AS CONCEPÇÕES SOBRE A NATUREZA DA CIÊNCIA DE UM GRUPO DE ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA
Washington Raposo, Andreia Guerra
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XII
- Ano
- 2010
- Data
- 27/10/2010
- Linha de pesquisa
- - Ensino / Aprentizagem / Avaliação Em Física; Formação E Prática Profissional Do Professor De Física E Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## AS CONCEPÇÕES SOBRE A NATUREZA DA CIÊNCIA DE UM GRUPO DE ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA
## The conceptions of a group of future teacher about the Nature of Science
Washington Raposo¹, Andréia Guerra²
1 CEFET -
RJ/PPECM, e-mail: w wash.dc@ig.com.br
2 CEFET -
RJ/PPECM, e-mail: amoraes@cefet-rj.br
## Resumo
É notório que os formandos em Física e, por conseguinte, os professores de Física do Ensino Fundamental e Médio apresentam concepções deturpadas de Ciência. Pelo fato de muitos professores terem ideias acríticas e compreensões incorretas da natureza do trabalho científico, vários projetos educacionais inovadores e muito bem estruturados apresentam resultados insatisfatórios. Essas e outras questões levaram algumas universidades a propor na grade curricular disciplinas de História e Filosofia da Ciência. Procurando trazer subsídios para a discussão em torno da introdução de disciplinas de História e Filosofia da Ciência na grade curricular das licenciaturas em Física, desenvolvemos uma pesquisa com o intuito de responder à seguinte questão: será que licenciandos que cursaram disciplinas específicas de HFC na graduação mantém a visão deturpada de ciência nos moldes apontados anteriormente? Para responder a essa questão foi estruturado um minicurso de epistemologia, aplicado a um grupo que já havia cursado as disciplinas de História e Filosofia da Ciência da grade curricular, no intuito de que no decorrer de sua aplicação fosse foi realizada uma pesquisa qualitativa. A investigação foi dividida em quatro atividades que proporcionaram análises bastante diferenciadas. Num balanço geral das atividades propostas, percebe-se uma grande confusão na articulação entre os conceitos e as concepções a rerespeito da Ciência por parte dos alunos investigados. Ao mesmo tempo em que apresentaram argumentos a favor de uma Ciência objetiva e descontextualizada eles defendem ideias que contradizem esse discurso, o que pode indicar que mudanças estejam se processando e que uma abordagem mais ampla de HFC poderia surtir grandes resultados.
Palavras -chave: Educação Científica, Epistemologia, Licenciatura.
## Abstract
It is clear that students in Physics and therefore the Physics' teachers of Elementary and Secondary Education have distorted views of science. These views make some projects fall to the ground because they were supported by ideas uncritical and incorrect understandings of the nature of scientific work. These and other questions led some universities to offffer courses in the curriculum of History and Philosophy of Science. To reflect about the contribution of this course in the undergraduates' view of science, we developed a research to answer the question:
do undergraduates who were enrolled in specific courses at HFC maintains a distorted view of science in the manner indicated above? To answer this question was structured in a short course of epistemology to conduct a qualitative research, divided into four research activities quite different. In a general the undergraduates realize a lot of confusion in the articulation of concepts and conceptions of science. This confusion becomes clear when we confront contradictory answers, especially the first questionnaire. It is perceived that students still have the empiricist's conviction in their arguments. The idea that Science doesn't have history is part of his views. Therefore, we can record the speech of these students contain fragments that contradict this idea, which may indicate that changes are being processed and that a broader approach HFC could have great results.
Keywords: Scientific education, epistemology, Graduation .
## Introdução
É notório que os formandos em Física e, por conseguinte, os professores de Física do Ensino Fundamental e Médio apresentam concepções deturpadas de Ciência, carregadas de ideias empiristas e de uma persistente "crença" de que o papel da Ciência seja a busca de uma verdade última (SANDOVAL e CUDMANI, 1993; GIL-PÉREZ et al, 2001; ABD -EL -KHALICK e LEDERMAN, 2000).
