O PIBID INTEGRANDO ESCOLAS: A FENOMENOLOGIA DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS SIMPLES
Carlos Henrique De Matos Pereira, Gabriel Dos Santos Varges, Mateus Alves Brito, Rodrigo Ribeiro Cardoso
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O PIBID INTEGRANDO ESCOLAS: A FENOMENOLOGIA DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS SIMPLES
## Carlos Henrique de Matos Pereira 1 , Gabriel dos Santos Varges 2 , Mateus Alves Brito 3 , Rodrigo Ribeiro Cardoso 4
- 1 Colégio Estadual do Campo de Educação Integral José Gonçalves, chenrique.uesb@gmail.com
- 2 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, gabrielvarges1@gmail.com
- 3 Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, mateusvillar908@gmail.com
- 4 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, rodrigo.cardoso@ifba.edu.br
Palavras-chave : PIBID, Circuitos elétricos, Conflito cognitivo.
## Resumo expandido
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) é uma iniciativa do Ministério da Educação que proporciona aos discentes de licenciatura um primeiro contato com a docência nas escolas, visando o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica (CAPES, 2019).
Cada subprojeto de uma determinada disciplina contempla três núcleos vinculados a três escolas, cada um com oito bolsistas e até dois voluntários. Em conjunto, pibidianos (alunos do curso de Licenciatura em Física da Universidade do Sudoeste da Bahia - UESB), orientadores e supervisores, buscam melhorar o processo ensino-aprendizagem, tendo por base estudos, reflexões, planejamentos, implementação e avaliação de propostas didáticas.
O presente trabalho ressalta a importância do PIBID para a efetiva integração e colaboração entre escolas parceiras, tomando como exemplo a realização de uma atividade experimental desenvolvida em duas instituições públicas de ensino da Bahia, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus Vitória da Conquista e o Colégio Estadual do Campo de Educação Integral José Gonçalves (CECEIJG), na zona rural desse município. O objetivo da atividade foi possibilitar a discussão fenomenológica dos conceitos de tensão, corrente, resistência, potência, circuito em série, paralelo, misto e o princípio de conservação da corrente elétrica.
As atividades experimentais têm alta potencialidade no processo ensinoaprendizagem da física e no entendimento de conceitos relacionados com o cotidiano (ARAUJO, ABIB, 2003). Segundo Séré (2003), os alunos trazem consigo concepções de um senso comum oriundo de um 'mundo empírico' que podem ser produtivas para a aprendizagem, sendo que atividades experimentais conduzem o aluno a relacionar conhecimentos empíricos aos conceitos teóricos, atribuindo um 'verdadeiro sentido ao mundo abstrato e formal das linguagens' (p. 39).
A atividade experimental foi realizada em turmas de terceiro ano do ensino médio do IFBA e do CECEIJG, ambas com 30 alunos regulares. Definimos o tema e o planejamento conforme proposto em Vieira (1996), disponibilizamos os materiais (lâmpadas de farolete com soquete, fios 'cabinho' e duas pilhas alcalinas dispostas
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19 a 30 de julho de 2021 - Online
em série) e orientamos os estudantes para observar, registrar e discutir os resultados. Inicialmente, alertamos sobre curto-circuito com pilhas e explicamos o funcionamento de uma lâmpada incandescente.
Em seguida, propusemos um circuito simples para os estudantes montarem e questionamos sobre a explicação fenomenológica para o funcionamento deste circuito. A etapa seguinte consistiu no desafio de construírem um circuito em série (Figura 1a) e em paralelo (Figura 1b). Após cada montagem questionamos sobre a luminosidade da lâmpada e como explicavam as alterações de brilho.
(a) Circuito em série
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(b) Circuito em paralelo
Figura 01: Esquema de montagem dos circuitos elétricos.
Na terceira etapa, deveriam montar um circuito com três lâmpadas, sendo duas em paralelo e esse paralelo em série com outra lâmpada (Figura 2a). Nessa configuração de circuito observaram que as lâmpadas em paralelo não acederam. Por último, montaram outro circuito misto sendo uma lâmpada em série com duas lâmpadas em paralelo e novamente em série com outra lâmpada (Figura 2b). Esse circuito teve como objetivo mostrar aos alunos a conservação da corrente elétrica (VIEIRA, 1986), porque somente as lâmpadas em paralelo não acenderam.
