Física de Partículas Elementares nos Livros Didáticos: Uma Análise nas obras do PNLD 2018
Daniel Oliveira, Maxwell Siqueira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Física de Partículas Elementares nos Livros Didáticos: Uma Análise nas obras do PNLD 2018
## Daniel Oliveira , Maxwell Siqueira 1 2
- 1 Universidade Estadual de Santa Cruz/Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas-DCET/, email:daniersouza456@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Santa Cruz /Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática/, e-mail: mrpsiqueira@uesc.br
Palavras-chave : Física de Partículas Elementares, Ensino de Física, Transposição didático.
## Resumo expandido
Os estudos desenvolvidos ao longo dos séculos XIX e XX têm trazido grandes avanços ao longo do século XXI, colaborando para as mais diversas áreas do conhecimento. A Física Moderna e Contemporânea (FMC), assim como as demais áreas do conhecimento, tem sido uma das grandes colaboradoras para os adventos e aparatos tecnológicos cada vez mais inovadores. Nesse sentido, autores como Terrazzan (1992), Pinto e Zanetic (1999), Martins (2004), Ostermann e Moreira, (2001), Siqueira (2006) e Batista e Siqueira (2017) enfatizam a necessidade de tópicos de FMC estarem presentes na sala de aula da Educação Básica, uma vez que os jovens do século XXI estão imersos em uma sociedade totalmente tecnológica e digitalizada.
Assim, um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores da área de ensino de Física é elaborar estratégias e materiais que possibilitem a inserção desses tópicos na sala de aula da educação básica. Desta forma, as investigações realizadas nos livros didáticos (LD) tornam-se fundamentais para área de ensino de Física, tendo em vista que o LD é um dos recursos mais utilizadas pelos professores no contexto de sala de aula (DELIZOICOV, ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2011).
Entretanto, algumas lacunas vêm sendo destacadas no processo de inserção dos tópicos de FMC nos LD, ressaltando-se que alguns desses tópicos são apresentados de maneira mais corriqueira na construção dos conteúdos do Livros Didáticos ( OSTERMANN; MOREIRA, 2001). Desta forma, a presente investigação tem por objetivo analisar o tópico de Física de Partículas Elementares nos Livros Didáticos de Física aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didática (PNLD), de 2018.
A fundamentação teórica que norteou a análise se pautou na Transposição Didática de Chevallard (1991), que possibilitou investigar o processo de transformação pelo qual o saber passa ao chegar na sala de aula da educação básica. Para isso, Chevallard (1991) indica alguns atributos, a saber: descontextualização, dessincretização, despersonalização, programabilidade e publicidade.
A análise foi realizada nas 12 coleções de Física, sendo orientada pela análise de conteúdo (BARDIN, 1995). Ao analisar as 12 coleções percebeu-se que, 3 coleções não abordam a FPE, 5 apresentam de maneira parcial utilizando de 2 a 3 páginas, e apenas 4 destinam um capítulo para a temática. Também se verificou que
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a FPE está presente somente no terceiro volume das coleções que abordam o tema. Desta forma, foi possível separar as coleções em três Grupos: G1 - coleções que não apresentam nenhuma abordagem da FPE; G2 - coleções que apresentam uma breve introdução da temática, e G3- coleções que destinam um capítulo exclusivo para os estudos referente a FPE.
No primeiro grupo (G1) encontra-se as seguintes coleções: Física (BONJORNO, 2016), Física (HELOU; GUALTER; NEWTON, 2016), Física: Contexto & Aplicações ( LUZ; ÁLVARES; GUIMARÃES, 2016 ). No segundo (G2) grupo tem-se: Física Aula por Aula (BARRETO FILHO; SILVA, 2016) Ser Protagonista ( FUKUI; MOLINA; VENÊ, 2016 ), Física para o ensino médio ( YAMAMOTO; FUKE, 2016), Física: Ciências e Tecnologia ( TORRES; FERRARO; SOARES; PENTEADO, 2016 ), e Física: interação e tecnologia (GONÇALVES FILHO; TOSCANO, 2016 ). Já no terceiro grupo (G3): Conexões com a Física ( MARTINI; SPINELLI; REIS; SANT'ANNA, 2016 ), Física em Contextos ( PIETROCOLA; POGIBIN; ANDRADE, 2016 ), Física (GUIMARÃES; PIQUEIRA; CARRON, 2016), compreendendo a Física ( GASPAR, 2016 ).