A falta de discussões sobre a Natureza da Ciência (NdC), o processo de desenvolvimento científico e o real significado de diversos conceitos e teorias nas cadeiras regulares dos cursos de Física, podem servir de multiplicadores das concepções deturpadas da Ciência fazendo com que os projetos mais bem estruturados e inovadores caiam por terra por estarem apoiados em ideias acríticas e em compreensões incorretas da natureza do trabalho científico (GIL, 1983, apud SANDOVAL e CUDMANI, 1993). Outros fatores relevantes são: a apresentação da Ciência nos livros didáticos e a ingenuidade na fala de alguns professores quanto ao processo de construção do conhecimento científico (FERNÁNDEZ, I. 2000).
Essas e outras questões levaram algumas universidades a propor na grade curricular r disciplinas de História e Filosofia da Ciência. A partir dessas constatações desenvolvemos uma pesquisa com o intuito de responder à seguinte questão: será que licenciandos que cursaram disciplinas específicas de HFC na graduação mantém a visão deturpada de ciência nos moldes apontados anteriormente?
No intuito de construir subsídios para responder a esta pergunta foi estruturada uma pesquisa sobre as concepções de Ciência dos alunos de licenciatura em física de uma universidade publica do estado do Rio de Janeiro.
## Metodologia
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de um minicurso cujo tema era epistemologia da ciência. O minicurso contou com 13 alunos que participaram voluntariamente, 11 homens e duas mulheres. Deste grupo, 3 alunos cursavam o 5º período do curso de licenciatura em Física e estavam inscritos na disciplina de instrumentação para o ensino de Física I, 8 alunos cursavam o 8º período do referido curso e estavam inscritos na disciplina de Prática de Ensino e apenas 2
licenciandos, de 6º período, ainda não estavam cursando nenhuma dessas disciplinas. A opção de realizar esta pesquisa para alunos prestes a concluir a graduação se deve ao objetivo geral da mesma que era o de investigar concepções sobre o processo de construção do conhecimento científico de alunos que tivessem cursado disciplinas de História e Filosofia da Ciência que constam da grade curricular da licenciatura. O número de alunos nos levou a desenvolver uma pesquisa qualitativa (FRANCO, 2008). Foram realizadas atividades com o propósito de compreender a visão de ciência do grupo selecionado. Para que houvesse maior interação entre o pesquisador e o grupo investigado, foi proposto um minicurso de oito horas, 2h/aula, sobre Epistemologia da Ciência. Assim, as atividades investigativas foforam entremeadas de momentos em que o pesquisador discutiu com os alunos as ideias de Francis Bacon, David Hume, Imanuel Kant, Thomas Kuhn, Karl Popper, Irme Lakatos, Paul Feyerabend, Gaston Bachelard e Edgard Morin. A escolha destes pensadores se deve a importância de seus trabalhos para a epistemologia da Ciência. Os textos escritos pelos alunos, o diário construído pelo pesquisador ao longo do processo de aplicação das atividades e os registros de filmagem das mesmas foram as bases levantadas para construir a resposta da questão inicial.
## Desenvolvimento
A pesquisa foi dividida em quatro eventos. O primeiro consistiu da aplicação de um questionário de questões objetivas que versavam sobre a Natureza da Ciência (NdC) e os processos de desenvolvimento científico. O segundo evento consistiu da construção por parte dos alunos de um plano de aula sobre um tema: Lei da Inércia. O terceiro consistiu da realização de um experimento que denominamos "caixa preta" e o último da aplicação de um questionário final com questões abertas sobre NdC.
## Atividade 1 -- Questionário inicial
Foram propostas dezesseis afirmações em que os licenciandos optavam pelos itens (CF) concordo fortemente, (C) concordo, (I) indeciso, (D) discordo ou (DF) discordo fortemente.
As questões foram estruturadas com base nos resultados da pesquisa apresentada por Gil-Perez (2001), onde o autor lista algumas dessas concepções como: a visão empírico-indutivista e ateórica; a visão rígida, exata e infalível da Ciência; a recusa à influência da criatividade; a visão aproblemática e ahistórica; a visão exclusivamente analítica, limitadora e simplificadora; a visão acumulativa e linear do conhecimento; a visão individualista e elitista da Ciência; a imagem descontextualizada e socialmente neutra da Ciência.
## Atividade 2 -- Plano de aula
No plano de aula, os alunos de licenciatura, além de apresentarem os objetivos da aula e os recursos utilizados, tinham que descrever detalhadamente como o tema seria abordado com seus supostos alunos de nível médio.
