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EXPERIMENTOS DO CADERNO DO ALUNO DO ESTADO DE SÃO PAULO UTILIZADOS POR PROFESSORES DE FÍSICA: REFLEXÕES DESTA PRÁTICA

Wilians Roberto Gonçalves, Alice Assis

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
20/07/2021
Linha de pesquisa
Questões Curriculares No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EXPERIMENTOS DO CADERNO DO ALUNO DO ESTADO DE SÃO PAULO UTILIZADOS POR PROFESSORES DE FÍSICA: REFLEXÕES DESTA PRÁTICA

## Wilians Roberto Gonçalves¹, Alice Assis²

- 1 Universidade Estadual Paulista - UNESP, wil.fis15@gmail.com
- 2 Universidade Estadual Paulista - UNESP, aliassis@gmail.com

Palavras-chave : Professores de Física; Atividade Experimental; Caderno do aluno.

## Resumo expandido

Uma das reflexões que pode mobilizar o professor a utilizar experimentos nas aulas de Física está relacionada ao fato de despertar, nos alunos, interesse pela disciplina e motivação para a aprendizagem de conteúdos muitas vezes considerados abstratos.

A imagem que as pessoas têm da física é geralmente criada na escola, resultado do ensino ali praticado. O que prevalece na prática pedagógica da maioria dos professores é o formalismo, enquanto o contato com a fenomenologia, esse lado da física que as pessoas consideram mais atrativo, é pouco valorizado, e por vezes até mesmo esquecido por completo. Enfatiza-se demasiadamente uma física matemática em detrimento de uma física mais conceitual, mais experimental e com mais significado para a vida das pessoas (BONADIMAN et al., 2004, p.1).

Por meio do experimento o aluno pode deixar a inércia e interagir mais nas aulas, perguntando, discutindo, avaliando. Para que isso ocorra, ou seja, para que o aluno adquira essas habilidades de interpretação e conclusão, é necessário que o professor assuma uma postura de mediador, de modo a viabilizar uma participação ativa do aluno no processo de ensino e aprendizagem.

Essa postura abre espaço para a criatividade, questionamento e reflexão por parte do aluno, o que condiz com a abordagem investigativa. Segundo Pinho Alves (2002), o uso de atividades experimentais nessa perspectiva viabiliza o questionamento do fenômeno em questão, de forma que 'o estudante não se limita a 'imitar o cientista' de forma caricatural e artificial, mas através do envolvimento e do desafio de checar suas próprias hipóteses' (p.7, aspas do autor).

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Ao mediar tais atividades, é importante que o professor esteja preparado para elaborar perguntas, cabendo a ele a função de auxiliar os alunos na exploração dos experimentos. Aos alunos cabe levantar hipóteses que os guiarão no desenvolvimento das tarefas e no percurso para a comprovação ou não dessas hipóteses.

Levando em conta tais considerações, esta pesquisa apresenta reflexões acerca da experiência de três professores de física do primeiro ano do Ensino Médio, das cidades de Lavínia e Mirandópolis, localizadas no interior do estado de São Paulo, acerca do uso de experimentos em uma situação real de sala de aula. Tem-se como objetivo analisar como se posicionam e o que pensam sobre a utilização de experimentos enquanto professores do Ensino Médio.

Para tanto, são analisadas as narrativas (FREITAS e FIORENTINI, 2007) desses professores acerca das suas vivências durante o planejamento, desenvolvimento, execução das atividades experimentais, segundo orientações do caderno do professor e caderno do aluno do estado de São Paulo, (SÃO PAULO, 2017). O uso de narrativas possibilita reflexões sobre a experiência docente, ao mesmo tempo em que o distanciamento entre a ação e a escrita permite olhar o passado possibilitando encontrar sentidos e significados nas ações.

Esta pesquisa mostra que as narrativas podem ser um instrumento profícuo em situações como esta, ao permitir a reflexão de si e para si sobre experiências vivenciadas por meio de situações reais de prática docente. Mostra também que os professores em questão consideram que o uso de atividades experimentais torna o conteúdo mais interessante do que trabalhado somente por meio de exercícios e resolução de problemas.

Não que tais conclusões sejam novidades, mas o que está em jogo aqui é o fato de os professores de física avaliarem as variáveis que possibilitam que uma atividade, seja um recurso motivador para os seus alunos, que os despertem para o aprendizado, que mostre suas vantagens e desvantagens.

A análise das narrativas mostra a possibilidade de que esses professores se (re)descubram profissionalmente, para atuarem diante de situações inesperadas, atendendo a cada tipo de dificuldade como se fosse única e avaliando o seu próprio potencial perante o desafio da profissão docente.

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Durante esse processo de reciclagem diária que os professores enfrentam em busca do aperfeiçoamento em sua prática, eles teceram algumas críticas aos cadernos do professor e aluno. Para eles, os experimentos propostos são apresentados como receitas de bolo e não de maneira que faça o aluno refletir sobre o que está fazendo, contudo, em alguns casos faltam passos, dificultando o desenvolvimento do experimento.

Outro problema que os professores enfrentam são os materiais de difícil acesso. A maioria das escolas públicas não têm verba destinada para a compra desses materiais, de modo que a falta de materiais e laboratórios leva os professores a não realizarem atividades experimentais. Em decorrência disso, surge a pergunta: As condições de trabalho é fator determinante para o interesse do professor em trabalhar com atividades experimentais?

Outro fator que deve ser questionado sobre os cadernos do professor e do aluno, São Paulo (2017), que foram citados pelos professores, refere-se à falta de aprofundamento teórico e conceitual e de problemas bem elaborados. Todos esses recursos, entre outros, são oferecidos pelo material, contudo, a crítica se dá pela maneira que tais recursos didáticos se apresentam, sendo necessário constante formação continuada do professor para saber lidar com as lacunas presentes no material e que afetam a aprendizagem dos alunos.

## Referências

BONADIMAN et al. Difusão e Popularização da Ciência: Uma Experiência em Física que deu certo. Disponível em: <http://www.cienciamao.usp.br/dados/snef/\_difusaoepopularizacaodac.trabalho.pdf >. Acesso em 14 de junho de 2014.

FREITAS, M. T. M.; FIORENTINI, D. As possibilidades formativas e investigativas da narrativa em educação matemática. Horizontes , v. 25, n. 1, p. 6371, jan. / jun. 2007.

Material de apoio ao currículo do Estado de São Paulo: caderno do professor; física, ensino médio, 2a série / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira, Yassuko Hosoume. - São Paulo: SE, 2017. v. 2, 136 p.

PINHO ALVES, J. Atividade Experimental: uma alternativa na concepção construtivista In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 8., 2002. Atas... Águas de Lindóia, SP, 2002, p. 1-21.

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