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ENSINO INCLUSIVO COM APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ATRAVÉS DO USO DE MATERIAIS-TATO-SENSORIAIS

Eduardo Viana De Souza, João José Dos Santos Alves, Jonatas Coelho Figueira De Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ENSINO INCLUSIVO COM APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ATRAVÉS DO USO DE MATERIAIS-TATO-SENSORIAIS

## Eduardo Viana de Souza 1 , João José dos Santos Alves 2 , Jonatas Coelho Figueira de Souza 3

1 UFRRJ/ICE-DEFIS/PET FÍSICA, eduardovianaufrrj@gmail.com

2

UFRRJ/ICE/DEFIS, joaoalves@ufrrj.br

3

UFRRJ/ICE/DEFIS, jonatas\_cfs@yahoo.com.br

Palavras-chave : Inclusão; Materiais-Tato-Sensoriais; Aprendizagem Significativa

## Resumo expandido

As dificuldades identificadas no processo de ensino e aprendizagem são de diversas ordens, vêm sendo apontadas por vários pesquisadores da área de Ensino de Física e podem ser verificadas nos diferentes agentes envolvidos nesse processo. Alguns autores destacam as lacunas advindas da inadequada formação acadêmica do professor, e que reflete no processo de construção de conhecimento do aluno. Axt (1988) alerta para o fato de conceitos abordados nas escolas, e que já deveriam supostamente terem sido assimilados pelos professores ao longo da sua formação acadêmica, estarem com um aprendizado deficiente ou incompleto. Esse fato pode conduzir a conceitos errôneos, a um conhecimento deformado, o que impede um bom ensino e aprendizado escolar, uma vez que as contradições encontradas nesses professores e que deveriam ter sido sanadas enquanto formandos, se encontram no mesmo nível do aluno. Atrelado a essa má formação, o autor sinaliza para o baixo nível de ensino praticado nas escolas, pela baixa exigência tanto dos professores como dos alunos. Anastasiou e Alves (2015) indagam se apenas a linguagem usada pelo professor para se comunicar com os alunos durante a ministração de uma aula padronizada de Física, é suficiente para que os alunos absorvam o conteúdo de forma significativa. SILVA et al (2015) alertam para as situações de professores que nunca tiveram um contato direto e aprofundado com o cotidiano do deficiente visual, se depararem com turmas em que esse aluno esteja presente. Por outro lado, o déficit curricular dos cursos de graduação em Física em ofertarem disciplinas obrigatórias sobre a temática de Educação Inclusiva, especificamente a deficiência visual, traz graves consequências na formação do professor assim como na preparação das aulas, uma vez que muitos professores fazem uso de um método educacional, denominado por Camargo (2016), de modelo '40+1'. Nesse modelo, a aula é preparada para a média de quarenta alunos videntes, e uma outra é repensada para o aluno deficiente visual. Ao seguir esse padrão, segundo Souza e Ferreira (2019), é possível perceber que esse aluno com deficiência visual não é incluído nas aulas de Física de forma adequada, já que é priorizada a maioria dos alunos em sala, os videntes. Por outro lado, as atividades do professor tendem a aumentar pela necessidade de preparar duas aulas distintas sobre o mesmo assunto. Os autores chamam a atenção para o fato de que a integração do aluno na turma via o sistema educacional, nem sempre significa a inclusão no processo pedagógico. Embora o inciso III do artigo 59 da LDB defenda que seja assegurado aos alunos e aos

