Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

USO DE MAPAS CONCEITUAIS PARA AUXILIAR O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM UMA DISCIPLINA DE FÍSICA EXPERIMENTAL

Efraim Fernandes Marques, Paula Magda Da Silva Roma

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## USO DE MAPAS CONCEITUAIS PARA AUXILIAR O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM UMA DISCIPLINA DE FÍSICA EXPERIMENTAL

Efraim Fernandes Marques¹, Paula Magda da Silva Roma²

¹Universidade Federal do Amazonas/ Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente/ Campus Vale do Rio Madeira, efraimfmmarques@ufam.edu.br

²Instituo Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas/Campus Avançado de Três Corações, paula.roma@ifsuldeminas.edu.br

Palavras-chave: Mapas Conceituais; Aprendizagem; Avaliação Resumo Expandido

Joseph Novak propôs na década de 1970 o uso de Mapas Conceituais (MCs) como ferramenta para mapear o conhecimento do indivíduo. Os MCs são fundamentados na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel (2000) que tem como princípio básico os conhecimentos prévios do indivíduo. Para Ausubel (2000), a aprendizagem significativa resulta de um processo psicológico que envolve a interação entre conhecimentos já ancorados na estrutura cognitiva do indivíduo e o seu próprio mecanismo mental para aprender significativamente ou para adquirir e reter conhecimentos.

Novak e Cañas (2010) definem os MCs como representações do conhecimento utilizando conceitos e proposições. As proposições são formadas por conceito inicial e conceito final, sendo interligados por um termo de ligação e organizados de forma hierárquica. Visando direcionar a construção do MC existe a Pergunta Focal que é uma pergunta genérica que serve de orientação para a construção do tema a ser mapeado.

Os MCs dentro do processo de ensino-aprendizagem podem ser utilizados para caracterizar as estruturas de conhecimento que os discentes possuem no início e término de uma disciplina, possibilitando ao docente 'visualizar' as mudanças ocorridas no aluno durante o processo de ensino-aprendizagem da disciplina e fazer interferências com o objetivo de auxiliar o estudante a ter uma aprendizagem profunda e significativa (CORREIA et al., 2016).

Neste viés, Nascimento, Soares e Correia (2020) utilizam o Mapas Conceituais com Erros (MCE) como ferramenta de avaliação, mecanismo de diagnóstico de erros conceituais que os discentes tenham sobre o tema, e sugere aos docentes maneiras de prepará-los e utilizá-los dentro do seu contexto disciplinar.

Silva, Fonseca e Correia (2020) propõem relações entre a aprendizagem por diferentes construções de mapas conceituais elaborados pelo professor e os processos atencionais dos alunos. Para os autores, os MCE podem servir como ferramenta para analisar a capacidade dos estudantes em localizar relações conceituais equivocadas. No caso dos Mapas Conceituais com Lacunas (MCL), essa estratégia pode servir para guiar a aprendizagem através da recordação ativa dos conhecimentos. Outro recurso mencionado pelos autores são os Mapas com

Cores/Contrastes (MCC), que podem funcionar como direcionamento automático da atenção da pessoa no MC dentro de uma mesma categoria. Enquanto que no Mapas com Figuras/Ícones, os autores descrevem que seu uso pode auxiliar na produção de memórias mais robustas.

Diante do exposto, este trabalho propõe o uso de Mapas conceituais com cores/contrastes, erros e lacunas com objetivos educacionais de síntese e revisão do conteúdo, bem como mais um instrumento para auxiliar o professor no acompanhamento da aprendizagem de alunos do nível ensino superior matriculados na disciplina de Física Experimental.

- O conteúdo a ser explorado, inicialmente, dentro dessa proposta, é o de Regras de Arrendamento. A partir da prática dos autores, como docentes das disciplinas experimentais há alguns anos, observa-se uma grande dificuldade dos discentes em ter aprendizado significativo no tema Regras de Arredondamento. Este tópico é abordado em disciplinas introdutórias de física teórica e experimental. Para a Física Experimental, as Regras de Arredondamento são primordiais para representação correta de medidas quantitativas diretas e indiretas que serão realizadas em todas as disciplinas experimentais.

