Contribuições de Ilya Prigogine para o ensino das leis da natureza.
Leonardo Mendes Oliveira, José Alves Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## Contribuições de Ilya Prigogine para o ensino das leis da natureza
## Leonardo Mendes Oliveira¹ José Alves da Silva²
¹ Licenciando em Ciências - Universidade Federal de São Paulo - Campus Diadema lmoliveira30@unifesp.br
² Departamento de Ciências Exatas e da Terra - UNIFESP - Campus Diadema jose.alves@unifesp.br
Palavras-chaves: Prigogine; incerteza; indeterminismo.
## Resumo
A Física foi, historicamente, construída a partir de ideias e princípios baseados em ideais de perfeição, previsibilidade e determinismo (PIRES, 2020; MENEZES, 2005). Contudo, na natureza, a maioria dos fenômenos não tem esse comportamento ideal. Assim, é pertinente questionar: como a física, que foi criada com o objetivo de estudar a natureza, pode realizar este estudo quando construída, preponderantemente, a partir de tais idealizações? Seria possível tornar suas leis mais próximas a uma realidade imperfeita?
Ilya Prigogine (1917-2003), físico-químico russo, vencedor do Nobel de Química de 1977, descontente com esta maneira de construir a física, dedicou sua vida a pensar sobre essas questões (MASSONI, 2008; CARVALHO, 2017). Profundo conhecedor de diversas áreas, como filosofia, bioquímica, antropologia, história, etc., Prigogine escreveu diversas obras importantes, algumas publicadas no Brasil, como 'O Fim das Certezas (2011)'; 'Ciência, Razão e Paixão (2009)'; 'As Leis do Caos (2002)' e 'O Nascimento do Tempo (2008)'. A leitura destas obras pode trazer importantes contribuições para o 'diálogo com a natureza'' (PRIGOGINE, 2011, p.161) e para o ensino dessas leis. Portanto, este trabalho busca responder à questão: 'Quais são as possíveis contribuições de Prigogine ao ensino de física, a partir de sua compreensão sobre as leis da natureza?'
Para responder a esta pergunta, foi realizada, primeiramente, uma pesquisa bibliográfica em importantes periódicos do ensino de física do país, mas que, infelizmente, trouxe poucos dados obtidos. Passamos, então, para a leitura de suas obras publicadas no Brasil. Devido à riqueza e à complexidade de seus livros,
optamos por trabalhar com 'O Fim das Certezas: tempo, caos e as leis da natureza'. Em todos os casos, notamos, principalmente, a crítica em relação ao modelo de perfeição na física, adotado desde os seus primórdios.
Para construir sua crítica, Prigogine baseou-se, principalmente, nos trabalhos de Ludwig Boltzmann, físico austríaco, e de Henri Poincaré, matemático francês (MASSONI, 2008). O trabalho de Boltzmann possibilitou a Prigogine o domínio de bases teórica e matemática para sua discussão a respeito da entropia e para a sua defesa de que haverá sempre um sentido privilegiado no Universo para a passagem do tempo. É impossível acessar sistemas de menor entropia a partir de sistemas de maior entropia, e isto influencia a grande maioria dos sistemas, salvo raras exceções da mecânica quântica. Prigogine propôs, assim, que fosse adotada como regra a quebra da simetria temporal, ou seja, o fim da indiferença entre passado, presente e futuro, observada em grande parte da física (pelo menos matematicamente). Essa abordagem fez com que noções antes precisas, como trajetória, se tornassem probabilísticas. Isso forneceu, centralmente, um aspecto de incerteza, tipicamente presente na natureza, a qual deveria ser considerada como regra - não como exceção. Eventos certos, que apresentam 100% de chance de ocorrer, são raros, de modo que não podemos prever seus resultados com absoluta precisão. É possível, assim, romper de vez com o determinismo.
A seguir, apresentamos um quadro resumindo e comparando os assuntos tratados por Prigogine.
Quadro 1: A física tradicional e as mudanças propostas por Prigogine.
Prigogine propôs mudanças extraordinárias. Sua reformulação das leis básicas da natureza, bem como a criação de novas linhas de pensamento para interpretar futuras leis, são algumas de suas muitas contribuições. Prigogine propôs uma física mais próxima ao que é observado sem, contudo, desconsiderar os avanços já obtidos. Seja no ensino médio, seja no ensino superior, é interessante que sejam iniciadas discussões a respeito de suas ideias, apresentando o modelo atual adotado na física e as limitações que este possui. A física, ganha assim, um caráter vívido, reformulando e aperfeiçoando seus próprios alicerces. O caráter unicamente matemático, presente em peso no ensino médio, principalmente, perde sentido, pois ganhamos um caráter filosófico forte na discussão, como a noção de tempo irreversível e as suas consequências.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MENEZES, L. C. A Matéria, uma Aventura do Espírito: fundamentos e fronteiras do conhecimento físico. 1ª. ed. São Paulo. Editora Livraria da Física, 2005, 280p.
PIRES, F. F. Influência das concepções de estética e simetria de licenciandos em ciências no ensino da mecânica newtoniana. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de São Paulo. Diadema: Unifesp, 2020. 164p.
PRIGOGINE, I. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo: Ed. Unesp, 2011. 203p.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. 2009, 110p.
Ciência, razão e paixão. 2ª. edição. São Paulo: Livraria da Física:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. El redescubrimiento del tiempo. Archipiélago - cuadernos de crítica de la cultura. Editorial Archipiélago, Madri, nº 10-11, 1992, p.69-82.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_.
O nascimento do tempo. São Paulo: Edições 70. 2008. 76p. 110p.
CARVALHO, R. F. As contribuições do físico-químico Ilya Prigogine para uma nova compreensão da História. Atas do ANPUH . Brasília, 2017. 15p. Disponível em: https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1488759492\_ARQUIVO\_Ascontr ibuicoesdofisico-quimicoIlyaPrigogineparaumanovacompreensaodaHistoria.pdf. Acesso em 08 de março de 2021.
MASSONI, N. T. Ilya Prigogine: uma contribuição à filosofia da ciência. Revista Brasileira de Ensino de Física . V.30. no.2. 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S1806-11172008000200009. Acesso em 08 de março de 2021.
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