Vale ressalta que no estudo quantitativo realizado, percebeu-se que cerca de 34,92% de um total de 2.216.846 livros do volume 3 das coleções não abordam a temática de Física de Partículas Elementares (FPE), indicando que o tópico não chegará a um percentual considerável dos alunos da 3ª série do EM.
A partir dos atributos da TD foi possível desenvolver alguns descritores que auxiliaram na análise das coleções, que são eles: D1 - Conceitos abordados, e como estão sendo tratados (relacionando com a programabilidade); D2 - Quais são os tipos de atividades desenvolvidas (exercícios, problemas, atividades experimentais, atividades em geral); D3 -Aspectos Históricos, e como esses aspectos evoluem nas coleções, buscando destacar os cientistas envolvidos no processo de construção dos conceitos relacionados ao tema (relacionando com a descontextualização, despersonalização e a dessincretização), ( D4 -Analisar relação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade).
Ao realiza os estudos a partir dos descritores desenvolvidos com Análise de Conteúdo, percebeu-se que estes estão intimamente interligados com os atributos da Transposição Didática destacados por Chevallard (1991) sendo eles: a programabilidade, que é evidenciada nos LD a partir da construção dos conhecimentos desenvolvidos ao logo da história da FPE, perpassando desde os modelos atômicos até a desenvolvimento do modelo padrão de partículas; a descontextualização presentes nas obras, ressaltados pelos fatores descartados ao longo da construções do tópico no LD, evidenciando que fatores sociais, econômicos e políticos não interferem na construção dos conhecimentos científico, levando a um caráter de 'ciência neutra'; a despersonalização presentes nos livros analisados, está intimamente interligados ao cientista que se debruçaram sobre os tópicos da Física de Partículas ao longo de sua evolução, mas ao olhamos para os LD percebemos que muitos dos cientista que colaboraram para o desenvolvimento da FPE são omitidos, contribuindo para a ideia de uma ciência construída por poucos e de modo individual; a dessincretização é destacada no geral dos livros didáticos, tendo em vista que o processo de perda do nicho epistemológico e é evidencia no processo de textualização dos conhecimentos referente a matematização dos conhecimentos de FPE.
Pode-se destacar também que, ao analisar as 12 coleções do PNLD 2018, percebe-se que os conteúdos envolvendo FMC são abordados somente no terceiro volume das respetivas coleções, corroborando com pesquisas anteriores
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(OSTERMANN; MOREIRA, 2001; SIQUEIRA, 2006; BATISTA; SIQUEIRA, 2017). Isso pode ter uma relação com a sequência cronológica comumente trazida nos livros didáticos, deixanda a FMC após a Física Clássica (TERRAZZAN, 1992). Esse é um aspecto que a literatura tem apontado e pode ser um obstáculo para a efetivação da inserção da FPE na sala de aula da educação básica.
Essas evidências também permitem notar que o caminho escolhido pelos autores dos livros segue os moldes daquele da Física Clássica. Contudo, essa discussão necessita de maior aprofundamento na análise, possibilitando uma investigação mais minuciosa dos conteúdos abordados nas coleção selecionados no Programa Nacional do Livro Didático de 2018.
## Referências
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1995. BATISTA, C. A.; SIQUEIRA, M. A inserção da Física Moderna e Contemporânea em ambientes reais de sala de aula: uma sequência de ensino-
aprendizagem sobre radioatividade. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . Florianópolis, v.34, n.3, p.880-902, 2017.
CHEVALLARD, Yves. La Transposição Didática : Del saber sábio al saber enseñado.1ª ed. Argentina: La Pensée Sauvage,1991.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. 2ed. São Paulo: Cortez, 2011.
MARTINS, Paulo Roberto. Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente no Brasil: Perspectivas e Desafios. IN: Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade 2004.
OSTERMANN, F; MOREIRA, M A. Atualização do currículo de Física na escola de nível médio: um estudo desta problemática na perspectiva de uma experiência em sala de aula e da formação inicial de professores. Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, V.18, n.2, p.135-151, 2001.
SIQUEIRA, M. Do visível ao invisível: uma proposta de Física de Partículas Elementares para o Ensino Médio. Dissertação (Mestrado). São Paulo, Curso de Pós-Graduação em Ensino de Ciências - IF/IQ/FE USP, 2006.
PINTO, A.C., ZANETIC, J. É possível levar a física quântica para o ensino médio? Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, V.16, n.1, p.734, 1999.
TERRAZZAN, E. A. A inserção da física moderna e contemporânea no ensino de física na escola do 2° grau. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v.9, n.2, dez. 1992.
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