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''EU ME ADAPTEI RÁPIDO, EU ME ADAPTEI BEM": UMA EXPERIÊNCIA EM AULA REMOTA NA DISCIPLINA DE FÍSICA POR UMA ESTUDANTE CEGA

Willdson Robson Silva Do Nascimento, Eder Pires De Camargo, Eanes Dos Santos Correia

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## 'EU ME ADAPTEI RÁPIDO, EU ME ADAPTEI BEM': UMA EXPERIÊNCIA EM AULA REMOTA NA DISCIPLINA DE FÍSICA POR UMA ESTUDANTE CEGA

## Willdson Robson Silva do Nascimento 1 , Eder Pires de Camargo 2 , Eanes dos Santos Correia 3

- 1 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (Unesp/Bauru) /Programa de PósGraduação em Educação para a Ciência, willdsonnascimento@gmail.com
- 2 Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' /Departamento de Física e Química de Ilha Solteira /Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência, eder.camargo@unesp.br

Palavras-chave : Ensino de física; Ensino remoto; Relação com o saber.

## Resumo expandido

A pesquisa tem o objetivo de discutir a relação com o saber de uma estudante cega de uma escola pública de Aracaju/Sergipe diante de suas experiências em aulas remotas na disciplina de física . Nesse sentido, chegamos à questão de investigação: o ensino de física promovido de forma remota para uma estudante cega tem possibilitado uma mobilização para uma aprendizagem com sentido?

Para Charlot (2020) não temos uma natureza humana, ou seja, não somos uma essência misteriosamente aprisionada em um corpo, mas temos uma condição humana, uma espécie que ao longo da evolução tornou-se diferente de outras espécies animais. Nessa perspectiva é que precisamos ser educados e pelo fato de poder e dever ser educado, é que o ' Sapiens divergiu a ponto de se tornar uma espécie cuja relação com o mundo é diferente de outras espécies' (CHARLOT, 2020, p. 11).

Nesse contexto, a educação é um triplo processo: de humanização (tornar-se humano), singularização (tornar-se um exemplar único de homem e entrada numa cultura) e socialização (tornar-se membro de uma comunidade, partilhando seus valores e ocupando um lugar nela (CHARLOT, 2000). Assim, a escola e os estudantes não podem ser analisados como um sistema rígido e regidos por uma lógica única, pois os estudantes são antes de tudo, sujeitos, um ser humano com uma história de vida, um ser social, um ser singular, que age no e sobre o mundo e que encontra necessidades de aprender.

É por essa necessidade de aprender que buscamos discutir a relação com o saber de uma estudante cega a partir de sua mobilização para uma aprendizagem com sentido. Para Charlot (2000), a mobilização é se colocar em movimento, é uma ação que acontece de dentro para fora do estudante, diferente da motivação que acontece de fora para dentro. A motivação é efêmera, a mobilização é continuidade, é processo, é o engajamento em uma atividade, predispõe de um sentido, é a insistência e persistência com o seu aprender, que é individual, ninguém aprende pelo

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XX a XX de julho de 2021 - Online

outro, o estudante precisa querer, estar disposto a aprender física. E estando disposto, mobilizado, ele investe no seu processo de aprendizagem.

Diante do exposto, trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo exploratória descritiva tendo como instrumento de constituição de dados a entrevista semiestruturada, por meio de um aplicativo de mensagem instantânea pelo celular e a organização de dados baseado na análise de conteúdo. Para Chizzotti (2006) a pesquisa qualitativa se configura por não ter um padrão exclusivo, uma vez que, nesse tipo de pesquisa, se aceita que a realidade é fluente e contraditória. Já a entrevista semiestruturada possibilita construir uma relação mais próxima com o entrevistado, de forma que, ele fale livremente sobre novos subtemas no transcorrer do processo (FLICK, 2009). Nessa perspectiva, o sujeito da pesquisa é uma estudante que está cursando do 2º ano do ensino médio de forma remota em uma escola pública da cidade de Aracaju. Essa estudante por questão ética será identificada por Sonia e o entrevistador por E.