Para a construção dos MCs, será utilizado o sistema online cmapcloud (https://cmapcloud.ihmc.us) que permite trabalho colaborativo e que não necessita de licença e instalação no computador. Caso opte-se pelo uso offline, pode-se baixar o instalador da última versão para os principais sistemas operacionais em https://cmap.ihmc.us/. Os discentes poderão ter acesso aos MCs propostos neste trabalho em ambas as opções, online e offline. Dessa forma, as estratégias apresentadas neste trabalho podem ser utilizadas tanto na aula presencial, em que os mapas são disponibilizados na forma impressa aos alunos, quanto remota, na qual os mapas são disponibilizados por meio das tecnologias de informação e comunicação.

Para que a técnica de mapeamento seja eficiente, faz-se necessário que, antes da sua aplicação, o docente dedique um encontro explicando seus princípios metodológicos. Além disso, como os MCs não são autoexplicativos (MOREIRA, 1998), logo, é imperativo que antes de qualquer atividade utilizando essa ferramenta o docente faça a leitura dos mapas com os alunos.

Como recurso de síntese e revisão do conteúdo, iremos utilizar os MCC. Para isso, ao final da exposição do conteúdo proposto, o aluno receberá um mapa conforme apresentado na Figura 1. Neste mapa, recorreu-se ao uso de contraste/cores nos conceitos para dirigir a atenção dos discentes às regras de arredondamento segundo ABNT 5891/77. Os números em vermelho, negrito e sublinhado indicam o algarismo que deve ser conservado.

Figura 1: MCC das regras de arredondamento. Fonte: Autores.

<!-- image -->

Com o objetivo de diagnosticar erros conceituais, utilizaremos os MCE e MCL, Figura 2 e Figura 3, respectivamente. Na Figura 2, as marcações em amarelo indicam os erros que devem ser encontrados, indicados e explicados pelos discentes. Os alunos receberão o mapa em preto e branco.

Figura 2: MCE sobre regras de arredondamento. Fonte: Autores.

<!-- image -->

Nos MCL, Figura 3, os conceitos vazios devem ser preenchidos com o conteúdo estudado. Neste tipo de mapa, utiliza-se o fato do cérebro responder de forma mais fácil em busca de solução de processos já conhecidos (SCHACTER; BUCKNER, 1998). Após a realização das atividades de acompanhamento de aprendizagem com os MCE e MCL, o docente corrigirá os mapas fornecendo feedbacks aos alunos quanto a possíveis incoerências conceituais.

Figura 3: MCL para preenchimento pelos discentes nas caixas vazias. Fonte: Autores.

<!-- image -->

Este trabalho encontra-se em fase de aplicação, a qual ocorrerá durante o ano de 2021. Espera-se que as propostas apresentadas possam contribuir significativamente para a prática docente e para a aprendizagem dos alunos na disciplina de Física Mecânica Experimental.

## Referências

AUSUBEL, D.P. Aquisição e retenção de conhecimentos : uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2000, 219p.

CORREIA, P. R. M. et al . Por Que Vale a Pena Usar Mapas Conceituais no Ensino Superior? Revista de Graduação Usp , [S.L.], v. 1, n. 1, p. 41-52, 18 jul. 2016. Universidade de São Paulo, Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA). http://dx.doi.org/10.11606/issn.2525-376x.v1i1p41-51.

MOREIRA, M. A. Mapas conceituais e aprendizagem significativa. Cadernos do Aplicação , Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 143-156, 1998.

NASCIMENTO, T. S.; SOARES, M.; CORREIA, P. R. M. O uso de mapas conceituais com erros como ferramenta de avaliação do ensino de ciências. Caminhos da Educação Matemática em Revista , Aracajú, v. 10, n. 1, p. 147-159, abr. 2020

NOVAK, J. D.; CAÑAS, A. J. Teoria subjacente aos mapas conceituais e como elaborá-los e usá-los. Práxis Educativa , Ponta Grossa, v. 05, n. 01, p. 9-29, 2010.

SCHACTER, D. L.; BUCKNER, R. L.. Priming and the brain. Neuron , v. 20, n. 2, p. 185-195, 1998.

SILVA, Ks S.; FONSECA, L. S.; CORREIA, P. R. M. Abordagem neurocognitiva de processos atencionais envolvidos na aprendizagem mediada por mapas conceituais. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia , [S.L.], v. 13, n. 2, p. 247-268, 25 ago. 2020. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). http://dx.doi.org/10.3895/rbect.v13n2.9421.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.