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

professores uma formação adequada, essa não é a realidade dos cursos de graduação em Física, principalmente das licenciaturas, quando se depara com a temática sobre a deficiência visual, como apontam os trabalhos realizados por Silva et al. (2015) que alertam para a falta de estudos sobre a deficiência visual nas disciplinas do curso de Física. Além disso, no Censo da Educação Básica do Estado do Rio de Janeiro de 2019, houve um aumento de 37,3% nas matrículas para a Educação Especial entre os anos de 2015 e 2019. Quando comparados os mesmos anos para o Ensino Médio, o crescimento salta para 104%. Infelizmente, estes aumentos não acompanham a estrutura do sistema educacional brasileiro, pois se selecionarmos a faixa etária de 4 a 17 anos que estão matriculados em classes comuns e sem acesso a um atendimento especializado, entre 2015 e 2019, houve um aumento de 4% desses alunos. Já para aqueles que têm o acesso a uma educação especializada o aumento foi de apenas 3,3%. Esses dados indicam os desafios a serem enfrentados pelos órgãos responsáveis pelas políticas educacionais, sobretudo pelos professores que ocupam uma posição de destaque no processo educacional. Inserido no âmbito de um trabalho de monografia de conclusão de curso, foi possível vislumbrar esse quadro educacional, onde vários aspectos e situações, sobretudo no que tange o deficiente visual, estão presentes no processo de ensino e aprendizagem. A partir desse levantamento, pensamos em traçar estratégias metodológicas inclusivas que possam auxiliar tanto os professores de Física do Ensino Médio, como os alunos, videntes ou não, com o foco na promoção de um ensino e aprendizagem inclusivos e na valorização da capacidade intelectual do aluno deficiente visual. Nesse sentido, iniciamos a elaboração de uma sequência didática envolvendo um conjunto de Kits Multissensoriais que possam servir de Unidades de Ensino Potencialmente Significativos (UEPS) na medida em que se constituem num facilitador para assimilação dos conteúdos, segundo os moldes da Teoria de Aprendizagem Significativa (TAS) de David Ausubel (ESPEJO, 2013; MOREIRA, 2010), além de valorizar e defender a Inclusividade. Segundo a TAS, o aprendiz se constitui na peça fundamental no processo de ensino-aprendizagem na medida em que deve participar ativamente no próprio processo de construção de conhecimento e da predisposição em relacionar o novo conhecimento à sua estrutura cognitiva de forma não arbitrária e não literal. Ao professor cabe assumir uma metodologia de ensino apoiada no uso de materiais de aprendizagem potencialmente significativos (MAPS) para gerar novos significados, promovendo a ancoragem de novas informações na estrutura cognitiva do aluno. Um dos primeiros kits a ser confeccionado é um Material Tátil Sensorial (MTS), que aborda o estudo de Diagrama de Corpo Livre da Mecânica Newtoniana, construído com material de baixo custo e onde estarão impressas as informações em braille e caracteres em alto relevo que possa ser utilizado tanto pelos alunos deficientes visuais como pelos videntes. Esperamos que no fim do projeto, os kits produzidos sirvam de inspiração para que outros tópicos da Física sejam abordados, de maneira análoga, já que eles detêm um enorme potencial de inclusão e um poderoso facilitador de uma aprendizagem significativa. Ansiamos ainda para que esse trabalho possa alertar os diferentes agentes envolvidos no processo educacional, que novos questionamentos sejam levantados em prol das diferentes especificidades dos alunos, e que os resultados venham refletir nas mudanças das estruturas curriculares e que haja transformações relevantes nas disciplinas dos cursos de licenciatura em Física, na formação desse professor, tornando a Física cada vez mais numa Disciplina Inclusiva .

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## Referências

ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos; ALVES, Leonir Pessate. Processos de Ensinagem na Universidade: Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 10. ed. Joinville, SC: Univille, 2015. Disponível em:

<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2547831/mod\_resource/content/1/Processo s%20de%20Ensinagem.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2019.

AXT, Roland. Professores de hoje, Alunos de ontem…(dificuldades com alguns conceitos chave sobre fluidos) . Cad. Cat. Ens. Fís., Florianópolis, v. 5 n. 1, p. 7-18, 1988.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/L9394.htm>. Acesso em: 11 nov. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Resumo Técnico: Censo da Educação Básica Estadual 2019. Brasília, 2020. Disponível em

<https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas\_e\_indicadores/r esumo\_tecnico\_do\_estado\_do\_rio\_de\_janeiro\_censo\_da\_educacao\_basica\_2019.p df>. Acesso em: 10 mar. 2021.

CAMARGO, Eder Pires de. Inclusão e necessidade educacional especial: compreendendo identidade e diferença por meio do ensino de física e da deficiência visual. 1. ed. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2016

ESPEJO, Julia L. F.; CABALLERO, María Concesa; MOREIRA, Marco Antonio. Una interpretación de la teoria del aprendizaje significativo de Ausubel en el contexto del laboratorio didáctico de ciencias. Aprendizagem Significativa em Revista/Meaningful Learning Review, Rio Grande do Sul Porto Alegre, Brasil, v. V3(3), pp. 41-54, 2013.

MOREIRA, Marco Antonio. Unidades de ensino potencialmente significativas - ueps. Potentially Meaningful Teaching Units - PMTU, Porto Alegre, RS, [ s. d .]. Disponível em: <http://moreira.if.ufrgs.br/UEPSport.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2021.

SILVA, Marcela R. et al . Ensino de Física e deficiência visual: o que pensam os licenciandos em Física em fase de conclusão de curso. In : XXI SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA - SNEF, Uberlândia - MG, 2015. Disponível em: <https://sec.sbfisica.org.br/eventos/snef/xxi/sys/resumos/T0112-1.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2021.

SOUZA, Eduardo Viana de; FERREIRA, Vanessa Cristina da Silva. Diagrama de Corpo Livre: Construção de maquete tátil visual para alunos do Ensino Médio. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL DE EDUCAçãO ESPECIAL E INCLUSãO ESCOLAR, 2019, Florianópolis. Anais eletrônicos ... Campinas, Galoá, 2019. Disponível em: <https://proceedings.science/cintedes-2019/papers/diagrama-de-corpo-livre-construcao-de-maquete-tatil-visual-para-alunos-do-ensino-medio>. Acesso em 27 jan 2021.

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