Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

EXPERIMENTAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ESTUDO DE PROPAGAÇÃO DO CALOR EM AULAS REMOTAS

Nieldy Miguel Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021

Texto completo

## EXPERIMENTAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ESTUDO DE PROPAGAÇÃO DO CALOR EM AULAS REMOTAS

## Nieldy Miguel da Silva

Instituto Federal de Pernambuco/Departamento de Desenvolvimento Educacional/ Campus Vitória de Santo Antão, nieldy.miguel@vitoria.ifpe.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Experimentação; Ensino remoto.

Não é incomum que o ensino de Física, bem como o ensino das Ciências da Natureza, seja transmitido de maneira desarticulada com o cotidiano. Assim sendo, há uma grande chance dos alunos não perceberem a importância de seu estudo (SILVA e SAAD, 2004). Na tentativa de dar significado as aulas de Física em momento de aulas remotas, foi proposta uma atividade experimental realizada pelos alunos, propondo momentos de compartilhamento de ideias.

Este trabalho traz a discussão e a importância da propagação do calor em situações cotidianas. Os processos de propagação dos calor estão presentes e podem ser facilmente identificados no dia-a-dia dos alunos, promovendo uma associação do que eles veem nos livros didáticos com fenômenos à sua volta (CUTNELL e JOHNSON, 2006).

Em momento de aulas presenciais restritas, a atividade experimental foi utilizada de forma a despertar a participação e o engajamento dos alunos, por entendermos que elas são capazes de trazer benefícios que vão desde a interação entre alunos e com o professor até a apropriação do conhecimento científico, sejam tais atividades realizadas em laboratório ou não (LEIRIA e MATARUCO, 2015; ARAÚJO e ABIB, 2003).

Diante do apresentado, teve-se como objetivo a utilização de atividades experimentais feitas com materiais de baixo custo para promover a apropriação de conceitos sobre propagação do calor e promover discussão e interação entre os alunos.

A proposta didática deste trabalho foi uma atividade de ensino organizada em dois momentos síncronos e várias intervenções entre eles. Os momentos síncronos se deram em ambiente virtual e as intervenções e retiradas de dúvidas ocorreram em aplicativos de conversas instantâneas. Os sujeitos envolvidos foram alunos da segunda série do ensino médio de uma escola pública do interior de Pernambuco.

O primeiro momento síncrono foi dedicado à aula de forma tradicional sobre o conteúdo de propagação do calor. Foi aproveitado o momento para propor a atividade experimental e explicar o procedimento. Devido à dificuldade de alguns alunos acessarem a internet em momento síncrono, foi estabelecido que cada grupo de 4 alunos deveria escolher e realizar um experimento, gravar um vídeo e compartilhá-lo no grupo de conversas instantâneas. Desta forma, todos teriam acesso

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

19 a 30 de julho de 2021 - Online

às experiências dos colegas e teriam condições de participar da discussão do momento síncrono posterior. Ao término deste momento, os alunos responderam a um questionário com perguntas relacionadas à aula. A ideia era verificar o quanto os alunos se apropriaram dos conceitos apresentados.

Entre um momento síncrono e outro, havia um intervalo de duas semanas, desta forma, este foi o tempo destinado à confecção dos experimentos dos alunos. Durante este período, os alunos utilizaram um grupo de conversas instantâneas já existentes para discutir seus experimentos. As discussões com o professor foram diárias.

No segundo momento síncrono, todos haviam realizado algum experimento e socializado com o grupo. Iniciou-se a aula em ambiente virtual e já de início algo incomum foi notado: quase todas as câmeras dos alunos estavam ligadas. Iniciou-se o encontro com uma breve revisão dos conceitos sobre propagação do calor vistos anteriormente e abriu-se a discussão para o grande grupo. Os alunos facilmente iniciaram a conversa e socialização do que haviam aprendido com o experimento e a relação com outras áreas surgiu. Houve a organização dos alunos no sentido de não apresentarem o mesmo experimento. Foram trazidos à discussão conceitos de materiais condutores e isolantes, instalação correta de aquecedores e condicionadores de ar, radiação do corpo negro, efeito estufa entre outros. Neste último tema, a relação com outros componentes curriculares foi fortemente evidenciada.

Com o término do segundo momento síncrono, os alunos responderam o questionário mais uma vez e as respostas foram comparadas.

Os resultados obtidos foram bastante satisfatórios, se confirmaram pelo interesse demonstrado durante a confecção dos experimentos e o momento síncrono posterior. A evolução das falas apresentadas pelos alunos, construídas pela interação e cooperação foi algo notoriamente percebido. Foi importante a aproximação que os alunos fizeram entre conceitos teóricos e o cotidiano deles. As respostas obtidas na segunda aplicação do questionário foram muito superiores e apresentaram bom uso da linguagem científica, apropriada pelo experimento e discussão, demonstrando assim, considerável apropriação do conteúdo.

Ficou clara na fala dos alunos que eles estavam se apropriando dos conceitos ao estabelecer relações entre a teoria e o que está à sua volta. Acredita-se que o trabalho contribuiu efetivamente como uma ferramenta no processo ensinoaprendizagem, colaborando com ações no cotidiano escolar e fora da escola.

Portanto, deseja-se que esta proposta didática, de cunho experimental, sirva como estímulo às novas práticas, de trocas de experiências e discussões, visando à melhoria no processo de ensino e aprendizagem, permitindo assim que o ensino remoto não seja mais um empecilho que venha a dificultar a aprendizagem dos alunos.

## Referências

ARAÚJO, M.S.T; ABIB, M.L.V.S. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física . v. 25, n.2, 2003, p. 176-194.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

SILVA, A.V.P; SAAD, F.D. Problemas e perspectivas do ensino de física no município de Bauru, SP. In: NARDI, R. (Org.). Pesquisas em ensino de física . 3ed. São Paulo: Escrituras, 2004. (p.47-56).

CUTNELL, J.D; JOHNSON, K.W. Física 1 . 6ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. LEIRIA, T.F; MATARUCO, S.M.C. O papel das atividades experimentais no processo de ensino-aprendizagem de física . EDUCERE - XII Congresso Nacional de Educação. 2015.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.