UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA SOBRE FÍSICA NO TRÂNSITO COM A UTILIZAÇÃO DO PEER INSTRUCTION
Paulo Roberto Sousa Dos Santos, Danilo Almeida Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA SOBRE FÍSICA NO TRÂNSITO COM A UTILIZAÇÃO DO PEER INSTRUCTION
## Paulo Roberto Sousa dos Santos , Danilo Almeida Souza 1 2
- 1 Instituto Federal da Bahia/ Campus Salvador/Departamento de Física, probertosds@gmail.com
- 2 Instituto Federal da Bahia/Campus Ilhéus/ Diretoria Acadêmica, danilofisico@gmail.com
Palavras-chave : Ensino de Física; Peer Instruction ; Sequência Didática.
## Resumo expandido
A pandemia da Covid-19 provocou mudanças em todos os setores da sociedade. No âmbito da educação além das questões próprias ligados ao ensino e aprendizagem, as instituições de ensino se viram obrigadas a fazerem a transição do formato de aulas presenciais para as aulas remotas, passando a enfrentar questões como a garantia do acesso por parte dos estudantes e a eficácia da mediação docente por meio de plataformas digitais.
Apesar dos desafios mencionados anteriormente, as aulas em um ambiente virtual abriram um universo de possibilidades, como a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no ensino, que embora tida como área de pesquisa consolidada no campo da educação em ciências, ainda enfrentava grande resistência para chegar na sala de aula, especialmente na Física, como constatado por Lapa (2008).
Noutro aspecto, as aulas essencialmente tradicionais e expositivas, como comumente acontece na Física, vem sendo criticada por muitos pesquisadores da educação/ensino (MOREIRA, 2018), por não impactarem de maneira positiva a aprendizagem do estudante. Um estudo realizado em Harvard por Araújo e Mazur (2013) discutiu o real potencial das aulas expositivas sobre a aprendizagem do estudante, defendendo sobretudo a mudança do papel docente nessa relação de ensino e aprendizagem.
Motivado pelo ideal de propor uma aula que preze por um ensino contextualizado, trazendo o estudante como centro na apropriação do conhecimento físico, este trabalho tem como objetivo descrever uma proposta de Sequência Didática (SD), construída como uma atividade do programa de Residência Pedagógica (RP) do Instituto Federal da Bahia (IFBA), para abordagem do tema: Física no trânsito, a partir da experiência das Atividades de Ensino Não Presencial Emergencial (AENPE), realizada no período de pandemia da Covid-19 numa turma do IFBA campus Ilhéus (IFBA, 2020).
A SD foi pensada para dois encontros de 1h30min cada e contempla o tema: Física no trânsito como forma de contribuir com a discussão interdisciplinar de mobilidade urbana, e agrega conceitos ligados a mecânica Newtoniana fazendo uso das Metodologias Ativas, com o auxílio das TICs.
A metodologia ativa utilizada para esta aula seria o Peer Instruction, que significa Instrução entre Pares . Esta metodologia foi criada por Eric Mazur, na qual
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
coloca-se o estudante como protagonista do processo de ensino e aprendizagem. Assim, é premissa da SD idealizada no Peer Instruction fazer com que o aluno interaja com o seu semelhante, conseguindo caminhar para uma aprendizagem com mais significado.
A proposta da SD contempla dois momentos. O primeiro seria o Pré-aula , no qual o professor deveria fornecer aos alunos um material potencialmente significativo que relacione conceitos da Mecânica Newtoniana com conceitos de Física no trânsito, como por exemplo: a diferença entre velocidade instantânea e velocidade escalar, princípio de funcionamento do air bag, velocidade máxima de derrapagem de um veículo durante uma curva, força centrípeta, projetos de engenharia de tráfego e mobilidade urbana, etc.
Após os alunos fazerem a leitura do material o professor deveria disponibilizar um teste online no qual avaliará os conhecimentos prévios dos estudantes. Esse formulário deverá ter a capacidade de fornecer um retrato do conhecimento prévio dos estudantes, que naturalmente influenciaria na ação do professor no momento dois da SD. Em síntese, esse primeiro momento constitui-se como uma avaliação diagnóstica.
