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APRENDIZAGEM BASEADA EM EQUIPES: O ESTADO DO CONHECIMENTO DAS PUBLICAÇÕES EM PERIÓDICOS NACIONAIS DE ENSINO DE FÍSICA

Matheus Gonçalves Da Silva, João Paulo Casaro Erthal

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## APRENDIZAGEM BASEADA EM EQUIPES: O ESTADO DO CONHECIMENTO DAS PUBLICAÇÕES EM PERIÓDICOS NACIONAIS DE ENSINO DE FÍSICA

## Matheus Gonçalves da Silva 1 , João Paulo Casaro Erthal 2

1 Universidade Federal do Espirito Santo/Departamento de Química e Física/g\_smatheus@hotmail.com 2 Universidade Federal do Espirito Santo/Departamento de Química e

- Física/jpertal@gmail.com

Palavras-chave : Team-Based Learning; Metodologia Ativa; Ensino de Física

## Resumo expandido

Nos últimos anos, metodologias ativas vêm ganhando destaque como uma contraproposta ao modelo tradicional de ensino. Essas abordagens, geralmente envolvem atividades de desenvolvimento de projetos, atividades em grupo, resolução de problemas contextualizados e discussões de conceitos (VALENTE, 2014). Segundo Freire (2014) elas estimulam processos construtivos de ação-reflexão-ação, tornando o aluno protagonista de sua própria aprendizagem a partir de situações práticas de experiências.

- O Team-Based Learning (TBL), ou, aprendizagem baseada em equipes, é uma metodologia ativa que proporciona aos estudantes a aprendizagem a partir de equipes de alto desempenho. O professor adota um caráter coadjuvante fazendo inserções apenas em momentos de instrução, enquanto o aluno se torna responsável por sua aprendizagem e pela aprendizagem de seus colegas (MICHAELSEN, 2002). Buscando compreender como TBL tem sido utilizado no ensino de Física, foi investigado qual é o estado do conhecimento das publicações sobre TBL aplicadas no ensino de Física em periódicos nacionais.

A coleta de dados foi feita a partir do levantamento de publicações no ensino de Física e Ciências nos últimos 10 anos nos periódicos nacionais estratificados pelo ranqueamento da CAPES como QUALIS A e B. A busca pelos artigos, foi realizada a partir das palavras-chave: Team-Based Learning , TBL, Aprendizagem baseada em Equipes e ABE, além de seus cruzamentos com os termos 'educação' e 'ensino de Física'. Após a leitura dos artigos, organizamos os dados com base em alguns aspectos descritivos a partir de uma adaptação da metodologia descrita por Garcez e Soares (2017). Neste trabalho avaliamos o número de publicações, o ano, as propostas pedagógicas, as principais diferenças entre os artigos, as tendências apresentadas, os resultados e discussões e o referencial teórico.

Encontramos apenas seis artigos após as buscas, distribuídos em seis periódicos nacionais, sendo eles: Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF), Revista de Educação de Ciências e Matemática (Amazônia), Revista Brasileira de Ensino de Ciências e Tecnologia, Revista Eletrônica Científica Ensino Interdisciplinar (RECEI), Experiências em Ensino de Ciências (EENCI) e A Física na Escola.

Oliveira et al. (2016) apresentam o TBL a partir de uma revisão bibliográfica com a finalidade de familiarizar os docentes com uma ferramenta pedagógica capaz de promover aulas interativas. Oliveira et al. (2016b) apresentam a metodologia de

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

ensino conhecida como Sala de Aula Invertida ( Flipped Classroom ) e alguns métodos ativos que podem ser associados a ela, como o TBL. Nesses dois artigos, os autores descrevem cada etapa do processo de 'preparação e aplicação' do TBL dando ênfase ao papel do professor e ao papel do estudante, como forma de auxílio para que outros docentes utilizem o TBL no ensino de Física.

Um estudo de caso exploratório foi utilizado como proposta pedagógica em quatro dos trabalhos encontrados (COELHO, 2018a, 2018b; ESPINOSA et al., 2019, 2020). Coelho (2018a) realiza uma comparação entre a utilização do TBL e do Peer Instruction (PI) em turmas do 1º ano do ensino médio, com o objetivo de avaliar na prática a eficiência dessas metodologias ativas. Um pré-teste foi utilizado para conhecer o nível de homogeneidade das turmas no início da pesquisa e após duas semanas de aula utilizando o TBL e o PI, um pós-teste foi aplicado para avaliar o desenvolvimento dos estudantes após as aulas. A partir do cálculo de ganho de Hake que indica a melhora efetiva dos alunos com base no pré e pós-teste, foi observado que os resultados encontrados foram abaixo do que a literatura reporta. Em uma análise interna Coelho percebeu que o PI gerou melhor resultado. Em um trabalho posterior, Coelho (2018b) também avaliou o potencial motivacional dessas turmas após um ano da utilização mista do TBL e PI em comparação a turmas que nunca tiveram contado com tais práticas ativas. Os discentes submetidos a utilização do TBL e PI ao final do estudo possuíram índices motivacionais maiores do que discentes não submetidos a essas abordagens. O autor associa esses resultados a utilização de métodos ativos, visto que proporcionam uma aprendizagem significativa e estimulam a autonomia dos discentes, podendo ser consideradas importantes ferramentas motivacionais. Os trabalhos de Coelho (2018a), (2018b) apresentam cerca de 80% de sua escrita muito similar, sendo literalmente a mesma em muitos parágrafos.