- O propósito deste plano de aula era o de confrontar os resultados do questionário 1 com os caminhos sugeridos por eles para introduzir um novo tema a um grupo de alunos. No confronto dos dados foi possível resgatar contradições entre o discurso e uma suposta prática. Isto porque ao construir caminhos para explicar a Lei da Inércia, a um aluno fictício, estes graduandos se utilizariam das concepções de ciência que são mais fortes e claras para eles, uma vez que sua preocupação não estaria voltada para a resposta mais adequada epistemologicamente, mas a que lhes parecesse mais conveniente didaticamente.
## Atividade 3 -- "Caixa preta"
Com a proposta experimental da "caixa preta" os alunos foram convidados a decifrarem a natureza intrínseca do artefato ilustrado na Fig. 1. Os alunos em dupla (devido ao número ímpar houve um trio) foram convocados a agirem como cientistas em uma investigação para determinar um modelo para o funcionamento da "caixa".
Neste momento, de total liberdade e independência de ação, os participantes não contaram com qualquer ajuda ou orientação. A metodologia de trabalho foi livremente escolhida por eles. A única exigência era de que preenchessem um "relatório" onde se exigia a descrição seqüencial dos
procedimentos utilizados, as possíveis mudanças de direção de raciocínio ao longo do processo, o desenho do esquema do modelo criado por eles e suas conclusões finais.
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Fig. 1: Atividade do universo "caixa preta".
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A caixa foi construída em madeira, com pregos e parafusos de metal. Ela consistia em duas hastes de madeira unidas, não fixamente, uma a outra por um pequeno disco de madeira preso à haste lateral. A outra haste se encontra pregada ao disco, paralelo a ele, porém de maneira a possibilitar movimentação deste. O sistema simula o funcionamento do eixo de uma bicicleta e faz a haste frontal realizar o movimento de entrar e sair da caixa enquanto gira-se a haste lateral em seu próprio eixo.
Ao final da atividade, todos os grupos expuseram seus modelos para o restante da turma, respondendo às perguntas dos outros participantes e também do professor. No debate, os alunos não estavam preocupados em dar respostas certas a questões, mas suas atenções eram voltadas para construir estratégias que o levassem a defender seus modelos. Assim, seria um momento interessante para resgatar o olhar deles sobre o processo de construção do conhecimento científico.
## Atividade 4 -- Questionário final
O questionário final teve o objetivo de complementar a pesquisa com perguntas que possibilitassem respostas livres por parte do licenciandos. As questões abertas propostas nesse questionário foram escolhidas após a análise dos dados das atividades anteriores e foram propostas quatro semanas após as atividades 1, 2 e 3. Nesse intervalo, ocorreram os encontros referentes ao minicurso citado anteriormente sobre epistemologia. Acreditamos que os estudos desenvolvidos ao longo desse minicurso teve influência nas respostas geradas no questionário final. Porém isto não inviabilizou os resultados da pesquisa.
As questões foram as seguintes:
Estas perguntas possibilitaram uma melhor análise de como estes licenciandos fariam para explicar, a um leigo, temas envolvendo o processo
científico. Isso forçou-os a formular respostas menos eruditas e mais objetivas, deixando mais claras suas próprias concepções sobre o tema.
## Resultados
A análise das respostas mostrou que os alunos tinham dificuldade em delimitar o papel da experimentação e não conseguiam definir se esta era geradora ou confirmadora de teorias. Outro ponto problemático diz respeito ao caráter provisório ou não das teorias científicas. Por exemplo, todos os alunos discordaram da afirmação 1: "as afirmações científicas e os enunciados científicos são necessariamente verdadeiros e definitivos" Porém na afirmativa 7: "Todo conhecimento científico é provisória". Apenas 3 alunos concordaram com a afirmação, 1 não soube responder e o restante discordou.
