O USO DE UMA PRAÇA DA CIÊNCIA NO RECÔNCAVO DA BAHIA: POTENCIALIDADES E LIMITE NO ENSINO DA FÍSICA
Vitor Gabriel Alves, Diana Patrícia Gomes De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O USO DE UMA PRAÇA DA CIÊNCIA NO RECÔNCAVO DA BAHIA: POTENCIALIDADES E LIMITES NO ENSINO DA FÍSICA
## Vitor Gabriel Alves 1 , Diana Patrícia Gomes de Almeida 2
1 Universidade Estadual de Santa Cruz, vitorg.fisica@gmail.com
2 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, diana\_fisica@yahoo.com.br
Palavras-chave : Educação não-formal; Ensino de Física; Atividade Prática
## Resumo expandido
Quando se pesquisa, no âmbito do Ensino da Física do Brasil, sobre educação não formal, ainda há poucos trabalhos que se propõem a relatar, discutir e/ou divulgar as experiências com esse tipo de educação. Entretanto, é sabido que, mesmo que a busca por pesquisa com a denominação 'educação não formal' não seja significativa, a ideia de educação fora da sala de aula sempre existiu. Voltando a questão mais para a formação docente inicial, percebe-se que é preciso propiciar ainda aos docentes a viabilização de reflexões teórico-prática para realidade educacional fora do ambiente formal, oportunizando o desenvolvimento de planejamentos e estratégias didáticas que valorizem a diversidades de saberes em outros ambientes além dos desenvolvidos dentro da escola.
Mas, o que vem sendo definido como educação não formal? Quais são suas principais características e seu papel no universo educacional atual? Será que a adoção dessa nova modalidade da educação tem contribuído para o processo de aprendizagem dos estudantes de Física? É importante explicitar que essas inquietações são frutos das discussões vivenciadas ao longo da intervenção didática elaborada no estágio supervisionado IV do curso Licenciatura em Física da UFRB e motivaram esta pesquisa.
Nesse contexto, nosso objetivo é apresentar uma proposta que foi sistematizada e desenvolvida na Praça da Ciência na cidade de Amargosa/BA para uma turma de ensino médio, contemplando o diálogo de conteúdos conceituais de física trabalhados no espaço formal de ensino com as potencialidades presentes no espaço não formal de ensino.
A educação formal usada aqui é, naturalmente, o 'sistema educacional altamente institucionalizado, cronologicamente radicado e hierarquicamente estruturado, abrangendo o primeiro ciclo do ensino fundamental e as camadas superiores da universidade.' (COOMBS; AHMED, 1974, p. 8, tradução nossa), ou seja, possui um currículo padronizado, é detentora de normas legais e administrativas e tem certificação.
Já em relação à educação não formal, Trilla (2008) discute que além do processo educativo ser concebido pelas esferas provenientes da educação dos pais ou familiar; dos mestres ou escolar; e do mundo, há uma quarta concepção educacional - a educação não formal. Assim, define educação não formal como: '[...] o conjunto de processos, meios e instituições específica e diferenciadamente concebidos em função de objetivos explícitos de formação ou instrução não
19 a 30 de julho de 2021 - Online
diretamente voltados à outorga dos graus próprios do sistema educacional regrado' (idem, 2008, p. 42).
Ainda existe uma discussão a respeito da definição da educação informal, cuja corroboramos com a conceituação de Coombs e Ahmed (1974) que a definem como 'o processo ao longo da vida, pelo qual cada pessoa adquire e acumula conhecimentos, habilidades, atitudes e modos de discernimento por meio das experiências diárias e de sua relação com o meio' (p. 8, tradução nossa).
Para a construção da proposta, foram realizadas incialmente três visitas em conjunto com a professora orientadora da disciplina citada: dois em ambientes não formal institucionalizados, a saber: Museu de Energia da COELBA, em Salvador e ao Museu Náutico da Bahia, no Forte de Santo Antônio da Barra/BA; e uma no ambiente não institucionalizado - uma visita ao Destacamento de Controle do Espaço Aéreo. É importante destacar que seguimos a definição de Gohn (2006) quanto à ambiente não formal institucionalizados - os regulamentados e preparados para um determinado fim -, e não formal não-institucionalizados - são ambientes naturais ou urbano que não são preparados para área acadêmica, mas tem potencial de ser locus de alguma atividade educacional. Assim, foi possível distinguir o que realmente era um espaço não formal, bem como seus limites e potencialidades.
