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INVESTIGAÇÃO DOS RESULTADOS NA APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES DE PROFESSORES QUE PARTICIPARAM DE CURSOS DE CURTA DURAÇÃO NO EXTERIOR

Ricardo Meloni Martins Rosado, Alberto Villani

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

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## INVESTIGAÇÃO DOS RESULTADOS NA APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES DE PROFESSORES QUE PARTICIPARAM DE CURSOS DE CURTA DURAÇÃO NO EXTERIOR

Ricardo Meloni Martins Rosado 1 , Alberto Villani 2

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências da USP, ricardo.meloni@usp.br

2 Universidade de São Paulo/Departamento de Física Aplicada, avillani@if.usp.br

Palavras-chave : Formação de professores, professional development schools .

## Resumo expandido

O presente trabalho representa a fase final de um trabalho de doutorado que teve como objeto de pesquisa a formação de professores em cursos de curta duração realizados fora do Brasil, em especial, os programas mantidos pela Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) na Suíça e pelo Perimeter Institute (PI) no Canadá.

O trabalho tem como referencial o modelo proposto por Guskey (2000) para a avaliação de cursos de formação de professores em exercício, os quais são chamados de professional development schools (PDS) (VILLEGAS-REIMERS, 2003, p. 71). Neste referencial, a avaliação das PDS é dividida em cinco níveis, que vão desde a reação inicial dos participantes, passando pela maneira como os professores incorporam as novas práticas em sala de aula e como a escola as recebe até chegar aos resultados na aprendizagem dos estudantes.

A pesquisa teve início com a análise textual discursiva (ATD) (MORAIS; GALLIAZI, 2015) de depoimentos de participantes da Escola de Física CERN, programa oferecido pelo CERN em parceria com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) e a Sociedade Brasileira de Física (SBF), reunidos em um livro organizado pela SBF (GARCIA, 2015). Em seguida, foram selecionados 30 professores para entrevistas, os quais haviam participado da Escola de Física CERN, da Einsteinplus (programa oferecido pelo PI) ou de algum programa internacional do CERN oferecido em língua inglesa ( High School Teachers at CERN - HST ou International Teacher Weeks - ITW).

Por último, foi montado um grupo focal com 5 (um participante de cada região do Brasil) desses 30 professores e foram entrevistados membros da equipe gestora e discentes das escolas onde esses professores atuavam. Esse grupo focal visou avaliar com mais profundidade o quinto e último nível do modelo proposto por Guskey (2000). Procurou-se diversificar ao máximo possível o currículo e a realidade social das escolas selecionadas. Para tal finalidade, foram escolhidas duas escolas da rede federal, duas da rede particular e uma da rede estadual. A tabela abaixo fornece mais dados a respeito desses grupos. Para preservar a identidade das escolas, a cada uma delas foi atribuído um código, que vai de E1 a E5.

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Tabela 01: Escolas que fizeram parte da pesquisa

Todos os alunos entrevistados faziam parte de projetos desenvolvidos pelos professores após suas participações em cursos no exterior. Em virtude das diferenças de realidade socioeconômica, muitas diferenças foram observadas em relação às respostas.

No caso de E1, a única escola estadual da pesquisa, a participação da professora responsável só foi possível graças à bolsa da CAPES da qual dispunham os professores da rede pública no momento da sua participação. Desde 2013, ela mantém um clube de Ciências na escola, do qual foram selecionados os alunos para a entrevista, que ocorreu de forma presencial em 2019. Como destacaram a diretora e a coordenadora pedagógica da escola, são poucos os alunos desta escola que ingressam em uma faculdade após completar o Ensino Médio, mesmo sendo localizada em um município que conta com duas instituições de Ensino Superior federais. Para os alunos de E1, o clube de Ciências serviu como uma oportunidade não apenas de aprender conteúdos novos de Física, mas também de trabalhar em equipe e exercitar a comunicação em público, pois as atividades do clube são apresentadas em outras escolas do município.

Realidade bastante diferente vivem os alunos de E2, uma escola da rede particular que adota currículo internacional. Os alunos participantes do clube de Ciências desta escola inclusive tiveram a oportunidade de conhecer o CERN (onde duas de suas professoras já haviam participado de cursos) pessoalmente em 2019, mesmo ano em que foi realizada a entrevista. Para esses alunos, o clube de Ciências e a visita ao CERN são vistos como uma oportunidade de se aprofundar em conceitos de Física, já que a maioria dos entrevistados pretende seguir para cursos na chamada 'área de Exatas' nos Estados Unidos ou na Inglaterra. O chefe do departamento de Física de destaca ainda que a escola possui interesse em financiar projetos como esse, pois eles estão em sintonia com o currículo do International Baccalaureate, por isso as despesas das professoras que participaram dos programas no CERN foram pagas com verba da própria escola.

A partir daí, em decorrência da pandemia de covid-19, as entrevistas foram conduzidas através de plataformas de comunicação à distância. A primeira destas entrevistas foi realizada com alunos de E3, uma escola da rede privada que, diferente de E2, não adota currículo internacional nem possui verba para auxiliar a participação dos professores em cursos no exterior (embora apoie projetos extracurriculares). Os alunos entrevistados já estavam no Ensino Superior no

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momento da entrevista, mas haviam participado de um projeto na escola enquanto ainda estavam no Ensino Médio. Destacou-se nessa turma uma participante que havia optado por seguir a carreira na área de Física. Tanto essa participante quando o outro presente na entrevista destacaram a importância da representatividade feminina nas Ciências. Cabe ressaltar que, nas entrevistas anteriores havia apenas uma participante do sexo feminino em E1 e nenhuma em E2. Segundo a participante, muitas pessoas veem a carreira científica como 'masculina' porque os cientistas estudados no Ensino Médio são, em sua grande maioria, homens.

Por fim, E4 e E5 representaram as instituições federais na pesquisa. Para esses alunos, é bastante clara a separação que existe entre a Física Clássica e a Física Moderna e eles têm a consciência de que a carga horária de Física nas escolas federais é insuficiente para cobrir tópicos de Física Moderna com profundidade adequada. Por isso, veem os projetos extracurriculares como uma forma de cobrir os conteúdos que não têm como ser abordados em sala de aula.

## Referências

GARCIA, N. M. D. (Org.). Nós, Professores Brasileiros de Física do Ensino Médio, Estivemos no CERN . São Paulo: Livraria da Física, 2015.

GUSKEY, T. Evaluating Professional Development . Thousand Oaks: SAGE Publications, 2000.

MORAES, R.; GALIAZZI, M. C. Análise Textual Discursiva . Ijuí: Unijuí, 2015.

VILLEGAS-REIMERS, E. Teacher Professional Development : An international review of the literature. Paris: International Institute for Educational Planning, 2003. (Quality education for all). ISBN 9789280312287. Disponível em: <https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000133010>. Acesso em: 14 fev. 2021.

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