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ENSINO DE FÍSICA QUÂNTICA E A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: UMA FERRAMENTA QUE PERMITE ANALISAR A PRESENÇA DE CONCEPÇÕES DE MISTICISMO QUÂNTICO ENTRE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO

André Felipe Hoernig, Neusa Teresinha Massoni

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENSINO DE FÍSICA QUÂNTICA E A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS: UMA FERRAMENTA QUE PERMITE ANALISAR A PRESENÇA DE CONCEPÇÕES DE MISTICISMO QUÂNTICO ENTRE ALUNOS DE ENSINO MÉDIO

## André Felipe Hoernig 1 , Neusa Teresinha Massoni 2

1 Mestrado em Ensino de Física, Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, andre.hoernig@gmail.com

- 2 Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, neusa.massoni@ufrgs.br

Palavras-chave : Ensino de Física Quântica; Teoria das Representações Sociais, Misticismo Quântico

## Resumo expandido

O presente trabalho versa sobre possibilidades do aporte da Teoria das Representações Sociais (TRS) como um referencial de aprendizagem de grupo, com técnicas e metodologias que lhe são próprias, para facilitar o ensino de Física Quântica na Educação Básica, permitindo visualizar, por exemplo, se os alunos possuem concepções de Misticismo Quântico antes de uma intervenção didática. A TRS foi desenvolvida originalmente pelo romeno Serge Moscovici na década de sessenta, tendo sido usada desde então em diferentes estudos de Psicologia Social, sendo incrementadas algumas ideias para esta teoria, sobretudo com os estudos de Jean Abric (2001), sobre as noções de Núcleo e Periferia de uma Representação Social (RS). O objetivo de nosso estudo, conduzido durante a pesquisa de Mestrado Acadêmico em Ensino de Física do primeiro autor, foi avaliar em que esta teoria psicossocial pode ser aproveitada para a comunidade de pesquisa em Ensino de Física, como por exemplo, abordando aspectos que são tidos como escândalos do pensamento social, como o advento do misticismo quântico. Obtivemos alguns resultados teóricos, com base em uma análise da TRS, através de uma obra muito utilizada em Psicologia Social (MOSCOVICI, 2015) e uma breve revisão de literatura, que nos mostrou que a TRS ainda é pouco utilizada pela comunidade de pesquisa em Ensino de Física. Não é possível conduzirmos aqui uma análise em detalhe da TRS, contudo, a Figura 1 pode auxiliar na compreensão superficial da teoria, uma vez que sintetiza os conceitos principais e como se dá o processo de formação de uma nova RS.

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Figura 1: Um esquema que ilustra o processo de aquisição de conhecimento, na formação de novas RS, segundo a TRS. Fonte: Wagner et al. (1999).

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A Figura 1, portanto, apresenta um esquema simplificado do processo e das consequências da formação de uma representação social. O esquema é lido no sentido horário a partir do topo, tendo sido elaborado por alguns psicólogos sociais, como por exemplo Duveen, o qual escreveu a Introdução e traduziu a obra de Moscovici que compõe nossa análise. Destaca-se a importância do discurso para formação de uma nova RS, com o material simbólico sendo entendido como os conceitos chaves presentes na formação de uma representação, a ancoragem e a objetivação 1 .

Além da análise teórica, obtivemos resultados empíricos, resultantes de aplicações de questionários em turmas de Ensino Médio (Estudo 1, N=291), bem como durante a aplicação de um Módulo Didático de Física Quântica no contexto da pesquisa de mestrado, em uma sala de aula com 34 alunos (Estudo 2, N=34), na região metropolitana de Porto Alegre.

Dessa forma, na tentativa de mapear as Representações Sociais de alunos de Ensino Médio sobre Física Quântica, realizamos um levantamento através de evocações livres, ou seja, fizemos um levantamento de palavras para conseguir realizar uma análise de associações entre essas evocações. A partir das palavras

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evocadas pode-se ter indícios da estrutura da RS. Termos evocados com maior frequência podem ser entendidos como relacionados ao núcleo central, já termos menos evocados podem estar relacionados com a periferia da representação. É importante ressaltar que são apenas indícios, pois não há ainda em Psicologia Social meios de afirmar que palavras evocadas formam, com certeza, núcleo ou periferia. Essa atividade de evocação de palavras é conhecida como Técnica de Associação Livre de Palavras - TALP, que compõe uma das metodologias de abordagem estrutural das representações.

Para obter essas evocações construímos um curto questionário que, entre outras questões pertinentes à pesquisa realizada no Mestrado, continha a seguinte questão: ' Escreva todas as palavras ou expressões que te vem à mente quando ouves a palavra 'Quântica'. '. Esse curto questionário foi aplicado em duas situações distintas, Estudo 1 e Estudo 2. O Estudo 1 foi conduzido em 2018 com intuito de termos um mapeamento geral de diversas escolas; participaram 291 estudantes de três escolas da rede pública estadual (duas escolas em Porto Alegre e uma escola do município de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre). Posteriormente, no Estudo 2, reaplicamos o questionário no Colégio de Gravataí, no início de um Módulo Didático (MD) com uma turma de 34 alunos de uma das escolas onde o questionário já tinha sido aplicado em 2018. Depois que as aulas foram conduzidas, reaplicamos o questionário com estes alunos para avaliar como a RS poderia mudar.

Em nosso estudo obtivemos que as RS indicaram para algumas escolas a presença de concepções de misticismo com baixas evocações nas redes de similitudes, o que interpretamos como ligado à periferia de uma RS, portanto, são termos que, segundo a TRS, podem ser mais facilmente modificados ou abandonados, em comparação com termos que ocupam o núcleo de uma RS. Com nosso MD, e análise das redes de similitudes anterior e posterior ao módulo, foi possível identificar que os alunos não evocavam mais termos relacionados a misticismo ou espiritualidade, mas evocaram termos próprios da Física Quântica, como por exemplo, interferência e difração, entre outros termos do universo reificado científico da Física Quântica (HILGER; MOREIRA, 2012), o que interpretamos com um indício de alfabetização científica e aprendizagem do conteúdo pelos alunos.

## Referências

ABRIC, J. C. O estudo experimental das representações sociais. In: JODELET, D. As representações sociais . Rio de Janeiro: Eduerj, 2001.

HILGER, T. R.; MOREIRA, M. A.; A study of social representations of quantum physics held by high school students through numerical and written word association tests. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias , Argentina, v. 8, n. 1 p. 52-61, 2012.

MOSCOVICI, S. Representações Sociais: investigações em Psicologia Social. Petrópolis: Vozes, 2015.

WAGNER, W.; DUVEEN, G.; JOVCHELOVITCH, R. F.; JOVCHELOVITCH, S.; LORENZI-CIOLDI, F.; MARKOVÁ, I.; ROSE, D. Theory and method of social representations. Asian Journal of Social Psychology , v. 2, p. 95-125, 1999.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.