MULHERES DA FÍSICA NUCLEAR: UM PROCESSO DE DESINVIBILIZAÇÃO ATRAVÉS DO LÚDICO
Karine Gomes Dos Anjos Gagno, Viviane Morcelle
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## MULHERES DA FÍSICA NUCLEAR: UM PROCESSO DE 'DESINVIBILIZAÇÃO' ATRAVÉS DO LÚDICO
## Karine G. A. Gagno 1 , Viviane Morcelle 2
1 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/PPGEduCIMAT, karinegagno@gmail.com 2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/DEFIS/PPGEduCIMAT, vivianemorcelle@gmail.com
Palavras-chave : Mulheres na ciência, lúdico, física nuclear
## Resumo expandido
O papel das mulheres na ciência é de extrema importância. Contudo, é pouco abordado historicamente, e isso se dá ao fato de que para ingressarem na ciência as mulheres enfrentam uma luta constante, sendo esta imposta pela sociedade a qual as põem no papel de cuidadoras do lar, sendo subjugadas constantemente. A luta por igualdade de direitos é representada pelo feminismo, que veio evoluindo, até o feminismo negro, uma vez que as mulheres negras, são ainda mais oprimidas pela sociedade. Compreendendo como a mulher negra está presente na história, podemos entender sua invisibilidade como sujeito, cidadã e, em especial, como protagonista e agente de sua própria trajetória na sociedade brasileira (SILVA, 2016).
Apesar dos avanços obtidos pelas mulheres, através de suas várias frentes de luta, isso não significa que alcançaram os mesmos direitos nos distintos espaços. E a Universidade não fica de fora deste contexto, especialmente no que tange às ciências exatas, como podemos observar através da proporção entre o número de docentes homens e mulheres bem como o cenário também se reflete no corpo discente (MORCELLE et al, 2019).
E se vislumbrarmos a história das Ciências, ela está marcada em quase sua hegemonia pelas figuras de homens brancos considerados gênios. Embora mulheres como Marie Curie 1 sejam invisibilizadas nas salas de aula do Ensino Médio (EM), mesmo com o conteúdo de radioatividade sendo contemplado no campo da Física
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
19 a 30 de julho de 2021 - Online
Moderna no currículo, seja no modelo antigo ou na proposta da Base Nacional Comum Curricular do EM (BNCC, p. 540), já contemplada pelo currículo mínimo de Física da secretaria estadual de educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ).
E o que falar quando se discute relatividade restrita, muitas contas e quase nada sobre sua história e muitos homens se negam a cogitar que a companheira de Einstein, Mileva Maric, possa ter contribuído (GAGNON, 2020) e a relegam ao total obscurantismo nas aulas. O que dizer sobre a Lisa Meitner? Que teve seus créditos roubados por homens em dois trabalhos essenciais para compreensão da composição do átomo como o Efeito Auger ou a Fissão Nuclear. Mesmo sendo reconhecida nos livros de história da ciência (TENNEBAUM, 2000), não lhe foi feita a devida reparação e também não consta das aulas sobre fissão nuclear.
Se pensarmos no início do surgimento do método científico ainda nos séculos XVI e XVII, pode-se perceber que poucos nomes femininos aparecem como representativos das cientistas (CARVALHO, 2011). E ainda segundo a autora, isso está ligado ao contexto histórico-cultural da época. Mas a questão é que continua acontecendo hoje, mulheres cientistas continuam sendo invisibilizadas todos os dias dentro das salas de aulas de disciplinas relacionadas às ciências exatas, como se não tivessem papel de protagonistas no desenvolvimento científico. E isso leva a um efeito cascata, onde meninas que não possuem referenciais não podem sonhar em chegar à determinada posição profissional e é isso, que ocorre nos casos de mulheres cientistas no campo das exatas, que quase não possuem representatividade frente principalmente ao número de cientistas homens brancos e de origem social abastada, que são a maioria nestas posições nas universidades.
