ANALISANDO A PROXIMIDADE DE DISCENTES DO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA DA UFPE (CAA) COM ASPECTOS HISTÓRICOS DO EXPERIMENTO DE OERSTED E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENTENDIMENTO DO ELETROMAGNETISMO
José Erivaldo Oliveira Júnior, Erivelton Guimarães Silva, Rafael Vitor Terto Ferreira, João Eduardo Fernandes Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ANALISANDO A PROXIMIDADE DE DISCENTES DO CURSO DE FÍSICA-LICENCIATURA DA UFPE (CAA) COM ASPECTOS HISTÓRICOS DO EXPERIMENTO DE OERSTED E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENTENDIMENTO DO ELETROMAGNETISMO
José Erivaldo Oliveira Júnior 1 , Erivelton Guimarães Silva², Rafael Vitor Terto Ferreira 3 , João Eduardo Fernandes Ramos 4
1 UFPE/NFD, joseerivaldo.oliveirajunior@ufpe.br
² UFPE/NFD, erivelton.silva@ufpe.br
3 UFPE/NFD, rafaelterto1999@gmail.com
4 UFPE/NFD, joao.framos@ufpe.br
Palavras-chave : Eletromagnetismo; História da física; Formação de professores.
## Resumo expandido
O debate sobre a qualidade do ensino de física na educação básica não é novidade dentro da comunidade acadêmica (MOREIRA, 2017). Dentro desse debate, metodologias surgiram como saídas interessantes na solução dessa problemática. Metodologias como a abordagem da História e Filosofia da Ciência (HFC) e o Ensino por Investigação se mostraram um material importante para a literatura do ensino de física (BATISTA, 2018).
Porém, observa-se que dentro do contexto escolar, e até mesmo da universidade, o ensino de física em grande parte ainda continua pautado nos mesmos dogmas. Reprodução de fórmulas sem muito contexto e uma super valorização dos problemas e exercícios, que servem como preparação para as diversas avaliações quantitativas que existem no currículo, continuam sendo o carro-chefe das metodologias empregadas no sistema de ensino.
Mesmo quando se é utilizada uma abordagem mais histórica dentro do contexto escolar, muitas vezes é se baseando apenas em pequenos resumos históricos presentes nos livros didáticos. Segundo Bachelard (1972 apud LOPES, 1993, p. 327) 'Esses resumos da história da ciência adquirem apenas o caráter ilustrativo', a partir do momento que as problemáticas presentes no processo de construção de determinadas teorias científicas são reduzidas a um simples apanhado de 'experiências de um empirismo simplista'. Dependendo do aprofundamento e da qualidade do livro didático, se faz necessário um estudo histórico que não se limite apenas a esses resumos.
Essa ausência de uma análise contextual do conhecimento científico dentro do ensino de ciências, é na realidade uma verdadeira oportunidade perdida, pois, a partir do momento que se estuda e entende determinado campo do conhecimento através de seus condicionantes sociais e culturais; que se entende os fatos motivadores dos cientistas e seu contexto material/experimental, torna-se possível gerar situações de aprendizagem muito mais amplas, que possibilitam um melhor entendimento epistemológico e técnico sobre o assunto abordado (BATISTA, 2018).
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
A presente pesquisa surgiu com o intuito de verificar o quão familiarizados estão os alunos do curso de graduação em Física-Licenciatura, do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) - UFPE, com alguns aspectos históricos e conceituais do eletromagnetismo clássico. Para isso, a partir de um formulário no Google Forms, foi feita uma análise qualitativa do nível de proximidade que esses alunos têm sobre um momento histórico relacionado ao experimento de Oersted.
A escolha do experimento de Oersted, como tema norteador de um estudo contextual do eletromagnetismo, se justifica, pois, esse experimento e as conclusões tiradas por Oersted sobre o evento observado foram os primeiros resultados que realmente apontaram, de forma coerente e estruturada, uma relação concreta entre eletricidade e magnetismo (MARTINS, 1986).
Para o professor de física, conhecer esse experimento e o seu autor, além do contexto no qual foi realizado e que foram desenvolvidos os primeiros estudos sobre eletromagnetismo, é algo imprescindível para se entender epistemologicamente essa área tão importante da ciência e conseguir compartilhar de forma ampla esse conhecimento com os seus alunos.
