A ASTROFOTOGRAFIA COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE EM UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE FÍSICA E ASTRONOMIA
Victor Hugo Marcelino Da Gama Bentes, Aline Tiara Mota, Gabriel Santana Do Nascimento
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 21/07/2021
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A ASTROFOTOGRAFIA COMO ELEMENTO ESTRUTURANTE EM UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE FÍSICA E ASTRONOMIA
Victor Hugo Marcelino da Gama Bentes 1 , Aline Tiara Mota 2 , Gabriel Santana do Nascimento 3
- 1 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Volta Redonda/ victormbentes@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Volta Redonda/ aline.mota@ifrj.edu.br
- 3 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro/Campus Volta Redonda/ gabrielsantana.gs515@gmail.com
Palavras-chave : Astrofotografia, Ensino de Astronomia, Ensino de Física.
## Resumo expandido
Este trabalho apresenta uma proposta de utilização da Astrofotografia como elemento estruturante de uma sequência didática que pode ser aplicada em aulas de Física ou Astronomia para turmas do Ensino Médio e em disciplinas introdutórias do Ensino Superior.
Diversos autores (LANGHI, 2009; IACHEL, LANGHI e SCALVI, 2008; LANGHI e NARDI, 2007; SCARINCI e PACCA, 2006; LEITE, 2006) discorrem sobre os erros conceituais cometidos por alunos e professores ao falarem da Astronomia. Scarinci e Pacca (2006) e Leite (2006), por exemplo, propõem a realização de cursos de Astronomia e atividades observacionais a fim de apresentar situações que contribuam para a superação de tais erros.
Nesse contexto, a Astrofotografia é uma das possibilidades de se organizar atividades de popularização da Astronomia. Existem muitos perfis em redes sociais, por exemplo, com o objetivo de divulgar a Astronomia por meio de fotos.
Além disso, a Astrofotografia pode ser uma ferramenta de apoio ao aprendizado, como destaca Amaral (2019),
a astrofotografia surge como uma poderosa ferramenta de apoio ao aprendizado, uma vez que através dela podemos estudar as imagens da esfera celeste, 'congelando o movimento aparente dos astros', criando a oportunidade para uma análise mais cuidadosa dos fenômenos celestes (AMARAL, 2019, p.43).
Observar, coletar dados, organizar e analisar são etapas do processo de construção do conhecimento científico que muitas vezes são deixadas em segundo plano no contexto da sala de aula. A Astrofotografia é uma possibilidade para estruturar esse processo que começa com a observação das condições adequadas
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do céu, a localização dos corpos celestes em questão, o desenvolvimento de técnicas corretas de processamento de imagem e o uso da imagem produzida para discutir sobre temas relacionados à Física e à Astronomia.
Dessa forma, este trabalho propõe algumas possibilidades de se utilizar a Astrofotografia como estratégia para construir discussões sobre conceitos físicos e astronômicos.
O quadro 01 apresenta as etapas da proposta.
Quadro 01: Etapas da proposta
Para exemplificar cada uma das etapas, apresentamos algumas imagens produzidas pelos autores deste trabalho. A partir delas, é possível discutir vários conceitos físicos e astronômicos. Optamos por sugerir uma série de possibilidades que podem ser escolhidas e adaptadas pelos professores ao invés de utilizar apenas um conceito ou conteúdo.
A figura 01 destaca a constelação do Cruzeiro do Sul e as estrela Alfa e Beta do Centauro (à esquerda e abaixo). Para realizar a captura foi utilizado um smartphone Xiaomi Mi A2, com ISO 400, tempo de exposição de 32 segundos e abertura f/1.8.
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Figura 01: Constelação do Cruzeiro do Sul e Alfa e Beta de Centauro.
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A imagem pode ser usada para discutir características físicas de estrelas e explicar por que o tempo de exposição e a ISO tem tais valores. A sigla ISO significa International Organization for Standardization e é um padrão para a sensibilidade dos sensores fotográficos. Valores de ISO altas significam que os sensores das câmeras estão captando o máximo de luz. Então, para fotografar estrelas, precisamos de ISO's altas, pois estrelas estão há anos luz de distância e sua luz leva um certo tempo para chegar à câmera. Por sua vez, o tempo de exposição também precisa ser alto para que os sensores consigam registrar luz por mais tempo.
