A FÍSICA NO CURRÍCULO DE CIÊNCIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL JAPONÊS: PERSPECTIVAS DOS PROFESSORES E PARALELOS COM A BNCC
Pedro Terra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A FÍSICA NO CURRÍCULO DE CIÊNCIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL JAPONÊS: PERSPECTIVAS DOS PROFESSORES E PARALELOS COM A BNCC
## Pedro Terra 1
1 Colégio Pedro II, pedro.terra@cp2.g12.br
Palavras-chave : BNCC, Ensino fundamental, Ensino de ciências
## Resumo expandido
As transformações trazidas pela BNCC e pela reforma do ensino médio modificaram como os conhecimentos da física se fazem presentes em todas as etapas da educação básica, convidando-nos a refletir sobre novos arranjos curriculares e sobre a articulação do currículo entre ensino fundamental e ensino médio. A maior presença da física no ensino fundamental e a etapa flexível no ensino médio, denominada itinerários formativos, aproximam a moldura curricular de ciências no Brasil daquela do Japão. Neste momento, em que essas transformações estão em curso de implementação, podemos olhar para o currículo japonês em busca de características que contribuíram para conduzir este país a resultados positivos na avaliação de letramento científico do PISA, e que possam ser incorporadas a currículos brasileiros construídos sob a BNCC.
Neste trabalho, analisamos o curso de estudos japonês - documento que equivale à BNCC no caso brasileiro - para identificar características da organização dos conteúdos pertinentes à física. Corroboramos essa análise por meio do exame de 4 livros didáticos de ciências na etapa intermediária da escolarização, correspondente ao ensino fundamental II.
Foi possível identificar três características claras: a distribuição equilibrada de conhecimentos da física ao longo de todas as séries de ciências; o ensino baseado em experimentos e observações com resultados quantitativos, fundamentando a compreensão conceitual dos fenômenos; e a recursividade na abordagem dos conteúdos. Cada tópico de Física do Ensino Médio se relaciona com ao menos um tópico no Ensino Fundamental II e um tópico no Ensino Fundamental I, o que também é verdade para outras áreas em ciências. Em cada nível, são introduzidos novos conteúdos, e um novo grau de profundidade na abordagem.
Realizamos, então, um questionário para investigar a percepção dos professores japoneses e brasileiros acerca da distribuição dos conteúdos e da recursividade, para efeito do ensino e da aprendizagem de ciências em seus contextos respectivos. Obtivemos respostas de 62 professores japoneses e 67 professores brasileiros, entre professores de ciências no Ensino Fundamental e professores de Física do Ensino Médio.
Apresentaremos em detalhe o resultado desse questionário. Acerca da distribuição dos conteúdos (Figura 1), as respostas dos professores japoneses indicam em torno de 25% do tempo de instrução dedicado à física, consistentes com
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a divisão de ciências em 4 áreas no currículo deste país, uma das quais é relativa a esse componente curricular. No Brasil, observamos uma maior dispersão nas respostas, com indicação de aumento no contexto pós-BNCC. Além disso, professores de ambos os países consideram que o ensino de física na etapa do ensino fundamental 2 ganha importância devido à desuniformização do ensino de física no ensino médio (Figura 2).
Figura 1: Distribuição as respostas à pergunta: 'Na sua percepção, que porcentagem do tempo de ensino em Ciências do Ensino Fundamental - 2º ciclo é efetivamente dedicado a conteúdos da disciplina Física?'
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Figura 2: Respostas à pergunta: 'Já que nem todos os alunos estudarão Física no Ensino Médio, torna-se mais importante ensinar Física em Ciências do Ensino Fundamental 2.'
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Pudemos, também, observar que a recursividade é uma característica percebida como positiva pelos professores japoneses e desejável pelos professores brasileiros, tanto para o ensino quanto pela aprendizagem (Figuras 3 e 4).
Figura 3: Respostas à pergunta: 'Posso ensinar mais efetivamente um conteúdo, caso os alunos já tenham estudado conteúdos correlatos em séries anteriores.'
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Figura 4: Os alunos aprendem melhor um conteúdo, caso já tenham sido expostos a ele anteriormente.'
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Finalmente, podemos concluir que a análise do caso japonês e das percepções dos professores trazem recomendações para a construção de currículos de ciências no novo arranjo educacional brasileiro. Incorporar a recursividade nos currículos e garantir equilíbrio na distribuição do tempo de instrução em ciências para que os conteúdos de física, bem como aqueles associados a outros componentes curriculares, sejam bem contemplados.
## Referências
ARIMA, A. et al. Rika no sekai 2 . Tokyo: Dainippontosho, 2016.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, 2018.
HOSOYA, H. et al. Shizen no tankyuu chuugakkou rika 2 . Tokyo: Kyouikushuppan, 2018.
JAPAN. Ministry of Education, Culture, Sports, Science and Technology MEXT. Chuugakkou gakushuu shidou youryou (Heisei 29 nen kokuji) . Tokyo, 2017.
MURI, A. Letramento científico no Brasil e no Japão a partir dos resultados do PISA. 2017. Tese (Doutorado) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.
SHIMODA, K. et al. Chuugakkou rika 2. Tokyo: Gakkoutosho, 2018.
TSUKADA, M. et al. Mirai e hirogaru saiensu 2 . Tokyo: Shinkou shuppansha keirinkan, 2016.
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