- O formulário google utilizado possui algumas perguntas sobre o experimento, tais como quem foi o cientista por trás de sua realização, em qual época aconteceu esse estudo, a possível motivação do cientista, além de perguntas sobre o fenômeno físico estudado no experimento e um pouco sobre o ensino de eletromagnetismo na formação básica do aluno. As questões tinham caráter discursivo e múltipla escolha e obtivemos 21 respostas.
Foi perguntado aos alunos se eles conheciam o experimento, 43% deles conheciam. Destes, 63% conseguiram descrever a ideia básica de funcionamento do experimento. Ao se perguntar sobre qual o conceito físico explicaria o evento observado, 67% citaram a influência de efeitos eletromagnéticos causados pela corrente; o restante não soube explicar ou não indicaram uma relação existente entre a corrente e o campo magnético induzido ao redor da bússola.
Ao serem questionados sobre o contexto histórico do experimento, apenas 28% dos alunos sabiam que o cientista responsável pelo mesmo era Oersted. A resposta mais citada (38%) foi Faraday. Com relação a época de realização, 53% afirmaram corretamente ser entre 1800 e 1820.
Além disso, quando questionados sobre quais seriam as possíveis motivações de Oersted em sua investigação, 57% afirmaram, corretamente, que o experimento foi fruto de uma investigação filosófica/científica que buscava comprovar uma suposta ligação entre eletricidade e magnetismo. O restante afirmou que Oersted buscava comprovar uma teoria já existente ou até mesmo que ele tinha alcançado os resultados do experimento ao acaso, que é uma visão distorcida comum e reproduzida até hoje.
Os alunos também foram questionados sobre um aspecto importante da teoria eletromagnética: as linhas de campos. Foram apresentadas algumas representações gráficas de linhas de campos referentes a campos elétricos e magnéticos, com o intuito de que os alunos selecionassem qual imagem melhor representa o campo magnético de uma corrente elétrica. Apenas 52% indicaram a opção correta.
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Figura 01: Questão sobre linhas de campo (a opção correta seria a Opção 2).
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Sobre seus anos de escola, os alunos foram perguntados se tiveram contato com algum episódio histórico dentro das aulas de eletromagnetismo. Apenas 9% deles responderam que sim. Um aluno citou a gaiola de Faraday, outro citou ' breves experimentos ' com demonstrações visuais como fotos e vídeos, mas não especificou.
Percebe-se, então, que existe um distanciamento entre os alunos participantes da pesquisa e o contexto histórico em que foi realizado o experimento de Oersted. Pelos resultados, é razoável afirmar que esse distanciamento causa uma dificuldade conceitual para se entender alguns eventos físicos estudados durante as aulas de eletromagnetismo, como a indução eletromagnética e as linhas de campo. Essas dificuldades conceituais podiam ser solucionadas com uma abordagem histórica e contextual, aliada ao estudo tecnológico e matemático, não apenas um ou outro, dentro do ensino de eletromagnetismo.
Como continuidade do estudo, pretendemos expandir o número de participantes da pesquisa e construir uma proposta didática na qual seja possível atrelar o aspecto histórico e matemático do eletromagnetismo.
## Referências
BATISTA, RENATA F. M. e SILVA, CIBELLE CELESTINOA abordagem históricoinvestigativa no ensino de Ciências. Estudos Avançados [online]. 2018, v. 32, n. 94 [Acessado 13 Junho 2021], pp. 97-110. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/s0103-40142018.3294.0008>. ISSN 1806-9592. https://doi.org/10.1590/s0103-40142018.3294.0008.
LOPES, Alice RC. Contribuições de Gaston Bachelard ao ensino de ciências. Enseñanza de las ciencias: revista de investigación y experiencias didácticas , v. 11, n. 3, p. 324-330, 1993.
MARTINS, Roberto de Andrade. Ørsted e a descoberta do eletromagnetismo. Cadernos de História e Filosofia da Ciência , v.10, p. 89-114, 1986.
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MOREIRA, M. A. GRANDES DESAFIOS PARA O ENSINO DA FÍSICA NA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA. Revista do Professor de Física , [S. l.], v. 1, n. 1, p. 1-13, 2017. DOI: 10.26512/rpf.v1i1.7074. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rpf/article/view/7074. Acesso em: 13 jun. 2021.
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