Visando mudar essa realidade e incentivar mais meninas a ingressarem na Física, este trabalho busca 'desinvibilisar' cientistas mulheres nas salas de aula do EM. Realizamos uma análise dos conteúdos do currículo mínimo (CURRICULO, 2012), e da BNCC bem como um estudo relacionado à História da Física com objetivo de desenvolver de um jogo de tabuleiro, que abordasse a Física Moderna, em especial na área de Física Nuclear.
Foram feitas análises do Plano Nacional do Livro e Material Didático (PNLD, 2018) de 2018, com o objetivo de verificar a forma como as contribuições femininas estavam sendo abordadas no campo da Física Nuclear nos livros de EM, dos doze
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
livros presentes no PNLD foram analisados dez, uma vez que para a coleta de dados ser precisa deveriam ser na mesma edição que foi entregue aos alunos.
A partir da análise de dados seguindo a metodologia de Bardin (1977), foram selecionados os temas dentro da física nuclear para que se estudasse quais contribuições femininas desses temas apareciam claramente e quais não apareciam nos livros.
Posteriormente a esta análise, está em andamento o desenvolvimento de um jogo de tabuleiro, que será aplicado tanto na rede pública como particular, e que visa não apenas 'desinvisibilizar' as mulheres cientistas, como avaliar o aprendizado sobre física nuclear e história da física dos estudantes do EM, uma vez que o processo de aprendizagem através de recursos lúdicos permite uma troca de descobertas entre discentes e docente, uma vez que estudantes deixarão de ser o agentes passivos, que só recebe a informação sem compreendê-la e passam ao papel de agente ativo dentro da disciplina, aprendendo assim o conteúdo e tornando o seu aprendizado mais significativo, o que segundo Ausubel (1982) permite para o estudante que o conteúdo seja lembrado por mais tempo.
E desta forma, acreditamos estar contribuindo para uma educação não bancária (FREIRE, 1974), onde o estudante é protagonista de seu próprio aprendizado, levando a uma aprendizagem significativa e libertadora. Este processo pode incentivar centenas de meninas a trilharem o caminho da universidade, buscando o sonho de serem cientistas e contribuindo com a representatividade feminina dentro e fora dos muros da universidade.
## Referências
BARDIN, L. L'Analyse de contenu. Editora: PressesUniversitaires de France, 1977.
BNCC. Base Nacional Comum Curricular. Aprovada em 19 de dezembro de 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/12/BNCC\_19dez2018\_site.pdf
CARVALHO, G.M., CASAGRANDE, S.L. MULHERES E CIÊNCIA: DESAFIOS ECONQUISTAS. Aceita na Revista Internacional Interdisciplinar, INTERthesis, Florianópolis, v.8, n.2, p. 20-35, Jul./Dez. 2011.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
CURIE, EVA. Madame Curie. Editora Companhia Nacional, Brasil, 1957.
CURRÍCULO MÍNIMO: FÍSICA. Governo do Estado do Rio de Janeiro. Secretaria de Estado de Educação. 2012.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. New York: Herder& Herder,1970. Publicado com Prefácio de Enani Maria Fiori. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
GAGNON, P. The Forgotten Life of Mileva Maric Einstein. 2020. Disponível em: arXiv:2002.08888v1
MORCELLE, V; FREITAS, G; LUDWIG, Z. From School to University: An Overview on STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) Gender in Braz. Vol. 1 No. 1 (2019): Quarks: Brazilian Electronic Journal of Physics, Chemistry and Materials Science.
Nobel, Prêmio. 2018. Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/physics/2018/summary/. Acessado em: 02/03/2021.
SILVA, S. D. GÊNERO, RAÇA E CLASSE: Discursos de Mulheres.
TENNENBAUM, J. Energia Nuclear: Uma tecnologia feminina. Rio de Janeiro: MSIa, 2000
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.