (VIEIRA; BIANCONI; DIAS, 2005, p.21).
Ainda sobre a importância da utilização destes locais como ambientes educativos, Marandino (2001) aponta os principais motivos que levam os professores a visitarem os museus de ciências. Entre eles estão: a oportunidade em vivenciar situações que não podem ser reproduzidas em sala de aula, por falta de material e espaço físico, a abordagem pedagógica de forma mais interdisciplinar, dando ênfase à experiência prática da teoria exposta em aula, além do contato com conhecimento atualizado de conhecimentos científicos e da ampliação da cultura.
Desse modo, têm sido cada vez mais comuns pesquisas neste campo da educação. Segundo Marandino (2006), alguns temas têm se tornado alvo dos pesquisadores da área, como discussões acerca da definição da expressão "educação não-formal" e sua relação com a chamada "divulgação científica", a utilização de referenciais da educação levados para o contexto não-formal, formação de profissionais no campo da educação em museus, e pesquisas de público que visita esses locais, seja na perspectiva de levantar seus interesses, impressões, conhecimentos, seja para avaliar a efetividade das ações do ponto de vista do seu lazer e aprendizagem.
## EnEnsino e divulgação da Astronomia em espaços não-formais
Dentre os diversos temas que museus, centros de ciência e outros espaços de divulgação científica podem abordar, a Astronomia é uma das áreas que desperta um enorme fascínio em pessoas de todas as idades. Neste sentido, locais que promovem o ensino e divulgação desta ciência, para diversos públicos, se tornam importantes como alternativas que contribuam para sanar as deficiências detectadas em espaços formais. Sendo assim, propomos um olhar diferenciado para esses espaços (observatórios astronômicos, planetários, museus e centros de divulgação específicos de astronomia) que trabalham com o objetivo de divulgar e popularizar a
Astronomia, como por exemplo, promovendo cursos e palestras para professores locais, recebendo visitas escolares e realizando atividades de popularização científica junto ao grande público, através de observações de objetos celestes a olho nu ou com uso de aparelhos, como telescópios e projeções.
Inclusive, a importância de se realizar observações na área das Ciências Naturais está explicitamente proposta pelos PCN:
A observação é o mais geral e básico de todos os procedimentos em Ciências Naturais. (...) A capacidade de observar já existe em cada pessoa, à medida que, olhando para objetos determinados, pode relatar o que vê. (...) Mas observar não significa apenas ver, e sim buscar ver melhor, encontrar detalhes no objeto observado, buscar aquilo que se pretende encontrar. Sem essa intenção, aquilo que já foi visto antes no caso dos ambientes do entorno, do céu, do corpo humano, das máquinas utilizadas habitualmente etc. será reconhecido dentro do patamar estável dos conhecimentos prévios. De certo modo, observar é olhar o velho com um novo olhar, guiado pelo professor. Para desenvolver a capacidade de observação dos estudantes é necessário, portanto, propor desafios que os motivem a buscar os detalhes de determinados objetos, para que o mesmo objeto seja percebido de modo cada vez mais completo e diferente do modo habitual. (Brasil, 1997, p.79)
No entanto, conforme observado por Linhares e Nascimento (2009), estes espaços possuem, na maioria das vezes, algumas características que acabam dificultando a sua utilização por parte da comunidade escolar, como o pequeno número dos locais destinados a esse fim, tendo em vista a grande extensão territorial do país; a falta de divulgação, fazendo com que muitos professores ainda não conheçam ou não saibam onde tais espaços estão localizados; e o restrito horário de funcionamento, o que prejudica o acesso de muitas escolas. Isto também pôde ser comprovado através da pesquisa realizada por Schivani e Zanetic (2008), que apontou que a maioria dos alunos acaba concluindo o ensino médio sem nunca ter ido a um espaço de divulgação de Astronomia.
De acordo com Aroca (2008), há poucas pesquisas sobre ensino de Astronomia em espaços não formais, tanto no âmbito nacional como no internacional. Tendo em vista este quadro, acreditamos ser de suma importância que novos estudos nesta área sejam desenvolvidos para a melhoria do ensino de Astronomia que ainda é tão deficiente em nosso país.
## 3. Procedimentos metodológicos
## O Observatório Astronômico Frei Rosário
O local escolhido para a realização da pesquisa é o Observatório Astronômico Frei Rosário (OAFR), órgão pertencente ao Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais, e localizado na Serra da Piedade, no município de Caeté.
Inaugurado em 1972, inicialmente como um local exclusivo para realização de pesquisas em Astrofísica, o OAFR é hoje um dos principais locais de ensino e divulgação de Astronomia em Minas Gerais, servindo como um espaço de ensino à comunidade universitária da UFMG, realizando cursos regulares de Introdução à
Astronomia destinados ao público em geral e mantendo programas 1 permanentes de visitação pública e escolar, em dias pré-determinados 1 .
