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Pergunta (e resposta) de criança é coisa séria!

Beatriz Favero Bedin, Guilherme Macedo Soares, Maria Beatriz Fagundes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
21/07/2021
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PERGUNTA (E RESPOSTA) DE CRIANÇA É COISA SÉRIA!

## Beatriz Favero Bedin , Guilherme Macedo Soares 2 , Maria Beatriz Fagundes 3 1

- 1 Universidade Federal do ABC, beatriz.bedin@aluno.ufabc.edu.br
- 2 Universidade Federal do ABC, guilherme.macedo@aluno.ufabc.edu.br
- 3 Universidade Federal do ABC, mbeatriz.fagundes@ufabc.edu.br

Palavras-chave : Ensino investigativo de ciências naturais; Material didático; Educação básica.

## Resumo expandido

É ingênuo supor que crianças ao observarem e, principalmente, ao estranharem coisas e fenômenos que povoam o mundo ao seu redor não se envolvam vivamente num processo de construção de narrativas autorais sobre essas coisas e seus comportamentos, inventando personagens, palavras, modos de fazer e de sentir e, sobretudo, transcriando (SANTAELLA, 2005) os fenômenos do mundo sensível na forma de perguntas e respostas. Contudo, é também ingênuo supor que fornecendo às crianças perguntas e respostas para tais fenômenos, forjadas em transcriações como aquelas que com frequência organizam os discursos escolares, despertaremos seu interesse e/ou que tais perguntas e respostas irão encontrar lugar em suas narrativas sobre o funcionamento das coisas e de seus acontecimentos no mundo.

'Afinal, uma criança pergunta por que as coisas caem para baixo, e não qual é a força de atração gravitacional que a Terra exerce sobre um corpo de massa m.' (BAREDES, 2008, p.64);

E uma coisa não é igual a outra, ainda que, de alguma forma, ambas sejam a mesma coisa.

Por isso nossa motivação para o estudo e desenvolvimento de atividades pautadas na valorização da investigação (CARVALHO, 2009) como forma de despertar o interesse das crianças para temas e problemas da ciência surge, essencialmente, de um anseio por vislumbrar essas atividades, para além das estratégias e temas propostos, como possibilidade de pesquisa sobre as transcriações, manifestas na forma de perguntas e respostas enunciadas por e para

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crianças, que emergem na construção de diálogos entre elas e os adultos (pais, professores, educadores etc.).

Para a confecção da atividade, primeiramente realizamos estudos de fundamentação teórica referente as perguntas transcriadas pelas crianças em forma de fenômenos da ciência retratados nas atividades. A próxima etapa é composta da criação de um inventário de perguntas de crianças, que serão as perguntas-tema que irão ser respondidas no decorrer do folhetim. Então, há o planejamento da atividade. Para a divulgação, haverá dois formatos utilizados: digital e em forma de folhetins. O primeiro, ocorrerá no site do projeto e com periodicidade bimestral; os folhetins são compostos de três partes, o roteiro de atividades (material feito para auxiliar o responsável que irá participar da atividade com a criança), o caderninho de notas (material confeccionado para as crianças que realizarão a atividade) e a bibliotequinha (material para as crianças guardarem e consultarem posteriormente).

Nesta comunicação nos limitaremos a apresentar alguns resultados dessa pesquisa, em desenvolvimento no âmbito de um projeto de extensão universitária, colocando em foco as situações e perguntas que nortearam a construção da primeira versão de uma atividade desenvolvida a partir de reflexões enunciadas anteriormente. Essa atividade, com potencial para ser realizada em contextos formais e informais de educação científica, visa proporcionar e estimular um diálogo com crianças na faixa etária de 7 a 10 anos, a partir da formulação de perguntas sobre a constância -ou não -da forma e do volume de sólidos e líquidos observados em diferentes situações, como as apresentadas nas figuras a seguir:

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Figura 01 -Roteiro de atividade (página 1)

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Figura 02 -Roteiro de atividade (página 2)

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Figura 03 -Roteiro de atividade (página 3)

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Figura 04 -Roteiro de atividade (página 4)

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Figura 05 -Caderninho de notas (página 1)

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Figura 06 -Caderninho de notas (página 2)

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Figura 07 -Bibliotequinha

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Salientamos que os materiais utilizados para a realização das situações propostas são de fácil acesso e baixo custo (ver exemplos no folheto apresentado na figura 1) possibilitando que as atividades (todas as que serão desenvolvidas no âmbito do projeto) possam ser facilmente realizadas em casa ou na escola por crianças acompanhadas de adultos.

As atividades serão disponibilizadas na forma de folhetins, contendo informações sintéticas e de fácil compreensão, incluindo a faixa etária adequada, os conteúdos conceituais trabalhados, os objetivos pretendidos, bem como os materiais necessários para sua realização e um passo a passo com dicas para pais e/ou professores que pretendem utilizar esses folhetins.

Ao final do projeto todas as atividades serão divulgadas como folhetins em um website que ficará disponível para o público geral. Numa fase posterior, estão previstas também reformulações e complementações do material a partir das contribuições das próprias crianças e dos usuários que acessarem o website e que, por meio de um canal aberto, quiserem deixar registradas suas perguntas e respostas sobre os temas abordados nas atividades.

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## Referências

BAREDES, Carla. Um livro de ciência para crianças é um livrinho de ciência? In: MARANDINO, Martha et al . Ciência &amp; Criança : a divulgação científica para o público infanto-juvenil. Rio de Janeiro: Museu da Vida, 2008. Cap. 8, p. 64.

CARVALHO, Ana Maria Pessoa De; VANNUCCHI,, Andrea Infantosi; BARROS, Marcelo Alves; GONÇALVES, Maria Elisa Rezende; REY, Renato Casal de. (2009). Ciências no Ensino Fundamental : O conhecimento físico. São Paulo: Scipione.

SANTAELLA, Lucia. Transcriar, transluzir, transluciferar: a teoria da tradução de Haroldo de Campos. In: MOTTA, Leda Tenório da (Org.). Céu acima : para um 'tombeau' de Haroldo de Campos. São Paulo: Perspectiva, 2005, p. 221 -232.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.