O momento dois da SD seria a Aula propriamente dita, e é exatamente nesse momento que há a execução do método de instrução entre os pares. O professor iniciaria a aula a partir de uma abordagem expositiva a respeito de um conceito de Física. Uma das discussões básica que remete a Física no trânsito é a diferenciação entre velocidade média e velocidade instantânea, além da abordagem dos tipos de velocidades a depender da descrição da trajetória do móvel. Após este momento o professor projeta testes sobre o conceito específico e inicialmente cada aluno o responderia individualmente. A depender do desempenho geral da turma o professor tomará uma atitude para seguir o momento. Araujo e Mazur (2013) propõe:
Para que o método seja eficaz, as questões conceituais apresentadas devem contabilizar uma distribuição de frequências das respostas dos alunos entre 35% e 70% de acertos. Caso a frequência de acertos seja inferior a 35%, o professor pode optar por apresentar a resposta do Teste Conceitual, explicando novamente o conteúdo. Ainda, caso a frequência de acertos seja superior a 70%, o professor explica o Teste Conceitual, podendo fazer novos testes ou, passar para um novo tópico de sua sequência didática.
O ponto forte desta SD é a fase em que os alunos têm um desempenho muito abaixo do desejado pelo professor (percentual de acerto entre 35% e 70%). Quando isso ocorrer, o professor deve separar a turma em duplas, constituída por um aluno que acertou o teste conceitual e um aluno que errou, de modo que os alunos não saberão quem acertou ou errou o teste. Ao interagirem a ideia é que o aluno que acertou consiga convencer o aluno que errou de qual é a resposta correta e assim a instrução entre os pares ocorra de maneira significativa.
Entendemos que por muitas vezes o professor tem uma linguagem técnica e muito formal o que infelizmente acaba o distanciando do aluno e dificultando a compreensão de determinados conceitos. Estudantes em diálogo certamente terão linguagens mais próximas e a expectativa é que conseguirão a partir da interação entre eles o fazer entender o conceito almejado pelo professor. Quando isto ocorrer dizemos que a instrução entre os pares foi realizada com sucesso.
É expectativa que com a aplicação desta SD os estudantes consigam aprender com mais facilidade a partir da interação com o seu par. Uma das mudanças de
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postura esperada é que alunos e professores entendam que uma boa aula de Física é aquela na qual ocorrem fortes interações entre professor e a turma.
Por fim, a concepção dessa SD além de contribuir no aumento do acervo de materiais didáticos para o ensino de Física, tem papel relevante na formação de futuros professores de Física que pensem um ensino que atenda as necessidades dos estudantes, ratificando a necessidade de políticas de formação docente, como é o caso da Residência Pedagógica.
## Referências
ARAUJO, I.S.; MAZUR, E. Instrução pelos Colegas e Ensino sob Medida: uma proposta para o engajamento dos alunos no processo de ensino-aprendizagem de física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . v. 30 n. 2, 2013.
BUENO, M.; et al. Inovação didática - projeto de reflexão e aplicação de metodologias ativas de Aprendizagem no ensino superior: uma experiência com 'peer instruction'. Revista Janus , v. 9 n. 15 (2012): III Seminário de Didática de Ensino Superior - SEDIES 2012
IAHNKE, Silvana Letícia Pires; BOTELHO, Silvia Silva da Costa; FERREIRA, André Luis Andrejew. COLMEIAS: A Integração das Aprendizagens Móvel e Colaborativa para Potencializar a Aprendizagem Significativa. RENOTE - Revista Novas Tecnologias na Educação . v. 12, nº 2, 2014.
Instituto Federal da Bahia. IFBA. ANEXO I - Plano AENPE ITE21. Plano de Atividades Educacionais Não Presenciais Emergenciais - AENPE da Turma ITE21. Curso Técnico de Edificações, 2020.
LAPA, Jancarlos Menezes. Laboratórios Virtuais no Ensino de Física: novas veredas didático-pedagógicas . Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências. Universidade Federal da Bahia, 2008.
MOREIRA, M. A. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos Avançados . Vol. 32, nº 94, 2018.
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