Um fator contraditório percebido nas respostas dos alunos se refere à análise das afirmações 3 e 14: "O conhecimento científico é algo objetivo e confiável, pois sempre está apoiado em fatos que o comprovam" e "Ideias metafísicas ou nãocientíficas podem, por vezes, direcionar a pesquisa científica para resultados relevantes". Dos 13 alunos, 7 concordaram com a primeira afirmação, 5 discordaram e apenas 1 não soube responder. Já em relação à segunda, além dos 7 que concordaram com a primeira mais um aluno admitiu ser correta a afirmativa. Do restante, apenas dois se mostraram indecisos. Percebe-se que para boa parcela desses alunos, a Ciência se apresenta como objetiva e confiável por se basear em fatos, porém esses alunos admitem também que ela pode se basear em ideias metafísicas e não -científicas.
Na afirmativa 10: "A evolução da Ciência ocorre principalmente pelo desenvolvimento e proposição de novos modelos, teorias, concepções", 7 alunos aceitaram a ideia ali exposta, indicando que, para eles, a Ciência evolui apenas com o desenvolvimento de teorias novas. Porém é preciso considerar que 6 alunos responderam negativamente a esta proposição.
Com a análise dos planos de aula elaborados pelos alunos participantes da pesquisa, foi possível perceber uma forte tendência empirista, de parte dos alunos, para apresentar o conhecimento de inércia, usando como ponto de partida um argumento de autoridade empírico.
Na avaliação dos planos de aula construídos pelos alunos, percebeu-se que, com exceção de um aluno, todos os outros propuseram iniciar e discutir o tema a partir de uma análise experimental. As descrições das aulas traziam embutida a ideia de que aquele conhecimento poderia ser obtido simplesmente a partir de apuradas observações. O único aluno que não utilizou este caminho propôs iniciar a aula com uma biografia de Newton, em seguida, enunciar a Lei, para depois fazer uso de experimentos capazes de confirmá-la, utilizando-se da experimentação de forma a confirmar a teoria proposta.
Os alunos optaram, em sua maioria, pelo experimento do "carrinho de Galileu", que simula a experiência da bola de canhão abandonada do alto do mastro de um navio. Não atentaram para o fato de que Galileu usou esta análise, para tratar do movimento da Terra. Talvez por uma deficiência no conhecimento de História da Ciência, eles não utilizaram a questão do plano inclinado que foi o experimento mental utilizado por Galileu para tratar de tal assunto em "Dialogo Sobre os dois Principais Sistemas do Mundo" (NUSSENZVEIG, 2002).
Os resultados da atividade do plano de aula permitiram avaliar a contradição surgida no primeiro questionário uma vez que, para os alunos, o argumento empírico ainda é muito expressivo em suas concepções do processo de desenvolvimento científico. Para eles, os fatos empíricos se apresentam como um forte argumento de autoridade para o desenvolvimento científico.
Os resultados da análise das questões preliminares e do plano de aula estão de acordo com os trabalhos de Gil -Pérez, et al. (2001), Fernández (2000), Sandoval e Cudmani (1993). Esses autores acrescentam que a problemática em torno à visão de Ciência dos alunos se deve, em geral, pelas imagens deturpadas de Ciência ainda presentes na fala e nas propostas didáticas dos próprios professores de Ensino Médio. A imagem ingênua apresentada pelos meios de comunicação, também é capaz de influenciar a visão de Ciência desses alunos. (SANDOVAL e CUDMANI 1993, PESSOA e ARROIO, 2008, FISCH, 1997).
O experimento da caixa preta forneceu importantes dados para análise. Na descrição do processo seguido para obtenção da resposta final do experimento, todos os grupos disseram que inicialmente observaram o orifício da caixa, sacudiram -na, giraram-na, enfim, manipularam-na para depois lançar hipóteses sobre seu funcionamento. Durante a execução do experimento um grupo se distinguiu dessa descrição. Esse grupo pegou a caixa fez alguns pequenos movimentos e partiu para a construção do modelo, fazendo analogias com equipamentos conhecidos. Esse mesmo grupo ao perceber que seu modelo original não explicava plenamente o funcionamento da caixa, acrescentou um "elástico" extra para dar conta dos fenômenos.
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Fig. 2: Alunos interagindo com a "caixa preta".
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Durante a apresentação dos modelos para a turma, apenas um grupo desistiu do seu modelo original, admitindo que o de um outro grupo era o melhor. Os demais não entraram em consenso quanto ao melhor modelo, cada um dos três grupos restantes achou que o seu modelo era o melhor.