A figura 02 mostra uma imagem da Lua em seu Quarto Crescente.
Figura 02: Quarto Crescente
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A imagem foi feita por um smartphone Xiaomi Redmi Note 8 Pro, colocado diretamente na ocular de um telescópio Celestron newtoniano de 76mm de abertura, com uma ocular de 20mm. Esta técnica é conhecida como método afocal.
Ao produzir imagens como esta, o professor pode discutir muitos temas como as fases da Lua, as crateras lunares, a corrida espacial para a conquista da Lua e a
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própria esfericidade dos objetos celestes por meio do formato da linha terminador, que divide a parte clara da parte escura.
A figura 03 foi obtida com uma câmera DSLR da marca Canon, modelo EOS 60D. A ISO utilizada foi de 6400, o tempo de exposição foi de 30 segundos e a abertura do obturador foi 3.5. Trata-se do centro da Via-Láctea.
Figura 03: Centro da Via-Láctea
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A imagem apresentada na figura 03 passou por edição. Com o objetivo de destacar as diversas áreas de formação estelar, foi utilizado um editor gratuito para smartphone, o Snapseed 1 . Aumentando o contraste, diminuindo a temperatura e aumentando a saturação nas regiões onde existem nebulosas, foi possível destacar a essas áreas. O professor pode discutir em sala de aula os aspectos físicos sobre as cores dessas regiões onde estão as nebulosas e explicar os processos de formação de estrelas.
Esta proposta teve como objetivo mostrar como a Astrofotografia pode ser utilizada para estruturar uma sequência didática. O professor pode optar por ensinar diversos conceitos físicos e astronômicos, a partir da coleta, tratamento e análise das imagens.
Como destacou Amaral (2019), a Astrofotografia é uma poderosa ferramenta de apoio ao aprendizado. O professor pode envolver os alunos no processo de produção das imagens e utilizar a produção das fotos como uma estratégia para discutir uma série de conceitos importantes, desenvolvendo habilidades e competências que também são importantes para os cientistas como observar, refletir sobre o experimento (no caso como será feita a fotografia), coletar e analisar os dados (produzir e editar as fotos).
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## Referências
AMARAL, J.A. Astrofotografia como estratégia de ensino da Astronomia. Dissertação. Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências
Atmosféricas da USP. 163f. 2019.
IACHEL, G.; LANGHI, R.; SCALVI, R. M. F. Concepções Alternativas de Alunos do Ensino Médio sobre o Fenômeno de Formação das Fases da Lua. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia , v. 5, p. 25-37, 2008.
LANGHI , R; NARDI, R. Ensino de Astronomia no Brasil: Educação Formal, Informal, Não Formal e Divulgação Científica. Revista Brasileira de Ensino e Física , v31, n.4, p2, 2009.
LANGHI, R. Educação em Astronomia e Formação Continuada de Professores: A Interdisciplinaridade Durante um Eclipse Lunar Total. Revista LatinoAmericana de Educação em Astronomia , v. 7, p. 15-30, 2009.
LEITE, C. Formação do Professor de Ciências em Astronomia: uma proposta com enfoque na espacialidade . 2006. 274f. Tese (Programa de PósGraduação em Educação) - Faculdade de Educação da Usp. 2006. Disponível em: http://www.dme.ufscar.br/btdea/arquivos/td/2006\_LEITE\_T\_USP.pdf> Acesso em: 27jan 2021.
SCARINCI, Anne Louise; PACCA, Jesuína Lopes de Almeida. Um curso de astronomia e as pré-concepções dos alunos. Rev. Bras. Ensino Fís. 28, n. 1, p. 89-99, 2006 . Disponível em
, São Paulo , v. <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S180611172006000100012&lng=en&nrm=iso>. acesso em 27 Jan. 2021. https://doi.org/10.1590/S0102-47442006000100012.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.