Aliás, as visitas escolares são uma das principais atividades promovidas pelo OAFR, recebendo escolas de todas as regiões do estado há 18 anos ininterruptamente . Estas ocorrem em dois dias da semana, sempre no período noturno, quando é possível a realização de observações astronômicas.
Sendo assim, realizamos, através deste trabalho , um estudo quantitativo das visitas escolares que ocorreram neste observatório nos últimos três anos, ou seja, de 2007 a 2009, a partir da análise das fichas de inscrição que foram preenchidas pelos alunos, quando o professor agendou a visita, e que hoje estão arquivadas no OAFR.
## A análise das fichas
Com a finalidade de colher r informações referentes às escolas que , num período de três anos, visitaram o Observatório Astronômico Frei Rosário, foi realizado um levantamento estatístico, através da análise de 5005 fichas de inscrição do período referido . Estas fichas são preenchidas pelos alunos das escolas que agendam uma visita, e têm o objetivo de levantar informações relativas ao perfil do visitante escolar. A partir da análise destas fichas, foi possível obter as seguintes informações:
- ß Número de escolas e de alunos que visitaram o OAFR no período de 2007 a 2009;
- ß Rede de ensino a qual a escola pertence;
- ß Nível de ensino dos alunos visitantes;
- ß Nome e localização da escola.
Estas informações nos forneceram dados relativos ao perfil das escolas e dos alunos, como a porcentagem de instituições públicas e privadas, a porcentagem de escolas de nível Infantil, Fundamental, Médio e Superior, assim como a porcentagem de instituições localizadas na capital, na região metropolitana de Belo Horizonte e no interior do estado, que visitaram o observatório naquele período.
Com este levantamento, foi possível também determinar a freqüência de visitas por instituição , de modo a identificar quantas e quais escolas visitaram o observatório apenas uma vez, duas vezes ou três vezes em três anos.
## 4. Resultados e análise dos dados
Conforme foi exposto anteriormente, utilizamos as fichas de inscrição arquivadas no Observatório Astronômico Frei Rosário para o levantamento de todas as informações. Foram analisadas um total de 5005 fichas de inscrição, número este que corresponde ao total de alunos visitantes no período de três anos.
Primeiramente, determinamos o número de instituições que realizaram visitas escolares no período de 2007 a 2009. Estes resultados são apresentados na tabela 1.
Tabela 1: Número de escolas, visitas e alunos visitantes
Observamos que o número de escolas visitantes não corresponde ao número de visitas escolares, o que indica que uma mesma instituição realizou mais de uma visita no mesmo ano. Isto se deve ao fato de que o observatório comporta no máximo uma turma de 45 alunos por visita, ou seja, quando o número de alunos excede este valor, estes são divididos em diferentes visitas.
A tabela 1 também indica que o número de escolas e visitas realizadas foi diminuindo de 2007 para os anos seguintes, o que pode ser melhor visualizado no gráfico 1 . No entanto, estes dados não nos permitiram inferir a causa dessa diminuição.
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Em seguida, procuramos identificar o número de instituições públicas e privadas que realizaram visitas ao OAFR neste período. Os resultados são apresentados na tabela 2, e no correspondente gráfico .
Tabela 2: Rede de ensino por ano
Pudemos perceber que houve uma predominância de visitas de escolas da rede pública de ensino nos três anos analisados. Estes resultados confirmam a pesquisa feita por Cazelli (2010) apontando que escolas da rede pública, que geralmente possuem nível socioeconômico inferior ao nível socioeconômico da rede privada, freqüentam mais os espaços de educação não-formal, de modo que o
capital social baseado na escola, como ações e investimentos, contribui para a expansão das experiências culturais dos alunos pertencentes às escolas públicas.
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Em relação ao nível de ensino, procuramos identificar o número de visitas escolares, por instituição de ensino, que correspondiam a alunos do nível infantil, fundamental, médio e superior. Estes resultados são apresentados na tabela 3, assim como no gráfico 3, que apresenta a distribuição dos diferentes níveis de ensino por ano.
Tabela 3: Nível de ensino por ano
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Tais resultados indicam que houve um equilíbrio , nestes três anos, de visitas de estudantes do ensino fundamental e médio. Vale lembrar que a Astronomia faz parte dos programas curriculares de Ciências e Geografia no Ensino Fundamental e de Física no Ensino Médio, conforme os PCN. Quanto aos demais níveis de ensino,
não houve nenhuma visita de escola infantil (alunos de 0 a 5 anos) , e apenas seis visitas de instituições de nível superior, nos três anos. No entanto, é importante salientar que esse número corresponde a apenas duas universidades privadas, sendo que uma delas realizou visitas nos três anos.