Na análise da filmagem do momento em que os alunos elaboravam seus modelos, foi percebido que um dos grupos não realizou muitos testes para construir o modelo final. Um dos alunos, ao observar o movimento das hastes afirmou de imediato que já sabia como funcionava e em seguida partiu para o esboço do modelo. Mais tarde este aluno afirmou ter usado uma analogia com equipamentos mecânicos já conhecidos, nesse caso reforçando a ideia que conhecimentos a priori influenciam na criação da nova teoria sobre a caixa preta.
A avaliação das respostas ao questionário final permitiu avaliar se as colocações manifestadas na pesquisa preliminar eram reafirmadas.
Na última avaliação, ocorreram imprevistos que impossibilitaram quatro alunos de participar, logo, o ultimo questionário foi respondido apenas por nove alunos.
## Aluno Questão 1: Se uma pessoa lhe pedisse para explicar o que é a Ciência? O que você diria a ela?
- A Ciência é conhecimento, o conhecimento sobre determinado assunto, um conhecimento acumulado ao longo do tempo pela sociedade.
- B É uma forma humana de produzir conhecimento à respeito do mundo real, tal como são também a filosofia, a religião e a arte.
- C Diria que é uma tentativa humana de compreender a si e o universo de coisas que o cerca e o mundo das ideias.
- D É a tentativa de modelar um fenômeno que pode ser natural ou social e aproveitar o conhecimento construído para a melhoria da vida em sociedade.
- E É o estudo sobre o funcionamento e a aplicação das coisas e fenômenos.
É um conjunto de regras e padrões aplicados ao ato de fazer Ciência.
- F É algo que tenta explicar a natureza através de modelos, mas que não são as verdades absolutas.
Diria que não existe tal método, existem diferentes maneiras de se chegar a uma teoria científica.
- G Eu diria que é uma busca constante pelo conhecimento que seja capaz de saciar momentaneamente os seus anseios.
- H É o estudo do comportamento da natureza que não está preocupado com a verdade absoluta, mas sim com uma maneira de explicá-la, até que uma outra explicação mais confiável possa substituí-la.
É uma forma de organizar as etapas para a construção do conhecimento científico, mesmo que não se consiga chegar aos resultados definitivos com uma hipótese não comprovada.
- I A construção do conhecimento com base em leis e estudos teóricos.
Aluno
Questão 3: Ao falar sobre Ciência com um aluno de nível médio, você afirmou que o conhecimento científico é confiável. Esse aluno ouvira falar que a Ciência não apresenta verdades definitivas. Pensando nessas duas situações, o aluno lhe pergrguntou: Como pode a Ciência ser provisória e confiável ao mesmo tempo? Crie uma
É um método criado para padronizar a pesquisa científica com normas específicas para observação e contestação de resultados.
Questão 4: Você reproduziria a experiência da caixa preta com seus alunos de nível médio num curso de física? Para que tipo de discussão você a usaria?
É uma maneira de simplificar a Ciência.
Questão 2: Se essa pessoa lhe perguntasse: O que é método científico? Como você responderia a essa questão?
Método científico é uma maneira préestabelecida de como alcançar este conhecimento.
É o procedimento adotado pelo cientista no seu processo de produção do conhecimento.
É uma metodologia que ajuda a buscar respostas a determinada pergunta.
É uma maneira de se fazer Ciência baseada em algumas regras bem estabelecidas.
## resposta para seu aluno.
- A Ela, a Ciência, pode ser confiável e provisória ao mesmo tempo, desde que satisfaça as necessidades contemporâneas. Se ela responde a todas as perguntas e duvidas, se explicar o que convém ser explicado ela é confiável.
- B Ser confiável é diferente de produzir verdades definitivas. Uma verdade definitiva é impossível de alteração, diferentemente do que é confiável, um cão é confiável até que ele morda alguém.
- C A Ciência produz resposta que nos dão uma aproximação do que se quer conhecer. Essas respostas valem e funcionam para uma série de aplicações, entretanto para outras perguntas, pode ser que as respostas devam ser reformuladas.
