Produçao de Material Didático para Ensino de Física
Adriano Profeta, Monica De Mesquita Lacerda
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Avaliação No Ensino De Física E Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA ENSINO DE FÍSICA
## Adriano Profeta, Mônica de Mesquita Lacerda
1 UFRJ/Programa de Formação em Ciências para Professores/adriprofeta@yahoo.com.br 2 UFRJ/ Programa de Formação em Ciências para Professores / monicad.mlacerda@gmail.com
Palavras-chave : Material Didático, Ensino de Física, kit experimental
## Resumo expandido
Os modelos de aulas tradicionais de Física no ensino médio não atraem a atenção dos alunos e nem correspondem às suas expectativas e não são um elemento motivador para o aprendizado. Essa questão se deve à falta de recursos didáticos que concorram com as novas ferramentas atrativas da internet.
Diversos são os problemas relacionados ao ensino de Física no ensino básico, entre eles a questão do ensino de Física tradicional nos cursos de licenciatura (WIEMAN, PERKIN, 2005); o ensino de modelo e conteúdo do século XIX, apesar de estarmos no século XXI, sem correlação com o cotidiano (MOREIRA, 2017) e a falta de professores licenciados em Física. Dos 44.000 professores de Física nas escolas públicas, apenas 20,45 % têm formação em Física, dados do INEP 2018 (NASCIMENTOS, 2020). O fraco desempenho no ensino de Física tem como consequência alto índice de reprovações e evasões escolares (BONADIMAN, NONENMACHER, 2007), e a dificuldade de aprendizado dos alunos reflete-se nos resultados de avaliações como PISA e ENEM (SERÉ, COELHO, 2003; SILVA, BOZELLI, 2019). Essas problemáticas são observadas em colégios da rede estadual do distrito de Xerém, em Duque de Caxias, particularmente, no Colégio Estadual Hervalina Diniz Pires.
Uma proposta de aula de Física estimulante e desafiadora pode mudar a realidade descrita acima e ainda motivar alunos a seguir carreira em áreas de tecnologia (BATISTA, FUSINATO, BLINI, 2009). Através de um estudo de trabalhos na literatura observa-se que algumas propostas são apresentadas, entretanto sem informações de como aplicá-las. Portanto nota-se a importância do papel do professor, pois este deve ter domínio das metodologias inovadoras, que façam sentido para o aluno, com isso o professor deve buscar uma atualização contínua do conhecimento que faz parte de
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
sua rotina de trabalho, como a forma de aplicação mais eficaz das novas metodologias de ensino (DIMIRA, CARVALHO, 2016).
Este trabalho procura contribuir para melhorar a prática pedagógica do docente de Física (seja licenciado ou não) estimulando a cultura da utilização de experimentos didáticos no ambiente escolar (MOREIRA, 2017) através do uso de experimentos simplificados e de baixo custo (DIMIRA, CARVALHO, 2016), da utilização de simuladores virtuais, objetivando facilitar e estimular o aprendizado (CARL WIEMAN, KATHERINE PERKIN, 2005) e através do uso conjugado de experimentos didáticos e simuladores computacionais, a fim de fazer uma ponte entre a prática e o formalismo matemático (DUARTE, 2012). O professor tem papel importante nesse processo, pois atua como mediador, incentivando a prática da argumentação nas atividades experimentais (SILVA, BOZELLI, 2019).
Este trabalho tem como objetivo apresentar um material didático experimental, aqui chamado kit experimental, para ser utilizado com diferentes abordagens em cada etapa da educação básica, seja no ensino fundamental ou no ensino médio, e que sirva para o professor como um complemento essencial em sua prática pedagógica, a fim de tornar a aulas de física mais atrativas e estimulantes e a mitigar as dificuldades encontradas pelos alunos nesta disciplina
O kit é construído com materiais de baixo custo e fácil aquisição, com sua estrutura de madeira, produzida e montada manualmente, composto de 3 módulos independentes, que se conectam, para apresentar práticas experimentais que demonstrem conceitos de cinemática, hidrostática, óptica, termologia e magnetismo. O módulo 1, utilizado para apresentação de 4 experimentos de cinemática, 4 de hidrostática e 3 de óptica. O módulo 2, utilizado para apresentação de 2 experimentos previstos de Magnetismo. O módulo 3, utilizado para apresentar 1 experimento de Termologia.
O kit didático será avaliado por um grupo de 15 a 30 professores da educação básica, que participarão de 7 encontros remotos e responderão a um questionário pré e pós avaliativo com o intuito de avaliar a funcionalidade do kit como uma ferramenta de apoio didático nas aulas de física. O Projeto foi submetido ao comitê de ética em pesquisa da UFRJ e encontra-se em fase de avaliação.
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A variedade de conceitos apresentados no kit tende a facilitar a escolha do professor, motivando-o na escolha da prática certa para apresentação de determinado conteúdo, pois é importante avaliar a razão que motiva o professor na escolha de determinado experimento (LABURU, 2005). O kit com experimentos variados pode estimular os professores a utilizá-lo em suas aulas de física, com isso incentivar e habilitar os alunos a criar o seu próprio interesse em pesquisas relacionadas a ciências (MOREIRA, 2017). Pode estabelecer um elo entre o mundo dos objetos, o mundo dos conceitos, leis e teorias e o mundo das linguagens simbólicas, com isto, estimular o aprendizado minimizando as dificuldades encontradas na relação ensinoaprendizagem de Física (SERÉ, COELHO, NUNES 2003). Importante lembrar que o experimento por si só não constrói o conhecimento, mas é uma ferramenta de apoio didático importante, a fim de facilitar a relação ensino-aprendizagem fazendo com que o indivíduo possa interagir com o próprio experimento e com os indivíduos a sua volta (PARANÁ, 2008).
Espera-se que a aplicação do kit possa auxiliar o professor em sua prática pedagógica, a fim de tornar a aulas de física mais atrativas e estimulantes, minimizando as dificuldades encontradas pelos alunos nesta disciplina; a inserir dentro dos conteúdos abordados exemplos de aplicação da física no cotidiano; a incentivar a prática da pesquisa em assuntos relacionados a ciências e tecnologia, promovendo então um aumento no número de jovens que queiram seguir carreiras nas áreas tecnológicas.
## Referências
ARAÚJO, M. S. T. e ABIB, M. L. V. S. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades, Revista Brasileira de Ensino de Física, v.25 n.2, São Paulo, jun. 2003.
BATISTA, M. C. e FUSINATO, P. A. e BLINI, R. B. Reflexões sobre a importância da experimentação no ensino de física , Revista Acta Centarium. Ciências Humanas e Sociais, v. 31, n. 1, p. 43-49, Maringá, mar. 2009.
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BONADIMAN, H. e NONENMACHER, S. E. B. O gostar e o aprender no ensino de Física: uma proposta metodológica, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, vol. 24, n. 2, p. 194-223, Florianópolis, ago. 2007.
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FERREIRA, M. C. e CARVALHO, L. M. O. de. A evolução dos jogos de Física, a avaliação formativa e a prática reflexiva do professor, Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 26, n. 1, p. 57-61, São Paulo, 2004.
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NASCIMENTO, M. M. O Professor de Física na escola pública estadual brasileira: desigualdades reveladas pelo censo escolar 2018, Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, e. 20200187, São Paulo, 2020.
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O'LEARY, Z. Como fazer seu projeto de pesquisa: Guia prático / Zina O'Leary; tradução de Ricardo A. Rosenbush, Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.
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