Após essa etapa procedimental, foi feita a escolha prévia da turma de ensino médio de uma das escolas da cidade de Amargosa, a fim de aplicar a atividade a ser produzida, atentando-se às necessidades da turma escolhida e as orientações do professor supervisor. Assim, nesta pesquisa, optamos por uma turma de 1º ano de ensino médio com um professor supervisor formado em física. Em seguida, realizamos a visitação ANTES ao espaço não formal escolhido (Praça da Ciência), a fim de conhecer e potencializar as possibilidades presentes do espaço selecionado, priorizando nos experimentos lúdicos para atividades ao Ensino da Física. Posteriormente, realizamos toda a gestão logística e burocrática para a realização da atividade.
Figura 01 : Entrada da Praça da Ciência.
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A realização da atividade aconteceu em dois momentos: um na sala de aula e outro na Praça da Ciência. Na sala de aula, foram entregues algumas imagens dos equipamentos da Praça da Ciência e passadas as orientações sobre segurança e comportamento no espaço a ser visitado. Já na Praça da Ciência, conduzidos a um experimento por vez, os alunos foram questionados sobre o objetivo do experimento, causando uma tempestade cerebral, e depois convidados a pensar sobre o funcionamento dos equipamentos e a aplicação dos conceitos observados no cotidiano. Foram trabalhados os seguintes conteúdos conceituais de física:
referenciais, movimento circular, alavancas, movimento harmônico simples, ondas sonoras, momento angular e eletrização por atrito.
Figura 02: Alguns equipamentos da Praça da Ciência para realização dos experimentos de: Conchas Acústicas; Harpas de Tubos; Basquete Giratório e; Balanço de Comprimentos Diferentes.
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A Praça da Ciência é um espaço relativamente novo e entregue a prefeitura para ser um local institucionalizado de divulgação da Ciência. Apesar da inauguração ter ocorrido duas semanas antes da nossa visita técnica, algumas avarias já eram visíveis nos experimentos da praça, dificultando articular o experimento com a proposta planejada. Além disso, a alta exposição a condições climáticas no espaço, pode atrapalhar ou até inviabilizar a realização de atividades.
Houve limitações ao propor o tema para alguns potenciais supervisores, tal como resistência ou competência em saber dialogar com os conteúdos formais de ensino com as atividades 'museológicas'. Inferimos que isso possa ser devido à falta de discussões relativas ao tema durante e depois da formação docente de cada indivíduo, ou por até mesmo limitações na explanação da nossa proposta. Entretanto, ao final da atividade, percebemos engajamento no trabalho construído por todos os envolvidos.
Por fim, destacamos que propostas de atividades como essa ainda durante a formação inicial oportuniza ao futuro docente o entendimento que qualquer espaço pode ser não formal de ensino, basta para isso ter um planejamento ANTES DURANTE - DEPOIS e um diálogo didático com os objetivos do planejamento curricular do professor. Sendo assim, capacitar os futuros professores a desenvolver, com autonomia, a integração dos conteúdos de Física com os pedagógicos, é de suma importância para seu amadurecimento profissional.
## Referências
COOMBS, P.H.; AHMED, M. Background of the study. In: Attacking Rural Poverty: How Nonformal Education Can Help. Baltimore and London: The Johns Hopkins University Press. p. 1-10, 1974.
GOHN, M. G.. Educação não formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio : aval.pol.públ.Educ. [online]. 2006, vol.14, n.50,
pp.27-38. ISSN 1809-4465. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S010440362006000100003. Acesso em: 18 mar. 2021.
TRILLA, J. A educação não formal. In: ARANTES, V. A (Org.) Educação formal e não formal: pontos e contrapontos, São Paulo: Summus, p. 15-55, 2008.
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