- D A Ciência não é a busca da verdade absoluta. Ela procura adequar-se a necessidade humana e esta muda de tempos em tempos. Em geral quando uma teoria é construída ela dá conta das necessidades de conhecimento, porém quando a necessidade de conhecimento é maior, uma nova teoria pode aparecer, substituindo ou englobando a anterior.
- E Ela é confiável dentro do contexto social, histórico e temporal em que estamos inseridos, e é valida até que seja provado que ela não é válida.
- F A Ciência tem um modelo de algo que, de fato, funciona aplicado ao mundo pratico, mas a qualquer momento pode mudar.
- G A Ciência cria modelos para explicar o mundo e esses modelos são válidos até surgirem modelos melhores, por isso é provisória. O fato de ser confiável é que ela procura definir coerentemente os seus modelos.
- H A Ciência pode ser considerada como confiável, pois busca entender a natureza de acordo com o que se pode explicar no momento. Dessa forma, ao longo dos anos, do tempo, novas explicações podem surgir e "derrubar" ou inovar conhecimentos anteriores.
Sim! Acho que seria uma boa discussão sobre como a Ciência atua no processo de observação de um "fenômeno" completamente desconhecido, tentando buscar conhecimentos anteriores para explicar.
- I É provisória e confiável pois a Ciência nunca chegará a um ponto final. A medida
Sim! Pois ela representa o papel da pesquisa cientifica, passando por todas
Sim! Para a explicação da verdade absoluta e como a Ciência funciona.
Reproduziria principalmente nas primeiras aulas.
Sim! Numa aula para despertar a curiosidade na Ciência.
É uma experiência bastante válida, principalmente para mostrar aos alunos o trabalho de um cientista, e como se faz Ciência.
Eu faria a experiência, mas não numa aula regular. Talvez numa aula de laboratório, para trabalhar lúdico. Eu usaria essa experiência para trabalhar o processo de construção da Ciência.
Sim! Mostraria a dificuldade que é chegar a uma teoria em que mais de um modelo pode servir para explicar o fenômeno.
Sim! Para mostrar o desenvolvimento do método cientifico, assim como foi utilizado no curso, pois gostei da colocação.
que vivemos estamos sempre envolvidos com verdades provisórias e em busca de verdades melhores.
as dificuldades, etapas e objetivos.
Extraindo algumas respostas para analise temos que:
- O aluno B respondeu a questão 1 da seguinte forma - "É uma forma humana de produzir conhecimento à respeito do mundo real, tal como são também a Filosofia, a religião e a arte".
Para a questão 2 o mesmo (aluno B) respondeu - "É o procedimento adotado pelo cientista no seu processo de produção do conhecimento".
Nessas duas respostas do aluno B percebemos uma contradição fundamental. Se ele responde dizendo que o método científico é o procedimento adotado pelos cientistas, existe então um tipo de procedimento que distingue a Ciência das demais formas de conhecimento humano.
- Já o aluno F respondeu - "Diria que não existe tal método, existem diferentes maneiras de se chegar a uma teoria científica".
As respostas dadas à questão 3 foram bem interessantes e, possivelmente, foram influenciadas pelos estudos e debates promovidos durante o citado minicurso.
Aluno B - "Ser confiável é diferente de produzir verdades definitivas. Uma verdade definitiva é impossível de alteração, diferentemente do que é confiável, um cão é confiável até que ele morda alguém".
Aluno C - "A Ciência produz respostas que nos dão uma aproximimação do que se quer conhecer. Essas respostas valem e funcionam para uma série de aplicações e objetivos teóricos, entretanto para outras perguntas, pode ser que as respostas devam ser reformuladas".
Aluno D - "A Ciência não é a busca da verdade absoluta. Ela procura adequar-r-se a necessidade humana e esta muda de tempos em tempos. Em geral quando uma teoria é construída ela dá conta das necessidades de conhecimento, porém quando a necessidade de conhecimento é maior, uma nova teoria pode aparecer, substituindo ou englobando a anterior".
Aluno E - "Ela é confiável dentro do contexto social, histórico e temporal em que estamos inseridos, e é valida até que seja provado que ela não é válida".
Aluno F - - "A Ciência tem um modelo de algo que, de fato, funciona aplicado ao mundo prático, mas a qualquer momento pode mudar".
