IDENTIDADE DOCENTE E CONFIGURAÇÕES CURRICULARES: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA
Itana Da Purificação Costa, Suiane Ewerling Da Rosa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 20/07/2021
- Linha de pesquisa
- Questões Curriculares No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2021
Texto completo
## IDENTIDADE DOCENTE E CONFIGURAÇÕES CURRICULARES: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA
## Itana da Purificação Costa 1 , Suiane Ewerling da Rosa 2
- 1 Universidade Federal do Oeste da Bahia, itanapcosta@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Oeste da Bahia, suiane.rosa@ufob.edu.br
Palavras-chave : Identidade Docente; Currículo; Ensino de Física
## Resumo expandido
O currículo é o caminho pelo qual as finalidades educacionais tomam forma e se materializam. Ao analisar legislações educacionais e pesquisas do ensino de física (EF), são perceptíveis às mudanças de concepções sobre currículo. No entanto, na área, em 2004, somente 9% da produção¹, e em 2009, apenas 4 trabalhos num universo de 152² se configuraram neste campo, demonstrando que ele é pouco explorado. Paralelamente, os problemas na área continuam: aulas matematizadas e dissociadas da realidade e com alta taxa de reprovação. Isto nos leva a questionar o quanto esta lacuna dificulta transformações educacionais, já que currículo constrói e é construído nessas ações, na formação das identidades e constituição dos sujeitos e na função social da escola.
Dessa maneira, propomos como objetivo evidenciar relações existentes entre identidades docentes e configurações curriculares, a partir de estudos sobre perfis profissionais (especialista técnico, profissional reflexivo e o intelectual crítico)³ e suas articulações com teorias de currículo⁴ e identidade⁵⁶. Essas articulações sustentamse pelo entendimento de que o currículo se liga a prática docente, atuando como um mediador entre ideias e ações³.
- O currículo é debatido a partir de teorias que derivam de um contexto sociocultural. A teoria tradicional, por exemplo, define currículo como um instrumento que serve de guia para alcançar uma formação baseada nos conhecimentos e as habilidades necessárias para a sociedade. Já as teorias críticas emergem como reflexo de interesse de uma classe sobre a outra, logo o currículo pode concretizar a manutenção da hegemonia ou a transformação da sociedade. Nessa, é necessário questionar as intenções e propósitos envolvidos. Compartilhando essas questões, e inserindo outros debates socioculturais de gênero, raça, etnia, etc. tem-se os estudos pós-críticos⁴.
Referente à identidade, destaca-se que ela é uma construção histórico-social, na qual representações e práticas, formas de ver, agir e interagir só ganham significados se expressas no contexto de um grupo e de uma temporalidade⁵. De modo similar, a identidade docente se estrutura. Em geral, tem como eixo diretivo a formação inicial, mas não se encerra nesta, pois parte do que concebe-se como profissão docente resulta da perspectiva histórica do seu papel social.
- É, assim, que entendemos os perfis docentes³. Apesar de diferentes, eles representam formas de compreensão sobre o que é ser professor, o que é necessário
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
19 a 30 de julho de 2021 - Online
para tal e sua prática, além de definir quais as responsabilidades, ou, ainda, entender de forma diferenciada '[...] de onde procedem os valores educativos e os compromissos morais, a relação existente entre a prática e as exigências e condições de seu contexto social'³ (p. 209).
O racionalista técnico é um profissional onde os fins são a chave, e estes não são determinados pelos docentes. A sua função está no domínio técnico do conhecimento e das metodologias buscando a efetivação e alcance dos fins. A educação é vista pela perspectiva da eficácia, eficiência e produtividade, não sendo necessário questioná-la, mas executá-la. Este perfil converge com os propósitos das teorias tradicionais de currículo e é o de mais fácil acomodação, por conta da proletarização dos professores, que dificulta o exercício crítico-reflexivo e uma prática diferenciada.
Em avanço, tem-se o profissional reflexivo. Nesse, os valores educativos são pessoalmente assumidos. A reflexão sobre a própria prática e a valorização da experiência são habilidades potencializadoras, sendo que a repetição e o maior número de experiências é o que implicará estabilidade e ajudará a formar o professor. O profissional reflexivo é um agente interno de transformação, que através da sua experiência recriará os caminhos necessários para alcançar os fins.