Outro fator analisado foi a localização da escola visitante. Resolvemos classificar as instituições em três categorias: aquelas localizadas na capital mineira (BH), onde estão concentradas a maioria das escolas do estado, aquelas localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e aquelas situadas fora destes limites, a qual denominamos apenas de interior. Consideramos pertencentes à RMBH os 33 municípios que circundam a capital , conforme dados extraídos a partir de informações oficiais da homepage da Associação dos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte 2 .
Através do levantamento, verificamos que houve um equilíbrio no número de escolas visitantes localizadas em BH, RMBH e Interior no ano de 2007, conforme apresentado na tabela 4.
Tabela 4: Localização da escola por ano
No entanto, nos anos seguintes houve um decréscimo de visitas de escolas situadas no interior do estado, tendo permanecido o equilíbrio entre àquelas situadas na capital e região metropolitana. Este resultado pode ser melhor visualizado no gráfico 4.
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Fizemos também uma contagem das escolas visitantes , por município em que se localizam, conforme mostra o Quadro 1 . Pudemos verificar que, nos três anos analisados, o observatório atendeu um maior número de escolas localizadas na RMBH, pertencentes a 10 dos 33 municípios que compõem esta região, principalmente de Contagem e Betim. Quanto às escolas localizadas no interior do estado, apesar de representar a menor parcela do número total de instituições visitantes, é importante enfatizar que muitas delas se situam em municípios distantes, como por exemplo Montes Claros (437 Km de BH), Governador Valadares (324 Km de BH), Ubá (286 Km de BH), Ipatinga e Viçosa (ambas distam 225 km da capital), mostrando que o fator distância nem sempre representa um empecilho na realização das viagens escolares.
Quadro 1: Municípios onde se localizam as escolas visitantes (2007-2009)
Por fim, fizemos uma análise da freqüência das visitas realizadas, nos três anos, conforme mostrado na tabela 5 .
Tabela 5: Freqüência de visitas, em três anos
Os resultados indicam que do universo de 92 escolas visitantes, apenas 4 realizaram visitas nos três anos seguidos, correspondendo a um total de 16 visitas neste período, ou seja, uma média de 4 visitas por escola . Esta média diminui de acordo com a freqüência de visitas, de modo que , podemos inferir que o OAFR recebeu, pelo menos no período analisado, uma maioria de visitas esporádicas em detrimento a uma pequena parcela de instituições que realizaram visitas constantes a este espaço.
## 5. Conclusões
Pôde -se com esta pesquisa fazer um estudo quantitativo das visitas escolares que ocorreram no Observatório Astronômico Frei Rosário, no período de 2007 a 2009, através da análise de 5005 fichas de inscrição, que foram preenchidas pelo público escolar visitante. Estas fichas nos forneceram informações relativas às
instituições escolares como a rede de ensino a qual ela pertence, o nível de ensino das turmas que realizaram a visita, a localização da escola e a freqüência de visitas no referido período.
A pesquisa mostrou que o OAFR recebeu, nestes três anos, 143 visitas escolares, de um total de 92 escolas diferentes, sendo a maior parte constituída de instituições da rede pública de ensino, de nível fundamental e médio, localizadas em BH e na RMBH. No entanto, os resultados indicaram também casos que divergiram deste padrão, e que por isso, merecem um estudo qualitativo de forma a investigar os motivos que levaram os professores a realizar visitas escolares a este espaço .
Identificamos, por exemplo, a visita de duas instituições de ensino superior, ambas da rede privada e localizadas nos municípios de Ibirité e Governador Valadares. Interessante notar que uma dessas instituições realizou cinco visitas em três anos . Achamos necessário entender o motivo destas constantes visitas. Da mesma forma, achamos importante entender o porquê do Observatório não ter recebido visitas de escolas infantis nesse período, visto que a astronomia desperta interesse tanto em adultos, quanto em crianças.
Interessante notar que a distância da escola , em relação ao espaço , pouco influenciou na realização das visitas. A pesquisa mostrou que escolas de municípios distantes realizaram visitas tanto quanto escolas de municípios que se localizam nas proximidades da região em que se localiza o Observatório. Casos como o de duas escolas estaduais situadas em municípios rurais, Perdigão e Santo Antônio do Rio Abaixo, ambas localizadas a 144 km da capital, também nos causam curiosidade para investigar os objetivos dos professores destas escolas ao sair de tão longe para visitar um observatório astronômico.
Dessa forma, acreditamos que este trabalho traz resultados importantes e relevantes ao tornar r possível a definição de critérios que serão adotados na escolha dos sujeitos que constituirão o objeto de estudo na próxima etapa desta pesquisa , na qual buscaremos explicações para alguns resultados em que não foi possível discutir através desta análise quantitativa.
Em suma, muito ainda deve ser feito nesta vertente. Nossa pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento, mas estes estudos preliminares dão bons indícios para nortear os próximos passos, na busca de alternativas que possibilitem a melhoria do ensino de A Astronomia, que ainda é tão deficiente em nosso país.
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