Espinosa et al. (2019) tiveram como objetivo compreender as atitudes dos alunos em relação a mudança do método de ensino tradicional para o TBL em uma turma de graduação. A observação dos estudantes em sala em conjunto com um questionário e uma entrevista semiestruturada foram utilizados como ferramentas para analisar o desempenho, crenças de autoeficácia em aprender física e o trabalho colaborativo dos alunos. Espinosa et al. (2020) aprofundaram o estudo anterior, analisando o impacto do TBL nas crenças de autoeficácia de um único estudante com baixos níveis de autoeficácia e histórico de reprovação que participou da equipe com melhor desempenho da proposta pedagógica estudada. Os trabalhos de Espinosa et al. (2019) e Espinosa et al. (2020) utilizaram a Teoria Social Cognitiva como referencial teórico em relação aos aspectos das crenças em autoeficácia. Em seus resultados foi visto que os estudantes tiveram atitudes positivas com relação a proposta pedagógica, favorecendo a autoeficácia do aprendizado de Física, a redução do estresse durante as avaliações e trabalhos em equipes. Espinosa et al. (2020) destaca que a autoeficácia em aprender Física do aluno foco do estudo aumentou, assim como a capacidade dele em resolver questões conceituais. As discussões em equipes e o auxílio do professor ao resolver as dúvidas dos alunos permitiram a redução do estresse e proporcionaram um ambiente colaborativo e propício para a aprendizagem significativa.

Um quantitativo pequeno de produções sobre o tema foi encontrado, mostrando a carência de pesquisas nessa área. A partir das análises dos artigos fica claro que o TBL é uma prática que favorece a aprendizagem dos estudantes através da interação em grupos. Isso revela a necessidade de futuros trabalhos que explorem as potencialidades e aplicações do Team-Based Learning . Neste sentido, os dados

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dessa pesquisa podem contribuir como referencial para outros estudos, pois apresentam os impactos e as vantagens do TBL destacadas nos artigos encontrados.

## Referências

COELHO, M. Uma Comparação Entre Team-Based Learning E PeerInstruction Em Turmas De Física Do Ensino Médio. Revista Eletrônica Científica Ensino Interdisciplinar , v. 4, n. 10, p. 40-50, 2018a.

COELHO, M. N. 6. Uma Comparação Entre Team-Based Learning E PeerInstruction E Avaliação Do Potencial Motivacional De Métodos Ativos Em Turmas De Física Do Ensino Médio. Experiências em Ensino de Ciências , v. 13, n. 4, p. 1-16, 2018b.

ESPINOSA, T.; ARAUJO, I. S.; VEIT, E. A. Crenças de autoeficácia em aprender física e trabalhar colaborativamente: um estudo de caso com o método team-based learning em uma disciplina de física básica. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia , v. 12, n. 1, p. 69-94, 2019.

ESPINOSA, T.; ARAUJO, I. S.; VEIT, E. A. A influência de métodos ativos de ensino na autoeficácia discente sobre aprender Física e trabalhar colaborativamente: um estudo de caso explanatório com o método Team-Based Learning. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas , v. 16, n. 36, p. 5-22, 2020.

FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido . [s.l.] Editora Paz e Terra, 2014.

GARCEZ, E. S. DA C.; SOARES, M. H. F. B. Um Estudo do Estado da Arte Sobre a Utilização do Lúdico em Ensino de Química. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 17, n. 1, p. 183-214, 2017.

MICHAELSEN, L. K. Getting started with team learning. Team learning: A transformative use of small groups. Westport, CT: Greenwood , 2002.

OLIVEIRA, T. E. DE; ARAUJO, I. S.; VEIT, E. A. Aprendizagem Baseada em Equipes (Team-Based Learning): um método ativo para o Ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 33, n. 3, p. 962, 2016a.

OLIVEIRA, T. E. DE; ARAUJO, I. S.; VEIT, E. A. Sala de aula invertida (flipped classroom): inovando as aulas de física. A Física na Escola , v. 14, n. 2, p. 13, 2016b.

VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de aula invertida. Educar em revista , n. 4, p. 79-97, 2014.

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