Segundo Bardin (2011) a análise de conteúdo adota normas sistemáticas para extrair os significados temáticos de características específicas da mensagem que compõe um texto, documento, vídeo, imagens ou áudios, podendo expressar os resultados por meio de indicadores qualitativos e quantitativos.

Com a entrevista semiestruturada, projetamos o bloco temático: memórias de saber e suas categorias: sentido e mobilização (Quadro 1). A memória do saber pretende resgatar fatos e momentos memoráveis da estudante, dialogando com o referencial adotado nesta pesquisa. O sentido é variável que possibilita identificar o processo de mobilização, 'quanto mais afastado o sentido, mais fraco é o movimento de mobilização para aprender' (NASCIMENTO, 2018, p. 111). Na mobilização interpretamos que a experiência escolar da estudante só pode ser analisada a partir de uma sociologia do sujeito que sente prazer, que tem desejo e que dá sentido (NASCIMENTO, 2018).

Quadro 01: Bloco temático e suas categorias

Quando Sonia foi questionada: E : O que você aprendeu nas aulas de física de forma remota que você lembra até hoje?

Sonia: Eu lembro das escalas Celsius e os pontos de fusão e ebulição. Esses eu lembro e continuo lembrando. Eu lembro porque foi um assunto que eu tive mais dúvidas para achar os valores, para transformar as escalas, aí, eu fui perguntando, e o professor foi explicando, tentando tirar minhas dúvidas. E no que ele foi tentando explicar, aí, eu fui começando a entender mesmo e aí, ficou.

A pergunta acima levou à reflexão sobre o sentido que ela deu às aulas de física, uma vez que, quem não encontra nenhum sentido na situação da aprendizagem, na situação proposta, não vai aprender, não se utilizará como recurso, não se envolverá e não se mobilizará (NASCIMENTO, 2018). O sentido faz parte do processo de singularização do sujeito, é particular e provisório.

Para fundamentar a categoria mobilização, perguntamos:

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- E: Desde que nasceu, você tem aprendido muitas coisas em diversos lugares, na sua família, no seu bairro, e em outros lugares, como também na escola. Nesse contexto, o que tenho a dizer sobre suas experiências com as aulas remotas na disciplina de física.

Sonia : Eu tive dificuldades em alguns pontos, mas eu fui procurando meus meios para entender, tirando dúvidas, assistindo videoaulas e pesquisando e no final as coisas foram dando certo, fui entendendo alguns assuntos e outros nem tanto. Assim, eu tive dúvidas em relação a gráficos, fórmulas, mas assim, quando eu não entendia, eu perguntava para o professor: 'Professor! O senhor pode explicar isso?' Ele ia, explicava, tipo, quando eu precisava de mais tempo, ele explicava por etapa. Eu acho que me adaptei rápido, eu me adaptei bem ao ensino remoto, assim, o que eu senti dificuldade é porque eu já tinha mesmo em gráfico, fórmulas, aí, eu tive que dar mais atenção a esse quesito, porque eu não tinha sala de recursos no ensino remoto, eu só fiquei com a escola.

Os resultados apontam para um processo de mobilização da estudante com o seu aprender, fazendo com que ela procurasse outros meios para complementar o seu processo de aprendizagem, tirando dúvidas, assistindo videoaulas e pesquisando.

## Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo . São Paulo: Edições 70, 2011.

CHARLOT, B. Educação ou Barbárie? Uma escolha para a sociedade contemporânea. Trad. de PINA, S. São Paulo: Cortez, 2020.

CHARLOT, B. Da relação com o saber : elementos para uma teoria. Trad. de MAGNE, B. Porto Alegre: Artmed, 2000.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais . Petrópolis: Vozes, 2006.

FLICK, U. Desenho da pesquisa qualitativa . Porto Alegre: Artmed, 2009. NASCIMENTO, W. R. S. Os efeitos da prática do goalball no processo da mobilização da aprendizagem de alguns fenômenos e conceitos físicos da mecânica para alunos com deficiência visual nas aulas de física . 2018. 182f. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência)- Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', São Paulo, 2018.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.