Ainda que esse profissional apresente protagonismo maior sobre o currículo, seu enfoque é, principalmente, para o ensino-aprendizagem. A dinâmica exterior a sala de aula ainda não foi incorporada às suas reflexões. Quando isso acontece, o olhar sobre a escola muda, o seu papel diante de uma totalidade que reflete hegemonia leva ao questionamento sobre o propósito escolar. Aspectos que se articulam com as teorias críticas e pós-críticas do currículo, e se alinham ao perfil docente do intelectual crítico. Este acredita que a educação deve propiciar emancipação crítica, para tornar a sociedade mais justa. A escola é espaço de reflexão e crítica social, das distorções ideológicas e dos condicionantes institucionais, pois essas práticas podem representar interesses de dominação. Portanto, o trabalho é coletivo, nada adianta pensar apenas na sua prática.
A discussão apresentada não está em eliminar/substituir o profissional reflexivo, pois muitos docentes ficam limitados/reduzidos às situações/características/demandas escolares³, mas apresentar possibilidades, até por quê embora as perspectivas de trabalho do docente 'sobre a prática educativa e seu sentido estejam estruturadas pela ideologia dominante, as contradições e dilemas que originam a própria experiência de ensino provocam uma tensão com esse conhecimento ideológico'³ (p. 162). Assim, o intelectual crítico, a partir disso, questionará o currículo não somente nas questões pedagógico-metodológicas, mas também no contexto social amplo, nos propósitos socioeducacionais, pois o entende como campo cultural de disputa, e o transformará a partir disto, se articulando a uma formação cidadã-emancipatória.
Discutir as relações entre currículo e identidade provoca-nos a questionar a função social da escola, da prática docente, da formação inicial/continuada. Em pesquisas do EF⁶, há destaques para a perpetuação de uma tradição na formação inicial. Problematiza-se que mesmo com as disciplinas didáticos-pedagógicas amparadas pela pesquisa e aplicações em sala, suas proposições não serão assimiladas se os professores do 'núcleo duro' não se afinarem com elas. Em geral, a identidade docente que resulta desta tradição, sustenta-se por uma didática espontânea, com caráter estrutural e conceitual, de um EF descontextualizado
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
orientado por técnicas matemáticas, atividades experimentais, focado no cumprimento do conteúdo e na avaliação objetiva⁶. Aspectos que refletirão na construção/propósito do currículo escolar. Portanto, o intuito deste trabalho não é determinar o melhor perfil docente, mas discutir suas relações com o currículo, suas limitações e potencialidades frente a propósitos socioeducacionais, tendo em vista que identidades constroem currículos e vice-versa, implicando em diferentes práticas que podem atuar na manutenção ou transformação dos aspectos curriculares e do EF.
## Referências
- 1. NETO, J. M.; PACHECO, D. Pesquisas sobre o ensino de física no nível médio no Brasil. Concepção e tratamento de problemas em teses e dissertações. In: NARDI,
- R. (org.). Pesquisas no ensino de física . 3 ed. São Paulo: Escrituras editora, 2004.
- 2. REZENDE, F.; OSTERMANN, F.; FERRAZ, G. Ensino-aprendizagem de física no nível médio: o estado da arte da produção acadêmica no século XXI. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 1, p. 1-, 2009.
- 3. CONTRERAS, J. Autonomia de professores . 2 ed. São Paulo: Cortez, 2012. 4. SILVA, T. T. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo . 3 ed. Belo Horizonte:Autêntica, 2014.
- 5. GUIMARÃES, Y. A. F. Identidade Curricular na Formação Inicial de professores de Física . 2014. Tese (Doutorado em Ensino de ciências). Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, Instituto de física, Instituto de química e Instituto de Biociências. São Paulo, 2014.
- 6. YAMAZAKI, S. C.; YAMAZAKI, R. M. O. Formação do professor de ciências entre distintos habitus: afinal, qual a sua identidade? Areté Revista Amazônica de Ensino de Ciências , v.10, n.22, p. 246-259, 2017.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.