Aluno G - "A Ciência cria modelos para explicar o mundo e esses modelos são válidos até surgirem modelos melhores, por isso é provisória. O fato de ser confiável é que ela procura definir coerentemente os seus modelos".
É necessário indagar se toda a problematização do primeiro questionário não influenciou as respostas dos alunos a esta questão. Possivelmente, estas respostas tenham surgido devido a uma reflexão sobre as questões do primeiro questionário, associadas aos debates promovidos durante as semanas que separaram esta atividade das demais.
Para a questão 4 foi separada a resposta do Aluno F - "Sim! Mostraria a dificuldade que é chegar a uma teoria em que mais de um modelo pode servir para explicar o fenômeno".
Num balanço geral das atividades percebe-se uma grande confusão na articulação entre os conceitos e as concepções a respeito da Ciência. Esta confusão fica clara quando percebemos respostas contraditórias, principalmente ao primeiro questionário. Percebe-se que os alunos apenas reproduzem o que foram ensinados durante todos os anos de formação básica. Eles apresentam a convicção empirista fortemente presente em suas argumentações, apesar de dizerem, em alguns momentos, que o processo de desenvolvimento científico não se resume à experimentação. A ideia de uma Ciência objetiva, descontextualizada e formada por grandes gênios que aparecem repentinamente e mudam o rumo das coisas, ainda faz parte de suas concepções, porém podemos registrar que o discurso desses alunos contém fragmentos que contradizem essa ideia, o que pode indicar que mudanças estejam se processando.
## Comentários Finais
Apesar dos graduandos terem apresentado noções de Ciência bastante confusas, nota-se que não há total incompreensão dos processos de desenvolvimento científico. Em geral, os alunos participantes demonstraram ter conhecimentos vagos e um tanto desordenados do processo de desenvolvimento científico, porém não eram completamente desconhecedores dos mesmos.
Na avaliação dos planos de aula, pode-se perceber uma forte tendência a explicar a Ciência partindo dos princípios empiristas, esquecendo-se que muitas vezes as experiências não são o ponto de partida das teorias. O que é o caso da inércia, com Galileu. Pôde-se perceber pela quase totalidade de graduandos utilizando -se do recurso empirista para produzir seus planos de aula que eles não percebem que esta abordagem empirista, se não estiver bem esclarecida, pode gerar a noção de que a Ciência se processa somente partindo da experiência. Principalmente se sempre se usar o recurso didático do experimento como ponto de partida para o ensino de teorias científicas.
Na prática da experiência da "caixa preta" pode se perceber que os alunos, mesmo adotando a atitude empirista para elaborar os planos de aula, admitiram usar modelos e analogias de coisas que já conheciam antes mesmo da experiência da "caixa preta". Com isso percebemos que as confusões de concepção de Ciência se dão, em boa parte, pela pouca ou nenhuma reflexão sobre o assunto.
Aluno C: "Considerei muito interessantes as questões colocadas e que nos fez pensar sobre como definiríamos Ciência, e como ela poderia ser provisória e confiável ao mesmo tempo. Nunca tinha pensado nisso".
Como conclusão final dessa pesquisa, defendemos que é preciso criar espaços de reflexão que problematizem a visão de Ciência pronta, fechada e dogmática presente nos livros didáticos. Um caminho para se criar esses espaços é a criação de disciplinas obrigatórias de História e Filosofia da Ciência na grade curricular dos cursos de licenciatura em Física. O fato dos licenciandos terem contato mais próximo com os conhecimentos de epistemologia é de grande valor para o desenvolvimento de noções mais claras e realistas do processo de desenvolvimento da Ciência. Porém para que se desconstrua a visão deturpada da ciência não basta a inclusão de disciplinas pontuais de História e Filosofia da
Ciência. É preciso que as disciplinas de núcleo básico tragam à tona reflexões em torno ao processo de construção do conhecimento científico. O licenciando precisa estar ao longo de toda sua formação refletindo sobre seu objeto de estudo: a ciência.
## Referências
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FURIÓ, C.; "Tendencias actuales en la formación del profesorado de ciencias.", Enseñanza de las Ciencias, v. 12, n. 2, pp. 188-199, 1994.
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THIOLLENT, Michel; Metodologia da Pesquisa-ação. São Paulo, Cortez Editora, 1986.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.