Figura 02: Esquema de montagem dos circuitos elétricos mistos.
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(a) Circuito misto com 3 lâmpadas
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b) Circuito misto com 4 lâmpadas
No IFBA, a atividade foi realizada na turma de ensino médio integrado com Técnico de Informática. Houveram grupos que apresentaram dificuldades na montagem desse circuito e grupos que se destacaram montando circuitos mais elaborados sem orientação prévia. Questionados sobre a luminosidade do circuito simples os discentes responderam que a luminosidade da lâmpada 'foi forte'.
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Indagados sobre a luminosidade do circuito em série responderam: 'mais fraca por que no circuito em série divide a tensão'. Sobre o circuito paralelo: 'forte e igual ao circuito simples por causa que no circuito paralelo divide a corrente e tensão continua a mesma'. Isto sugere que esta turma já tivera contato com termos da eletricidade em aulas anteriores.
Por outro lado, quando questionados sobre o motivo de uma lâmpada não estar acesa (circuito da Figura 2a), um estudante disse que a lâmpada (em série) que acendeu 'puxa' toda energia, enquanto outro estudante respondeu corretamente que as lâmpadas não acenderam porque a corrente se divide na parte paralela não havendo corrente o suficiente para acender a lâmpada. Contudo, a maioria não soube responder e nem relacionar esse experimento com a conservação da corrente elétrica, fato também argumentado por Vieira (1986) ao se referir às concepções intuitivas dos estudantes.
No CECEIJG, os estudantes tiveram dificuldades em entender o que era um circuito em série, paralelo e misto, o que se constituiu numa tarefa complexa sobre como abordar esse conteúdo, pois foi o primeiro contato dos estudantes com assuntos relacionados a eletrodinâmica. Inferimos que o estudo dos circuitos elétricos é um tema de difícil compreensão e necessitam de discussões em torno de situações experimentais como as que realizamos para promoverem o conflito cognitivo entre as concepções de senso comum e o mundo abstrato e formal dos conceitos científicos. Devido o tempo de aula ser apenas de 50 minutos não foi possível concluir atividade experimental como estava planejada. Contudo, a interatividade que os discentes tiveram com o experimento proporcionou um entendimento mais aprofundado dos conhecimentos em tela.
Avaliamos os resultados das atividades considerando as exposições orais dos alunos e a potencialidade da proposta desenvolvida para os ganhos de conhecimento dos sujeitos educativos. Na culminância do programa, realizamos a Exposição PibidFísica no pátio do IFBA, que contou também com a participação de estudantes do terceiro núcleo (Instituto de Educação Euclides Dantas - IEED). Nesta exposição, foram os estudantes do ensino médio que apresentaram as atividades desenvolvidas em suas salas de aula, a exemplo da atividade experimental sobre circuitos elétricos que destacamos anteriormente (Figura 3).
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Figura 3: Fotos da Exposição Pibid-Física.
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Nesse contexto, concluímos que o PIBID proporcionou aos discentes uma participação ativa nas aulas como alternativa ao ensino tradicional e oportunizou a troca de saberes e vivências entre núcleos, professores e estudantes de diferentes escolas. Em especial, para os estudantes do CECEIJG, que moram a 25 km da cidade, visitar o IFBA era algo impensável e contribuiu positivamente sobre as expectativas de estudo.
## Referências
ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. S. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física . v. 25, n. 2, 2003, p. 176-194.
SERÉ, M.; COELHO, S. M.; NUNES, A. D. O Papel da Experimentação no Ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . Florianópolis/BRA. v. 20, n.1, 2003, p.31-42.
VIEIRA, J. S.; Conservação de corrente elétrica num circuito elementar: o que os alunos pensam a respeito? Caderno Brasileiro de Ensino de Física . Florianópolis, v.3, n.1, 1986 p.12-16.
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